Há muito se fala e se cultiva que um bom líder tem boas aptidões para comunicação e sabe criar a sensação de que todos fazem parte e contribuem para um todo. No entanto, as competências de escrita, o envolver com as palavras, acabam por ser negligenciados, pouco se reconhecendo a importância que têm ao definir […]
Há muito se fala e se cultiva que um bom líder tem boas aptidões para comunicação e sabe criar a sensação de que todos fazem parte e contribuem para um todo. No entanto, as competências de escrita, o envolver com as palavras, acabam por ser negligenciados, pouco se reconhecendo a importância que têm ao definir o tom da cultura e marca de uma empresa.
Segundo a Strategy+Business, existem duas grandes armadilhas em que facilmente um escritor, comunicador ou líder tendem a cair. A primeira está precisamente no “escrever como uma segunda língua”, apontou Adam Bryant, coautor do livro “The CEO Test: Master the challenges that make or break all leaders”. Resumidamente, é a tendência para usar a escrita como se fosse uma forma de comunicação integralmente diferente da forma como se fala, seja nas estruturas frásicas que aparentam menos naturalidade, ou na procura por formalidades e expressões mais “chiques”.
Seja com o objetivo de demonstrar inteligência, impressionar, ou porque assim fomos incentivados na escrita académica, é muitas vezes um esforço planeado para encontrar formas de transmitir, com complexidade, ideias que até podem ser simples. Em resultado, introduz uma certa distância entre o escritor e o leitor, exatamente o oposto do que um líder deve ser.
Enquanto líder, lembre-se que também precisa de “ser ouvido” num e-mail. Um tom mais conversador, mais real, é o que todos ansiamos nas nossas vidas, ainda mais nos tempos que decorrem. Sempre que estiver a escrever, procure entender se ressoa consigo, e se iria falar exatamente da mesma forma perante um colega.
Em segundo, muitas pessoas que escrevem caem no erro de assumir que todos sabem tanto quanto elas, o que resulta em que se foquem nas nuances de um tópico, sem dar espaço para explicar o conteúdo. Por muito que seja perito na sua área, lembre-se que pode estar a falar, a escrever, para pessoas que não o são, nem têm a sua experiência ou interesses.
Combater este lado de “perito” requer ter empatia, outra característica crucial no líder. É o “entrar na cabeça” de alguém que não está a par do assunto e ter a certeza de que está a dar todos os conteúdos e raciocínios, para que não se sinta excluído ou deixado para trás.


