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Rita Saldanha

A criança perante a nudez do imperador

18 Outubro, 2023 by Rita Saldanha

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza relembra-nos da indignidade a que são submetidos os pobres. O facto de muitos serem trabalhadores é ainda mais esclarecedor – e interpela professores de gestão, empresários e gestores. Competitividade, crescimento, desenvolvimento humano, erradicação da pobreza, e dignidade deveriam ser integradas na mesma equação. Os estudantes de hoje serão os gestores de amanhã. As “teorias” que lhes ensinamos nas escolas de negócios podem exercer algum efeito sobre a forma como esses futuros gestores virão a atuar.  Parece-me fundamental, pois, que o ensino da gestão e da economia incorpore mais enfaticamente esta dimensão – a pobreza.

Recorro, nesta reflexão, ao Papa Francisco. Na exortação apostólica Evangelii Gaudium, escreveu: “a dignidade de cada pessoa humana e o bem-comum são questões que deveriam estruturar toda a política económica, mas às vezes parecem somente apêndices adicionados de fora para completar um discurso político sem perspetivas nem programas de verdadeiro desenvolvimento integral. Quantas palavras se tornaram molestas para este sistema! Molesta que se fale de ética, molesta que se fale de solidariedade mundial, molesta que se fale de distribuição dos bens, molesta que se fale de defender os postos de trabalho, molesta que se fale da dignidade dos fracos, molesta que se fale de um Deus que exige um compromisso em prol da justiça”.

Críticos desta abordagem alegam que ela é perigosamente socialista ou comunista, puramente marxista, intelectualmente deficiente, anticapitalista, hipócrita e errónea na forma como interpreta as propostas mais liberais. Mas Francisco, além de ter declarado que não se sente ofendido com o ataque, tem afirmado que não é marxista. Eis a sua resposta à crítica: “A ideologia marxista está equivocada. Mas tenho conhecido muitos marxistas na minha vida que têm revelado ser bons como pessoas, pelo que não me sinto ofendido”. The Economist, uma revista conhecida pela sua orientação editorial liberal, embora tecendo críticas ao Papa, reconheceu:

“Francisco não pretende ser um filósofo académico, um cientista político, ou um economista; ele é mais uma figura intuitiva, e as suas intuições são frequentemente boas. Ele observa o que denomina de idolatria do dinheiro em alguns lugares e crianças famintas noutros. Está visceralmente angustiado com o desperdício de talento humano e energia entre os jovens. Conclui que os economistas poderão não estar a entender um ponto importante. Francisco pode não estar a oferecer as respostas corretas, ou a obter um diagnóstico correto, mas está a colocar as questões cercas. Tal como uma criança que observa a nudez do imperador”. Esta observação do Papa é consistente com o argumento do economista Paul Collier, para quem “o capitalismo está eticamente nu e será destruído se não mudar”.

O Papa recomenda uma “indumentária” que muitos especialistas, académicos, economistas e fazedores de opinião criticam. Estas críticas pressupõem que o pensamento de Franscisco é intelectualmente inconsistente porque ignora, ou distorce, os princípios da ciência económica. Mas creio que apontam ao alvo errado. A abordagem de Francisco é normativa e inspiracional.

Mais do que empenhado em descrever a realidade, o Papa está focado em melhorá-la segundo princípios essenciais de justiça e respeito pela dignidade da pessoa humana. Franscisco sublinha a essência da dignidade humana e sugere que as empresas e a economia devem estar no centro das políticas económicas e da gestão das organizações. A perspetiva normativa e inspiracional de Francisco não é incompatível com o florescimento das empresas. Jeffrey Pfeffer, professor na Universidade de Stanford, insuspeito de inclinações anticapitalistas, declarou que as empresas deveriam aprender com Francisco a importância de prestarem atenção ao bem-estar humano: “A mensagem do Papa relembra-nos de que somos responsáveis não apenas pelo ambiente físico, ainda que ele seja importante, mas também pelos seres humanos com os quais contactamos e cujas vidas nos são confiadas. E isso inclui as pessoas que trabalham nas empresas”.

A contestação a Francisco recorre, por vezes, à teoria económica. Mas, neste ponto, salta-me ao pensamento a diversidade de teorias e a inconsistência entre as mesmas. Contestar o propósito normativo e inspiracional de Francisco com base numa suposta unidade teórica e epistemológica da ciência económica parece-me pretensioso e pouco humilde. Já sabemos os resultados do socialismo (pretensamente) científico, pelo que conviria ser mais prudente acerca da cientificidade de teorias económicas por alguns consideradas irrebatíveis e incontestáveis. Em qualquer caso, podemos deixar à ciência o que é da ciência – e, ao mesmo tempo, desejar e esperar que as empresas contribuam para a construção de um mundo melhor.

Relembremos que entre os objetivos de desenvolvimento sustentável está, em lugar primordial, a erradicação da pobreza. Infelizmente, a ação é escassa e os resultados não são animadores. A proclamação do princípio mais parece um substituto da ação!

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Um Amanhã Melhor em nome do ESG

17 Outubro, 2023 by Rita Saldanha

A British American Tobacco está determinada a gerar um impacto social positivo nas comunidades onde opera – desde a promoção dos direitos humanos na Rede de Abastecimento e nas suas operações até à criação de uma cultura diversificada e inclusiva, passando ainda por melhorar os meios de subsistência dos agricultores. A empresa está comprometida em fornecer um ambiente de trabalho seguro e saudável para todos os colaboradores e prestadores de serviços. Assim se traça uma verdadeira jornada de transformação.

Alcançar «Um Amanhã Melhor» para todas as partes interessadas é o grande mote da British American Tobacco (BAT), que pretende reduzir o impacto do seu negócio na saúde e construir um modelo sustentável num processo a longo prazo.

A empresa mundial líder em multicategoria tem-se dedicado ao desenvolvimento e comercialização de produtos sem combustão com o objetivo de oferecer outras alternativas aos consumidores adultos. Mas, acima de tudo, a BAT tem no respeito pelos direitos das pessoas em toda a sua Rede de Abastecimento e nas próprias operações uma das suas principais missões – o que abrange diversas disciplinas, incluindo a agricultura, a ciência e a produção, entre outras. Tem também uma estratégia para proteger a saúde e a segurança dos colaboradores e prestadores de serviços, valendo-se de uma equipa dedicada a identificar tendências e áreas de alto risco que exigem ação. A empresa ambiciona zero acidentes em todo o grupo e efetua auditorias de Saúde e Segurança nas áreas de maior risco da Rede de Abastecimento.

Em 2022, o Grupo desenvolveu programas de investimento comunitário em todo o mundo. Estes programas abrangem questões que vão desde o empoderamento das mulheres ao desenvolvimento rural, passando pela diversificação de culturas e pelo acesso a cuidados de saúde, água potável e saneamento.

Em paralelo, atrair e reter uma força de trabalho diversificada e proporcionar um ambiente de trabalho acolhedor e inclusivo são fatores-chave na transformação da BAT.

ESG no centro da estratégia

Reduzir o impacto da atividade da BAT na saúde é a principal área de enfoque, bem como colocar uma maior ênfase na importância de abordar as alterações climáticas e a excelência na gestão ambiental. Ao mesmo tempo, a BAT continua empenhada em ter um impacto social positivo e em assegurar uma governação empresarial sólida em todo o Grupo.

A BAT lançou recentemente o seu primeiro Relatório Anual & ESG conjunto (Environment, Social and Governance) com novos e atualizados objetivos de sustentabilidade. Nele, compromete-se a atingir a meta de 30% de energia renovável até 2025 dois anos antes, resultando na meta revista de 50% de energia renovável até 2030; aumentar a meta inicial de redução de 15% dos resíduos das operações da BAT até 2025, para 25%; alargar o âmbito do compromisso da BAT em ter embalagens 100% reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis, para além do plástico, até 2025; tornar as suas operações neutras em carbono até 2030; alcançar a conversão zero dos ecossistemas naturais na sua Rede de Abastecimento até 2025; e reduzir em 35% a utilização de água até 2025.

A estratégia de Diversidade e Inclusão (D&I) da BAT está bem estabelecida a nível global e centra-se em garantir que todos os colaboradores possam prosperar, independentemente do seu género, etnia, cultura ou outras diferenças. Proteger o bem-estar dos colaboradores e ouvir as suas opiniões é fundamental. A empresa pretende uma cultura de apoio, assente no compromisso e na responsabilidade pessoal, que atraia, envolva e mantenha os melhores talentos.

Também estes são alguns dos principais impulsionadores da jornada de transformação da BAT para construir Um Amanhã Melhor. É este local de trabalho inspirador, dinâmico e com propósito que encontram os mais de 50 mil colaboradores em todo o Grupo –  dos quais com 138 nacionalidades representadas ao nível de direção. A BAT pretende atingir pelo menos 50% de nacionalidades distintas em todas as principais equipas de liderança regionais/funcionais até 2025.

Para além da diversidade cultural, a igualdade de género é outra das prioridades. A empresa está empenhada no seu programa Women in Leadership (WIL), que visa aumentar a proporção de mulheres em equipas de liderança sénior para 40% e em cargos de gestão para 45% até 2025. A BAT já fez bons progressos: 41% das mulheres já ocupam este tipo de cargos (39% em 2021). A prova da seriedade do seu compromisso é que, em janeiro de 2023, a BAT foi incluída no Índice de Igualdade de Género da Bloomberg no seu primeiro ano de participação. De notar ainda que, na mesma altura, a empresa foi também reconhecida pelo sexto ano consecutivo como uma das melhores empregadoras do mundo pelo Top Employers Institute.

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Os cinzentos do mundo

16 Outubro, 2023 by Rita Saldanha

A RTP2 está a passar uma recomendável versão de A Volta ao Mundo em 80 Dias. A certa altura, Phileas Fogg, o personagem principal, amadurecido pelas peripécias da viagem, explica que já não via o mundo a preto e branco, como costumava fazer a partir do seu clube em Londres. Também aqui é fácil, no nosso sofá, vermos o mundo a preto e branco. Mas o mundo está cheio de cinzentos.

Por cá não faltam visões a preto e branco. Eu confesso que não consigo tomar partido. Por um lado, empatizo com o lado árabe. Tenho grande interesse e admiração pela cultura árabe e tenho empatia – é fácil –pelo povo da Palestina. Mas não consigo deixar de também admirar a resiliência e a tenacidade da sociedade israelita. Não me é possível tomar partido como se de um duelo futebolístico se tratasse, embora no caso do ataque de sábado a barbaridade do Hamas não suscite qualquer dúvida.

Este “empate” entre as razões de cada lado tem uma única resolução: o reconhecimento da existência de duas nações. A provocação do Hamas e a resposta de Israel não devem fazer-nos perder de vista que a única saída para este conflito passa por esta aceitação e pelo desejo de que um dia a região tenha várias genuínas democracias e não apenas uma, a israelita, e mesmo essa cada vez mais ameaçada. Como essa via democrática não é do interesse do Hamas nem do Irão, e o apoio a uma nação palestiniana viável também não está na agenda de Netanyahu, estamos condenados a assistir a uma sucessão de tragédias sem fim. Tristemente, concluímos, nós humanos pouco ou nada aprendemos: homo homini lupus. Mas neste momento trágico, não devem restar dúvidas morais: defender a barbárie é uma barbaridade.

PS1. Andamos muito preocupados – e bem – com a emergência da extrema-direita. Mas eis o pensamento da nossa esquerda mais à esquerda: a Rússia invadiu a Ucrânia? Culpa da NATO. O Hamas massacrou inocentes israelitas? A culpa é de Israel. Neste estranho mundo as vítimas são culpados e os culpados são vítimas. Mas em Portugal não há, dizem, pensamento extremista à esquerda. Um mistério da política nacional…

PS2. Os sinais de anti-semitismo que por aí andam são muito perturbadores. Seria esclarecedor saber quem vandalizou a sinagoga do Porto.

PS3. A atribuição do Nobel da Paz a Narges Mohammadi é outra face desta luta. Um dia as mulheres do Irão viverão em liberdade.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

iServices inaugura primeira loja no centro de Paris

13 Outubro, 2023 by Rita Saldanha

A iServices deu um passo na internacionalização da marca com a inauguração da primeira loja em Paris (França). A nova loja, localizada no centro comercial Forum des Halles, representa um marco importante na expansão global da iServices.

 

A loja em Paris, assim como as restantes da rede iServices, conta com uma equipa experiente, especializada na reparação de iPhones, Samsung, Xiaomi, Huawei e muitas outras marcas populares. Além disso, a loja oferece uma variedade de iPhones recondicionados, bem como dispositivos Samsung, MacBooks, iPads e Apple Watches como novos, para atender às necessidades variadas dos clientes.

Além da abertura da loja física, a iServices também lançou o site em francês, disponível em iservices.fr.

Este passo é o culminar de um trabalho árduo nos últimos meses, desde a pesquisa da loja, à formação de uma equipa de técnicos pronta para iniciar este projeto em França, que marca, obviamente, um momento muito importante para nós. É ainda de enaltecer a importância do local onde iremos abrir a nossa primeira loja. O centro comercial Forum des Halles é um centro de renome em Paris, considerado o principal centro comercial de França. Este situa-se no 1º arrondissement e tem cerca de 50 milhões de visitantes por ano, um número realmente incrível. Dar este primeiro passo num país tão importante e de uma enorme dimensão, como é França, e expor a nossa marca no principal centro comercial do país é para nós um momento muito marcante. Este é o início de uma nova aventura num novo país onde vamos poder mostrar, por um lado, a nossa qualidade de serviço e, por outro, a qualidade dos produtos da marca iS e dos nossos recondicionados

Bruno Borges, CEO da iServices

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Plataforma de acesso a alimentos e combate à exclusão social no Algarve distinguida com prémio

12 Outubro, 2023 by Rita Saldanha

O projeto social “E-integrar”, criado pela APPIA – Associação Pró-Partilha e Inserção do Algarve, foi ontem distinguido com o Prémio MSD Maria José Nogueira Pinto 2023, com a atribuição de um valor monetário de quinze mil euros.

A plataforma digital melhora a distribuição de alimentos aos mais carenciados, em que para além da sua quantidade/qualidade, assegura a adequação às necessidades nutricionais dos beneficiários.

A iniciativa foi desenvolvida em colaboração com a Universidade do Algarve e a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, e tem como objetivo mitigar a duplicação de apoios e promover a equidade no acesso a bens alimentares, combatendo a exclusão social.

A ferramenta permite que os beneficiários façam um registo mais personalizado, com a identificação das características e necessidades do seu regime alimentar e assim adequar o apoio do Banco Alimentar do Algarve às necessidades nutricionais de cada família. Além disso, a inovação estende-se à implementação de recursos de monitorização e avaliação contínua das especificações alimentares, o que permite a realização de ajustes a cada perfil, em tempo real.

Nesta edição, o Júri atribuiu ainda duas Menções Honrosas aos seguintes projetos: “VolunTalento”, da Pista Mágica, do Porto e “Melhorar as respostas às vítimas de Tráfico de Seres Humanos – Portugal contra o TSH”, da Associação para o Planeamento da Família, em Lisboa.

O Prémio MSD Maria José Nogueira Pinto é atribuído anualmente e cada uma das Menções Honrosas receberá um montante de 2.500€ (dois mil e quinhentos euros). Instituído em 2012 pela MSD, o Prémio pretende distinguir o trabalho desenvolvido por pessoas, individuais ou coletivas, que se tenham destacado no contexto da responsabilidade social.

Descrição dos projetos distinguidos

Prémio Vencedor

E-integrar, da APPIA – Associação Pró-Partilha e Inserção do Algarve

O Projeto E-integrar é uma iniciativa inovadora de sinalização e gestão dos destinatários do apoio alimentar na região do Algarve, que visa melhorar a distribuição de alimentos aos mais carenciados. Através de uma plataforma digital integrada, o projeto pretende eliminar a duplicação de apoios e promover a equidade no acesso aos alimentos. O projeto destaca- se pela colaboração estratégica com instituições académicas e de saúde, como a Universidade do Algarve e a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, para desenvolver ferramentas técnicas baseadas em conhecimento científico.

Para assegurar a qualidade/quantidade dos alimentos fornecidos, serão utilizados critérios nutricionais baseados na dieta mediterrânica, estabelecidos em parceria com especialistas, garantindo que os alimentos sejam saudáveis e adequados às necessidades nutricionais das famílias. O E-integrar concentra-se em atender todos os grupos vulneráveis sem exceção, como desempregados, idosos com baixos rendimentos, famílias monoparentais, pessoas em situação de sem-abrigo, migrantes e refugiados. Ainda permite o registo detalhado dos beneficiários, garantindo que o apoio alimentar seja direcionado para aqueles que realmente necessitam.

A caracterização social dos beneficiários é essencial no projeto, levando em conta dados socioeconómicos e demográficos para melhor atender às necessidades das comunidades apoiadas. Além disso, estará preparada para fazer a monitorização contínua, acompanhar o impacto social e avaliar da eficácia da distribuição alimentar, permitindo a replicabilidade noutras zonas do país. Promovendo justiça social e equidade no acesso aos alimentos, o E-integrar contribui para reduzir a pobreza e melhorar a vida das famílias mais carenciadas na região e chegar à pobreza envergonhada, não deixando ninguém de fora.

 

Primeira Menção Honrosa 

“VolunTalento”, da Pista Mágica

O VolunTalento é uma proposta inovadora no combate à exclusão social das pessoas com deficiência (PcD) (+18 anos com deficiência leve a moderada), através do voluntariado, com 2 eixos: 1) Integração dos beneficiários em atividades de voluntariado e 2): Empoderamento das pessoas voluntárias. No Eixo 1 recorreu-se à metodologia inovadora de 4 fases (Capacitação, Atividades Genéricas de Voluntariado, Desenho de Projetos de Felicidade e Atividades Específicas de Voluntariado), que promoveu a inclusão social de PcD e apoiou a concretização de necessidades sociais, estima e autorrealização.

Esta metodologia “Voluntariado Apoiado” prevê a capacitação e integração de PcD em atividades já existentes na comunidade, com o acompanhamento de uma pessoa técnica, que tem como função apoiar e mediar o contacto com a organização acolhedora. As atividades de voluntariado têm em conta as características do grupo e de cada pessoa, para que cada uma possa atingir, no voluntariado, o seu máximo potencial.

Já no Eixo 2, desenvolveu-se um grupo de trabalho para advocacy, onde foi produzido um documento com recomendações em matéria de inclusão no voluntariado. A Pista Mágica (PM) está a dar continuidade a este trabalho, pelo que reuniu com uma especialista em advocacy para a definição de próximos passos no que diz respeito a fazer chegar as recomendações a decisores políticos, envolvendo organizações representativas de PcD ou em situação de vulnerabilidade, como é o caso da INR, I.P. Neste contexto, criou-se ainda uma ponte com o Centro de Recursos para a Inclusão Digital para garantir a acessibilidade dos produtos do projeto (e.g. Guia) e a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social recomendou a PM para o trabalho da Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência 2021-2025, na qual estão previstas medidas em matéria de voluntariado inclusivo.

Segunda Menção Honrosa 

“Melhorar as respostas às vítimas de Tráfico de Seres Humanos – Portugal contra o TSH”, da Associação para o Planeamento da Família

O Tráfico de Seres Humanos é a mais grave violação de direitos humanos. De salientar que em Portugal, durante o ano de 2022 foram sinalizadas centenas de vítimas deste crime, sendo exploradas sexualmente, forçadas a trabalhar ou a mendigar, servidão doméstica, no mundo do futebol, bem como bebés e crianças vendidos para adoções ilegais. A APF, enquanto ONG de referência ao nível da sinalização, identificação, proteção, acolhimento integração de vítimas de Tráfico de Seres Humanos (TSH) faz a gestão das 5 EMES (Equipas Especializadas na Assistência às vítimas de TSH) com linhas telefónicas de emergência 24/24h.

Esta é uma resposta única em Portugal e com uma cobertura nacional. Estas equipas prestam uma resposta imediata a nível psicológico, médico e social a qualquer sinalização de potencial vítima de TSH, dão assistência a vítimas em operações policiais, trabalhando de forma muito próxima com os Órgãos de Polícia Criminal e encaminham para acolhimento protegido e específico sempre que necessário.

Tendo em conta que as vítimas de TSH estão em risco de serem novamente raptadas e traficadas pelas pessoas ou redes que as exploraram, a proteção e segurança são necessidades constantes, sobretudo nas primeiras etapas da intervenção. Neste sentido, a APF gere ainda dois Centros de Acolhimento e Proteção-CAP para vítimas deste crime, um para mulheres e outro para homens, ambos acolhem crianças. Os CAP são estruturas fundamentais para proteger as vítimas e apoiar na reestruturação das mesmas. Para tal é fundamental a existência de um ambiente salutar, confortável e o acesso a um conjunto de respostas a nível médico, psicológico, psiquiátrico, jurídico, social e de atividades lúdico pedagógicas/formativas.

Arquivado em:Notícias, Responsabilidade Social

O ambiente e o planeta

9 Outubro, 2023 by Rita Saldanha

O mundo está apocalíptico e a eco-ansiedade tomou conta de muitos. Multiplicam-se avisos milenares. O planeta está a arder. As águas vão engolir as terras. As espécies vão ser extintas. Tudo isto vai possivelmente ser verdade. É tudo uma questão de tempo.

Vamos por partes. É evidente que importa levar a ciência e o antropocénico muito a sério. É igualmente evidente que é importante aprofundar a descarbonização. É evidente que é necessário encontrar novas soluções para velhos problemas. Ninguém sabe como estes desafios vão ser resolvidos mas se forem sê-lo-ão com as empresas, não contra elas – ao contrário da convicção dos ativistas eco-anticapitalistas, que preferem ignorar os desastres ambientais de “sociedades alternativas”. E importa que as empresas levem estas questões a sério por cálculo ou por convicção. Muitas estão a fazê-lo até porque os seus donos também não têm outro planeta para onde ir.

Importa é que mantenhamos uma atitude determinada mas humilde: sabemos pouco e não dominamos o planeta. Acabei de ler um livro maravilhoso, Mundos Perdidos, de Thomas Halliday (Desassossego). Trata-se de uma viagem no tempo, cá está, através de mundos que já não existem. Consegue imaginar uma floresta silenciosa porque as aves ainda não existem? O livro é uma lição sobre a força do planeta. A nossa humana pequenez é assustadora. A escala temporal é incompreensível. O que retiro do livro não é um niilista baixar dos braços mas antes a necessidade de respeitar a natureza, proteger o que pudermos e não entrarmos nos excessos moralistas dos “eleitos” (volto a recorrer a Buruma) do clima. A força da natureza é inescapável; ela manda em nós e não o contrário. Por isso importa respeitá-la com a convicção de que ninguém a compreende realmente. Esta humildade pode ajudar ao debate, demasiado acirrado ultimamente e fanatizado pela tribo dos ativistas que, de tanto quererem fazer, ainda acabam por, como dizem os ingleses, deitar fora o bebé com a água do banho.

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