O desenvolvimento do corpo através do exercício físico desempenhou um papel transversal à evolução Humana. O treino com o objetivo de melhorar o desempenho físico foi relatado desde o início das civilizações. Já na Era do Neolítico (12000 a 4000 AC) surgiram gravuras representando a caça, onde as capacidades físicas eram essenciais para o sucesso. […]
O desenvolvimento do corpo através do exercício físico desempenhou um papel transversal à evolução Humana.
O treino com o objetivo de melhorar o desempenho físico foi relatado desde o início das civilizações. Já na Era do Neolítico (12000 a 4000 AC) surgiram gravuras representando a caça, onde as capacidades físicas eram essenciais para o sucesso.
Mais tarde, os motivos bélicos motivavam os treinos para ter vantagens na guerra. Várias civilizações desenvolveram o culto do físico para fins militares como a China antiga, o Egito, e as sociedades Maias. Registos de jogos e preparação física nestas civilizações datam de 5000 a 3000 AC.
O exercício físico fez parte da cultura como integrante em rituais, cultos, filosofias, crenças, ética e estilo de vida.
Na Índia, o Budismo e o Yoga promoviam o exercício como estilo de vida para alcançar o Nirvana (estado perfeito de ausência de sofrimento). No Japão, os samurais exercitavam-se como filosofia de vida, disciplina e por razões militares. Na China, desenvolveu-se o exercício com fins medicinais e higiénicos.
Na Europa, mais propriamente na Grécia, o desenvolvimento filosófico era dominante e nomes como Sócrates, Hipócrates, Platão e Aristóteles mudaram a sociedade até na forma como passaram a relacionar o corpo e a saúde.
“Todas as partes do corpo se tornarão sadias, bem desenvolvidas e com envelhecimento lento se exercitadas; no entanto, se não forem exercitadas, tais partes se tornarão suscetíveis a doenças, deficientes no crescimento e envelhecerão precocemente.” Hipócrates.
Com a conquista da Grécia pelos Romanos, a cultura do corpo foi incorporada em Roma e surgiu a famosa frase “mens sana in corpore sano”.
A chegada do Cristianismo mudou um pouco a forma como o corpo era visto, na Idade Média o culto do corpo era considerado pecaminoso e a atividade física atravessou um período negro.
Só com o Renascimento é que o corpo voltou a ter importância de destaque, surgindo a Educação Física no sistema de ensino a par das outras disciplinas. Nesta época surgiu Leonardo Da Vinci (1432-1519) entre outros grandes artistas que deram um impulso à Medicina e à Educação Física através da dissecação de cadáveres e exploração da anatomia.
Mais próximo dos dias de hoje, o exercício físico toma formas dedicadas à saúde e longevidade, surgindo as correntes norte-europeias com Guts Muths a influenciar a ginástica sueca nos seus fundamentos.
Surgiu a Ginástica Olímpica (com a barra fixa, as paralelas e o cavalo) e as ideias da ginástica sueca influenciavam toda a Europa. Per Ling (1766-1839) sistematizou o seu método em quatro partes: a pedagógica – voltada para o ensino para evitar vícios posturais e doenças, a militar – incluindo as lutas, o tiro, a equitação e a esgrima, a médica – preocupada com a saúde e longevidade, a estética – preocupada com a beleza do corpo.
Com a revolução industrial, os equipamentos utilizados para os exercícios ganharam outros conceitos. Até então era comum o trabalho com pesos (resistências) como hateres, kettlebels, indian clubs e barras, para além dos exercícios calisténicos (peso corporal). Por volta de 1880 Dudley Sargent (professor de Harvard) desenvolveu máquinas com polias de resistência variável, dando origem ao desenvolvimento das máquinas nos ginásios. Durante cem anos não houve grandes desenvolvimentos nesta tecnologia, aparecendo fabricantes e marcas atualmente conhecidas (Matrix, Technogym, Life Fitness, Freemotion…). Apenas em 1970 surgiu a marca Nautilus por Artur Jones, que aplicava um sistema de cargas adaptáveis ao longo do movimento, através de cams modificadas e revolucionou as máquinas do ginásio até aos dias de hoje.
O boom tecnológico que se deu no século XX trouxe muito conforto e facilidades à Humanidade, mas com isso surgiram novos desafios para o exercício físico.
Nos dias que correm, o poder financeiro faz girar o mundo e as sociedades ditas “mais evoluídas” têm um grande decréscimo de atividade física na sua população, levando a problemas de saúde crescentes e o consequente peso financeiro para tentar solucionar o problema em termos médicos e hospitalares.
Esta preocupação com a saúde pública levou entidades governamentais e não governamentais em todo o mundo a desenvolver programas para incentivar a atividade física junto da população: Programa envelhecimento ativo – OMS; Programa North Karelia – Finlândia; Programa Active Living – Canadá; Programa Active for Life – Inglaterra; Programa Health People 2.000 – EUA; Programa Active Australian – Austrália; Programa Agita São Paulo – Brasil; Programa Mexa-se Mais – Portugal.
Estes programas têm algum alcance, mas o efeito na saúde pública ainda está por determinar.
Nos dias de hoje, o Fitness é das modalidades mais promovidas com o surgimento de novas variantes a cada dia (Marketing?), com promessas de estética e saúde e bem-estar.
O que nos espera o futuro?
A demografia dos países “desenvolvidos” tende a ser virada para os idosos e o exercício físico cada vez mais procurado por este tipo de população que procura a sua vertente de saúde e bem-estar.
A tecnologia vai fazer parte integrante da atividade física, tanto como meio de controlo, como forma de comunicação e até motivação.
As profissões relacionadas com o exercício e o bem-estar têm vindo a aumentar a sua procura, notando uma maior valorização deste aspeto da vida. Os Personal Trainers, Fisioterapeutas e Nutricionistas tem um mercado crescente na sociedade moderna.
As redes sociais também têm um papel neste campo, ditando imposições estéticas e “modelos” de vida que são perseguidos (por vezes sem qualquer sentido) levando à pratica de atividade física por uma nova razão.
Não importa a sua motivação, idade, crença ou valores, pratique exercício físico por si e pela Humanidade.
Este artigo foi publicado na edição nr16 da revista Líder.
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Por Paulo Ah Quin, Regional Master Trainer – Holmes Place
Referências:
Fausto Arantes Porto, Benefícios da Atividade Física – Ponto de Vista, saudeemmovimento.com.br
Ivan Carlos Bagnara et al., O processo histórico, social e político da evolução da Educação Física, efdeportes.com
Marcia Passoni, Descubra a história do treinamento esportivo no mundo, https://www.superprof.com.br/


