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Leonor Wicke

Fama e Proveito – para quem?!

20 Setembro, 2023 by Leonor Wicke

Perguntemos a uma dezena de especialistas como se deve medir o desempenho das organizações. É muito provável que recebamos uma dezena de respostas diferentes. Haverá quem enfatize o desempenho de longo prazo e a sustentabilidade – e quem preste atenção a métricas económico-financeiras de curto prazo. Acresce que o desempenho de uma organização, qualquer que seja a métrica usada, é fruto de numerosos fatores. Entre estes podem citar-se a maior ou menor dedicação das pessoas que nela trabalham, o estado da economia, o comportamento dos concorrentes, o florescimento ou a contração do mercado – e, naturalmente, a qualidade da liderança.

A análise desta complexidade de fatores é, porém, uma dor de cabeça, um sorvedouro das nossas energias mentais. Como escapamos a este desconforto? Através de uma explicação muito simples: “é a liderança”. Ou seja, exageramos o papel que os/as líderes exercem sobre o desempenho das organizações. E como não dispomos de indicadores firmes e claros sobre esse desempenho, socorremo-nos de sinais tão frágeis quanto a fama mediática do/a líder. A reputação assim conquistada reflete-se em prémios atribuídos por revistas de negócios, entrevistas, presenças em eventos de prestígio e até mesmo doutoramentos honoris causa. Mário Conde, o coveiro do Banesto, que passou anos na cadeia pelas malfeitorias praticadas, foi agraciado com essa honra pela Universidade Complutense de Madrid – que acabou por lha retirar em 2016.

A fama mediática da liderança pode trazer reputação à organização. Abre portas de boa vontade junto de outras organizações privadas e públicas. Pode atrair clientela. É particularmente vantajosa para o/a líder, cujo “valor de mercado” aumenta. A fama mediática e a projeção social podem alcandorá-lo/a a posições mais atrativas e bem remuneradas noutras organizações. Mas os riscos para a organização são significativos. A busca de fama mediática e prestígio social pode começar a tomar conta da agenda deste/a líder.

A sua dedicação aos membros da organização e aos processos internos pode passar para segundo plano. Os atrasos no processo de tomada de decisão podem deixar empregados e lideranças intermédias na corda bamba ou com os nervos à flor da pele. O sentimento de que o/a líder “abandonou” a organização pode aflorar. O clima interno da organização degrada-se. A insatisfação instala-se em várias unidades e departamentos. O problema é agravado porque as críticas internas, tecidas por pessoas realmente preocupadas com a saúde e o destino da organização, são alvo de ataques pessoais – com acusações de inveja e fraco “amor à camisola”. Afinal, deduz-se: como pode alguém ser crítico de uma liderança tão prestigiada e que tão grande fama traz à organização?!

Quando o cumprimento desta agenda social e mediática é bem-sucedido, o mais provável é a desejada “promoção” deste/a líder para um cargo de maior projeção e remuneração noutra organização. Esta saída pode ser acompanhada de um argumento muito conveniente: “esta organização já não me merece”. Quem sucede a este/a líder pode confrontar-se com uma organização em sobressalto. Com o decurso do tempo, os problemas começam a manifestar-se, internamente ou na praça pública. É preciso tomar decisões impopulares. Não há espaço para gerir uma conveniente agenda mediática. Pode então emergir um paradoxo paralisante: o/a líder que causou os problemas é reverenciado/a, ao passo que o/a líder que tem de resolvê-los é alvo de críticas e contestação. E esta hein?!

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

«Continuamos a perder terreno». Marcelo pede na ONU mais ação e investimento para a luta climática.

20 Setembro, 2023 by Leonor Wicke

O Presidente da República deslocou-se a Nova Iorque, a propósito da Assembleia Geral da ONU, onde discursou na conferência sobre os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”. Numa nota pessimista, o Chefe de Estado salientou que os «países em desenvolvimento e grupos vulneráveis» têm sido os mais afetados com os acontecimentos mundiais recentes e urge que se acelere a ação.

De acordo com informação divulgada pela RTP, Marcelo Rebelo de Sousa utilizou Portugal como exemplo, reforçando que o país pretende atingir a neutralidade carbónica em 2045 e 60% de energias renováveis em 2030. Pediu, à semelhança do secretário-geral da ONU, António Guterres, mais investimento para estas causas.

O Presidente mencionou ainda o projeto piloto entre Portugal e Cabo Verde, que pretende transformar «a dívida pública em investimento para um fundo climático e ambiental», apelando a que outros países o multipliquem, «nomeadamente em África».

Lula da Silva e Joe Biden também discursaram ontem, na 78.ª sessão desta Assembleia, cujo tema é “Reconstruindo a confiança e reacendendo a solidariedade global: acelerando a ação na Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) rumo à paz, prosperidade, progresso e sustentabilidade para todas as pessoas”. O encontro irá decorrer até ao dia 25 setembro, próxima 2ªfeira.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também vai marcar presença neste evento, algo inédito desde que a guerra teve início.

«Não podemos falhar»

«Não podemos defraudar o legado para as gerações futuras», referiu, sem rodeios. «Continuamos a perder terreno. O contexto é crítico, crises múltiplas, pandemia, guerra e impactos devastadores e desiguais», acrescentou.

Na segunda-feira, dia 18, Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e com o presidente da Assembleia Geral da ONU, Dennis Francis.

Durante esta semana em Nova Iorque, o Chefe de Estado irá participar em cimeiras sobre o desenvolvimento sustentável e sobre ação climática. Terá também encontros com representantes das comunidades portugueses nos estados norte-americanos de Nova Iorque e New Jersey.

 

Fonte imagem destaque: Site Oficial da Presidência da República

Arquivado em:Notícias, Responsabilidade Social

Evite o greenwashing. Isso já não se usa!

20 Setembro, 2023 by Leonor Wicke

Greenwahsing é a apropriação indevida de práticas e comunicações sobre sustentabilidade por parte dos negócios. É dizer que «é-se verde», quando na verdade está a ser divulgada informação falsa.

Se existe, na verdade, um compromisso com o planeta e o ambiente, a comunicação deve ser feita em concordância, de forma a marcar essa posição junto do público.

O World Economic Forum deixa uma lista de sete recomendações para uma comunicação realmente verde:

1. A responsabilidade vai além dos acionistas

A comunicação é essencial para que os projetos sejam explicados numa linguagem pouco corporativa e amigável para o público. Ao comunicar de uma forma que a audiência compreenda, cria-se confiança e clareza acerca das contribuições de sustentabilidade da empresa.

2. Uma comunicação inclusiva e equitativa é essencial

É crucial que a estratégia de comunicação inclua várias idades, géneros, etnias e comunidades, de forma a alinhar-se com os valores da empresa. Uma comunicação sobre sustentabilidade deve incluir diversas perspetivas e pontos de vista.

3. O Greenwashing é contraproducente

A prática de fazer alegações exageradas, genéricas ou não verificáveis sobre ações e benefícios de uma organização é perigoso. Esta prática pode levar à descredibilização e falta de confiança de investidores, consumidores e media, pelo que é essencial verificar a veracidade da informação a ser partilhada. A estratégia de comunicação destas características deve ser pensada e assente em dados e factos da organização. A transparência radical pode ser o seu trunfo quanto a este aspeto.

4. O silêncio não ajuda ninguém

Se a sua organização age e adota políticas a favor do planeta, não as esconda. Além de ser um fator valorizado pelo público, pode inspirar outras organizações a fazer o mesmo. A transparência é, uma vez mais, essencial.

5. Fale com os seus críticos

Não confunda críticas construtivas com os haters. Ouça aquilo que têm para lhe dizer quanto à sua comunicação, abrindo espaço para melhorias e crescimento. Não se trata de evitar o criticismo, mas sim usá-lo como uma ferramenta.

6. Conseguir alinhamento interno

Construa um documento com as regras e detalhes da comunicação, para que cada departamento esteja alinhado com a mesma estratégia. Criar uma lista destes pontos faz com que toda a empresa esteja focada nos mesmos objetivos e características a cumprir.

7. O poder do coletivo

O impacto coletivo tem um poder imensurável na luta ambiental, daí a importância de comunicar estes aspetos e estratégias. Só trabalhando em conjunto será possível criar uma mudança eficaz e encorajar o próximo a agir.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

A quase maioria dos desempregados em Portugal não tem ensino médio ou superior

20 Setembro, 2023 by Leonor Wicke

Em Portugal cerca de 42% dos desempregados não têm ensino médio ou superior e 34,7% de todas as pessoas empregadas, têm um baixo nível de qualificação, no máximo o ensino secundário obrigatório, proporção que duplica a média da UE.

Relativamente ao mercado de trabalho, a população ativa diminuiu em -1.100 pessoas no segundo trimestre de 2023, situando-se nos 5,3 milhões. Cerca de 32,1% das pessoas ativas têm qualificação no ensino superior e a sua taxa de atividade é a mais alta, de 84,5%, comparativamente com as pessoas com ensino secundário e pós-secundário. Relativamente ao género, cerca de 50,1% da população ativa são homens e 49,9% são mulheres.

A falta de qualificações da população desempregada, de ensino médio ou superior, dificulta a saída do desemprego, tornando-se um obstáculo.

A análise elaborada pela Randstad «50 destaques do segundo trimestre de 2023», considera dados do Instituto Nacional de Estatística, Instituto do Emprego e Formação Profissional, Ministério do Trabalho, Banco de Portugal e Eurostat, na elaboração de um retrato estatístico do mercado de trabalho e dos temas macroeconómicos que o influenciam.

 

As áreas que mais empregam 

O número de pessoas empregadas aumentou em 54,7 mil no segundo trimestre, com um total de 4,98 milhões o número de profissionais e em 57,0% a taxa de emprego. A análise indica que os especialistas das atividades científicas e intelectuais são o maior grupo profissional, com o equivalente a 22,5% de todos os empregados do país.

Por atividade económica, a indústria transformadora gera 16,5% de emprego no país e o comércio 14,0%. Nos serviços, os setores da saúde e educação empregam 18,3% do total de profissionais. O número de pessoas em teletrabalho aumentou em 23 mil neste segundo trimestre do ano, alcançando as 960 mil pessoas.

Segundo o estudo, também o emprego nas administrações públicas aumentou, em 4.580 pessoas, e alcançou os 747.707 profissionais. O maior grupo neste setor é o de assistente operacional/operário auxiliar, com 168.778 profissionais, o que equivale a 22,6% do emprego público. Na área da saúde e educação, atuam 37,3% de pessoas das administrações públicas.

 

População desempregada 

A análise mostra ainda que a população desempregada diminuiu em -55.800 pessoas, o que levou o número de desempregados para 324,5 mil desempregados. Destes,46,7% está à procura de emprego há mais de um ano. O estudo indica que a taxa de desemprego situou-se no 6,1% e diminuiu -1,1 p.p tanto para homens como para mulheres. Atualmente a diferença entre cada um dos grupos é de 0,6 p.p.

Foi ainda possível perceber que as regiões Centro e Algarve são as que registam menor taxa de desemprego, enquanto Lisboa tem a taxa mais alta e o Norte mais desempregados.

Os dados apresentados mostram ainda que 75% dos desempregados registados vêm do setor dos serviços, principalmente de atividades imobiliárias, administrativas e de apoio, com 80.362 pessoas desempregadas em julho de 2023.

Relativamente à análise internacional, o estudo em questão destaca que no primeiro trimestre de 2023 a taxa de atividade em Portugal foi superior à da média europeia, na faixa etária dos 16 aos 64 anos. A acompanhar esta tendência, também a taxa de emprego em Portugal, na mesma faixa etária, supera a média europeia. Porém, 37,4% das pessoas empregadas em Portugal apresenta uma qualificação baixa. Nesse sentido, no primeiro trimestre, a taxa de desemprego em Portugal foi 9 décimos acima da média europeia.

 

A análise dos 50 destaques relativos ao segundo trimestre permite compreender como está a evoluir o mercado de trabalho em Portugal. Consideramos que é muito importante para a consolidação de algumas ideias sobre o estado do emprego e para compreender as evoluções no mercado.  É uma atividade que nos permite identificar pontos críticos para que possamos encontrar melhores soluções e ajudar pessoas, que é a nossa prioridade

Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Conheça as marcas com melhor imagem e reputação de empregabilidade

20 Setembro, 2023 by Leonor Wicke

A Nestlé lidera o ranking das 100 marcas com melhor imagem e reputação de empregabilidade em Portugal com 81,3 pontos, seguida pela Microsoft, Vodafone e Delta.

Estes são os resultados do estudo de Imagem e Reputação das marcas, no que respeita à empregabilidade em Portugal, elaborado pela consultora OnStrategy junto de cerca de 50.000 cidadãos portugueses. No processo foram auditadas e avaliadas oito dimensões: produtos e serviços, inovação, ambiente de trabalho, remuneração, formação, desenvolvimento de carreira, responsabilidade social e governo e liderança.

 

Principais resultados 

Arquivado em:Liderança, Notícias

Tania Salguero é a nova COO e Diretora de Transformação do BNP Paribas Cardif para o mercado ibérico

20 Setembro, 2023 by Leonor Wicke

Tania Salguero é a nova Chief Operating Officer (COO) e Diretora de Transformação da empresa em Espanha e Portugal do BNP Paribas Cardif. Com esta nomeação, a profissional passa a ser responsável pela área operacional, de IT e de organização da empresa no mercado ibérico.

Iniciou a sua carreira na Allianz Insurance (Colômbia) em 1998, onde trabalhou 10 anos em diferentes linhas de negócio, áreas financeiras e, acabou por liderar as áreas de reengenharia e o escritório de projetos da empresa. Em 2009, juntou-se à BNP Paribas Cardif Colômbia como Vice-presidente de Operações e Tecnologia e, mais tarde, como Deputy CEO. Em 2018, mudou-se para a BNP Paribas Cardif Chile como Diretora de Eficiência, Tecnologia e Transformação. Desde 2021, ocupa o cargo de COO Regional para a Latam da BNP Paribas Cardif.

É licenciada em Engenheira Industrial pela Universidade Distrital Francisco José de Caldas, tem uma certificação em Metodologias da Qualidade, Coach Ontológico pela Newfield Network e Estudos de Alta Gestão pela Universidade de La Sabana.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

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