Na Europa, o valor das fusões e aquisições (M&A) diminuiu 55% entre o primeiro semestre de 2022 e o primeiro semestre de 2023, excedendo a queda de 45% a nível mundial, mas as perspetivas para o próximo ano mostram sinais promissores de recuperação, que já terá começado no decorrer deste ano. O aumento das taxas […]
Na Europa, o valor das fusões e aquisições (M&A) diminuiu 55% entre o primeiro semestre de 2022 e o primeiro semestre de 2023, excedendo a queda de 45% a nível mundial, mas as perspetivas para o próximo ano mostram sinais promissores de recuperação, que já terá começado no decorrer deste ano.
O aumento das taxas de juro, as tensões geopolíticas e os receios de recessão contribuíram para uma desaceleração da atividade que atingiu o seu ponto mais baixo na primeira metade de 2023. Estes são dados revelados pelo The Global M&A Report, um estudo realizado pela Boston Consulting Group (BCG).
O mercado de M&A tropeçou em 2023
Após o frenesim de fusões e aquisições em 2021 e no início de 2022, o ritmo abrandou durante a segunda metade do ano passado e os primeiros oito meses de 2023. Até ao final de agosto deste ano, a nível global, as empresas anunciaram aproximadamente 21.500 transações, com um valor total de 1,18 biliões de dólares, o que representa uma queda de 14% do volume de negócios e de 41% no seu valor em comparação com o mesmo período de 2022.
Este abrandamento da atividade de M&A foi evidente em todas as regiões. Mercados como a Índia, Taiwan, Itália e Roménia mostraram um pouco mais de resiliência, enquanto os Estados Unidos, Canadá, França e Alemanha foram mais impactados. A nível mundial, os setores da energia e dos recursos foram os mais ativos, enquanto na Europa houve mais atividade em tecnologia verde, materiais e software.
Fatores impulsionadores da atividade de fusões e aquisições em 2024
Devido às atuais incertezas geopolíticas, é difícil prever o que acontecerá no mercado de M&A em 2024. No entanto, os fatores fundamentais da atividade permanecem intactos. O relatório identifica quatro fatores-chave a curto prazo da atividade:
- Elevados níveis de capital disponível. O maior apoio à realização de transações virá da abundância de capital disponível detido por fundos soberanos, investidores de private equity e de capital de risco e algumas grandes empresas.
- Expectativas de preços convergentes. As disparidades entre as expectativas de preços dos vendedores e dos compradores impediram a realização de transações no ano passado. No entanto, muitas variáveis que influenciam os preços – como o nível de inflação, os custos de financiamento e a incerteza – estão a estabilizar, pelo que essa diferença deve diminuir.
- Regulamentos e políticas em evolução. Cada vez mais, as mudanças na regulamentação e nas políticas estão a influenciar a atividade de M&A. Os regulamentos antitrust tradicionais complicam frequentemente as transações de maior dimensão. Acrescem obstáculos relacionados com a regulamentação do investimento direto estrangeiro, considerações de segurança nacional e sanções. Por outro lado, as transações efetuadas sob o escrutínio antitrust estimulam frequentemente a realização de desinvestimentos como forma de contrariar estas preocupações.
- Procura da resiliência. Os esforços para reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento, como por exemplo através de estratégias de near-shoring, friend-shoring e outras estratégias de regionalização, podem influenciar indiretamente as fusões e aquisições uma vez que pode facilitar estes objetivos.
Estamos relativamente otimistas sobre as perspetivas para 2024 uma vez que a atividade mostra sinais promissores de recuperação. Não obstante, os desafios permanecem – em particular, um maior custo de capital, o que levará as empresas a considerar negócios grandes ou transformadores com um nível ainda maior de escrutínio. Isto pode significar a procura de aquisições, desinvestimentos e, por vezes, uma combinação dos dois, para reforçar o crescimento e remodelar os negócios
Jens Kengelbach, diretor global de M&A da BCG e coautor do relatório


