“As pessoas não se saem bem num ambiente gastronómico sem supervisão” afirma Jerry Seinfeld, no seu espetáculo 23 Hours to Kill. A verdade é que, quando temos possibilidade de consumir de forma ilimitada, acabamos por levar uma quantidade maior do que o habitual. O leque de opções que existe hoje no buffet global de consumo, […]
“As pessoas não se saem bem num ambiente gastronómico sem supervisão” afirma Jerry Seinfeld, no seu espetáculo 23 Hours to Kill. A verdade é que, quando temos possibilidade de consumir de forma ilimitada, acabamos por levar uma quantidade maior do que o habitual.
O leque de opções que existe hoje no buffet global de consumo, com cocktails de produtos e canapés de marcas, dificulta o nosso processo de decisão e leva ao aumento do número de “alimentos” que consumimos, fazendo com que tenhamos uma refeição com mais elementos do que o normal. Mas sabemos também que quantidade não é sinónimo de qualidade.
O livro O Paradoxo da Escolha, de Barry Schwartz, mostra- -nos como um infinito de opções pode ser problemático, na medida em que podemos perder o controlo sobre o consumo e a autonomia para fazer escolhas conscientes. Neste livro, fala-se de que vivemos numa sociedade cujo objetivo é maximizar o bem-estar dos cidadãos e, como consequência, procuramos maximizar a sua liberdade individual e as suas escolhas. No entanto, Barry é da opinião que ao termos muitas possibilidades de escolha são também mais as oportunidades para fazermos escolhas erradas, abrindo um espaço maior para o arrependimento e frustração, e criando um ciclo vicioso no qual nunca estamos satisfeitos com as decisões que tomamos. Para além disso, ao aumentarmos o leque de opções na nossa vida estamos a aumentar as nossas expectativas sobre o quão boas serão essas opções, e como resultado o nosso nível de satisfação será menor mesmo obtendo bons resultados com a nossa escolha final.
Criar barreiras à liberdade individual é sem dúvida controverso, e nem todos temos de concordar que menos é mais, mas enquanto consumidores e profissionais podemos ter um papel ativo na promoção de um consumo sustentável, de um ponto de vista individual e coletivo. São já várias as organizações a traçar novas metas de sustentabilidade ambiental, mas falta ainda reforçarem o seu compromisso nos pilares social e económico. Torna-se, por isso, fundamental que as marcas contribuam também para a educação e bem-estar dos consumidores, colocando-se elas próprias no seu lugar para que consigam mais facilmente criar relações humanas e tomar decisões equilibradas e racionais.
Segundo Seinfeld, “o buffet é como levar o cão à loja de animais e deixá-lo comprar a comida. Dão-lhe a carteira no parque de estacionamento e dizem: Porque não entras e trazes o que achares ser a quantidade certa de comida para ti? Usa o teu bom senso de cão. Eu espero no carro. Deixa a janela um pouco aberta para eu respirar”.
Ora quando vamos a um buffet all-you-can-eat pagamos um preço fixo, independentemente de quanto consumimos, mas com tantas opções por onde escolher torna-se muito difícil escolher. E por isso mesmo, a solução passa por uma transformação de conceito, onde a qualidade e a sustentabilidade ganham vantagem à quantidade, caminhando para um modelo de consumo all-you-care–to-eat, onde o impacto das nossas decisões se alinha com a necessidade do desenvolvimento sustentável da Humanidade. O importante é agora perceber qual é o preço que estamos dispostos a pagar para salvaguardar o futuro do nosso Planeta.
Este artigo foi publicado na edição nr16 da revista Líder.
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Por Eduardo Marques Lopes, Diretor de Marketing e Comunicação da Multipessoal

