O futuro da Educação será essencialmente definido pela adoção massiva de novas tecnologias já disponíveis e pela facilidade de inclusão de alunos, professores e ecossistema nestas tecnologias. É expectável que nos próximos 10 anos a Educação sinta uma alteração mais acentuada do que nos últimos 100 anos: A Educação deverá tornar-se mais acessível – o […]
O futuro da Educação será essencialmente definido pela adoção massiva de novas tecnologias já disponíveis e pela facilidade de inclusão de alunos, professores e ecossistema nestas tecnologias. É expectável que nos próximos 10 anos a Educação sinta uma alteração mais acentuada do que nos últimos 100 anos:
A Educação deverá tornar-se mais acessível – o que o digital ofereceu nos últimos 20 anos com o crescimento das componentes letivas à distância será exponenciado em várias ordens de magnitude com a nova tecnologia, em especial metaverse. A competição, que já hoje não é local, será totalmente global e indiferente à língua, outra barreira que será anulada no curto prazo. Ser certificado por uma escola que esteja a milhares de km de distância e que tenha uma linguagem que seja desconhecida será cada vez mais fácil e fará parte de uma experiência cada vez mais interativa e sensorial.
A Educação será cada vez mais baseada em dados e personalizada – o valor dos dados já não é discutível, mas o potencial de trabalhar bem esses dados ainda não está corretamente percecionado no efeito que terá no sector da Educação. A evolução trará uma lógica de um professor (via IA) por aluno, aluno esse que é percecionado pelos modelos como um conjunto de informação ao nível do conhecimento, experiência e emoções. A capacidade de distinguir um aluno e lhe fornecer conteúdo único (mais ou menos automatizado) será distintiva.
A Educação será mais imersiva – num mundo onde o online já é rei a distinção passa hoje pela experiência no campus e pela localização de conteúdos. Esta distinção será fortemente diluída com acesso a experiências de realidade aumentada e virtual, concentradas no metaverse.
A Educação será mais automatizada, mas não menos humana – os processos, burocracias e morosidades serão muito atenuados com uma automação forte de IA. Este movimento não trará, no entanto, uma escola menos humana. Dentro de poucos anos, os modelos de IA serão sofisticados ao ponto de replicarem uma empatia e consciência humana superior à média e, consequentemente, competitiva. A era dos modelos com cognição humana levará ainda várias décadas.

Será impossível parar o vento com as mãos, ainda que a legislação e a regulação possam trazer novidades no curto a médio prazo. Numa primeira fase (já em curso) a IA poderá funcionar como um complemento às metodologias atuais de Educação e aos processos existentes. Essa Era existirá durante menos de uma década, momento a partir do qual é expectável uma disrupção muito profunda. Compreender este fenómeno e trabalhar em adaptações que possam ser feitas no seu tempo certo é uma grande oportunidade para as Instituições de Educação mais bem preparadas. Não são de descartar cenários dentro de uma a duas décadas de existência de Instituições de Educação de elevadíssima reputação sem quaisquer Professores, pelo que as entidades que sobreviverão serão as entidades que maior capacidade de adaptação tiverem e que mais cedo se adaptem a uma hipótese que é a do futuro da Escola ser não existir a Escola que conhecemos.


