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Rita Saldanha

Maria de Lancastre Valente é a nova Diretora de Pessoas e Cultura da SRS Legal

1 Março, 2023 by Rita Saldanha

Maria de Lancastre Valente é a nova responsável pela Direção de Pessoas e Cultura da SRS Legal, que sucede à Direção de Recursos Humanos da sociedade.

Sócia no Departamento de Laboral, com 21 anos de experiência de assessoria no ramo de direito do trabalho, Maria de Lancastre Valente assume agora um cargo na equipa de gestão da SRS, numa transição que reforça o foco da sociedade nas suas Pessoas, colocando em prática o novo conceito de marca About Law, Around People.

Esta mudança enquadra-se na evolução da estratégia de negócio da SRS, que passa pelo reforço da profissionalização das suas equipas de gestão, bem como pela aproximação e interligação constantes com todos os advogados, de todas as áreas de prática, em alinhamento com a atividade da sociedade.

É com enorme satisfação, orgulho e expectativa que assumo esta mudança profissional, ao fim de mais de duas décadas como advogada especialista em direito do trabalho, e como sócia da SRS Legal. O mercado da advocacia vive um período rico e dinâmico, e poder oferecer e colocar a minha experiência e valências adquiridas ao serviço do aprofundamento da estratégia de Pessoas da SRS faz todo o sentido. A minha ambição é aproximar as pessoas do negócio e o negócio das pessoas

Maria de Lancastre Valente, Diretora de Pessoas e Cultura da SRS Legal

 

Contarmos com o expertise, profissionalismo e sensatez da Maria numa área tão fundamental como a das Pessoas é um privilégio para todos nós. Ficámos encantados que a Maria tenha aceitado este desafio e não temos dúvidas de que isso nos permitirá dar mais um passo em frente na reinvenção transversal que temos vindo a fazer na SRS Legal, assente nos pilares de Agilidade, Empatia, Inovação e Sustentabilidade

Pedro Rebelo de Sousa, Managing Partner da SRS Legal

 

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Transformar o setor social pela transição digital

28 Fevereiro, 2023 by Rita Saldanha

Patrícia Rocha é Diretora executiva da Fundação Manuel Violante, instituição que desde 2012 desenvolve programas de capacitação em gestão na economia social e promove a implementação de boas práticas nas organizações sociais.

No arranque de 2023, o novo Programa Miles, inédito no país, pelo formato de formação, conta com 31 organizações inscritas, o que representa um potencial impacto de cerca de 3000 colaboradores e cento e setenta mil beneficiários. “Não queremos formar as pessoas, queremos transformar as organizações”, refere Patrícia Rocha, acrescentando, “Isto é levar a transição digital à capacitação das organizações sociais”.

Em entrevista à Líder, ficámos a conhecer como funciona e quais os objetivos do Programa, para além de perceber os principais desafios do setor social em Portugal e o papel das lideranças, no caminho dessa transformação.

O objetivo do Programa Miles é conseguir que as organizações sociais garantam a sua sustentabilidade e impacto. Como surgiu este novo modelo?

As organizações reconhecem a diferença da nossa passagem e, desde 2018, fomos mudando o nosso formato de intervenção, até chegarmos ao Miles. Estamos muito perto da organização, ouvimo-las e sentimos o que funciona. A Pandemia trouxe a necessidade de um novo modelo de formação remoto, baseado na plataforma de educação digital desenvolvida pela Escola 42. Assim, em 2023, lançamos o Miles, com uma nova curadoria de conteúdos, formadores e recursos. É um programa único, neste formato, e inovador no país, que conta com o apoio de cerca de 50 voluntários e três parceiros chave, a ASBAL, a CUF e o ISCTE EE.

Que tipo de organizações são elegíveis ao Programa e como funciona?

Com a possibilidade do digital, todas as organizações que quiserem fazer a sua capacitação serão muito bem-vindas. Não estabelecemos perfis fechados para a participação. Para garantir o compromisso e envolvimento das organizações, está implicada uma taxa de inscrição de 300 euros, paga independente do número de colaboradores envolvidos. O acesso aos conteúdos é assíncrono e faz-se a formação ao ritmo de cada um, com a participação em momentos de comunidade. O programa tem a duração de um ano; nos primeiros cinco meses, de janeiro a junho, é tratado o tema da sustentabilidade (modelo de negócio, liderança, estratégia). Depois, de setembro a dezembro, trabalhamos o impacto (inovação). Paralelamente há mesas redondas e masterclasses com outros temas emergentes. Neste primeiro ano do Miles, tivemos 30 organizações inscritas, o que quer dizer que no total podemos vir a tocar em quase 3000 colaboradores e cento e setenta mil beneficiários.

Como é medido o impacto efetivo da formação?

Trabalhamos com algumas organizações há vários anos e é incrível o desenvolvimento destas equipas. Naturalmente que não digo que se deve apenas ao trabalho da Fundação, mas gosto de acreditar que contribuímos para este empoderamento.

Objetivamente medimos a transformação nas organizações pela implementação de boas práticas de gestão que se vão refletir não só na eficiência e eficácia do trabalho das equipas, como no reforço das lideranças, mas principalmente na melhoria do serviço que é prestado ao beneficiário. Não esquecemos nunca que o objetivo final é servir cada vez melhor a população vulnerável e por isso todas as práticas de gestão introduzidas têm como finalidade apoiar, mais e melhor, a comunidade.

Dados de 2019 dizem existir cerca de 70 mil instituições, entre Misericórdias, Fundações, Cooperativas e Associações sem fins lucrativos. Num país de pequena dimensão, o que revela esta realidade no que respeita ao setor social?

Acima de tudo necessidade. Gostaria de responder sentido cívico ou empreendedorismo social, mas vivemos num país em que é preciso que estas organizações existam. Que existam e que funcionem bem. Segundo a carta social de 2020, existem cerca de 1 milhão cento e sessenta e um mil lugares disponíveis no conjunto das respostas sociais disponíveis, e um número de beneficiários que chega perto de 1 milhão. São números que refletem necessidade.

E repare que nestes números não está refletida a necessidade escondida, aquela que ainda tem vergonha de pedir ajuda, e que infelizmente é bastante expressiva. Acredito que se os modelos de negócio destas organizações fossem mais fáceis, muitas mais organizações sociais surgiriam. É preciso que continuem a existir e, apesar de se deverem manter os acordos de cooperação com a segurança social, ou com outro ministério que tutele a sua atividade, que sejam cada vez mais independentes e autónomas. É absolutamente necessário que o caminho passe pela inovação, no sentido de procurar soluções ainda mais eficazes, mas assente na robustez do conhecimento e competências.

Em Portugal, o terceiro setor tem uma conotação de auxílio, caridade no momento imediato, com visão pouco alargada. O que está a ser feito para contrariar esta tendência?

Felizmente acho que, de há uns anos a esta parte, muita coisa melhorou, a visão foi mudando e as organizações foram-se mostrando de outra forma. Mas sim, há ainda, a meu ver, um longo caminho a percorrer. A componente imediata e assistencialista não pode deixar de existir, vai ser sempre necessária como resposta a franjas sociais mais vulneráveis, ou situações mais no limite, mas é importante que a intervenção social seja pensada muito para além disso.  Mas, cada vez mais, as organizações sociais precisam desesperadamente de se capacitar e estruturar e de se profissionalizar.

Há necessidade de olhar para este setor e levá-lo a sério, nomeadamente através da legislação, pois estruturalmente as instituições estão organizadas de uma forma que não ajuda. Maioritariamente, a direção destas associações é composta por voluntários, e por norma quem está abaixo da direção são direções técnicas, sem conhecimento de gestão. A capacitação das organizações é uma ferramenta poderosíssima no ganho de estrutura e essa tomada de posição, e decisão, tem de partir das lideranças, que têm de reconhecer nisso uma necessidade, o que não acontece.

Faz sentido pensarmos numa sociedade mais desenvolvida sem pensar que tipo de setor social se tem num país? Que tipo de sociedade queremos ter daqui a 20 anos? Há uma necessidade de pensamento integrado. O tipo de intervenção social faz toda a diferença no resultado social final e isso subentende a criação de uma agenda comum. Para além disso, é preciso dar valor a quem trabalha nas organizações sociais, pois essas pessoas valorizaram-se muito pouco. Há uma enorme falta de confiança, acham-se piores que o setor privado e vivem num clima de desvalorização.

Há falta de profissionalismo no setor, em que para além do objeto de causa social é necessário pensar em gestão, marketing e angariação de fundos. As lideranças podem ser a chave para essa mudança?

Estas organizações precisam de começar a gerar resultados positivos, não para distribuir, até porque são organizações sem fins lucrativos, mas para melhorar o seu serviço, inovar, reconhecer a equipa e até alargar o seu âmbito de atuação. Nada disto é possível se a preocupação for sobreviver, e é o que acontece em muitas. Estão a sobreviver.  As lideranças são, por isso, cruciais nesse caminho. Encontramos muitos líderes de organizações sociais que já percebem a importância da profissionalização do setor e incentivam a capacitação das suas equipas mas também ainda encontramos muitos que deixam para amanhã, ou porque as equipas estão com pouco tempo ou são muito pequenas e o trabalho ao beneficiário é sempre a prioridade.

A liderança de organizações sociais está maioritariamente nas mãos de mulheres. Qual o perfil particular de uma liderança feminina quando se refere a causas sociais?

É verdade, mas primeiro precisamos perceber de que liderança estamos a falar. Se considerarmos a liderança executiva da organização, geralmente exercida por diretoras executivas, gerais ou até por diretoras técnicas, efetivamente estamos a falar de uma larga maioria de mulheres, no entanto, e não deixa de ser curioso (ou não), se considerarmos a liderança nos órgãos de administração destas organizações, onde cerca de 70% dos seus elementos são do sexo masculino. Se pensarmos no cargo de presidente a diferença é ainda maior, cerca de 78% do cargo de presidência destas organizações é exercido por pessoas do sexo masculino. (dados do Inquérito ao setor da economia social de 2018).

Se me perguntar, na realidade quem lidera as organizações sociais, honestamente terei de dizer as mulheres. Em organizações de propósito, onde o foco é o serviço às pessoas, pessoas vulneráveis a que é preciso atender, cuidar e empoderar, as mulheres brilham. É uma liderança de coragem e força mas também de afetos, de relação, de cuidado ao próximo, de motivação e empoderamento. Uma liderança com o olhar no outro, seja colega ou beneficiário. Conheço variadíssimas líderes femininas nas organizações sociais e não paro de me surpreender com o que fazem com tão pouco. Com a sua resiliência e perseverança mesmo quando tudo parece não funcionar. São estas mulheres que estão na linha da frente quando é preciso dar respostas concretas, objetivas e reais, aos desafios sociais. São elas que arregaçam as mãos e vão em frente. No final do dia, são muitas delas que me inspiram.

 

O propósito da Fundação Manuel Violante é fazer com que o setor social, cada vez mais, contribua para o desenvolvimento económico e social do País. Quais os desafios que antevê nesse caminho?

É nosso objetivo trabalhar com as organizações para construir um movimento que vá transformando a economia social. Mas por muito que as capacitemos, tem de haver mudanças estruturais, uma vez que os modelos de negócios são por princípio deficitários, pois não conseguem gerar resultados para continuar, crescer e recompensar as equipas. Acho que ainda persiste a mentalidade do pobrezinho mas honrado. É preciso mais ambição. Queremos uma mentalidade que reconheça os problemas mas que cresce e se empodera com a sua resolução. Queremos organizações fortes que mostrem aos seus beneficiários que são muito mais do que as limitações pontuais que possam sentir, sejam físicas, mentais, financeiras ou relacionais. O que nos interessa é que as organizações que compõem a economia social tenham impacto, gerindo eficientemente os seus recursos e valorizando os seus colaboradores. De forma muito concreta as organizações sociais devem introduzir práticas de gestão no seu dia a dia que garantam a sua sustentabilidade e impacto. Se o fizerem conseguem juntar o melhor dos dois mundos, o propósito de uma organização social com o profissionalismo de uma empresa.

 

 

Arquivado em:Entrevistas

Ciberataques contra a Ucrânia voltaram-se para os países da NATO

28 Fevereiro, 2023 by Rita Saldanha

Setembro de 2022 marca um ponto de viragem nos ciberataques relacionados com a guerra Rússia-Ucrânia. Desde então, os ciberataques semanais contra a Ucrânia diminuíram 44%, enquanto os ciberataques contra países da NATO aumentaram quase 57% em alguns casos.

Os dados divulgados pela tecnológica Check Point, revelam o aumento de ciberataques contra a Rússia (9%), a Estónia (57%), Polónia e Dinamarca (31%). O Reino Unido e os EUA registaram aumentos de 11% e 6%, respetivamente. O relatório enumera os limpa para-brisas, os ataques multifacetados e o hacktivismo como as principais tendências e forças como fatores do pivot.

 

Principais resultados 

  • 44% decresceram no número médio de ataques semanais por organização contra a Ucrânia, de 1.555 ataques para 877
  • aumento de 9% no número médio de ataques semanais por organização contra a Federação Russa, de 1.505 para 1.635
  • Aumento dos ciberataques contra países da NATO
  • Estónia, Polónia e Dinamarca registaram aumentos de 57%, 31%, e 31%, respetivamente
  • O Reino Unido e os EUA registaram aumentos de 11% e 6% respetivamente

Figure 1 – Média semanal de ciberataques por organização

 

Figure 2 – Média de ciberataques semanais por organização, a nível do governo e da indústria militar

 

Principais tendências observadas

  • Ascensão dos wipers
  • Ataques cibernéticos multifacetados
  • Hacktivismo

 

Vemos uma mudança na direção dos ciberataques num ponto específico durante a guerra. A partir do terceiro trimestre de 2022, assistimos a um declínio nos ataques contra a Ucrânia, ao mesmo tempo vemos também um aumento nos ataques contra certos países da NATO. Vemos os esforços desenvolvidos especialmente contra países específicos da NATO que são mais hostis à Rússia. Alguns desses ataques são ataques de malware, e alguns deles centram-se em operações de informação em torno de acontecimentos políticos, geopolíticos e militares específicos

Sergey Shykevich, Threat Intelligence Group Manager na Check Point Research

 

 

Arquivado em:Cibersegurança, Notícias

Marketing: saiba quais são as tendências para o TikTok

28 Fevereiro, 2023 by Rita Saldanha

O TikTok é a rede que tem vindo a conquistar as gerações mais novas. Assim, é essencial que as marcas se saibam posicionar na plataforma para que consigam alcançar o público.

O What’s Next Report 2023, elaborado pelo TikTok, identifica as três principais tendências que vão marcar o ano: o entretenimento será cada vez mais personalizado; as pessoas procuram, cada vez mais, momentos de alegria e descontração para melhorar o seu bem-estar; e o papel da comunidade tornar-se-á cada vez mais relevante como impulsionador da mudança na vida das pessoas

Entretenimento para partilha 

Na plataforma, o conteúdo é selecionado com base no que as pessoas consideram divertido e capaz de captar a sua atenção e confiança.

Globalmente, em média, 67% dos utilizadores dizem navegar no TikTok durante as suas pausas para relaxarem. Para as marcas, as mensagens mais eficazes no TikTok têm de ser estimulantes, divertidas, personalizadas, de forma a serem capazes de entreter a comunidade.

O relatório de 2023 mostra que quatro em cada cinco utilizadores afirma que o TikTok é extremamente divertido e, 92% confirmam já terem sentido uma emoção positiva ao visualizarem um conteúdo, que acabou por resultar numa ação fora da plataforma.

O TikTok tem, assim, mostrado que estimular a interação e a partilha de ideias é fundamental e tem também um impacto positivo nos negócios.

A autenticidade é uma das principais caraterísticas da plataforma e um dos motivos que leva os utilizadores a usarem-na. Com muitos criadores de conteúdos que ajudam à desconstrução de mitos, o TikTok é um fonte credível para a comunidade – tanto para criadores de conteúdo como seguidores -, fomentando assim a confiança na plataforma.

Os criadores de conteúdos desempenham assim um papel fundamental no TikTok, assim como nas estratégias das marcas pela sua capacidade de influenciar fortemente os seus seguidores.

Segundo o relatório cerca de 65% dos utilizadores do TikTok dizem confiar sempre nas opiniões e recomendações dos criadores para decidir o que comprar online.

Dar espaço à alegria 

Apesar de existirem cada vez mais incentivos a que cada pessoa cuide do seu bem-estar físico e mental, há também muitas pessoas a passar por situações de burnout.

Por isso, existe uma procura crescente por momentos em que possam dedicar e focar-se em si próprias, fazendo frente aos problemas e dificuldades pessoais e profissionais, assim como ao contexto instável que atravessamos.

Há uma crescente valorização dos momentos de felicidade e diversão e, neste aspeto, o TikTok tem-se mostrado aliado.

A alegria é uma das principais características que distingue os vídeos no TikTok. A plataforma tem tido um papel preponderante como resposta à procura por momentos de descontração e divertimento, permitindo aos utilizadores escolher os conteúdos que efetivamente querem ver.

No estudo, metade dos inquiridos considera que o TikTok melhora o humor e fá-los sentir mais felizes e positivos. Além disso, 41% dos utilizadores dizem que os conteúdos que ‘elevam o espírito’ são essenciais para os levar a fazer uma compra.

A comunidade como fonte de partilha 

As comunidades no TikTok são únicas e distribuídas por temas, o que é outro aspeto que distingue a plataforma de todas as outras e que permite que as marcas cresçam.

O TikTok é uma rede social com pequenos clubes onde as pessoas podem encontrar novas ideias sobre como explorar as suas paixões e viver as suas vidas.

No TikTok há 1,8 vezes mais probabilidades de introduzir novos tópicos as pessoas que não sabiam que iam gostar. E à medida que as pessoas procuram formas de quebrar o status quo, procurarão pares e modelos que demonstrem a confiança para viver a vida da forma que quiserem.

O conteúdo da plataforma é tão reconhecível e acessível que as pessoas são frequentemente motivadas a replicá-lo; a partilha de valores é também muito elevada, o que inspira os utilizadores.

Após a visualização do conteúdo do criador, mais de dois em cada cinco utilizadores reconhecem que os vídeos os fizeram sentir-se parte de uma comunidade de criadores.

Para se ligarem aos utilizadores, as marcas devem explorar nichos e não ter medo de se tornarem específicas. Quando uma marca percebe quais os seus grupos-chave, pode fomentar e aumentar as conversas honestas e autênticas que interessam às pessoas.

Arquivado em:Marketing, Notícias

Figueira da Foz recebe parque eólico flutuante

28 Fevereiro, 2023 by Rita Saldanha

Ao largo da costa da Figueira da Foz vai surgir o primeiro parque eólico flutuante denominado de Botafogo, em homenagem ao galeão português construído no século 16, conhecido na época como o navio de guerra mais poderoso do mundo.

O projeto da IberBlue Wind, joint-venture ibérica de parques eólicos offshore flutuantes, irá ocupar uma área de 359 km2, com 55 turbinas eólicas, cada uma com uma capacidade de 18MW, o que perfaz um total de 990 MW de capacidade instalada.

O parque eólico offshore Botafogo será apoiado por plataformas flutuantes ancoradas no fundo do mar, o que permite a sua localização a 30-50 km da costa e reduz consideravelmente o seu impacto visual. Esta tecnologia permite que as turbinas eólicas se situem em águas mais profundas, afastadas da costa, o que supera a dificuldade colocadas pela estreiteza da plataforma continental ao largo da Península Ibérica.

Figueira da Foz é uma das cinco áreas propostas pelo Governo português para a exploração de energias renováveis no mar e a escolha do projeto nesta área justifica-se pela combinação entre o seu elevado potencial eólico, infraestrutura portuária e baixo impacto sobre outras atividades que decorrem na área envolvente.

A implementação exigirá uma colaboração com diferentes stakeholders, nomeadamente contactos com os portos, bem como com outras instituições regionais e locais. Está prevista a criação de vários postos de trabalho, sendo a grande maioria alocada à fase de desenvolvimento e construção do parque eólico, e o restante para a operação e manutenção das turbinas durante os anos de funcionamento.

Além do Botafogo, a IberBlue Wind anunciou um outro projeto em Espanha: o Nao Victoria, localizado no Mar de Alborão, ao largo das costas de Cádis e Málaga, com uma área de 310 km2 e uma capacidade instalada de, também, 990 MW.

A Figueira da Foz é uma região com grande potencial. Além do elevado potencial eólico e a infraestrutura portuária existente, situa-se na zona Centro do país, que tem uma procura significativa de energia através de clientes industriais e privados

Adrián de Andrés, Vice-Presidente da IberBlue Wind

 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Sindicatos, gangs do cibercrime e hackers

28 Fevereiro, 2023 by Rita Saldanha

O cibercrime evoluiu na escala da digitalização e transformação digital das empresas, tornou-se tão difundido e lucrativo, que grupos organizados de cibercriminosos colaboram para realizar crime online em larga escala.

Os gangues são formados pelos cabecilhas, os CEO’s do crime, programadores de FrontEnd, BackEnd, Administradores de Sistemas, Especialistas de Redes, Arquitetos de Software, Hackers e outros criminosos tecnológicos, que possuem conhecimentos e recurso para realizarem crimes massivos, que de outra forma não seria possível.

Durante anos o crime organizado, chamado tradicional, encontrava-se separado e era distinto do cibercrime, no entanto nos últimos anos e com a pandemia do COVID-19, o crime organizado também passou a digital.

Durante a pandemia, a maioria das pessoas teve de ficar em casa, os estabelecimentos estavam fechados, o que dificultou as ações criminosas, tal como extorsão, tráfico de estupefacientes, órgãos, pessoas e armas de entre outros. O chamado crime tradicional teve rapidamente de tomar uma decisão aderir à transformação digital, tal como as empresas ditas normais.

Como resultado, aumentou o número dos grupos de cibercriminosos mais organizados e evoluídos. As atividades e os modelos de negócios destes sindicatos de crimes cibernéticos, seguem o padrão de negócios legítimos. Os analistas de cibersegurança acreditam que estão a formar os novos recrutas, recorrem a programas colaborativos e até realizam acordos de serviço entre os especialistas que contratam.

Hacking, fraude, desenvolvimento e distribuição de malware, ataques DDoS, extorsão e roubo de propriedade intelectual são exemplos de alguns dos cibercrimes. Provocando danos financeiros, psicológicos, sociais e, às vezes, corporais, e que também têm sido utilizados para apoiar outros crimes mais graves, como por exemplo o terrorismo.

A evolução do cibercrime tem sido enorme e rápida, alguns destes grupos tem um catálogo de serviços de cibercrime, como por exemplo:

  • Dados roubados e documentos de identidade (incluindo, entre outros, identificações de registo eleitoral, fiscais, pessoais, dados de saúde, financeiros e passaportes)
  • Malware
  • Serviços de botnet
  • Ataques distribuídos de negação de serviço
  • (DDoS)
  • Keyloggers
  • Ferramentas de phishing ou spear phishing
  • Manuais de hacking
  • Informações sobre falhas e vulnerabilidades, bem como instruções específicas e testadas sobre como fazer para ter sucesso
  • Hardware específico
  • Consultoria de cibercrime

De acordo com fontes da Europol e do FBI, o ransomware continua em alta para os grupos de cibercriminosos. A clonagem de cartões ainda é uma forma popular de ganharem dinheiro, e muitos golpes antigos de burla que passaram do mundo real para o mundo digital. Os alvos vão desde pessoas individuais, pequenas e médias empresa, a grandes instituições financeiras e empresas multinacionais de todos os ramos, sem se esquecerem das tecnológicas e das empresas que operam no mercado das criptomoedas.

Então quem são estes grupos?

 

Um dos grupos cuja a operação que foi desmantelada, dá pelo nome de Hive, e que devido ao enorme número de ataques e valores obtidos, andava na mira das autoridades policiais de vários continentes.

Link para a Europol relativa a esta operação: https://www.europol.europa.eu/media-press/newsroom/news/cybercriminals-stung-hive-infrastructure-shut-down

Este grupo atuava de forma sofisticada tecnologicamente e em sistemas Windows, Linux, and EXSi hypervisors, etc.

O desmantelamento do grupo e a captura das chaves de desencriptação impediu que fossem pagos cerca de 120 Milhões de euros em resgates.

Que tipos de grupos existem e o que fazem?

Para além dos grupos que movem exclusivamente pelo lucro financeiro (70%), resultante do pagamento  de resgates pelas vítimas, do roubo digital de contas, burla digital, apropriação ilegítima de wallets de criptomoedas, existem outros grupos suportados, patrocinados ou incorporados por estados.

Vários governos recorrem a hackers para obter informações confidenciais sobre diferentes áreas de outros países, informações militares, financeiras, industriais e outros tipos de dados como vulnerabilidades de infraestruturas críticas. Na realidade, atualmente existe uma ciberguerra a decorrer, com avanços e recuos entre os intervenientes, pode consultar os seguintes links:

https://cybermap.kaspersky.com/

https://securitycenter.sonicwall.com/m/page/worldwide-attacks

https://threatmap.bitdefender.com/

https://www.akamai.com/pt/internet-station/cyber-attacks#enterprise-threat-monitor

https://threatmap.fortiguard.com/

https://threatmap.checkpoint.com/

https://horizon.netscout.com/

Hacktivistas

Os grupos Hacktivistas têm como objetivos governos ou multinacionais, com a finalidade de exporem irregularidades, fraudes ou má conduta. Utilizam as informações obtidas para ativismo político ou social.

Lista de grupos de cibercriminosos

https://attack.mitre.org/groups/

Alguns em destaque, que conhecemos de ataques realizados a empresas portuguesas:

Lapso$

O grupo durante o ano de 2022, atacou a Microsoft, Cisco, Samsung, NVIDIA e Okta, de entre outras, e a Uber com uma exfiltração de dados, onde acedeu ao Google Docs e Slack. Para além das indicadas atacaram ainda a empresa de videojogos Rockstar Games, realizaram downloads ilegais imagens do próximo título “Grand Theft Auto VI” e exfiltraram 90 vídeos do jogo inédito online.

Tailored Access Operations

É um dos grupos de hackers mais sofisticados e bem equipados. Supostamente é um grupo patrocinado por um estado, relatórios afirmam que são uma unidade da Agência de Segurança Nacional (NSA). Não se sabe há quanto tempo opera, o grupo teria permanecido desconhecido, se Edward Snowden não tivesse exposto sua existência.

Conti

O grupo foi supostamente encerrado em maio de 2022, os elementos remanescentes do grupo atacaram os sistemas do governo da Costa Rica, lançaram ataques Distributed Denial of Service (DDoS) via Cobalt Strike, atacaram o governo ucraniano e organizações humanitárias e sem fins lucrativos europeias. O grupo declarou apoio à Rússia no início do ano de 2022, antes de retirar seu apoio total. Este grupo ilustra uma tendência entre alternar entre motivos financeiros e alinhamento com interesses geopolíticos,

Elderwood Gang ou Beijing Group

Elderwood group é um nome geral para vários outros grupos de hackers baseados na China, como Hidden Lynx, Linfo, Beijing Group e Putter Panda. Este grupo APT (Advanced Persistent Threat) são patrocinados pelo estado, encontra-se está ativo há vários anos e continuam a evoluir nas suas táticas, técnicas e procedimentos.

Lazarus Group

O grupo está associado ao estado norte-coreano, teve um ano de 2021 com imensa atividade e sucesso nas operações cibercriminosas, as autoridades dos Estados Unidos confiscaram-lhes criptomoedas no valor 30 milhões dólares. Entre fevereiro e julho Em 2022, o Lazarus atacou empresas de energia, principalmente no Canadá, Japão e Estados Unidos.

Fancy Bear ou APT28

É um grupo cibercriminoso baseado na Rússia. Acredita-se que o grupo é coordenado pelo governo Kremlin. Os ataques envolvem todas as técnicas de hacking padrão e geralmente têm sucesso. O grupo atacou a Polónia, a Georgia, a OSCE, a NATO, a Confederação Sueca do Desporto, a Associação Internacional da Federação de Atletismo e a Agência Mundial Antidopagem (WADA). O ciberataque da WADA teve destaque pelo mundo, pois foi uma retaliação ao banimento da Rússia por 4 anos da competição olímpica após o escândalo de doping, esta pena foi reduzida para 2 anos pelo tribunal Arbitral dos Desporto.

LockBit

O grupo imprimiu uma elevada cadência de ataques, certa de 70 por mês, a sua tática é baseada na extorsão e foi responsável por 46% de todos os eventos de ataques relacionados com ransomware no primeiro trimestre de 2022. Também tem opera ransomware como serviço, ou seja Ransomware as a Service (RaaS).

Tarh Andishan/Ajax

Grupo de cibercriminosos independente patrocinado pelo estado chamado Iraniano, Tarh Andishan e a contratação de grupos hacktivistas Ajax. O grupo já atacou os sistemas de segurança de aeroportos para assumir o controlo, no Paquistão, na Arábia Saudita e na Coreia do Sul. Estes ataques, permitiu-lhes a capacidade de manipular credenciais de segurança nos aeroportos. Para além dos aeroportos, tem como alvos, empresas de telecomunicações, petróleo e gás.

Dragonfly

Grupo cibercrimisoso conhecido das autoridades dos Estados Unidos e Europeias, supostamente ligado ao governo Russo. O grupo tem como alvos a indústria de energia, redes elétricas e outros sistemas de controle nos EUA e na Europa. Ete grupo é famoso por seu estilo de ataque APT, que envolve ataques de watering hole, spear phishing e trojans. E tem atacado ultimamente s rede de energia dos EUA, com o objetivo co controlo de partes críticas dos sistemas industriais.

Não podíamos terminar sem fazer referência a dois grupos de hackers, um mais conhecido do que outro, no entanto como intenções e objetivos diferentes dos grupos anteriormente referidos.

Anonymous

É um dos grupos de hackers mais populares e conhecidos do mundo. Desde que surgiu em 2003, o grupo ganhou dimensão e notoriedade. Este grupo não possui uma liderança ou organização estabelecida, os especialistas acreditam que sua natureza descentralizada, é parte da razão pela qual sobreviveu ao longo dos anos. E mesmo quando elementos do grupo são detidos e presos, não afeta as suas operações e crescimento. O grupo esteve sempre associado ao hacktivismo liberal, realizando hacks sérios e mais casuais, orgulhando-se da sua integridade e código moral.

Chaos Computer Club

O Chaos Computer Club (CCC) é o grupo de hackers mais antigo que ainda existe hoje, e é o maior grupo da Europa, criado em 1981. O CCC faz campanha por transparência nos governos ao contrário de outros grupos já referenciados, não ataca governos nem empresas. Concentra-se em hacks éticos, onde expõem vulnerabilidades de sistemas de segurança como forma de educar as pessoas sobre segurança cibernética. O grupo conduz as suas campanhas com cuidado e frequentemente procuram aconselhamento jurídico de advogados antes de invadir sistemas.

Com grandes mudanças na ordem geopolítica mundial, desde 2022 temos uma instabilidade se traduzirá em atividades cibernéticas prejudiciais, e surgirão novos vetores de ataque que serão explorados pelos grupos de cibercriminosos existente atualmente e novos que irão surgir.

Será necessário que os países e empresas melhorem a sua ciberesiliência, preparando, reforçando, protegendo e atualizando os seus sistemas, bem como aumentando a Segurança de Informação e cibersegurança, e não descurando a formação de todos os utilizadores dos seus sistemas.

 

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