Os últimos dois anos vieram trazer à superfície uma realidade que há algum tempo se vinha a adivinhar e, agora, se torna inquestionável: o mercado de trabalho está a mudar e é urgente compreender e dar resposta aos novos desafios, para assegurar o futuro e a prosperidade dos negócios e organizações. Se, por um lado, […]
Os últimos dois anos vieram trazer à superfície uma realidade que há algum tempo se vinha a adivinhar e, agora, se torna inquestionável: o mercado de trabalho está a mudar e é urgente compreender e dar resposta aos novos desafios, para assegurar o futuro e a prosperidade dos negócios e organizações. Se, por um lado, os modelos e metodologias de trabalho sofreram profundas alterações, com a necessidade de depender cada vez mais do digital, naquilo que foi uma verdadeira desmaterialização do escritório tradicional, por outro, os profissionais de hoje também já não são os mesmos de há um par de anos, e procuram agora novas formas de atribuir significado às suas profissões, enquadrando-as naquele que é o seu contexto de vida geral.
Questões como a saúde mental e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganharam uma nova relevância e são hoje algumas das principais prioridades das pessoas. A flexibilidade de tempo e de espaço são, inevitavelmente, fatores com um grande peso nesta equação. Além disso, não nos esqueçamos que o salário, embora continue obviamente a ser um denominador fundamental, deixou de sê-lo em exclusivo e partilha agora terreno com outro tipo de benefícios e incentivos, como o acesso a formação ou o potencial de desenvolvimento de carreira, e outro tipo de prioridades, como a identificação com os valores da empresa, a preocupação com a sustentabilidade ou a busca por oportunidades de participar na inovação.
Ora, neste cenário extremamente dinâmico, ao qual acresce a pressão da escassez de talento e da consequente dificuldade em atrair e, sobretudo, reter pessoas, o que é que as empresas podem fazer para acompanhar e responder da melhor forma às tendências que vemos emergir? É claro que esta pergunta não tem uma resposta padrão, mas o ponto de partida é bastante simples: há que mudar de perspetiva e olhar cada vez mais para dentro, antes de olhar para fora; há que pensar nos colaboradores com o mesmo cuidado com que se pensa nos clientes, antecipando necessidades, prestando atenção às suas dores, escutando as suas vozes e trabalhando ativamente para lhes proporcionar a melhor experiência possível.
Uma equipa motivada, envolvida e alinhada com a visão da empresa a longo prazo é crucial para a integridade e sustentabilidade de qualquer negócio. Uma cultura empresarial bem definida, com valores claros, com uma abordagem verdadeiramente “people first”, com uma comunicação transparente, e com lideranças empáticas e despertas, é crucial para a integridade e sustentabilidade de qualquer equipa.
Tal como dizia, é preciso, primeiro que tudo, olhar para dentro. Ao final do dia, a problemática resume-se assim: se um cliente satisfeito volta, um colaborador satisfeito fica. Priorizar o primeiro e desconsiderar o segundo pode não só ser contraproducente, mas vir mesmo a revelar-se fatal.
Este artigo foi publicado na edição de verão da revista Líder. Subscreva a Líder AQUI.

