• Skip to main content
Revista Líder
Ideias que fazem futuro
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos

  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      João Silva Martins é o novo Digital Operations & Information Security Director da Securitas Portugal

      De processo esquecido a prioridade estratégica: qual é o futuro do alargamento europeu?

      Tecnologia barata, custos elevados: a equação que preocupa as empresas

      «Será que ainda sou relevante?»: Rita Sambado inquieta plateia e desafia o futuro da liderança

      Catarina Esteves (Coca-Cola): «A força de uma empresa tem de servir para mais do que vender um produto»

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Emoção ao volante com o novo Alfa Romeo Tonale

      Jos Duchamps parafraseou Churchill: «Na verdade, nós moldamos os edifícios e, depois, os edifícios moldam-nos a nós»

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Onésimo Teotónio de Almeida: «A saudade é um desejo de se ficar no passado»

      Bonga: As mensagens das minhas canções «foram mais longe do que o discurso dos políticos»

      Roberta Medina: «As empresas não podem ter a miopia de olhar apenas para as suas metas»

      «Se o líder for mau, a IA vai ajudá-lo a tomar más decisões mais depressa», defende Ricardo Fortes da Costa

      «Hoje a engenharia civil não consegue atrair: é uma profissão que perdeu espaço e alguma credibilidade», explica Nuno Garcia

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Três livros para entender a Inteligência Artificial: do dicionário à estratégia empresarial

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
Loja
  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      João Silva Martins é o novo Digital Operations & Information Security Director da Securitas Portugal

      De processo esquecido a prioridade estratégica: qual é o futuro do alargamento europeu?

      Tecnologia barata, custos elevados: a equação que preocupa as empresas

      «Será que ainda sou relevante?»: Rita Sambado inquieta plateia e desafia o futuro da liderança

      Catarina Esteves (Coca-Cola): «A força de uma empresa tem de servir para mais do que vender um produto»

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Emoção ao volante com o novo Alfa Romeo Tonale

      Jos Duchamps parafraseou Churchill: «Na verdade, nós moldamos os edifícios e, depois, os edifícios moldam-nos a nós»

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Onésimo Teotónio de Almeida: «A saudade é um desejo de se ficar no passado»

      Bonga: As mensagens das minhas canções «foram mais longe do que o discurso dos políticos»

      Roberta Medina: «As empresas não podem ter a miopia de olhar apenas para as suas metas»

      «Se o líder for mau, a IA vai ajudá-lo a tomar más decisões mais depressa», defende Ricardo Fortes da Costa

      «Hoje a engenharia civil não consegue atrair: é uma profissão que perdeu espaço e alguma credibilidade», explica Nuno Garcia

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Três livros para entender a Inteligência Artificial: do dicionário à estratégia empresarial

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos
Subscrever Newsletter Assinar

Siga-nos Lider Lider Lider

As ideias que fazem futuro, no seu email Subscrever

Leonor Wicke

Subutilização do trabalho desce para mínimos históricos

3 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

O mercado de trabalho não foi capaz de absorver o aumento da atividade e o desemprego aumentou nas mulheres em setembro. Já a subutilização do trabalho caiu para 10,2%, menos de metade do valor de há uma década, aproximando Portugal de uma situação de pleno emprego.

Naquele mês, o emprego aumentou 0,2% face a agosto, o que corresponde a mais 9.400 pessoas empregadas. A população ativa também cresceu 0,3% (+13.700 pessoas), totalizando 5,62 milhões de pessoas e batendo recordes de décadas.

As conclusões são da Randstad Portugal, que divulgou a sua análise mensal ao mercado de trabalho, baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da Segurança Social, relativos a setembro de 2025.

Desemprego sobe entre as mulheres, mas o mercado continua dinâmico

Em termos homólogos, a tendência é ainda mais expressiva: há mais 183.000 pessoas empregadas do que em setembro de 2024 (+3,6%) e mais 164.600 pessoas ativas (+3%). Este crescimento reflete o dinamismo do mercado de trabalho, com o aumento do emprego a superar a redução do desemprego.

A taxa de desemprego situou-se em 6%, valor superior ao de agosto (+0,1 p.p. mensal), mas inferior em 0,5 p.p. face ao ano anterior. Em setembro, havia 337.200 pessoas desempregadas, menos 18.500 do que há um ano.

O aumento mensal do desemprego verificou-se, contudo, apenas entre as mulheres e os adultos (25-74 anos):

  • Entre as mulheres, o desemprego subiu 7% (+12.000 pessoas);
  • Entre os homens, caiu 4,8% (-7.700 pessoas);
  • Por idades, o desemprego aumentou 2,8% entre os adultos (+7.200 pessoas) e caiu 4% entre os jovens (-2.900 pessoas).

 

Remunerações recuam em agosto, mas mantêm subida anual

Analisando os dados divulgados pelos Centros de Emprego Nacionais (IEFP), o número de desempregados registados aumentou 0,3% (+962 pessoas), para 302.600, e os pedidos de emprego subiram 0,7% (+3.179). O desemprego registado aumentou apenas nos homens (+1.009), enquanto nas mulheres houve uma ligeira queda (-47).

Em termos homólogos, observou-se uma diminuição de 2,6% no desemprego registado (-8.149 pessoas) e menos 10.551 pedidos de emprego (-2,4%).

As remunerações médias declaradas à Segurança Social, em agosto, fixaram-se em 1.568,97€, o que representa uma queda mensal de 8,7%, mas um aumento de 4,9% face a agosto de 2024.

Subutilização do trabalho cai para metade em dez anos

A subutilização do trabalho, indicador que mede situações em que as pessoas estão a trabalhar menos do que gostariam ou não usam plenamente as suas competências, atingiu em setembro o valor historicamente baixo de 10,2%.

Atualmente, 585,3 mil pessoas estão nesta condição, número que inclui 337,2 mil desempregados, 118 mil trabalhadores a tempo parcial que desejam mais horas, 31,8 mil inativos à procura de emprego mas indisponíveis e 98,3 mil inativos disponíveis, mas que não procuram trabalho.

Há dez anos, a taxa era de 22% da população ativa alargada (1,16 milhões de pessoas). A queda para menos de metade reflete a melhoria das condições do mercado de trabalho, o crescimento económico e políticas mais eficazes.

A tendência é de redução contínua, aproximando o país de uma situação de pleno emprego — em que todos os que querem e podem trabalhar encontram um posto. Mesmo assim, persiste o desemprego estrutural, resultado do desajuste entre as competências disponíveis e as necessidades das empresas, um desafio que se mantém independentemente das fases do ciclo económico.

«A trajetória de descida da taxa de subutilização do trabalho é uma notícia positiva, uma vez que mostra que o mercado de trabalho está mais dinâmico e inclusivo, aproximando Portugal de uma situação de pleno emprego. Ainda assim, persiste um desajuste entre as competências disponíveis e as necessidades das empresas. Este desemprego estrutural tende a manter-se mesmo em fases de crescimento, o que reforça a importância de políticas de qualificação e reconversão profissional que acompanhem a transformação do mercado de trabalho», sublinha Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

‘It’s showtime’: a Black Friday que vai surpreender

3 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Em vez de um único dia de descontos, a iServices decidiu transformar o mês de novembro num palco de oportunidades e inovação. Sob o mote Ladies and Gentlemen, it’s showtime!, a marca portuguesa dá início a uma Black Friday que dura o mês inteiro, marcada por uma abordagem que reflete o ADN da empresa: estar próxima dos clientes, antecipar tendências e desafiar padrões.

Mais do que uma campanha comercial, a iniciativa é uma estratégia de envolvimento e fidelização. Ao estender o período de descontos e introduzir novidades semanais, a iServices cria uma dinâmica de expectativa contínua, mantendo o interesse do público ao longo de todo o mês.

Cada semana apresenta novos produtos em destaque e além disso os equipamentos recondicionados também vão estar ao melhor preço do ano, esta área que é uma das apostas centrais da marca, que alia tecnologia e sustentabilidade.

 

Valor acrescentado para o cliente

Durante todo o mês, a marca oferece descontos em vários produtos e, nas lojas físicas, uma oferta exclusiva para quem realiza reparações: uma Smart Tag (para iPhone) ou uma Android Tag.

Este gesto reforça o compromisso da iServices com a experiência de cliente e a valorização da confiança, construída ao longo dos anos.

 

Estratégia com impacto

O prolongamento da Black Friday é também uma resposta aos desafios do retalho atual. Ao distribuir o pico de procura por várias semanas, a iServices otimiza a operação, evita ruturas e proporciona uma experiência mais fluida aos consumidores — tanto nas lojas físicas como online.

A campanha de Black Friday da iServices decorre em todas as geografias onde a marca está presente — Portugal, Espanha, França, Bélgica e Holanda —, refletindo a dimensão internacional e a consistência da estratégia da empresa.

A iniciativa reforça o compromisso da iServices em oferecer experiências e oportunidades semelhantes em todos os mercados, mantendo o mesmo foco na inovação, na qualidade do serviço e na proximidade com o cliente.

Arquivado em:Líder Corner

Afinal, a Geração Z quer ganhar e poupar mais. O que mais valorizam as gerações?

31 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Desde a procura por equilíbrio até às preocupações com a saúde e o futuro, as perspetivas e pensamentos das gerações variam – dentro e fora do trabalho. As gerações mais jovens – Z e Millennials – destacam-se por valorizar mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional (19% e 21% respetivamente), sem que isso iniba a sua ambição.

A Geração Z, em particular, contraria estereótipos ao eleger a ascensão profissional (26%) e a melhoria de emprego (21%) como objetivos de vida, a par de metas financeiras como ganhar (47%) e poupar mais dinheiro (44%).

Estes são alguns resultados do Barómetro Gerações em Movimento – Preparar o Futuro, realizado pelo Grupo Ageas Portugal, em parceria com a Ipsos Apeme, um estudo quantitativo e intergeracional.

Realizado através de 1.900 entrevistas a homens e mulheres com mais de 25 anos das Gerações Z (1997 a 2012), Millennials (1981 a 1996), Gen X (1965 a 1980) e Baby Boomers (1946 a 1964), residentes em Portugal Continental, o barómetro oferece um retrato dinâmico das suas aspirações, medos e comportamentos.

 

Lazer, viagens e simplicidade são fatores prioritários

Por outro lado, as gerações mais velhas têm encontrado o seu ritmo: metade dos Baby Boomers valoriza uma vida simples e não material, um sentimento que cresce com a idade (38% nos Millennials e 43% na Geração X). São também os Boomers os que elegem ter mais tempo para hobbies (18%), atividades culturais (18%) ou voluntariado (12%) como objetivos de vida.

A preocupação com a aparência física é mais acentuada na Geração Z (11%) e diminui com a idade, mas o gosto por cuidar de si e sentir-se no seu melhor é uma constante, com todas as gerações a pontuarem entre 7.2 e 7.5 (numa escala de 1 a 10) este aspeto.

Viajar emerge como um dos principais objetivos de vida para todas as gerações, liderado pelos Boomers (50%), mas com Z e X a seguirem de perto (42%) e Millennials (37%). Não viver experiências suficientes é um medo comum, independentemente da idade.

A prática de mais exercício físico é um objetivo igualmente transversal, com diferenças mínimas entre gerações (Millennials 39%, Boomers 37%, Z e X 33%).

 

Receios e previsões do futuro variam

A saúde é uma preocupação central, mas com nuances geracionais. Para os Baby Boomers, a saúde futura (49%) preocupa mais do que a atual (16%). Já a Geração Z, embora menos preocupada com a saúde atual (8%), vê esse número quadruplicar quando pensa no futuro (24%). A saúde dos outros é igualmente importante: para Millennials e Zs, a saúde dos pais ou avós é uma preocupação maior do que a sua própria, agora ou futuramente.

Quando o olhar se projeta no futuro, a saúde mental ganha destaque. O medo de ficar sozinho é transversal (11% nos Millennials, 16% nos Zs), com alguns a expressarem o receio de não ter ninguém ou perder amizades. A Geração Z preocupa-se com a depressão (18%), enquanto os Baby Boomers temem a perda das faculdades mentais (24%) e antecipam a perda de autonomia.

No que diz respeito ao sentimento de uma boa vida, os Baby Boomers destacam-se por sentirem que têm tudo o que precisam (41%) e 55% dos reformados afirmam não ter perdido poder de compra, o que contraria perceções generalizadas. O medo de ser um fardo para os filhos é uma preocupação única dos Boomers, que desejam ter condições financeiras para não ter de pedir ajuda aos filhos.

O Barómetro Gerações em Movimento – Preparar o Futuro partiu da premissa de que o envelhecimento transcende o fenómeno demográfico, sendo um processo com impacto social, económico e cultural.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Sabia que o cérebro cria mapas para o dia a dia? A ciência explica

31 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

O cérebro é um dos órgãos mais misteriosos do corpo humano, permanecendo ainda sem respostas várias questões, nomeadamente sobre a forma como este organiza informação importante para o nosso quotidiano.

Agora, um estudo, coordenado pela Universidade de Coimbra (UC), revela novos dados sobre a organização cerebral de objetos que manipulamos diariamente.

O cérebro humano organiza a informação em mapas topográficos contínuos, fornecendo, assim, leituras fáceis de uma região cerebral para outra, promovendo, desta forma, eficiência cognitiva.

Neste novo estudo – desenvolvido no âmbito do projeto ContentMap, liderado pela UC e financiado pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), publicado na revista científica NeuroImage – é introduzido o conceito de mapas conteudotópicos, mapas cerebrais que demonstram como diferentes categorias de informação são organizadas espacialmente no cérebro.

Estes mapas «revelam de que forma o cérebro codifica espacialmente informação – por exemplo, a forma como agarramos e manipulamos ferramentas – e organiza o conhecimento sobre objetos em padrões contínuos, semelhantes a mapas geográficos, ao longo do córtex cerebral», revela o coordenador da investigação, Jorge Almeida.

O cérebro como um mapa vivo da experiência humana

O neurocientista clarifica que descobriram que «a informação relacionada com objetos não está distribuída aleatoriamente; pelo contrário, está organizada em mapas estruturados – os referidos mapas conteudotópicos – onde regiões vizinhas do córtex representam objetos com propriedades semelhantes». «À medida que nos deslocamos pela superfície cerebral, podemos observar uma transição suave e contínua na forma como diferentes aspetos destas propriedades dos objetos são representados», acrescenta o docente e investigador da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC (FPCEUC) e do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), que coordena também o Proaction Lab.

Esta descoberta foi espoletada por uma questão: como é que o nosso cérebro sabe que uma caneca é usada para beber, que um martelo serve para martelar e que uma chave encaixa numa fechadura? Embora pareça um processo simples, o nosso cérebro precisa de processar diferentes informações: o formato, o material e a função do objeto, por exemplo.

Para desvendar este processo, a equipa de investigação usou ressonância magnética funcional (fMRI), uma técnica que permite recolher imagens do cérebro com precisão, procurando «perceber como é que o cérebro dos participantes neste estudo processava uma sequência de objetos manipuláveis, apresentados visualmente e ordenados segundo dimensões definidas em estudos anteriores que a nossa equipa realizou», contextualiza o neurocientista.

Depois desta etapa, a equipa de investigação utilizou técnicas de análise de dados avançadas para detetar como a atividade cerebral mudou sistematicamente com diferentes níveis destas dimensões relacionadas com os objetos. Este trabalho com os participantes conseguiu demonstrar que «os mapas conteudotópicos são contínuos, sendo consistentes entre participantes, uma vez que os mapas de um indivíduo podem ser previstos a partir dos mapas de outros», destaca Jorge Almeida.

Mapas que otimizam a flexibilidade cognitiva

Estes mapas «são independentes para cada dimensão, o que significa que há mapas distintos para diferentes propriedades de objetos; e são também independentes de características sensoriais simples, já que mapas puramente sensoriais não conseguem explicar completamente estes mapas relativos aos objetos que utilizamos», partilha ainda o neurocientista.

Isto revela que «o cérebro prefere organizar a informação de forma a aumentar a eficiência neural», diz Jorge Almeida. «Tal como os mapas geográficos transmitem de forma eficiente informação complexa sobre o ambiente, estes mapas topográficos do cérebro fornecem leituras rápidas e eficazes do processamento de informação em cada área cerebral,» acrescenta.

Jorge Almeida sublinha ainda a relevância destes mapas para a flexibilidade cognitiva, uma vez que «permitem ao cérebro distinguir entre objetos enquanto generaliza para objetos semelhantes – uma característica fundamental da inteligência humana».

Para o neurocientista, que há quase duas décadas se dedica ao estudo do cérebro, «estes resultados lançam nova luz sobre como a arquitetura interna do cérebro transforma a nossa experiência em conhecimento, revelando que os mesmos princípios de mapeamento que moldam a forma como vemos o mundo também podem sustentar a forma como o compreendemos».

Jorge Almeida sublinha ainda a importância das descobertas feitas pela ciência fundamental para o avanço do conhecimento: «sem ciência fundamental, não é possível avançar para a ciência aplicável; precisamos de saber primeiro como funciona o cérebro antes de avançarmos para qualquer abordagem terapêutica».

Este estudo contou ainda com a colaboração de outros cientistas da Universidade de Coimbra e da Universidade de Glasgow.

Arquivado em:Ciência, Notícias

O papel da liderança no bem-estar das equipas

31 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Outubro recorda-nos que a saúde mental é central para o desempenho e a coesão das equipas. No entanto, este tema não deve esgotar-se num mês ou numa data simbólica: o bem-estar no trabalho não é um “extra” ou um benefício ornamental — é uma responsabilidade de liderança e um motor de sustentabilidade organizacional.

A evidência é clara: o local de trabalho molda a saúde mental e o comportamento dos líderes tem impacto directo nas pessoas e nos resultados. A Organização Mundial de Saúde destaca que condições de trabalho, cultura organizacional e acesso a apoio adequado são determinantes cruciais do bem estar psicológico. O contexto laboral é, por isso, uma oportunidade real de prevenção e de promoção da saúde mental em larga escala.

Os números confirmam esta urgência: o envolvimento dos trabalhadores tem diminuído globalmente, e os gestores estão entre os grupos mais afetados.

O nível de envolvimento dos trabalhadores caiu globalmente nos últimos anos — Quando a liderança se sente desmotivada e sobrecarregada tende a reproduzir esse clima às suas equipas, o que se traduz em maio risco de burnout, absentismo e perda de talento.

 

Três atitudes que fazem a diferença

O que pode fazer então um líder que deseja promover o bem-estar? Três atitudes práticas com impacto direto na saúde mental e no desempenho das equipas:

 

1. Criar segurança psicológica, todos os dias

A sensação de poder falar sem medo de retaliação, reduz o stress, aumenta a  criatividade e melhora adesão às mudanças. A segurança psicológica constrói-se em pequenas práticas diárias: conversas regulares, reconhecimento específico e tolerância zero a comportamentos tóxicos.

 

2. Definir normas claras e garantir uma carga de trabalho justa

Não basta “falar sobre saúde mental”: é preciso agir nas condições de trabalho. Rever objetivos, gerir prioridades e alinhar recursos evita sobrecarga crónica. Estudos com dezenas de milhares de colaboradores mostram que justiça, reconhecimento e liderança empática são preditores fortes de menor burnout e maior satisfação.

 

3. Formar líderes para o apoio concreto

Promover reflexão e empatia exige treino. Programas de formação em liderança de apoio têm mostrado eficácia a redução de stress e no reforço da ligação social dentro das equipas.

Passos práticos para aplicar no dia a dia:

  • Realizar reuniões individuais regulares (1:1) com foco em bem-estar e prioridades
  • Medir com pequenos inquéritos e indicadores objectivos (absentismo, rotatividade).
  • Rever processos que criam duplicação de tarefas ou carga excessiva.
  • Implementar reconhecimento frequente e público por conquistas reais.
  • Garantir formação obrigatória em liderança para quem gere pessoas.

São ações simples, de baixo custo, mas de elevado retorno humano e organizacional.

O bem-estar e a saúde mental não se reduzem a programas de ioga ou mindfulness — que podem ser complementares —, mas são insuficientes quando a cultura organizacional continua a valorizar jornadas intermináveis, microgestão ou falta de clareza. Sem mudança estrutural, qualquer intervenção individual é apenas um remendo num problema sistémico.

Por fim, um ponto ético e estratégico: líderes que cuidam do bem-estar da equipa também protegem a sustentabilidade do negócio. Equipas saudáveis são mais produtivas,permanecem mais tempo nas organizações e enfrentam melhor a mudança.

Promover o bem-estar não é uma moda ou um gesto simbólico: é uma prática contínua que gera equipas mais coesas, motivadas e resilientes. Líderes que assumem esta responsabilidade fortalecem a cultura organizacional, melhoram o desempenho e contribuem para a sustentabilidade do negócio a longo prazo. Cuidar das pessoas deve ser parte integrante da forma como se lidera todos os dias.

O curso Liderança e Well-Being: Construir Equipas Saudáveis, da GALILEU, traduz precisamente esta visão: formar líderes capazes de cuidar das pessoas e dos resultados.

Destinado a chefias, gestores e diretores, o programa capacita os participantes a identificar sinais de stress, promover comunicação empática, prevenir o burnout e implementar estratégias de autocuidado e monitorização do bem-estar. Ferramentas concretas e de grande importância para liderar equipas mais saudáveis e resilientes.

Arquivado em:Líder Corner

Sustentabilidade: «Aceitámos, de forma ingénua, que a autorregulação das empresas seria suficiente», diz Armando Rocha

30 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

A sustentabilidade parece estar a sair de moda, não só em alguns dos Governos mais influentes do mundo, mas também no mundo corporativo. Apenas 25% das empresas do índice S&P 100 utilizaram o termo ESG (Environmental, Social & Governance) no título do seu relatório de sustentabilidade em 2024, um valor que caiu para apenas 6% em 2025. Ainda assim, há quem veja esta tendência como uma evolução natural e passo meramente transitório – sem fatalismos à mistura.

É o que defende Armando Rocha, Professor na Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, que encara estas flutuações com normalidade. O problema, explica, é mais sistémico do que político.

O académico tem publicado e desenvolvido investigação nas áreas do Direito do Mar, do Ambiente e Alterações Climáticas, do Direito Internacional Público e dos Direitos Humanos. É ainda National Rapporteur e Europe Regional Leader no Sabin Center for Climate Change Law at Columbia University.

Em conversa com a Líder, durante a terceira edição do evento The Lisbon Climate Conference, no dia 24 de outubro, o Professor dissecou o que realmente está em jogo com as flutuações na adoção de normas ESG e o que deve mudar na Lei.

 

A sustentabilidade tem perdido relevância nos Governos e, nas empresas, políticas de ESG têm caído. O que lhe parece esta evolução? Para que mundo estamos a caminhar?

Parece-me que é uma evolução previsível e não o digo sequer com pessimismo. Acho que era algo expectável e precisamos de olhar também para a questão sob uma perspetiva ampla e a longo prazo. Digo isto porque houve um período de enorme otimismo e até ingenuidade. Por alguma razão achou-se que ia haver grandes alterações no âmbito de políticas de sustentabilidade do Estado e por parte das empresas.

Quando olhava para estas medidas, no aspeto mais científico, percebi a flutuação que ia havendo na terminologia e metodologias. Pareceu-me desde cedo que havia muita boa vontade, muita ingenuidade e alguma dificuldade em domesticar o objeto. Dificuldade em ter uma política de sustentabilidade coerente, sólida, baseada em factos e na ciência.

Por isso, estas nuances no processo são previsíveis. Podem estar, a curto prazo, a ser aceleradas por uma orientação ideológica política específica, mas esse não é o único fator e, a longo prazo, não é necessariamente uma má notícia.

Creio que são processos de ajuste normal, de um movimento que cresceu muito sem ter uma base totalmente sólida, e agora estamos a reajustar-nos. Mas o reajuste não é negação, é apenas uma transformação que permitirá no futuro haver outro tipo de solidez e até evolução.

Acredito que, mesmo que não tivesse havido uma mudança de governo nos Estados Unidos, iríamos assistir a este mesmo movimento.

 

Que importância têm ou deveriam ter estas questões nas empresas? Se não pela responsabilidade, para não serem alvo de ações de litigação?

É uma forma de encarar o problema. Acho que a fonte de uma obrigação vinculativa de uma empresa ou sociedade comercial não advém necessariamente da sua responsabilidade social. Só é possível haver uma responsabilização efetiva se a empresa estiver fundada num instrumento normativo, seja uma lei ou um tratado de um coletivo, mas tem de ser um documento que seja de facto normativo.

Portanto, os meios de responsabilidade social da empresa, instrumentos de ESG, mecanismos de reporte de sustentabilidade, todo este tipo de instrumentos que temos à nossa frente, são uma forma que as empresas têm de se defenderem. De demonstrarem perante um processo judicial que estão a fazer um caminho e que por isso estão a ajustar o seu comportamento, a uma obrigação que existe nos termos da lei ou daquele instrumento jurídico que lhes seja vinculativo.

Não posso concordar com a ideia de que, pelo facto de haver um retrocesso nalgumas medidas, há também um retrocesso na sua obrigação. O que acho é que, num certo sentido, estes mecanismos foram sempre uma ilusão, uma forma de desregulação. Em vez de haver uma revolução de atividade das empresas diretamente pelo Estado, estabelecendo limites às suas atuações, às suas emissões, à sua conduta no estrangeiro, nós aceitámos, de forma ingénua, que a autorregulação por parte das empresas era suficiente.

Aceitámos que a fonte destas obrigações fosse um pouco ‘deslegalizada’, numa espécie de outsourcing da regulação da ação levado a cabo pelas próprias empresas e mecanismos de mercado.

E o que estamos a verificar é que havia uma certa bondade – e alguma razão – neste outsourcing. Isto não dispensa, de forma alguma, uma atuação mais hard law, mais forte, por parte dos próprios Estados, estabelecendo limites que sejam objetivos.

Quando este tipo de retrocessos de políticas ESG existe, é porque uma empresa também percebe que não é uma questão de ter ou não medo. É por haver uma incerteza quanto à sua atuação, sem consequências jurídicas que a obriguem a agir mais ou menos em consonância com obrigações morais ambientais.

E a verdade é que uma obrigação ou é jurídica ou não é. Portanto, se dizemos que uma empresa tem uma obrigação moral de agir de determinada forma, que pode ser mais ou menos variável, que o próprio mercado vai controlar-se, que a incerteza que existe no benefício da atuação da empresa é grande e não há uma consequência jurídica imediata, qual é o incentivo que a empresa tem para ajustar o seu comportamento?

Acho que é importante termos sempre presente que as empresas, enquanto agentes económicos, são avessas à incerteza e ao risco. Portanto, quanto mais houver clareza do ponto de vista da sua atuação, melhor. E esta clareza é dada por regras objetivas, criadas por parte do Estado.

 

Estas obrigações estão então inteiramente dependentes da vontade dos Estados?

Sim, depende muito dos Estados e da sua vontade. Se pensarmos que a ação climática, seja de adaptação ou de mitigação, para além do tipo de meios que precisam de ser empregues — meios orçamentais e políticas públicas — também exigem decisões valorativas e opções que são comunitárias.

Reduzir emissões de gases com efeito estufa não é apenas carregar num botão. Implica termos uma boa política alimentar, por exemplo. Implica termos outras políticas de transportes, de planeamento urbanístico. Os efeitos destas políticas são tão abrangentes que não podemos deixar que sejam feitas sobretudo por uma autoatuação do mercado.

 

Quais são os próximos passos para reduzir esta ingenuidade das políticas de sustentabilidade de que fala, de forma a aumentar a legislação?

Desde logo, centrar a ação no Estado. Assumir que há aqui um conjunto de políticas públicas que têm de ser mesmo adotadas pelo Governo e por outras entidades públicas, sem prejuízo de haver instrumentos financeiros e de mercado. Tudo isto é extremamente benigno. Temos de ter uma ação do Estado top-down e concertada.

Não podemos ter apenas planos para reduzir emissões de gases com efeito de estufa, tem de haver um planeamento, até multianual e multissetorial, quanto ao que é que queremos fazer do ponto de vista de eficiência e soberania energética, por exemplo.

Os conflitos mundiais a que estamos a assistir têm muito mais peso nesta variação das políticas empresariais do que propriamente uma mudança de partido político noutro país. E, portanto, enquanto não tivermos uma política pública forte do ponto de vista de eficiência e de energia em geral, nunca teremos uma política climática adequada.

 

Esta conferência centra-se na celebração dos dez anos do Acordo de Paris. Que balanço faz deste tratado?  Que papel tem tido a União Europeia neste caminho?

O Acordo de Paris pode ser visto de forma ambivalente. Há uma escola para a qual o Acordo tem sido um fracasso, desde logo porque o principal objetivo — conter o aumento da temperatura num nível inferior a dois graus e preferencialmente um grau e meio — parece ser inalcançável. Defendem que não teve uma concretização prática, do ponto de vista mundial, em garantir uma estabilidade do sistema climático.

Mas há uma outra visão, que eu partilho, que tende a ser mais otimista na leitura deste tipo de processos. A questão que muitas vezes coloco é: e se não tivesse havido o Acordo de Paris? Nós estaríamos mais bem posicionados para alcançar esta meta dos dois graus ou de um grau e meio? A resposta é claramente não.

A verdade é que o que tem sido feito é insuficiente à luz do Acordo. Mas também é verdade que, em dez anos, as coisas mudaram imenso do ponto de vista de funcionamento de Estados, de submissão de contribuições nacionalmente determinadas — as chamadas NDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas) — de funcionamento das instituições, como o secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).

Os Estados Unidos, que agora pretendem sair do Acordo de Paris, não vão sair da Convenção-Quadro, por exemplo. Não deixa de ser curioso que se mantêm vinculados ao principal dos tratados climáticos internacionais. Todos os Estados têm submetido as suas NDCs com maior ou menor cumprimento, bem como os EUA.

Acho difícil podermos dizer que o Acordo de Paris tem sido um fracasso. Não estabilizou o clima, mas certamente que não é por causa dele que não se estabilizou o sistema climático. E tem havido um avanço enorme, que num certo sentido era imprevisível.

Eu acho que era legítimo que em 2015 ou 2016 — que são as datas da adoção e da entrada em vigor — a maior parte das pessoas olhasse para o Acordo de Paris apenas como wishfull thinking e achasse que nunca teria uma grande implementação. Grande parte dos céticos, na altura, se visse o que é que está a acontecer em 2025, ficaria seriamente surpreendido com o avanço. É preciso fazer mais, mas ‘Roma e Pavia não se fizeram num dia’.

Este é capaz de ser o tratado mais conhecido a nível mundial. Eu acho que, no nosso dia a dia, o cidadão comum é capaz de citar e ouvir falar no Acordo de Paris e não noutro tratado.

Já a União Europeia, considero ser o melhor exemplo de sucesso de políticas climáticas. Mas aqui é que eu sou um bocadinho pessimista, porque acho que isso são más notícias. Porque, no fundo, a razão pela qual a União Europeia é mais bem-sucedida do que outros Estados — sendo que a União Europeia não é um Estado — não é apenas do ponto de vista climático e ambiental, mas também do ponto de vista de proteção de direitos laborais, de regulamentos ou diretivas europeias, de proteção de direitos dos consumidores, etc.

Em questões que são tão complexas do ponto de vista científico, mas também do ponto de vista de desenho de políticas públicas, e em que pode haver uma reação negativa do eleitorado, a União Europeia funciona como o bode expiatório ideal. Quem aprova um ato da UE, um regulamento ou uma diretiva, são duas instituições: o Parlamento Europeu, que é eleito diretamente, e o Conselho, no qual quem tem assento são os ministros com competência em função da matéria — isto é, ministros de cada Estado-membro.

E é curioso que nós olhamos para uma diretiva ou um regulamento como ‘nosso’, porque é um ministro nosso que está a votar, mas depois temos o mesmo ministro a vir perante o seu eleitorado dizer que não gosta deste texto, que não concorda, mas «Bruxelas é que obriga». Quantas vezes é que não lemos esta expressão? Mas Bruxelas são os nossos ministros.

No fundo, temos aqui um outsourcing da culpa. Isto é má notícia porque sugere que, se temos alguém para quem passar a culpa, é porque temos alguma dificuldade em explicar ao nosso eleitorado por que razão é que temos de adotar a política A, B ou C.

 

Em Portugal, sente que há lacunas jurídicas ou institucionais significativas na proteção ambiental e climática? Que leitura faz do meio?

Há várias lacunas, isso é verdade. Desde o ponto de vista legislativo temos uma Lei de Bases, mas que não tem sido devidamente desenvolvida. É preciso haver atos subsequentes dos dogmas legislativos que desenvolvem e concretizam alguns dos princípios, algumas das normas da Lei de Bases do Clima.

Continuamos com um enorme atraso neste desenvolvimento e concretização da Lei e também com enorme atraso na adoção, até ao nível mais regional, de planos de adaptação climática.

 

Porque é que temos este atraso?

Acho que, desde logo, temos um problema estrutural no nosso país de falta de meios, falta de mão de obra e recursos humanos qualificados em todos os setores. Não é que não existam — nós temos gente muito qualificada  — mas vão-se embora, ou em termos de prioridades na função pública estão alocados a fazer muitas outras coisas.

E isso não é uma questão para ser resolvida pelo Ministério do Ambiente. Implica uma coordenação multinível — com autarquias, com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, com regiões autónomas — mas implica também, mesmo dentro do Governo, entre diferentes Ministérios. Portanto, se há uma falha em todos estes setores, vamos ter sempre problemas com esta concretização. Temos também um problema de articulação de competências, onde é difícil dialogar com um similar de outra área. Isto prejudica o desenvolvimento de políticas que são tão intersetoriais como, na verdade, políticas de mitigação ou de adaptação climática.

 

Tem havido um aumento no número de ações judiciais por danos climáticos ao longo dos anos, e também na sua dimensão geográfica e complexidade. É um sinal de progresso ou de falha política?

Em Portugal não tem sido muito visível. Temos muitos casos em que a questão climática está lá subjacente mas não foi explicitamente referida.

Já a nível mundial, acho que ainda é cedo para se fazer este juízo, desde logo porque há contextos geográficos, como no Brasil, por exemplo, em que houve um crescimento exponencial num determinado período, muito por reação ao governo Bolsonaro. Às vezes há fatores que iludem a perceção do que é que se está a passar.

Agora, a verdade é que há muito maior consciência sobre a questão climática — uma prova do sucesso do Acordo de Paris, como eu dizia há bocado —, e muito mais coisas a acontecer underground.

O aumento da litigância climática é uma prova de que o Acordo de Paris se disseminou na nossa linguagem quotidiana.

O que eu noto sobretudo aqui é uma evolução, e tem a ver com a maior complexidade. Nós passámos de uma fase inaugural em que a litigância era muito sistémica e estratégica, dirigida a casos de total ausência de políticas climáticas, e neste momento estamos a questionar perante tribunais a sua concretização. Ou seja, vamos olhar para leis de base e questionar se, em concreto, são adequadas, proporcionais e eficazes para a realização dos seus fins.

 

Qual considera ser o principal desafio jurídico do século XXI nestas matérias?

Saber falar com a ciência. Saber dialogar com outras áreas, seja ciência física, climática, geofísica, biologia, saúde ou geografia – conseguirmos dialogar na mesma frequência de onda. Isto é o que mais vezes noto no direito, neste contexto em particular, uma dificuldade de haver uma tradução para linguagem jurídica do que é que são juízos científicos.

Um aspeto que notei nos últimos anos, nos principais acordos e pareceres consultivos a nível mundial, foi ver a vontade que os juízes tinham em explicar a ciência climática como um todo, em termos genéricos, havendo depois uma transição muito brusca para os próprios dados do caso, que de repente se tornam acientíficos. Parece que não sabem fazer esta ponte de ligação.

Nós temos ainda dificuldade em fazer esta planagem, em olhar para aquilo que é uma ciência não jurídica e traduzi-la numa norma, num plano, numa lei, num regulamento. Talvez só assim possamos sair da tal bolha otimista para uma bolha realista, sem passar pela pessimista.

Arquivado em:Entrevistas

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Interim pages omitted …
  • Página 86
  • Página 87
  • Página 88
  • Página 89
  • Página 90
  • Interim pages omitted …
  • Página 586
  • Go to Next Page »
Lider
Lider
Lider
Lider
Lider
Tema Central

Sobre nós

  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Tema Central
  • Termos e Condições
  • Política de Privacidade

Contactos

Av. Dr. Mário Soares, nº 35,
Tagus Park
2740-119 Oeiras
Tel: 214 210 107
(Chamada para a rede fixa nacional)
temacentral@temacentral.pt

Subscrever Newsletter
Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Subscrever Newsletter

©Tema Central, 2026. Todos os direitos reservados.