A Comissão Europeia apresentou recentemente o pacote de medidas do Acordo Verde (Green Deal) com o objetivo de, até 2024, estabelecer as normas de produção sustentável no território europeu, incentivar a economia circular e capacitar os consumidores para a transição verde. Conforme o Plano de Ação para a Economia Circular, a UE propõe novas regras para tornar os produtos no mercado europeu mais amigos do ambiente, circulares e energeticamente eficientes ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a fase de conceção, utilização diária, reaproveitando e fim de vida.
Nessa estratégia global está uma ação muito específica sobre a indústria da moda no sentido da produção de têxteis mais duráveis, reparáveis, reutilizáveis e recicláveis. Com a intenção de acabar ou restringir ao máximo a fast fashion até 2030, as novas regras de design ecológico prevêm que as empresas contabilizem a quantidade de produto que não está a ser vendido e que é enviado para os aterros sanitários, de maneira a combater os resíduos têxteis. Outras medidas podem também passar por ter de usar uma certa quantidade de conteúdo reciclado nos novos produtos ou restringir o uso de materiais que os tornam difíceis de reciclar.
Em média, cada cidadão europeu deita fora 11 kg de roupas, sapatos e outros produtos têxteis. Os têxteis são o quarto maior emissor de gases de efeito estufa, depois dos alimentos, habitação e transporte, além de consumir grandes quantidades de água e matérias-primas.
“Os produtos que usamos todos os dias precisam durar”, disse Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Acordo Verde. “Se os produtos se estragarem, devemos repará-los. Um smartphone não deve perder a sua funcionalidade”, afirmou. O comissário para o Ambiente, Virginijus Sinkevičius, afirmou que a UE quer que a fast fashion “saia de moda” e que até 2030 os têxteis colocados no mercado europeu sejam duradouros, recicláveis e na sua maioria feitos a partir de fibras recicladas.
O pacote de medidas inclui também uma proposta de novas regras para capacitar os consumidores na transição verde e estar mais bem informados sobre a sustentabilidade dos produtos.
Com a intenção de tornar o sustentável a norma, a proposta de um Regulamento de Ecodesign estabelece novos requisitos, nomeadamente a criação de um Passaporte digital que visa facilitar a reparação ou reciclagem dos produtos e o rastreamento de substâncias nocivas utilizadas ao longo da cadeia de abastecimento. A proposta também contém medidas para acabar com a destruição de bens de consumo não vendidos, bem como expandir os contratos públicos verdes e fornecer incentivos para produtos sustentáveis.