O futuro é como as nuvens; insinua formas que se transformam à medida que as tentamos interpretar. Talvez por isso ensaiar futuros seja tão nubloso, ou tão romântico, para esta leitura dos céus da nossa imaginação. A Cidade das Marcas é um daqueles lugares no futuro onde tudo são Marcas: os produtos e os serviços […]
O futuro é como as nuvens; insinua formas que se transformam à medida que as tentamos interpretar. Talvez por isso ensaiar futuros seja tão nubloso, ou tão romântico, para esta leitura dos céus da nossa imaginação.
A Cidade das Marcas é um daqueles lugares no futuro onde tudo são Marcas: os produtos e os serviços naturalmente, mas é também onde cada pessoa é uma Marca forte, não no sentido estrito e funcional do termo, mas uma marca identitária, única, individual.
Por seu lado, a Marca da Cidade das Marcas é uma Marca coletiva, coletivíssima, um exemplo de identidade e da vontade de todos, expressa nas escolhas e no sentido de preservação da comunidade primordial.
A Cidade das Marcas é uma cidade sem pré-conceitos. mas que vive protegida por uma muralha de convicções onde, simbolicamente, se projetam portas abertas a todas as Marcas que queiram vir ali viver em harmonia.
Certa vez, uma grande marca de outro país mandou comprar a loja mais importante, da praça mais importante do centro da Cidade das Marcas. Esta marca fazia isso em quase todas as cidades do Mundo: invadia a sua história e instalava-se como se a Cidade fosse a sua Marca. Fazia-o bem-intencionada mas, sabia-se na Cidade das Marcas, que as grandes Marcas prometiam muito progresso às cidades, mas em troca da sua alma.
Perante este cenário as Marcas da Cidade, rapidamente reuniram a Assembleia das Marcas e deliberaram por unanimidade que a grande marca seria bem-vinda se se instalasse com delicadeza em outra localização, não identitária. O centro da Cidade das Marcas estará reservado para sempre, para as Marcas da Cidade, grandes e pequenas: marcas comerciais, marcas pessoais e para todas as marcas que fizerem da Cidade das Marcas uma marca única, irreplicável. Este é um lugar onde todas as marcas locais prevalecem sobre todas as outras marcas; terminava o comunicado inscrito no “Brand Book” da Cidade.
Na Cidade das Marcas, é muito claro para todas as marcas que a mais valiosa de todas as suas marcas é a marca da Cidade das Marcas. Aqui sonha-se individualidade e comunidade, em doses de equilíbrio e prosperidade. Na Cidade das Marcas, quem manda são as Marcas da Cidade e não os interesses das Marcas de outras cidades, de outros países ou, no futuro, de outros planetas; ou não fossem as Marcas os sonhos do Homem, perpetuados na economia.
Esta Cidade das Marcas é uma utopia, mas se todos quisermos, podemos usar a nossa Marca, as nossas Marcas, para a tornar realidade.
Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.


