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Denise Calado

Consumo sustentável: Um paradoxo?

12 Abril, 2022 by Denise Calado

O consumo sustentável assenta no princípio da utilização de produtos, energia e serviços de forma a mitigar o impacto no ambiente e ao mesmo tempo satisfazer as necessidades dos consumidores no presente e futuro.

As marcas, por sua vez, têm como objetivo criar valor através do seu crescimento, ou seja, que o seu produto ou serviço seja adquirido pelo maior número de consumidores para que possa garantir a sua sustentabilidade presente e futura.

O paradoxo está em como é que uma marca mitiga o impacto ambiental ao mesmo tempo que estimula o maior consumo possível para garantir a sua sobrevivência, a criação de postos de trabalho e a geração de riqueza para a sociedade.

As marcas podem abordar este desafio em duas dimensões complementares:

  • Boas práticas ambientais, tais como a utilização de reciclagem, substituição de combustíveis fósseis por energia limpa nos seus meios de produção, tratamento e otimização do consumo de água e reaproveitamento ou reutilização de meios. Estas práticas são as mais fáceis de implementar, têm elevada visibilidade junto dos consumidores, mas o seu impacto, apesar de muito importante e relevante, é relativamente baixo quando comparado com a eliminação de desperdícios.
  • Eliminar o desperdício. Como crescer reduzindo o desperdício? Esta prática é a mais complexa e com uma execução prolongada no tempo. A sua execução requer transformações profundas nos modelos de negócio e no desenvolvimento da tecnologia. Por esse motivo tem tido menos visibilidade, mas é a prática com maior potencial de redução do impacto ambiental. Cada indústria é um caso, mas só para se ter ideia da dimensão do problema podemos tomar como exemplo a indústria têxtil onde anualmente mais de 30% da sua produção não é vendida, e que apesar de esforços de reciclagem, não impedem a destruição de toneladas de peças de vestuário que não necessitavam de ter sido produzidas.

Persiste então o dilema de como continuar a crescer, aumentar o consumo e reduzir o desperdício? A resposta poderá estar na produção on demand e de modelos de negócio focados nas reais necessidades dos consumidores, mantendo níveis de inovação elevados e de satisfação das necessidades particulares de cada consumidor.

Para atingir este fim as marcas terão de investir substancialmente na sua transformação digital e em tecnologia que permita a ligação direta entre a conceção ou customização de um produto pelo consumidor e o seu fabrico a pedido.

Este novo formato pode ser visto como a “medievalização” da Indústria, onde o artesão vendia diretamente ao consumidor de acordo com as especificações do mesmo. A falta de capacidade de escala levou à massificação da produção e às cadeias de valor tradicionais que conhecemos hoje e cujo status quo está a ser posto em causa pela transformação digital e necessidade de redução de desperdício. A tecnologia permite a escalabilidade de produção que na idade média não era possível.

Parece ficção científica, mas não é. Hoje, em determinadas indústrias, já começa a ser uma realidade. Voltando à indústria têxtil, em Portugal já temos fábricas que se associaram a empresas tecnológicas que desenvolveram algoritmos de customização que permitem aos consumidores comprarem t-shirts feitas à sua medida e exclusivamente para eles. Estas associações estão a dar origem a novas marcas que começam a agitar as águas para os incumbentes.

Noutras indústrias o mesmo se começa a observar com o advento da tecnologia de Impressão 3D onde protótipos e produtos finais se fabricam a pedido sem qualquer problema de escalabilidade na capacidade de entrega.

De facto, a história é cíclica e quem poderia dizer que o modelo de negócio D2C – Direct to Consumer não é mais que o voltar à relação entre o produtor e o consumidor, mas numa escala sem precedentes. Ao mesmo tempo, reduzindo ou eliminando o desperdício dos modelos tradicionais, contribuindo assim para um Planeta mais sustentável e consumidores mais satisfeitos.

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder
Subscreva a Líder AQUI.

Arquivado em:Artigos, Leading Brands

Em tempo de guerra, como construir a Paz?

12 Abril, 2022 by Denise Calado

Porque a Paz é muito mais do que a ausência de guerra, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) criou o documento “Conversar sobre a Paz” onde explica como  podemos ajudar a construi-la. Conforme especifica, primeiro devemos lembrar que “a violência gera (mais) violência, divisões societais profundas e uma multiplicação das desigualdades e injustiças” e que a paz “implica a existência de condições físicas, sociais, económicas, políticas, culturais e ecológicas que apoiem o desenvolvimento, em harmonia, de todos os cidadãos e cidadãs”.

Neste documento, a OPP diz que todos podemos fazer alguma coisa e que é importante ser realistas face à dimensão do desafio que é construir a Paz, bem como ao compromisso que exige fazê-lo. Muitas vezes, ideias e ações simples são eficazes e contribuem para a solução dos problemas e para a construção da Paz.

O que podemos fazer para ajudar a construir a paz?

Agir. Não podemos limitar-nos a desejar ou a esperar que haja Paz. Temos de nos envolver ativamente na sua criação e construção. Todos podemos contribuir para a Paz nos seus diferentes contextos de vida (na família, no trabalho ou na escola) e ser um/a “ativista pela Paz” (votando, escrevendo um artigo para o jornal, praticando voluntariado, cantando uma música, utilizando as redes sociais para disseminar mensagens de Paz e tolerância, criando espaços de partilha no nosso grupo de amigos ou na nossa comunidade, etc.).

Sentirmo-nos em Paz. Na verdade, a forma como agimos e reagimos também influencia as reações daqueles que estão à nossa volta – somos “modelos de comportamento” particularmente para as crianças e jovens. Por isso, construir a Paz é um processo que temos de fazer connosco mesmos, internamente.

Defender e respeitar os valores da Justiça, da Igualdade e os restantes Direitos Humanos. A Paz, a Justiça e a Igualdade são lados da mesma moeda. Reconhecer os Direitos Humanos é defender que todas as pessoas, independentemente das suas diferenças e possíveis discórdias, têm o direito a ser tradas com dignidade e justiça, a ver a suas necessidades satisfeitas e o seu potencial realizado. Por outro lado, é também necessário reconhecer que as desigualdades e as iniquidades alimentam, diretamente, o conflito e a violência, e, indiretamente, outros fenómenos sociais (como a pobreza, por exemplo) que, por sua vez, podem também ser geradores de violência.

Desenvolver sensibilidade e conhecimento sobre a diversidade cultural. É importante conhecermos a diversidade de costumes e crenças ao longo do espaço e do tempo, as características de civilizações do passado e do presente. A globalização aproximou-nos, mas continuamos a ser “estranhos” uns para os outros, apesar do volume gigante de informação que partilhamos. Para conhecermos a outra pessoa é preciso desenvolver curiosidade e interesse em fazer perguntas e escutá-la; procurarmos pontos em comum (por exemplo, apesar de podermos ter várias identidades, há identidades que todos partilhamos – portugueses, ucranianos e russos, somos todos europeus e europeias, somos todos humanos). Só assim será possível desconstruirmos estereótipos e preconceitos, evitando a discriminação.

Resolver problemas e conflitos de forma não violenta. Tal como a violência é aprendida, também a resolução de problemas e conflitos de forma não violenta o pode ser. Podemos aprender a seguir um conjunto de passos perante um problema ou situação de conflito.

 

Mais informações aqui.

Arquivado em:Artigos

Novo estudo: igualdade de género é uma prioridade para a Geração Z

11 Abril, 2022 by Denise Calado

Um novo estudo global veio mostrar que a Geração Z se preocupa tanto com a igualdade de género como com questões empresariais e ambientais, mais do que qualquer outra faixa etária.

O relatório “The World is Changing. How will you help?” feito a partir da análise elaborada pela Team Lewis Foundation em parceria com a HeForShe, uma organização das Nações Unidas que visa incentivar homens e jovens rapazes a apoiar a igualdade de género e a capacitação das mulheres, revelou, contudo, que a Geração Z classificou as oportunidades económicas, as questões LGBTQ+ e as alterações climáticas à frente da igualdade de género, que é, então, a quarta questão social mais urgente.

Em comparação, a igualdade ficou em sétimo lugar para a média global de todas as idades.

O estudo feito a um universo geral de 8 mil pessoas com 18 ou mais anos de idade, de vários países, veio também averiguar que, se para 66% da Geração Z a igualdade de género é um problema sério, esse número baixa para 51% nos inquiridos com idade superior a 65 anos. A Geração Z também está mais ciente de que as mulheres são afetadas desproporcionalmente pelas alterações climáticas – quase um quarto (24%) entende que isto é um problema. Em comparação, só 17% dos inquiridos com 65 ou mais reconhece a ligação entre as alterações climáticas e a igualdade de género.

Do universo global de inquiridos 49% acham que as mudanças climáticas afetam a todos igualmente, mas, segundo o relatório, cerca de 80% das pessoas deslocadas pelas mudanças climáticas são mulheres. Estes dados vêm lançar o alerta para que a sustentabilidade e a igualdade de género não devam continuar a ser vistas isoladamente.

Sociologicamente define-se a Geração Z pelo grupo de pessoas nascidas, em média, entre a segunda metade dos anos 1990 até o início do ano 2010.

“A Geração Z reconhece o desafio severo que o mundo enfrenta quando se trata de questões Empresariais, Ambientais e da Igualdade,” comentou Samuel Dean, CEO da TEAM LEWIS Foundation. “Os líderes devem ouvir as preocupações das gerações mais jovens. A Geração Z está a manifestar-se e deve ser ouvida, se queremos ter um futuro mais igualitário e, portanto, mais sustentável do ponto de vista ambiental e económico.”

“A Geração Z é entusiasta quanto à justiça social,” acrescentou Edward Wageni, Global Head da HeForShe. “A nossa investigação demonstra que esta geração entende a importância de muitos assuntos cruciais. Ao agir agora, trabalhar em conjunto e ouvir os mais jovens, é possível criar um amanhã melhor para todos.”

Veja o estudo completo aqui.

 

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Putin e os amigos iliberais

11 Abril, 2022 by Denise Calado

No seu mais recente livro, Liberalism and its discontents (Profile Books, 2022), Francis Fukuyama, recorda uma entrevista de Vladimir Putin ao Financial Times em 2019, na qual o ditador de extrema-direita que comanda a Rússia declarava o liberalismo obsoleto. Quem alinha pelo mesmo diapasão é Viktor Orban, que assumiu o projeto de criar uma democracia iliberal no seu país. Nesta era de strong men, a expressão de força parece tornar-se mais importante que a proteção das instituições que permitiram a emergência da democracia liberal e das liberdades individuais.

As instituições do liberalismo ocidental incluem o primado da lei, o direito de propriedade e a liberdade de transação, acompanhadas pela participação política através do voto. Protegem a liberdade de cada um e permitem interpretações mais à direita e mais à esquerda. Trouxeram-nos onde estamos e constituem o coração das democracias ocidentais. Nos últimos anos, lembra Fukuyama, os valores da democracia liberal têm estado sob ataque: à direita por parte de uma visão desregulada do mercado conhecida como neoliberalismo, que resulta da polarização quasi-darwinista da sociedade; à esquerda os iliberais defendem a prevalência das identidades de grupo acima das liberdades individuais, por via das chamadas políticas identitárias.

Eis a mensagem de Fukuyama: duas ideias com uma base verdadeira são puxadas para os extremos, tornando-se perigosas. Uns querem Estado a menos, o que potencia a desigualdade e culmina na chamada economia de casino e numa visão libertária do mundo; outros desejam Estado a mais para proteger certos grupos à custa de outros, de modo a endireitar rapidamente os males do mundo. Eis que a velha máxima aristotélica se deve voltar a aplicar: no meio está a virtude. Este meio termo elevado tem sido o alvo favorito dos extremos. Reencontrar o meio-termo elevado significa a busca de consensos entre os democratas à esquerda e à direita sobre os valores que todos prezamos. Enquanto prosseguirmos o caminho polarizador continuaremos a desproteger a democracia como sistema de equilíbrios dinâmicos. Se os aliados de Putin e Orban estiverem certos, ficaremos todos em sarilhos.

PS1: em Portugal são várias as vozes que, dizendo-se a favor da paz, continuam a ter dúvidas sobre quem começou a guerra.

PS2: alguma mente pragmática lá para os lados do Kremlin, achou que a eliminação de “evidências” com o uso de crematórios móveis resolveria problemas políticos. O que a essa mente terá faltado considerar é o significado simbólico do uso de crematórios como arma de guerra.

PS3: um depósito de combustível foi destruído do lado russo da fronteira. Os agredidos queixaram-se: esse ato hostil não criava um clima favorável às negociações. Desde o princípio, mas principalmente depois de Bucha, lê-se e não se acredita.

 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Pedro Ramos é o novo Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas

11 Abril, 2022 by Denise Calado

Decorreu na passada semana, a tomada de posse dos Órgãos Sociais da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) para o triénio 2022-2024. Pedro Ramos, CEO da Keeptalent Portugal é o novo Presidente da Direção, Mário Ceitil, professor universitário e consultor, é o Presidente da Mesa da Assembleia Geral, e Marta Santos, administradora do Grupo Arriva Portugal, foi nomeada presidente do Conselho Fiscal.

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Reparar para acrescentar valor e ajudar o Planeta

11 Abril, 2022 by Denise Calado

Nos dias que correm, a sustentabilidade ambiental passou de um tema marginal a uma necessidade, que nos apela à mudança urgente de hábitos. Para os maiores resistentes à mudança, o segredo está na alteração de pequenos hábitos quotidianos, com vista a uma diminuição progressiva da pegada ecológica. Para as empresas, onde a resistência a esta mudança não é uma opção, a responsabilidade acresce não só a nível de hábitos, mas também ao nível da forma de comunicar e servir os seus clientes.

As exigências ambientais obrigam as marcas a um exercício de introspeção que pode abanar os pilares que antes se pensavam estáveis. Algo tão simples como rever a missão e valores que pautam a empresa, até ao tom de comunicação e posicionamento da marca perante notícias ou acontecimentos do âmbito ambiental. É parte da nossa missão a preservação ambiental? Temos algum compromisso onde interna e/ou publicamente assumimos o nosso compromisso de sustentabilidade. Aqui, a área de Responsabilidade Social Corporativa é de alta importância. Não devemos hesitar na hora de partilhar com os consumidores as parcerias e metas ambientais da empresa.

É na cadeia de produção que estes compromissos poderão ser primeiramente postos em prática. Desde os meios de transporte utilizados, às soluções de packaging e matérias-primas utilizadas, é todo um processo onde as empresas fazem a diferença. A Digitalização é a palavra de ordem que vem no sentido de reduzir um dos recursos mais desperdiçados em contexto de escritório e no setor terciário no geral: o papel.

Do lado da comunicação de produtos ou serviços, é essencial colocar a questão: como pode a minha oferta inserir-se no dia-a-dia do meu público-alvo de forma natural e não invasiva? Estou efetivamente a acrescentar valor aos hábitos de consumo? Hoje em dia não basta criar uma necessidade e agregar-lhe um produto ou serviço. A conceção de uma oferta para um mercado tornou-se mais exigente, pois o consumidor tornou-se também ele mais exigente. A inovação da área do Desenvolvimento de Produto não vai a lado nenhum, o consumidor apenas não espera mais um produto para consumir porque sim, mas uma alternativa aos seus hábitos que não comprometam os recursos do Planeta.

É neste sentido que entram negócios como o das reparações, numa lógica que remonta a outros tempos. Para o bem do Planeta, o paradigma deverá passar pela reparação ou melhoramento do que já faz parte da rotina do consumidor. Em setores como a Moda, a Slow Fashion ergue-se perante um dos setores responsável por uma das maiores fatias da poluição. Na área da tecnologia, a reparação de equipamentos ou venda de recondicionados multiplica-se entre as opções disponíveis ao cliente. É por isso que empresas como a iServices se orgulham de fazer parte deste movimento que, perante as consequências cada vez mais percetíveis do Aquecimento Global, oferecem soluções de combate ao consumo desenfreado, e concebem uma noção de produto mais durável e a par com as exigências do público.

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder
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