A vacinação previne mais de 90% dos casos graves de COVID-19, evitando a hospitalização, mas os investigadores consideram que apenas entre 70% a 85% das pessoas vacinadas estão completamente protegidas de qualquer infeção. Se apresentar sintomas de coronavírus, mesmo estando vacinado, é importante que faça um teste, segundo escreve Arif R. Sarwari, Médico e Chefe […]
A vacinação previne mais de 90% dos casos graves de COVID-19, evitando a hospitalização, mas os investigadores consideram que apenas entre 70% a 85% das pessoas vacinadas estão completamente protegidas de qualquer infeção.

Se apresentar sintomas de coronavírus, mesmo estando vacinado, é importante que faça um teste, segundo escreve Arif R. Sarwari, Médico e Chefe do Departamento de Medicina da Universidade de West Virginia, num artigo para o World Economic Forum.
Se no ano passado apresentasse sintomas, como tosse, febre e uma dor de garganta pensaria logo em COVID-19, mas se hoje estiver totalmente vacinado já se pode questionar: ainda devo fazer o teste?
Na opinião do Médico Infeciologista, deve fazer o teste pois evita correr o risco de hospitalização ou doença grave, para além de no caso de estar infetado poder transmitir o vírus a uma pessoa não vacinada.
As vacinas funcionam, mas não são 100% eficazes
A comunidade científica desenvolveu, de forma espantosa, vacinas contra a COVID-19 cuja alta eficácia em ambiente controlado dos ensaios clínicos corresponde à sua eficácia na vida real. As vacinas mRNA produzidas pela Pfizer e Moderna são 90% ou mais eficazes na prevenção de hospitalização ou morte, no entanto, segundo adverte Arif R. Sarwari, isso não significa que se tenha o mesmo grau de proteção contra a infeção.
Pesquisas recentes estimam que as vacinas mRNA garantem 70% a 85% de proteção contra a infeção, sendo impossível saber se uma pessoa está totalmente protegida ou ainda pode desenvolver um caso leve, se exposta ao novo coronavírus.
Os casos inovadores
Quando uma pessoa é infetada após ter sido totalmente vacinada, dá-se o nome de breakthrough case (caso inovador). Os casos inovadores demonstram um princípio básico das doenças infeciosas – se uma pessoa é infetada ou não, depende do equilíbrio entre dois fatores: intensidade da exposição e competência imunológica.
A intensidade da exposição está relacionada com a proximidade de uma pessoa não infetada de um indivíduo altamente infecioso, que expele o vírus enquanto fala, e por quanto tempo as duas pessoas permanecem em contacto. Por seu lado, a competência imunológica tem a ver com a proteção inerente do corpo contra a COVID-19. Indivíduos não vacinados e que nunca foram infetados pelo novo coronavírus não têm proteção, enquanto pessoas totalmente vacinadas estarão muito mais protegidas.
De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), a 30 de abril de 2021, havia um total de 10 262 casos inovadores (infeções com a vacina SARS-CoV-2), reportados nos estados e territórios dos EUA. Estes são geralmente casos assintomáticos ou apenas levemente sintomáticos, e a maioria não resulta em hospitalização. Espera-se que este tipo de casos continue a ocorrer e, embora essas pessoas tenham menos probabilidade de espalhar o coronavírus do que os indivíduos não vacinados, provavelmente ainda o podem fazer.
Em relação às variantes do SARS-CoV-2, as vacinas de mRNA fornecem uma proteção significativa contra todas as principais variantes que surgiram até agora. Mas é possível que numa determinada altura, uma variante do novo coronavírus possa sofrer uma mutação e conseguir escapar parcial ou totalmente da proteção das vacinas. Por este motivo, o médico infeciologista reforça a necessidade em fazer o teste se apresentar sintomas, mesmo tendo sido vacinado.


