A Universidade de Coimbra intensifica o trabalho na Guiné-Bissau com novos projetos que promovem prevenção, diagnóstico e literacia sobre a diabetes. A investigadora Eugénia Carvalho, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, lidera esta iniciativa e mantém presença no terreno desde 2020. O percurso começou com o primeiro grande rastreio nacional da doença. […]
A Universidade de Coimbra intensifica o trabalho na Guiné-Bissau com novos projetos que promovem prevenção, diagnóstico e literacia sobre a diabetes. A investigadora Eugénia Carvalho, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, lidera esta iniciativa e mantém presença no terreno desde 2020.
O percurso começou com o primeiro grande rastreio nacional da doença. A equipa queria perceber se a vacina BCG oferecia algum efeito protetor contra a diabetes. Os resultados, publicados em 2024 e 2025, e a tese de doutoramento de Lilica Sanca revelaram algo maior: milhares de pessoas desconhecem totalmente a doença, confundem-na com infeções e não sabem gerir os tratamentos.
«Para muitos, o rastreio nacional foi a primeira vez em que ouviram falar de diabetes», explica Eugénia Carvalho. Esta constatação levou a equipa a avançar para um plano mais amplo, que não se limita à investigação e envolve saúde, educação, nutrição e comunicação comunitária.
Rastreios para grávidas e ações de literacia avançam no terreno
A investigadora trabalha agora com parceiros guineenses num rastreio destinado a grávidas. O objetivo é simples e urgente: reduzir a mortalidade materno-infantil. A equipa quer avaliar entre 3.500 e 5.000 mulheres e já alcançou as primeiras 500. O Instituto Camões financia o projeto, que também envolve a Associação Bisturi Humanitário.
Em paralelo, a equipa aposta numa frente essencial: a literacia em saúde. Para chegar às comunidades, produz bandas desenhadas em português e crioulo com o artista local Manuel Júlio e cria spots radiofónicos em várias línguas. «A literacia continua a ser um dos maiores desafios, mas é decisiva para mudar comportamentos», sublinha a investigadora.
Além disso, decorre um plano nacional de capacitação em nutrição, coordenado pela ONG HELPO e financiado igualmente pelo Instituto Camões. O programa prolonga-se até dezembro de 2026 e inclui o mapeamento da desnutrição em todo o país. Equipas locais recolhem dados com questionários adaptados do projeto europeu PAS GRAS.
Eugénia Carvalho lembra que muitas organizações na Guiné-Bissau continuam focadas quase exclusivamente em doenças infeciosas, o que deixa as doenças crónicas sem resposta adequada. «A diabetes e a hipertensão crescem rapidamente. Precisamos de uma ação transversal para travar esta tendência.»
No Dia Mundial da Diabetes, a investigadora reforçou a mensagem: só com informação, formação e prevenção continuadas será possível proteger milhares de pessoas e evitar que a doença avance silenciosamente pelo país.



