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Rita Saldanha

Grupo Egor renova imagem e cria duas novas marcas

11 Setembro, 2023 by Rita Saldanha

O processo de rebranding do grupo português de consultoria em gestão de Recursos Humanos revela duas novas marcas na área de outsourcing e trabalho temporário, para além de uma nova identidade da Egor.

O projeto desenvolvido em parceria com a agência This is Pacifica fez nascer a ‘The Bridge’, especializada em trabalho temporário e a ‘Synchro’, dedicada ao outsourcing e organizada por verticais de atividade. A Egor mantém a consultoria em Recursos Humanos. Segundo a comunicação à imprensa, «uma nova marca assegura uma compartimentação ajustada ao universo dos Recursos Humanos em 2023, e uma resolução eficaz das necessidades das empresas».

 

Egor Trabalho Temporário passa a The Bridge 

O trabalho temporário é uma das áreas mais importantes da gestão de recursos humanos. Com nova imagem e posicionamento, a The Bridge continua a executar um trabalho focado na dignificação do trabalho temporário e na consciencialização pública da sua importância económica e social, através de uma relação autêntica e humana com os profissionais.

Egor OutSourcing passa a Synchro 

A Egor OutSourcing assume uma nova identidade, ao adotar a marca Synchro Outsourcing, que herda as diferentes valências de negócio, como um fornecedor especializado na gestão de soluções de outsourcing. A Synchro assume um largo portfólio de clientes e continua a explorar o potencial de negócios de prestação de serviços no ciclo de vida das atividades de gestão de pessoas nas organizações.

A palavra synchro, uma abreviatura de sinchronicity – um conceito psicológico criado por Jung – define um estado de coincidência de objetivos. Com diferentes verticais de atuação, a Synchro conta com equipas especializadas e submarcas para cada área de trabalho: SynchroProcesses (Serviços), SynchroSales (Vendas), SynchroTech (Tecnologia), SynchroLogistics (Logística), SynchroMed (Saúde), SynchroEducation (Educação) e SynchroAudit (Auditoria).

 

O Grupo EGOR assume hoje uma nova orgânica, ao agrupar as suas seis principais áreas de negócio num ecossistema mais alargado. Ao longo de quase quatro décadas de expansão e diversificação de atividades, temos vindo a reunir um portfólio de competências, know-how e soluções tecnológicas, que alargaram o nosso leque dos serviços a todo o ciclo de vida da gestão de pessoas nas organizações

Amândio Fonseca, Fundador e Chairman do Grupo EGOR

 

A criação da TheBridge permitirá um aprofundamento da nossa especialização nesta área, refletindo aquilo que queremos representar no mercado do trabalho temporário: ser a ponte entre um universo de centenas de milhares de jovens em busca do primeiro emprego e de muitos outros milhares pessoas desempregadas, de todas as idades, à procura de emprego e que encontram no trabalho temporário uma oportunidade iniciar ou reiniciar uma nova fase de carreira profissional. Destacamos aquilo que continuarão a ser os fatores distintivos da nova marca: a rigorosa observância da legislação que regulamenta o trabalho temporário, a continuidade do investimento nas políticas de qualidade e o firme propósito de continuar a contribuir para a dignificação do trabalho temporário no mercado

Filipe Pereira, Diretor Comercial do Grupo EGOR

 

A criação da Synchro herda integralmente as diferentes valências de negócio da Egor Outsourcing, como um fornecedor especializado de excelência com uma identidade “sui generis“ na arena da gestão de soluções de outsourcing. A SYNCHRO assume, assim, um vasto portfólio de clientes mas também de competências e experiência de mercados que lhe permitem atuar eficazmente em organizações, públicas ou privadas, e continuar a explorar o potencial de negócios de prestação de serviços de outsourcing em todo o ciclo de vida das atividades da  gestão de pessoas nas organizações clientes, reforçando-se as capacidades de inovação constante e crescimento, necessárias neste novo ciclo

Paulo Magro da Luz, CEO do Grupo EGOR

Arquivado em:Marketing, Notícias

O aeroporto

11 Setembro, 2023 by Rita Saldanha

O aeroporto de Lisboa está a tornar-se um embaraço. Cá dentro por se tratar, desde o Alqueva, da mais cabal demonstração de como os interesses e as tricas se tornam fonte de procrastinação. A referência do primeiro-ministro ao tema durante a apresentação à sociedade do novo supercomputador da Universidade do Minho, foi reveladora. A decisão de construir um aeroporto é necessariamente complexa mas tivemos tempo de sobra para a tomar várias vezes nas últimas décadas. O custo para a imagem dos (não)decisores políticos é elevado.

Para fora, a situação não é melhor. Sábado, 2 deste mês, voando de Amesterdão, com o voo (KLM) pronto para descolar a horas, o comandante informou os passageiros de que havia que esperar meia hora. Motivo: o aeroporto de Lisboa, que não acomoda mais de 20 voos por hora. A reação dos passageiros não foi espetacular. Para um português foi desconfortável mas não inesperado – estas esperas tornaram-se normais.

O aeroporto é o exemplo de um país que perde muito tempo a discutir temas que nada interessam e que se dedica pouco a construir o futuro. Já aqui o disse: a nossa perícia em empurrar com a barriga (na educação, na saúde, nas infraestruturas, na justiça), combinada com um certo tribalismo político que inibe a busca de consensos, é um mal maior da nossa sociedade. O país da não inscrição de que falou José Gil continua forte e firme. Não sai é do sítio.

Arquivado em:Leading Opinion, Notícias

Uma escalada que parece não ter fim

6 Setembro, 2023 by Rita Saldanha

A percorrer as últimas publicações da minha rede profissional online deparei-me com algo que já não via e sobre o qual quase não pensava desde os tempos da faculdade: a pirâmide de Maslow. Ao observar atentamente o esquema, surgiu-me a questão: como podemos, atualmente, alcançar continuamente a concretização de alguns destes patamares (nomeadamente os de topo)?

Dado o atual modelo de trabalho, em que a grande massa produtora dispensa uma parte considerável dos seus dias nos seus empregos, aspetos como a pertença, o respeito e a concretização pessoal são amplamente influenciados pelo meio laboral. Certo é que a força de concretização pessoal e ultrapassagem de objetivos depende sempre de cada um. No entanto a densidade e a frequência dos laços relacionais em contexto laboral são de tal ordem, que é impossível dissociar o local e as relações de trabalho do seu potencial papel moldador do eu.

Compreender o comportamento de uma equipa ou de uma empresa passa impreterivelmente por compreender que por detrás de cada equipa estão pessoas: agentes altamente imprevisíveis, dotados de características únicas entre si, com objetivos e motivações distintos. Além disso, sendo a natureza do ser humano dotada de ambição, o pico da pirâmide parece encontrar-se num patamar cada vez mais inalcançável.

No entanto, atingir o pináculo de Maslow não tem de ser algo necessariamente inatingível. Certo é que não há fórmulas únicas ou mirabolantes para atingir a concretização pessoal. Contudo, há dois tipos de ferramentas com as quais nos podemos munir para arregaçar as mangas e iniciar a escalada: um de ordem emocional, e outro de ordem técnica.

No ponto de vista emocional jogam os fatores mais complexos. Motivar-se depende em grande medida das ocupações em tempos livres: um hobby, um livro, um filme, uma série, uma viagem, ou simplesmente o repouso e a procrastinação. Arrumar as ideias, alhear-se momentaneamente dos problemas e desafios, e deleitar-se puramente ao lazer e ao descanso. Recuperar energias do ponto de vista psicológico e emocional fortalece-nos para mais facilmente enfrentar os grandes desafios que surjam. A perceção das situações torna-se mais clara, a tomada de decisão mais sóbria. Numa outra parte, jogam inevitavelmente fatores interpessoais. Nutrir boas relações dentro e fora do meio laboral contribuem para um bem-estar de espírito que complementa as ferramentas de motivação emocional. Isto inclui não apenas criar bons ambientes junto do próximo, mas também chamar ao que mais de humano possuímos, a empatia, e saber quando estender a mão para ajudar e motivar. Afinal de contas, esta não é uma escalada que se faz só.

Do ponto de vista técnico, entram todas as ferramentas que utilizamos para concretizar as relações interpessoais e atingir objetivos de concretização pessoal e profissional. Aqui, a Tecnologia é fundamental. Assistimos nas últimas décadas a múltiplos adventos tecnológicos. Da computação doméstica passámos à computação portátil, e caminhamos para uma computação “usável”: de computadores de escritório para portáteis e smartphones cada vez mais sofisticados; dos smartwatches aos óculos de realidade aumentada que encontram agora a sua grande chegada comercial. A par com todo este progresso tecnológico, uma devastação do meio ambiente assombra-nos diariamente. Mais do que adotar e tirar o máximo partido da tecnologia, é importante tomar decisões com vista à sustentabilidade ambiental. Por todo o mundo, vários agentes económicos e empresas intervêm com soluções que agradam a ambos os pratos da balança.

Em Portugal, por exemplo, a iServices oferece uma cuidada seleção de Recondicionados Apple ou Recondicionados Samsung com alta qualidade e 3 Anos de Garantia. Estes equipamentos topo de gama oferecem todas as oportunidades de um equipamento novo, democratizando o acesso à Alta Tecnologia. Além disso, a iServices dispõe de uma vasta equipa de técnicos de reparação de telemóveis e computadores de diversas marcas. Antes de deitar fora, por que não dar uma nova vida com a reparação certa? Em vez de partir para um novo equipamento, por que não restaurar o atual?

Para além de ambicioso, o ser humano é mutável: ao longo da sua vida, com a sucessão de experiências e vivências, os seus objetivos vão-se alterando, aprofundando e multiplicando. Nesta subida aparentemente interminável, com a companhia daqueles que alinham e/ou harmonizam com os nossos objetivos e aspirações, e com as ferramentas certas, a caminhada faz-se mais fácil.

Arquivado em:Líder Corner

O que é um bom “emprego”?

6 Setembro, 2023 by Rita Saldanha

Um “bom emprego” é o que é bom tanto para a pessoa como para a empresa! Maus empregos conduzem à desmotivação, à desconfiança, e à execução das tarefas estritamente necessárias … para manter o emprego. Empresa alguma beneficia com tal perfil. Diferentemente, bons empregos estão associados a níveis mais elevados de empenhamento, dedicação, foco genuíno na qualidade dos produtos/serviços, empenho na satisfação dos clientes, e lealdade à empresa. Pensarão muitos leitores que esta é uma verdade de La Palisse que não merece sequer uma linha de discussão. Mas, infelizmente, algumas organizações são geridas como se as pessoas fossem apenas um custo, em cujo desenvolvimento não vale a pena investir e às quais importa pagar o menos possível.

O resultado é uma força de trabalho desvitalizada e muito pouco preocupada com o progresso da empresa. Não surpreende que, nesses casos, o desempenho da empresa seja modesto – e que, para melhorar os números, a gestão corte ainda mais nos “custos com pessoal”. Desenvolve-se então um círculo vicioso que, a prazo, resulta mal. Lamentavelmente, as pessoas assim geridas são encaradas com desconfiança e apodadas de “maus trabalhadores”. A gestão atribui a desmotivação à natureza preguiçosa das pessoas – mas é ela própria preguiçosa ao não compreender que a desmotivação radica, significativamente, no desenho dos postos de trabalho e suas condições.

Não estou a sugerir que todas as pessoas são naturalmente motivadas para fazer bom trabalho e atuar com responsabilidade. Mas há razões para acreditar que a grande maioria das pessoas quer ter um posto de trabalho digno e auferir salário digno que permita ter vida digna. Infelizmente, algumas organizações encaram a maioria dos trabalhadores como naturalmente preguiçosos e apenas motivados para sacar o salário no final do mês. Ao tratarem assim as pessoas, remuneraram-nas e tratam-nas mal – e estas fazem jus à “fama”. A profecia transforma-se em realidade. A expectativa confirma-se, num ciclo de mediocridade perpétua.

Escrevo estas linhas baseando-me na investigação que tem sido produzida ao longo de anos. Esta investigação é frequentemente ignorada – por vezes com culpa nossa. Como académicos, estamos frequentemente mais preocupados em publicar papers que os nossos pares leem – e não nos esforçamos suficientemente para dialogar com o mundo fora dos muros da academia. Não despendemos tempo suficiente na tradução de conhecimento científico em mensagens entendíveis para os práticos. Um livro recente, de Zeynep Ton, professora na escola de gestão do MIT, mostra que podemos fazer mais em prol do que ela própria contempla no subtítulo do livro: como as melhores empresas facultam melhores salários, mais dignidade e mais propósito ao trabalho das pessoas. Documentação publicada no website do Good Jobs Institute, assim como um resumo do livro publicado no website do MIT, ajudam a compreender o argumento da autora. A criação de bons empregos é uma empreitada de médio-longo prazo assente em cinco pilares:

  • Investir nas pessoas. Importa veicular às pessoas elevadas expectativas de desempenho, tratá-las como adultas, remunerá-las condignamente, e criar-lhes condições para a progressão na carreira.
  • Foco e simplicidade. A organização deve manter disciplina orientada para acrescentar valor para o cliente. A gestão deve colocar-se ao serviço dos empregados da linha da frente, para que estes sejam produtivos e sirvam o cliente.
  • Estandardização e empoderamento. A gestão deve escutar empregados de primeira linha e alavancar-lhes o conhecimento, o tempo e as capacidades para que eles possam, com autonomia e de modo consistente, trabalhar realmente em prol dos produtos e serviços que servem o cliente.
  • Formação cruzada e transversal. É crucial combinar especialização com flexibilidade. O excesso de especialização é problemático. Mas a excessiva abrangência das tarefas também o é. O que importa é que cada pessoa seja capaz de atuar, cooperativamente, em prol dos melhores produtos e serviços prestados aos clientes.
  • Trabalhar com folgas. É fundamental que as pessoas disponham de tempo para servir os clientes (em vez de “despachá-los”), não façam o trabalho apressadamente e com erros, e aprendam a melhorar. Infelizmente, para maximizar a minimização dos custos, algumas empresas cortam a-torto-e-a-direito, deixando as pessoas em estado de exaustão que se reflete em apressado e mau serviço ao cliente.

Esta abordagem só funciona se for sistémica – isto é, se contemplar os cinco pilares de modo integrado. O desafio é exigente, requer paciência e sabedoria, e não se compagina com soluções mágicas de cartilha. Se for exercido responsavelmente, pode contribuir para criar melhores empresas, desenvolver a economia e criar uma sociedade que contribua para dignificar o trabalho – todo o trabalho. Como afirmou Luther King, “todo o trabalho tem dignidade”. Precisamos de mais “idealismo pragmático”, para que um capitalismo de rosto humano prevaleça sobre uma economia que, segundo o Papa Francisco, “mata”.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Puritanismos – os novos e os velhos

4 Setembro, 2023 by Rita Saldanha

De regresso a esta coluna, começo com aquele que foi o acontecimento do mês em Portugal em agosto: as Jornadas Mundiais da Juventude. A adesão popular permitiu concluir que muitas pessoas distinguem a mensagem do veículo e que os crimes que ocorreram na Igreja, sendo indesculpáveis e merecendo o devido tratamento, não definem a Igreja. Para memória futura fica a mensagem de Francisco: esta é uma Igreja para todos, todos, todos.

Curiosamente, as JMJ coincidiram com a minha imersão em Human Nature and Conduct, de John Dewey, clássico do pragmatismo americano publicado em 1922. Uma das frases desse livro diz que “o Puritano nunca é popular, nem mesmo numa sociedade de Puritanos”. É possivelmente verdade, exceto junto dos outros puritanos do mesmo teor. Todavia, as expressões puritanismo têm atenção mediática; logo, num certo sentido, compensam.

Por cá, os puritanos conservadores acham subversivas a mensagem do Papa e as suas tentativas de mudar a Igreja. Por seu lado, os puritanos progressistas embrulham o seu jacobinismo numa capa de superioridade moral com laivos de fanatismo. Se o fanático, na definição de Amos Oz, é alguém que não muda de assunto nem deixa mudar de assunto, agosto foi um bom mês para a expressão de puritanismos fanáticos. Do lado católico, creio, à exceção das franjas, a tolerância tem sido amadurecida. Hoje a indignação com um Eu vos saúdo Maria seria improvável. Do lado progressista, continua a haver indignação a mais e tolerância a menos – mesmo que a indignação pareça por vezes pouco mais que golpe de marketing artístico ou puro vandalismo, como no caso da estátua de Santo António, em Torres Novas. Estas não são, todavia, indignações de silly season. Para mal dos nossos pecados, as indignações dos novos puritanos duram o ano todo. Mas, vendo bem, sempre foi assim.

PS Fechei para férias recomendando o álbum dos Império Pacífico, banda-sonora perfeita para o Verão. Reabro esta crónica com a banda-sonora para o Outono: Mãos no Fogo, de Fred e Regina Guimarães.

 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Brasil é uma surpresa para os investidores

28 Agosto, 2023 by Rita Saldanha

Em 2023, o Brasil entrou sob uma nuvem de incerteza, mas o seu mercado acionista ultrapassou significativamente o desempenho dos mercados emergentes mais amplos e as avaliações ainda parecem atrativas.

Os analistas Pablo Riveroll e Andrew Rymer, da Schroders, apresentam as razões para tal.

Por que melhorou a perspetiva de crescimento do PIB

A perspetiva económica no Brasil melhorou significativamente desde o início de 2023, especialmente no curto prazo. As expectativas de crescimento do PIB para 2023 foram revistas de 0,8% em janeiro, para mais de 2% aos dias de hoje. Olhando para 2024, e apesar da atividade mais forte, as expectativas permanecem relativamente estáveis, com uma expansão de 1,3% ainda projetada.

Uma desaceleração no ritmo de crescimento do PIB era esperada, já que o crescimento de 2022 foi apoiado por vários fatores não recorrentes, como gastos pré-eleitorais e a alta nos preços das commodities após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A revisão das previsões ocorreu após um crescimento do PIB no primeiro trimestre (1,9%), em relação ao trimestre anterior, muito acima da expectativa consensual de 1,3%. Grande parte disso foi atribuído à agricultura, com a produção a aumentar 19%, enquanto o setor de serviços foi mais resiliente do que o esperado, face às altas taxas de juros, e o desemprego caiu de 9% para quase 8%. Ao mesmo tempo, a incerteza política diminuiu, e com a inflação a cair, o banco central iniciou um ciclo de redução das taxas de juros, o que deve aliviar a pressão sobre os rendimentos disponíveis.

 

Com a inflação sob controlo, a redução das taxas de juros está em andamento

Como na maioria das outras economias, a inflação acelerou rapidamente na recuperação pós-pandemia, com choques adicionais nos preços de energia e alimentos, decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia. O banco central do Brasil adotou uma abordagem proativa e ortodoxa para apertar a política monetária. Apesar das tendências significativas de desinflação na segunda metade do ano passado, a taxa de juros foi mantida em 13,75% até este mês.

A taxa de inflação caiu para 3% em junho e está confortavelmente dentro da faixa de meta do banco central de 3,25% +/- 1,5%. A taxa central também caiu para 6,6% em junho, de 7,2% no mês anterior. Nesse contexto, o banco central reduziu a taxa de juros em 50 pontos-base.

Além dos dados de inflação em queda, as expectativas para este ano também diminuíram. A tendência desinflacionária deste ano terá ajudado, mas os desenvolvimentos de política também desempenharam um papel. A valorização do real brasileiro em relação ao dólar de 8%, também foi benéfica.

 

Preocupações políticas moderadas

A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva no final de outubro do ano passado sinalizou uma abordagem política muito diferente da do seu antecessor, Jair Bolsonaro. A nomeação de Geraldo Alckmin contribuiu para aliviar as preocupações do mercado. Alckmin é ex-governador do estado de São Paulo e, em 2018, foi candidato presidencial pelo Partido da Social Democracia Brasileiro; o principal partido de oposição ao Partido dos Trabalhadores de Lula, em seus mandatos anteriores.

A sustentabilidade fiscal continua crucial, com a dívida do governo em relação ao PIB em 88%, tendo aumentado ao longo da última década. No lado externo da economia, o Brasil tem beneficiado de colheitas abundantes e é projetado um excedente comercial recorde para este ano. Isso deve ajudar a reduzir o déficit em conta corrente, que ficou em 2,9% do PIB no ano passado. A combinação de perspetivas fiscais e em melhores conta correntes, juntamente com taxas de juros reais comparativamente altas e uma redução das preocupações políticas, tem apoiado o real brasileiro, que subiu 8% em relação ao dólar dos EUA (9 de agosto).

 

Riscos para as perspetivas

A política e a trajetória fiscal são áreas a ser monitorizadas, especialmente a aprovação do novo pacote fiscal. A intervenção na economia não pode ser descartada e pode ser que a retórica do primeiro trimestre continue, mesmo que a política subjacente permaneça um tanto mais ortodoxa.

O ambiente externo e os preços das commodities, em particular as perspetivas para a economia da China, também são importantes para o lado das exportações da economia do Brasil. O El Niño é outro fator a ser monitorado, dada a possível implicação para o setor agrícola e a inflação. Um aumento na inflação poderia retardar ou atrasar o ritmo de flexibilização da política monetária.

 

Qual é a nossa visão sobre o Brasil?

Após uma deterioração no início deste ano, a perspetiva da política pública brasileira está a melhorar e o banco central começou a flexibilizar a política monetária, a partir de um nível elevado. Enquanto isso, as valorações agregadas do mercado no Brasil continuam atrativas.

No ano passado, o Brasil foi um mercado «montanha-russa» e foi vista uma tendência semelhante a repetir-se no primeiro semestre de 2023. Apesar dessa volatilidade, o mercado superou confortavelmente os outros mercados emergentes. Embora as preocupações políticas possam contribuir para novas oscilações na volatilidade, a direção continua positiva, sustentada pela perspetiva de um ciclo de redução das taxas de juros, juntamente com valorações baixas.

Arquivado em:Economia, Notícias

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