Numa questão de dias, encontrei duas daquelas notícias a que normalmente não prestamos muita atenção. Primeira: existem em Portugal mais de 13 mil barreiras nos rios. Muitas estarão obsoletas. Segunda: nos Balcãs ter-se-ão perdido quase 2500 quilómetros de rios naturais. Não costumamos pensar nos rios nestes termos.
Eu passei a ver os rios de outra maneira depois de, no Verão passado, ter lido um belo livro de James C. Scott, In praise of floods. Scott, já falecido, é autor de outro extraordinário trabalho, Seeing like a state. O seu derradeiro livro pode ser lido como uma carta de amor a um rio extraordinário, o Irawady, que percorre vários países da Ásia entre os quais a martirizada Birmânia/Myanmar de que quase não se fala.
Entre outras coisas, Scott alerta-nos para a importância das cheias, o respirar profundo dos rios segundo a sua bela imagem, bem como para os efeitos das barreiras que nós humanos impomos aos cursos de água. Aceitando que muitas destas barreiras podem ser necessárias, devemos considerar a sua remoção quando deixam de ser. Queremos olhar a sério para este problema em Portugal e na Europa?

