O trabalho é uma circunstância incontornável na vida da maioria das pessoas. Ocupa-nos boa parte do dia útil e, em algumas funções, podemos passar mais tempo com colegas do que com familiares ou amigos. É por isso essencial que as organizações e aqueles que as integram consigam desenvolver hábitos e comportamentos que sublinhem o humor, […]
O trabalho é uma circunstância incontornável na vida da maioria das pessoas. Ocupa-nos boa parte do dia útil e, em algumas funções, podemos passar mais tempo com colegas do que com familiares ou amigos. É por isso essencial que as organizações e aqueles que as integram consigam desenvolver hábitos e comportamentos que sublinhem o humor, a empatia e a comunicação saudável.
O humor pode ser introduzido no dia a dia das organizações. Melhor: pode passar a caracterizar uma parte importante da relação entre as pessoas e direções/áreas, geralmente marcada por formalismos tradicionais, que distanciam e segmentam o todo.
Universos laborais que abracem momentos de pausa e de convívio entre todos, onde exista descontração, representam a oportunidade ideal para proporcionar um ambiente onde todos possam partilhar momentos de riso e onde todos se sintam à-vontade para expressar o seu sentido de humor. O humor bem aplicado injeta inteligência e perspetiva crítica necessária à evolução das empresas.
Um estudo da Robert Half, empresa internacional de consultoria de Recursos Humanos, apurou que 91% dos gestores acredita no sentido de humor como uma ferramenta poderosa no que concerne à progressão profissional. Por outro lado, a esmagadora maioria dos inquiridos (84%) é da opinião que quem tem um bom sentido de humor tem uma melhor performance no trabalho.
Os benefícios do humor para a saúde mental, tanto no plano individual como no coletivo, já são praticamente factuais. Diversos autores, como David L. Collinson, no seu artigo «Managing Humour», comprova isso mesmo, ao verificar uma redução dos níveis de ansiedade. Em adição, existe um maior sentido de identidade de grupo, uma vez que o riso partilhado cria um denominador comum a todos, melhorando a motivação e a produtividade.
Um método pedagógico para começar a desmistificar o humor no local de trabalho é, precisamente, através da formação, aproximando os colaboradores de humoristas ou de profissionais de RH com uma especial ligação ao estudo do humor em contexto organizacional.
Esta aproximação pode ser encetada, à semelhança do que existe nos Estados Unidos, através de cursos, como é o caso da formação «Humor: Serious Business», que explica e demonstra a gestores e empreendedores como deixar que o riso e a positividade criem, na prática, melhores relações e, por consequência, melhores resultados ao nível dos negócios. O «The Laughter Project» é um outro exemplo de excelência, neste âmbito, na qualidade de empresa formadora que ajuda as pessoas a fazer uma melhor gestão emocional, através do riso, criando uma cultura de trabalho mais positiva.
No fundo, a ideia é retirar profissionais, equipas e organizações do conforto do hábito, pedindo-lhes que desenvolvam formas criativas de comunicar com humor, sempre no respeito pelo contexto profissional. Ou seja, não se pretende transformar profissionais em comediantes, mas sim introduzir uma perspetiva menos formal e mais leve nas interações profissionais do quotidiano.
Em suma, utilizar o humor como ferramenta de trabalho é sinónimo de criar um ambiente de maior felicidade, que humaniza o trabalho, melhora a qualidade das relações entre pares e capacita os trabalhadores com uma melhor resposta emocional à pressão e às adversidades da rotina. É possível ter um desempenho rigoroso no trabalho e, sem descurar o profissionalismo, ter um dia a dia divertido e com mais humor. Porque as empresas são, antes de mais, as pessoas que as integram, e os fatores que aumentem a sua felicidade contribuem fortemente para o êxito na sua caminhada individual e coletiva.
Vamos a isso?

Por Paulo Loja, Diretor Comercial e Marketing Estratégico da RHmais

