Cabo Verde está comprometido com a transição energética, através de um plano e metas bem delineadas, que pretendem ultrapassar em 50% a eletricidade produzida por fontes renováveis até 2030 e atingir os 100% até 2040. Pretende-se ainda que o acesso à eletricidade abranja a totalidade da população cabo-verdiana até 2026 e mobilidade elétrica seja atingida […]
Cabo Verde está comprometido com a transição energética, através de um plano e metas bem delineadas, que pretendem ultrapassar em 50% a eletricidade produzida por fontes renováveis até 2030 e atingir os 100% até 2040.
Pretende-se ainda que o acesso à eletricidade abranja a totalidade da população cabo-verdiana até 2026 e mobilidade elétrica seja atingida em pleno até 2050. Mas, «para alcançar esses objetivos, são precisas transformações profundas, não só no setor da energia, mas também em todos os domínios da vida social e económica»,
Estas são palavras de Alexandre Monteiro, Ministro da Indústria, Comércio e Energia do Governo de Cabo Verde, no debate «O Desafio para um Futuro Sustentável», que aconteceu no dia nove de maio, na Assembleia Nacional de Cabo Verde, na Cidade da Praia.
A este debate juntaram-se António Santos, Fundador e COO da Windcredible, Margarida Segard, Diretora da ISQ Academy, com moderação de Elizabete da Silva Dias, Jornalista da TV Record.

Um mar de desafios e oportunidades
O Ministro confirmou a «ambição e confiança» que o arquipélago tem demonstrado para abordar estas questões, ainda que assente numa «visão realista». A introdução da mobilidade elétrica implica adaptações a nível da fiscalização local e nacional, das instituições financeiras e até da própria indústria. «A mudança espoleta a necessidade de várias adaptações», referiu.
A microprodução de energia também é um dos objetivos deste Governo, assente numa «produção descentralizada para autoconsumo», que tem tido uma «grande dinâmica, representando já cerca de 25% da capacidade total de produção de energias renováveis» de Cabo Verde.
«A natureza descentralizada facilita o acesso», nomeadamente quanto ao desafio de alcançar as localidades isoladas e dispersas. «Cabo Verde tem um potencial renovável muito superior às necessidades internas», o que sustenta a possibilidade de produzir para exportar. «Se a transição energética é imperativa para o Mundo, para Cabo Verde é uma necessidade», reforçou.
Margarida Segard sublinha que Portugal e Cabo Verde estão também inseridos nas «metas globais» da transição energética e digital. Para a Diretora da ISQ Academy, a «simbiose e economia circular devem estar presentes em cada passo dos processos de criação e inovação, sob a «lógica de se pensar sobre os impactos».

«Não podemos separar a transição digital da energética se queremos inovar, garantir a redução de energia e de recursos, redução da pegada de carbono e otimização de recursos humanos», diz.
Cabo Verde pode tornar-se num polo de produção de energias renováveis
António Santos é especialista em inovação no meio eólico, e vê no país um potencial enorme para fazer crescer o mercado de energias renováveis. O Fundador da Windcredible quer revolucionar a captação e armazenamento da energia eólica com base na sua experiência em Portugal, atendendo às características das ilhas.
«Cabo Verde já disseminou as energias renováveis em vários pontos e tem tido sucesso, crescimento e know how nesse campo», explicou.

Desenvolver parcerias é outro passo importante para atingir as metas definidas, nomeadamente entre investidores privados e organizações públicas. «A nossa dimensão no mercado [energético] é pequena, mas temos uma atitude grande. Queremos atuar não só no mercado cabo-verdiano, mas também expandir para o mercado africano», explicou Alexandre Monteiro.
O Centro de Energias Renováveis e Eficiência Energética de toda a região Ocidental de África está localizado em Cabo Verde, o que reforça a importância e domínio que o arquipélago tem em matéria de transição energética. Um processo que o Ministro caracteriza como um «exponencial de mudanças», capaz de potenciar a «polaridade de lideranças».
Margarida Segard partilha da mesma opinião, reforçando mesmo uma obrigatoriedade na cooperação entre empresas, instituições de ensino e organizações. «Não há transição energética sem democratização de competências» e conhecimento, pelo que a formação e educação são cruciais para adquirir as «super skills» necessárias para este meio. «Nada disto se faz orgulhosamente sós», conclui.

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