“O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora.” (Mia Couto) Que casa profissional mora, ou morou, em nós? Ao longo da nossa carreira vamos mudando de casa profissional. Já passou o tempo em que a casa de início era casa onde passaríamos o resto da nossa vida […]
“O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora.”
(Mia Couto)
Que casa profissional mora, ou morou, em nós?
Ao longo da nossa carreira vamos mudando de casa profissional. Já passou o tempo em que a casa de início era casa onde passaríamos o resto da nossa vida ativa.
A cada mudança vamos buscando algo mais – progressão, aprendizagem, pertença. E é para a “pertença” que importa olhar.
À medida que as gerações se vão misturando nas organizações, e no mundo do trabalho no geral, mais difuso vai ficando este “sentido de pertença”.
As gerações mais antigas pertenceram mais tempo, por vezes toda a sua vida profissional, a uma organização. E essas vivências foram ricas em evolução e aprendizagens pessoais. As novas gerações reclamam experiências várias, aprendizagem, equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. E, por isso, se vai ouvindo muito, nos dias de hoje, que já não se “retém” ninguém. E sim, o mantra organizacional deverá mudar de: “reter” para “fazer crescer”.
Adicionalmente, a escassez de talento que, vai imprimindo um maior ritmo ao mercado, torna as transições profissionais cada vez mais frequentes. Fatalmente, os laços entre os profissionais e as empresas tornam-se mais frágeis e menos sustentáveis.
Por seu turno, as organizações vão evoluindo e vão-se moldando às tendências, ao mercado, às novas lideranças que marcam comportamentos que parecem desalinhados daqueles valores que víamos como certos, como indestrutíveis.
Mas, sobretudo, as nossas premissas de pertença originais a uma empresa mudam ao longo do tempo. Há motivações que se vão destacando com a idade, ou que vão ganhando voz sobre outras que, em início de carreira, eram mais gritantes.
A maturidade adiciona lucidez e bom-senso no juízo dos eventos profissionais que vão, constantemente, calibrando com os nossos valores.
E vamos morando, mas a casa já não mora em nós.
O que nos faz pertencer a algo é, na génese, o que nos faz sair.

