O mercado das criptomoedas tem enfrentado períodos difíceis, e 2022 foi um ano especialmente penalizador para investidores. O número de roubos na indústria aumentou, contribuindo para perdas significativas: de acordo com dados da Finbold, registou-se um aumento de 43,93% relativamente ao ano anterior. O crescente número de roubo de criptomoedas Fonte: Finbold O número recorde […]
O mercado das criptomoedas tem enfrentado períodos difíceis, e 2022 foi um ano especialmente penalizador para investidores. O número de roubos na indústria aumentou, contribuindo para perdas significativas: de acordo com dados da Finbold, registou-se um aumento de 43,93% relativamente ao ano anterior.
O crescente número de roubo de criptomoedas 
Fonte: Finbold
O número recorde de roubos em 2022 é um indicador de que os problemas de segurança continuaram a persistir desde o início do espaço das moedas digitais. Portanto, apesar do setor entrar num mercado de urso estendido, as criptomoedas estão a começar a chamar a atenção de hackers.
De facto, os hackers estão a aproveitar as fases iniciais do setor das criptomoedas para roubar, através de técnicas sofisticadas, como o uso de múltiplas carteiras e trocas, para esconder os crimes e serem mais difícil de ser identificados.
Nesse sentido, a anonimidade e a falta de regulação no mercado de criptomoedas facilitam, em parte, que os hackers possam operar sem serem detetados.
Historicamente, os hackers têm como alvo as palavras-passe dos utilizadores para obter acesso aos seus fundos através de phishing, keylogging, e outras técnicas. É ainda de mencionar que os roubos têm alcançado diferentes vetores.
Por exemplo, nos últimos meses, a maioria dos alvos têm sido os protocolos de financiamento descentralizado (DeDi). Outros meios comuns de ataques incluem a exploração de pontes de blockchain e a manipulação do mercado.
Novos setores de roubo de criptomoedas
Nos dias que correm são os insiders que são acusados de usar plataformas centralizadas para roubar.
O ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried tem sido acusado de desviar fundos de clientes, e a quantia perdida no seu colapso, 477 milhões de dólares, pode ser maior ainda, tendo em consideração que as autoridades ainda não concluíram a investigação.
Em geral, as plataformas centralizadas aumentaram os seus níveis de segurança, incorporando abordagens como a implementação de protocolos KYC rigorosos e a adesão a mecanismos anti lavagem de dinheiro. Consequentemente, são menos atrativas para criminosos exteriores.
O receio da compensação
Devido à natureza anónima das criptomoedas, os fundos roubados são especialmente difíceis de rastrear, o que dificulta a compensação das vítimas. O rastreio torna-se um desafio com a existência de funcionalidades de cobrimento de transações, com alguns fundos a encaminhar para a lavagem de dinheiro.
No entanto, nos poucos casos em que os clientes são compensados em ativos digitais, gera-se um medo que o mercado destabilize. Por exemplo, depois de os credores chegarem a um acordo para compensar as vítimas de Mt Gox, houve receio de que a liquidação de uma quantidade significativa de ativos digitais fizesse desabar os mercados.
Gestão de futuros roubos
Com a necessidade de mais regulamentações e sistemas formais no espaço das criptomoedas, a responsabilidade recai principalmente sobre os investidores e empresas específicas.
Apesar de agora não ser possível eliminar o risco de roubos de criptomoedas, uma combinação de melhores medidas de segurança, fiscalização regulatória e consciencialização individual são apresentadas como as mais eficazes para reduzir o risco desses ataques, e protegem significativamente os investidores.
Em geral, o crescente número de roubos de criptomoedas tem acelerada a necessidade de estabelecer as regulamentações adequadas, com diferentes jurisdições a procurarem proteger os investidores. No entanto, a maioria dos reguladores está dividida entre promover inovações em cripto e proteger quem nelas investe.


