Portugal acredita que conseguirá evitar falhas no abastecimento de combustível de aviação nos seus aeroportos, mesmo num momento em que várias companhias aéreas europeias alertam para possíveis rupturas devido à instabilidade no Médio Oriente e às perturbações no mercado energético global.
A garantia foi dada pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que afirmou que o Governo está a acompanhar de perto os níveis de reservas e mantém contactos regulares com as empresas do setor energético para garantir o abastecimento durante os próximos meses.
A preocupação surgiu depois de várias transportadoras aéreas europeias terem alertado para a possibilidade de escassez de jet fuel, o combustível utilizado na aviação, numa altura em que a guerra envolvendo o Irão e as tensões na região do Golfo estão a afetar cadeias de fornecimento que alimentam grande parte do mercado europeu.
Apesar desse cenário, o executivo português considera que o país está relativamente protegido. Uma das razões prende-se com a estrutura do abastecimento energético nacional. A principal fornecedora de combustível para a aviação em Portugal, a Galp Energia, obtém grande parte do petróleo bruto a partir do Brasil e processa-o internamente na refinaria de Sines, o que reduz a dependência direta das rotas do Médio Oriente.
A empresa indicou que a produção atual, as reservas disponíveis e as importações previstas deverão ser suficientes para satisfazer a procura, sobretudo com a aproximação da época alta do turismo.
Portugal prepara-se para um verão particularmente intenso no setor turístico, num contexto em que vários destinos tradicionais da região do Médio Oriente registam quedas acentuadas na procura devido à instabilidade geopolítica.
Fontes do setor afirmam que companhias aéreas e operadores aeroportuários estão a reforçar os planos logísticos para garantir a continuidade das operações durante os próximos meses, evitando perturbações numa indústria crucial para a economia portuguesa.
Embora o Governo não tenha divulgado os níveis exatos de reservas de combustível, garante que a situação está a ser monitorizada e que existem mecanismos para assegurar o abastecimento caso as tensões internacionais voltem a pressionar os mercados energéticos.


