No próximo ano vão passar 50 anos desde que o Homem não voltou à Lua, a última viagem espacial ficou marcada por uma missão lembrada por muitas gerações, quando em 1986 o space shuttle Challenger explodiu matando os sete tripulantes a bordo. Este acontecimento, difundido por todo o Mundo, foi um grande revés na exploração […]
No próximo ano vão passar 50 anos desde que o Homem não voltou à Lua, a última viagem espacial ficou marcada por uma missão lembrada por muitas gerações, quando em 1986 o space shuttle Challenger explodiu matando os sete tripulantes a bordo. Este acontecimento, difundido por todo o Mundo, foi um grande revés na exploração espacial, onde era esperado que o Challenger torna-se o Universo mais acessível. O que aconteceu desde então?
O sonho comanda o Homem e há muitos anos que Ivo Vieira fez da sua ambição pelo Espaço o seu caminho profissional e pessoal, e ser hoje, pela segunda vez, candidato ao programa de recrutamento de novos Astronautas, promovido pela Agência Espacial Europeia (ESA). Com os pés na Terra, fundou em 2002 a LusoSpace, que leva componentes fabricadas em Portugal a bordo de missões especiais internacionais, e é atualmente Vice-Presidente da AED Cluster Portugal (Associação das Indústrias de Aeronáutica, do Espaço e da Defesa).
“De Sapiens a Digital e até ao Espaço”, foi a talk que veio responder à pergunta da Leading People – International HR Conference, “De Sapiens a Digital e até onde?”, onde Ivo Vieira explicou o que pode o Homem esperar da conquista do Espaço e de outros Planetas, naquela que é uma nova Era ímpar da história das missões espaciais.
O que o Espaço nos reserva?
Numa cronologia de eventos que marcam os passos do Homem pelo Universo, desde o ano em que foi lançado o primeiro satélite para o Espaço, em 1957, passando por Yuri Gagarin e chegado ao ano de 1969, quando os Estados Unidos da América colocam o primeiro Homem na Lua, passaram 12 anos. “Tal é um feito notável que levou o Homem Sapiens escapar da esfera do nosso Planeta, e ir mais além”, afirma Ivo Vieira.

A corrida do Homem à Lua foi um dos principais fatores para a Humanidade ser hoje mais digital, e o programa lunar Apolo, custou ao governo americano cerca de 7% do PIB, um valor extremamente elevado, mas que permitiu um retorno de 7 dólares por cada dólar investido. Com isso foi possível o desenvolvimento de tecnologias de ponta e a maior de todas foi, sem dúvida, a micro eletrónica, que nos permite hoje ter uma enorme variedade de dispositivos tecnológicos e eletrónicos.
Contudo, os planos de levar um foguetão ao Espaço continuam a ser muito dispendiosos. Cada foguetão, após a sua utilização é destruído, nunca mais sendo utilizado e cada quilo que se coloca em órbita, custa cerca de 20 mil euros. O Challenger prometia ser diferente, era esperado que o space shuttle fosse reutilizável, mas na verdade o que acabou por acontecer é que a manutenção e verificação não mostraram ser suficientes e por isso lançar uma nova nave espacial tornou-se algo tão caro ou mais do que um foguetão convencional. O governo americano tomou a decisão de terminar o seu programa de viagens espaciais, aliada à questão política de não ser seguro enviar Astronautas para o Espaço, passando a fazê-lo, ironicamente, com o lançamento de naves russas.
Em 2002, o multimilionário e visionário, Elon Musk cria a SpaceX, e volta a colocar os americanos na corrida ao Espaço. Com o sonho de tornar o Universo mais acessível, desenvolveu um foguetão que descola na vertical, regressa e aterra de forma controlada, de modo a que possa ser reutilizado. A sua empresa não só conseguiu colocar americanos e europeus no Espaço, como o faz com um custo muito mais baixo, entre 2 a 4 mil euros por quilo.
Nas suas palavras, este é fator que “veio revolucionar completamente a indústria espacial, o que fez ainda Elon Musk desenvolver uma constelação de satélites, a Star League, que permite difundir internet em todo o globo, mesmo em zonas remotas”. Estamos a assistir a uma nova Era, ímpar nos desenvolvimento de programas espaciais pelo Mundo, em que também em Portugal há planos da indústria nacional para desenvolver uma constelação de satélites à volta do Atlântico.
Um Astronauta português
No início de 2021, e pela primeira vez em mais de uma década, a ESA está à procura de seis novos Astronautas. As candidaturas foram abertas a cidadãos de todos os Estados-membros, com uma nova motivação: a ESA e a NASA aliaram-se para voltar à Lua.
Para Ivo Vieira é cada mais certo que o Homem vai finalmente regressar à Lua, mas isso “será o ponto de partida porque onde queremos chegar é a Marte, porque Marte é verdadeiramente um outro Planeta”. A forma como Elon Musk tem partilhado a sua visão de colonizar Marte, está a contribuir grandemente para que tal venha a tornar-se real. “Estamos numa nova Era em que vamos poder explorar e o Homem Sapiens poderá finalmente começar a viver num outro Planeta”, reforça o orador.
Quanto a Portugal ter um Astronauta luso no Espaço, tal pode ser difícil, pois é um País com menos experiência e dimensão no setor, mas talvez haja uma ponta de esperança. A ESA irá pela, primeira vez, também recrutar 20 Astronautas de reserva. “Estas pessoas vão fazer o treino básico e serão chamados quando houver uma oportunidade para voar, se tivermos em conta que existem cerca de 20 países membros da ESA, existe uma boa probabilidade que um dos Astronautas seja português”, explica Ivo Vieira.
“Se um português vai finalmente fazer parte das próximas missões à Lua é algo que não consigo responder, nem se valerá a pena todos estes planos de investimento para se chegar ao Espaço e a Marte, mas digo que vale sempre a pena quando a alma não é pequena”, concluiu a sua intervenção na Leading People – International HR Conference.
Fotografias: Tema Central

