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Leonor Wicke

Inteligência para o conflito: como a incerteza do mundo está a exigir mais dos líderes

28 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

As empresas do Ocidente vivem tempos de exaustão. As divisões sociais em torno da desigualdade, da imigração, das alterações climáticas ou da ascensão do autoritarismo estão a refletir-se nas organizações, que se tornaram microcosmos das tensões do mundo exterior. O resultado é um ambiente de trabalho mais polarizado, emocional e difícil de gerir.

Segundo um inquérito recente da Society for Human Resource Management (SHRM), 76% dos trabalhadores norte-americanos afirmaram ter presenciado atos de incivilidade no último mês, e 21% disseram ter sido diretamente visados. Quase metade admite lidar com estes comportamentos semanalmente, e 13% enfrenta-os todos os dias. A SHRM estima que esta deterioração das relações humanas custa mais de 2 mil milhões de dólares diários às empresas, em perdas de produtividade e absentismo.

Num clima de desconfiança e saturação, 44% dos trabalhadores acreditam que o ambiente laboral piorará em 2025, e mais de um quarto admite ponderar deixar o emprego por causa disso. A tensão social já não fica à porta das empresas — entra com cada colaborador. A Harvard Business Review sintetiza os passos para criar líderes mais conflict-intelligent nas empresas.

Quando liderar se torna um risco

Os líderes estão sob uma pressão inédita. Em tempos de polarização, cada palavra pode ser interpretada como uma posição política e desencadear reações em cadeia entre colaboradores, clientes ou investidores. De acordo com um estudo da Weber Shandwick, 65% dos trabalhadores consideram que as empresas têm a responsabilidade de se pronunciar sobre questões sociais e mais de 80% dos consumidores esperam que o façam.

Mas o equilíbrio é delicado. A mesma opinião que aproxima uns pode afastar outros. Talvez por isso, só no primeiro trimestre de 2024, 622 CEO apresentaram a demissão nos Estados Unidos — um aumento de 50% face ao mesmo período do ano anterior. Liderar, hoje, é um ato de exposição permanente.

Face a este contexto, investigadores da Columbia University, ligados ao Morton Deutsch International Center for Cooperation and Conflict Resolution, defendem que os líderes precisam de uma nova competência: a «inteligência para o conflito» (Conflict Intelligence Quotient, ou CIQ).

O conceito, desenvolvido por Peter T. Coleman e a sua equipa ao longo de três décadas, distingue-se da simples inteligência emocional. Não basta compreender as emoções — é preciso gerir as dinâmicas de poder, as perceções e as causas estruturais dos conflitos.

Os líderes com elevado CIQ demonstram autoconsciência e autorregulação, conseguem escutar ativamente, adaptam-se a diferentes contextos e mantêm uma visão sistémica sobre as tensões organizacionais. De acordo com os estudos de Coleman e Nicholas Redding, estas competências estão diretamente ligadas a níveis mais elevados de segurança psicológica, criatividade e bem-estar dentro das equipas. Em culturas onde se pratica uma gestão inteligente do conflito, os colaboradores sentem-se mais valorizados e ouvidos, e o erro é encarado como parte do processo de aprendizagem, não como motivo de punição.

Princípios-chave para uma liderança forte em inteligência para o conflito:

 

1. Fundar a cultura antes da crise

Um dos princípios essenciais da liderança em ambientes de tensão é ‘preparar o terreno’. Tal como um mediador antes de uma negociação, um bom líder constrói um clima de confiança e diálogo antes de o conflito eclodir.

O exemplo de Alan Mulally na Ford é paradigmático. Quando assumiu a empresa em 2006, encontrou um ambiente de medo e secretismo. A sua primeira decisão foi criar reuniões semanais abertas, onde cada gestor apresentava os problemas da sua área. Quem revelava falhas era elogiado, não repreendido. A mensagem era simples: «Não se pode gerir um segredo.» O resultado foi transformador — uma cultura de transparência e cooperação que salvou a Ford da falência.

Os líderes mediadores integram ainda medidas que reforçam a confiança mútua entre todas as partes, conscientes de que cada interação positiva ajuda a criar uma reserva de estabilidade para enfrentar crises futuras.

Com frequência, em caso de conflito, combinam negociações de cessar-fogo com iniciativas paralelas, como intercâmbios culturais ou projetos económicos conjuntos, que fortalecem a confiança, promovem a cooperação e aumentam a resiliência das relações ao longo do tempo.

2. Equilibrar disciplina e criatividade

Outro princípio essencial é saber equilibrar firmeza com flexibilidade. Bons líderes definem limites claros, mas deixam espaço para soluções criativas.

O caso de Tim Cook, da Apple, ilustra este equilíbrio. Quando enfrentou o dilema entre proteger a privacidade dos utilizadores e expandir as receitas de serviços, recusou ceder em princípios — chegou a desafiar o FBI ao recusar desbloquear iPhones — mas encontrou alternativas tecnológicas inovadoras, como o processamento de dados diretamente nos dispositivos. O resultado foi um crescimento sustentado sem comprometer valores fundamentais.

3. Adaptar-se ao contexto

Nem todos os conflitos são iguais, e a adaptabilidade é uma das marcas da liderança moderna.

A executiva Indra Nooyi, na PepsiCo, enfrentou resistências internas ao introduzir produtos mais saudáveis e políticas de sustentabilidade. Em vez de impor uma estratégia única, adaptou-se a cada mercado e a cada divisão, conciliando metas de curto prazo com uma visão de longo prazo. Durante o seu mandato, a empresa cresceu 80% em receitas e posicionou-se como referência em responsabilidade corporativa.

4. Ver o sistema como um todo

Por vezes, os conflitos dentro das empresas refletem problemas estruturais mais amplos.

O ex-CEO da Unilever, Paul Polman, percebeu que a tensão entre lucro e sustentabilidade não se resolvia com slogans. Ao analisar a cadeia de valor global da empresa, criou o conceito de Sustainable Living Brands, produtos concebidos para reduzir o impacto ambiental e gerar valor social. Em 2019, estas marcas representavam 75% do crescimento total da Unilever. A lição é clara: compreender o sistema é o primeiro passo para o transformar.

5. Pensar a longo prazo

Por fim, os líderes mais eficazes são os que pensam para além do ciclo económico.

A experiência de Marc Benioff, da Salesforce, mostra como a gestão de conflitos pode fortalecer a cultura empresarial. Perante divisões internas sobre contratos com agências governamentais, Benioff criou o Office of Ethical and Humane Use, um espaço institucional para discutir dilemas éticos de forma estruturada. O resultado foi uma empresa mais coesa, com níveis recorde de satisfação e retenção de talento durante a crise global de 2022.

Transformar conflito em cultura

O conflito não é o oposto da colaboração — é o seu catalisador. Quando existe espaço para o desacordo construtivo, as equipas aprendem, inovam e fortalecem-se. O desafio das lideranças contemporâneas é criar organizações onde o confronto de ideias não se converta em confronto pessoal.

Como resume Peter T. Coleman, «a verdadeira liderança não se mede pela ausência de conflito, mas pela capacidade de o transformar em aprendizagem coletiva». Num mundo onde a tensão é inevitável, liderar com inteligência, empatia e visão sistémica é o que distingue quem sobrevive de quem inspira.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Empresas investidas por capital de risco geram 12 vezes mais vendas

28 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

As empresas em que as sociedades gestoras de Private Equity e Venture Capital têm investido em Portugal geram, em média, um volume de negócios 12,3 vezes superior ao da média nacional por empresa. Para além disso, empregam 15,1 vezes mais pessoas.

Segundo o estudo ‘Impacto do Capital de Risco em Portugal – Emprego, Crescimento e Internacionalização’, realizado pela segunda vez pelo ISCTE para a APCRI – Associação Portuguesa de Capital de Risco, 49% do volume de negócios das empresas investidas correspondem a exportações, uma das razões que explicam os resultados anuais muito superiores à média das empresas nacionais.

O estudo, da autoria de Paulo Viegas de Carvalho e Carlos Manuel Pinheiro, docentes e investigadores do ISCTE, sublinha «o papel estratégico» da indústria de capital de risco «como catalisador de crescimento e como instrumento de reforço da competitividade da economia portuguesa, especialmente em contextos macroeconómicos adversos».

Portugal ainda na cauda da Europa

No entanto, alertam os académicos, «o investimento em capital de risco em Portugal corresponde a 0,053% do PIB», um indicador que coloca o país na cauda da União Europeia, mas que também evidencia o potencial de impacto positivo que o aumento destes investimentos pode trazer para a economia.

«Para um Governo que colocou o crescimento económico como a primeira prioridade desta legislatura, é muito importante que os ministérios da Economia e das Finanças saibam, com precisão académica, que há um setor que investe capital privado nas empresas portuguesas e que, através da sua gestão, as torna bastante maiores, mais eficientes, mais inovadoras e mais exportadoras do que a média nacional», explica Stephan de Moraes, presidente da APCRI.

As projeções do ISCTE apontam para um volume de negócios anual de 21,7 mil milhões de euros, correspondendo a 177 mil empregos. O impacto fiscal também é expressivo: em 2023, as empresas analisadas pagaram uma média de 2,2 milhões de euros de IRC por empresa, «contribuindo significativamente para as finanças públicas», destaca o estudo.

Empresas participadas: mais rentáveis e sustentáveis

Segundo os investigadores do ISCTE, a rotação do ativo e a rentabilidade das empresas participadas pelas sociedades gestoras estão «muito acima do observado para a média nacional, demonstrando o contributo do capital de risco para a eficiência do investimento, a sustentabilidade financeira e a criação de valor».

«O impacto destes investimentos na economia portuguesa é claro e está alinhado com o que acontece noutros países: os investimentos em empresas por fundos de Private Equity e Venture Capital trazem capitalização, melhor gestão, maior escala, mais internacionalização, gerando vendas, rendibilidades e produtividades muito acima das que não recebem este investimento», afirma Stephan de Moraes.

«Imagine-se o impacto que terá na economia quando o Private Equity em Portugal tiver a mesma expressão que tem nas economias mais desenvolvidas: é transformador», acrescenta o presidente da APCRI.

Dados que confirmam o potencial transformador

A capacidade das sociedades gestoras de «mobilizarem recursos significativos e de fomentarem empresas com desempenho superior ao da média nacional evidencia o potencial transformador deste modelo de financiamento sobre o tecido empresarial português», lê-se no estudo.

«Um ponto relevante do estudo é que, nas empresas apoiadas por Private Equity e Venture Capital, o EBITDA médio é de 1,5 milhões de euros, face aos 200 mil euros da média nacional, ou seja, 7,5 vezes mais», afirma Stephan de Moraes.

«No Private Equity, o EBITDA médio é de 5 milhões de euros, 25 vezes mais do que a média nacional», acrescenta. Segundo o presidente da APCRI, «os valores apurados pelo ISCTE refletem a capacidade das empresas participadas para recuperarem a partir de níveis iniciais reduzidos de rendibilidade, o que é especialmente evidente no segmento de Venture Capital».

Internacionalização e incentivos ao investimento

A orientação do Private Equity para os mercados externos significa, segundo o ISCTE, que «o capital de risco poderá desempenhar um papel importante na promoção da internacionalização da economia portuguesa».

«Nas suas conclusões, o ISCTE é muito claro quanto à principal mudança que é necessário implementar: o desenho de políticas de incentivos à participação de investidores institucionais privados nos fundos de investimento em empresas», afirma Stephan de Moraes.

«Esses incentivos estarão em linha, de resto, com as prioridades europeias que pretendem ver os investidores institucionais privados mais ativos no investimento em Private Equity e Venture Capital».

Arquivado em:Finanças, Notícias

Gen Z e diversidade: a geração que está a transformar o mercado de trabalho

28 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

O mundo do trabalho tem vindo a transformar-se ao ritmo das novas gerações. Entre todas, a geração nascida entre 1997 e 2012, conhecida como Gen Z, introduz hoje um novo paradigma nas relações laborais. O estudo “The Generational Equation”, da Gi Group Holding, revela que o que motiva os jovens não é apenas um salário competitivo ou benefícios tradicionais, mas sim os valores, o propósito, o equilíbrio e a autenticidade das organizações.

Para estes profissionais, o trabalho deve ter significado e contribuir para um projeto maior. É o ponto decisivo da consistência entre aquilo que se diz e aquilo que se faz. As Políticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) deixaram de ser apenas desejáveis: são essenciais para atrair e reter talento. O estudo mostra que 73% dos jovens consideram essencial que as empresas promovam estas estratégias. Contudo, 67% sentem que as organizações ainda estão longe de passar da teoria à prática, o que pode comprometer a reputação e a capacidade de fidelização deste talento. Os jovens avaliam as empresas pela coerência entre o discurso e a prática, privilegiando testemunhos reais e experiências vividas, em detrimento de campanhas institucionais.

Essa perceção de incoerência constitui um alerta claro para as empresas: a Geração Z está atenta e valoriza a sinceridade e a transparência. Os novos talentos querem ver multinacionais e PMEs com ambientes verdadeiramente inclusivos, onde a diversidade de género, raça, orientação sexual, geração e outros aspetos não só é aceite, como valorizada como motor de inovação, criatividade e bem-estar. Mais ainda, procuram o reflexo dessas práticas na cultura do dia a dia, através de programas efetivos de equidade salarial e oportunidades reais de crescimento para todos. E isto reflete-se muito além da atração. Influencia decisivamente a permanência na
empresa, uma vez que os jovens procuram cada vez mais ambientes alinhados com os seus valores pessoais – sobretudo a inclusão e a justiça social.

Numa realidade cada vez mais multigeracional e competitiva, alinhar as estratégias de recrutamento a estas exigências, promover a diversidade e cultivar uma cultura autêntica tornaram-se fatores decisivos. O desafio está lançado: só as empresas que traduzirem valor em ação conseguirão captar e envolver as novas gerações. Afinal, no atual mercado de trabalho, as pessoas procuram mais do que um emprego – procuram um sentido de pertença e propósito coletivo.

Arquivado em:Opinião

Outubro

27 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Coisas deste princípio de Outono:

  • Joana Marques foi absolvida – como seria de esperar. Os Anjos aprenderam que a liberdade de expressão tem destas coisas. Mas podem sempre fazer uma canção sobre Joana – que aliás seria capaz, creio, de apreciar.
  • Dizia-se de Musk que se preocupa mais com a ideia de Humanidade do que com os seres humanos concretos. Faz-me lembrar alguns dos nossos políticos.
  • As repetidas violações do espaço aéreo europeu pelos russos confirmam Putin como um bully com dificuldades de aprendizagem.
  • Por falar em Putin: A Moldova desorbitou da influência russa. O povo votou pela liberdade.
  • Continuando em Putin: a guerra que o sr Trump ia acabar num dia ainda não acabou.
  • Grande escolha a dobrar para Nobel da Paz: não ter sido Trump e ter sido Corina, uma mulher em luta pelo fim de uma ditadura. Pablo Iglesias, o líder da extrema-esquerda espanhola interrogou-se se não o podiam ter dada a Hitler. Curioso…
  • Se a paz no Médio Oriente se aguentar será graças a Trump e aos seus aliados árabes – e não à rua europeia. E aí o Nobel seria justo até por comparação com o de Obama que nada fez para o merecer.
  • Mas a paz já começou a ser posta em causa pelo Hamas. Mal saiu da toca desatou a mostrar a sua natureza.
  • Surpreende-me o facto de o debate sobre a burca se ter polarizado e de a esquerda ser quem defende este “direito”.
  • Os dois títulos da página 6 do Público de 2 de outubro: “Língua portuguesa e brasileira, de Olavo Bilac a Tom Zé” (Nuno Pacheco) e “A extrema-direita é ‘feia, porca, e má’! OK, e novidades?” (Luísa Semedo). Yin e yang.
  • O lançamento de um livro de Henrique Cymerman foi perturbado por manifestantes pró-Palestina que rasgaram cópias da obra. Este tipo de eventos, que se vão acumulando, costuma ser recebido com alguma tolerância na bolha mediática, todavia muito crítica quando a extrema-direita faz o mesmo. À direita os autores destes atos são energúmenos, à esquerda são ativistas.
  • E não haverá ali uma dose de antissemitismo?
  • Sobre futebol, a coisa mais importante das coisas menos importantes, como sportinguista, a seguir ao jogo com o Braga dei por mim a pensar que gostava de perguntar ao Mister o que ele perguntou a João Simões antes do jogo com o Nápoles.
  • Ainda no futebol: quanto menos os clubes jogam, mais os presidentes se queixam.
  • Partiu Francisco Pinto Balsemão. Como tem sido dito, um homem das elites que melhorou o país. Esta é a elite que merece esse qualificativo.
  • Um livro que se recomenda: A história inacabada da World Wide Web, por Tim Berners-Lee. E, para ler primeiro e julgar depois, debatendo e não ameaçando, O enigma de Israel, de Henrique Cymerman. E já agora as bonitas reedições de clássicos recentes que a Dom Quixote tem vindo a reeditar, agora A Vegetariana, de Han Kang.
  • Melhor álbum do ano: Arca, dos Três Tristes Tigres?

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Portugal é o 12.º país na Europa mais afetado por ciberataques

27 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

No primeiro semestre deste ano, Portugal ocupava o 12.º lugar entre os países europeus mais visados por ciberataques, representando cerca de 2,4% dos clientes afetados na região. A nível global, surge na 32.ª posição entre os países com maior incidência de clientes impactados.

Este cenário nacional insere-se numa realidade global marcada por ameaças cada vez mais sofisticadas. Em 80% dos incidentes cibernéticos, os atacantes procuram roubar dados. Mais de metade dos ataques com motivações conhecidas são movidos por extorsão ou ransomware, representando pelo menos 52% dos incidentes com fins lucrativos. Em contraste, os ataques focados exclusivamente em espionagem representam apenas 4%.

Estas conclusões constam da 6.ª edição do Microsoft Digital Defense Report, que analisa as principais tendências globais de cibersegurança entre julho de 2024 e junho de 2025.

Segundo Pedro Soares, Diretor Nacional de Segurança da Microsoft Portugal, «estes dados mostram que Portugal não está imune às tendências globais de cibercrime. A crescente sofisticação dos ataques, aliada à democratização de ferramentas tecnológicas, exige uma resposta coordenada e estratégica. A segurança digital tem de ser uma prioridade transversal — das empresas aos organismos públicos, passando pelos cidadãos. Na Microsoft, continuamos empenhados em apoiar o país com soluções robustas, inteligência global e parcerias locais que reforcem a resiliência nacional.»

Automação e IA intensificam ameaças cibernéticas

Todos os dias, a Microsoft processa mais de 100 biliões de sinais, bloqueia 4,5 milhões de novas tentativas de malware, analisa 38 milhões de deteções de risco de identidade e 5 mil milhões de e-mails à procura de malware e phishing.

Os avanços na automação e a disponibilidade de ferramentas prontas a usar permitiram que cibercriminosos com pouca experiência técnica expandissem significativamente as suas operações.

O uso de Inteligência Artificial (IA) tem intensificado esta tendência, com os atacantes a acelerarem o desenvolvimento de malware e a criarem conteúdos sintéticos mais realistas, aumentando a eficácia de atividades como phishing e ataques de ransomware.

Como resultado, o cibercrime tornou-se uma ameaça universal e constante, que invade o quotidiano das organizações e dos cidadãos.

Cibersegurança como prioridade estratégica

A Microsoft reforça que a cibersegurança deve ser tratada como uma prioridade estratégica central e não apenas como uma questão de TI, integrando resiliência nas tecnologias e operações desde a base.

O relatório sublinha que as medidas de segurança tradicionais já não são suficientes — são necessárias defesas modernas e colaboração entre indústrias e governos para acompanhar o ritmo das ameaças.

Para os indivíduos, medidas como o uso de autenticação multifator resistente a phishing (MFA) fazem uma grande diferença, podendo bloquear mais de 99% dos ataques baseados em identidade.

Serviços públicos críticos continuam na mira

Hospitais, autarquias e instituições públicas continuam entre os principais alvos dos ciberataques, por armazenarem dados sensíveis e enfrentarem limitações orçamentais e operacionais.

No último ano, ataques a estes setores provocaram atrasos em atendimentos médicos, interrupções em serviços essenciais, cancelamento de aulas e paralisação de transportes.

Grupos de ransomware concentram-se nestes alvos devido à urgência das vítimas em recuperar os sistemas, o que muitas vezes leva ao pagamento de resgates.

Além disso, dados roubados são frequentemente vendidos na dark web, alimentando outras atividades criminosas. A colaboração entre governos e indústria é essencial para reforçar a segurança digital, especialmente nos setores mais vulneráveis.

Atores estatais e a nova espionagem digital

O relatório destaca a crescente atividade de atores estatais — China, Irão, Rússia e Coreia do Norte — que continuam a visar indústrias e regiões estratégicas.

A China tem expandido os seus ataques a ONGs e redes académicas, utilizando redes encobertas e dispositivos vulneráveis expostos à internet para obter acesso e evitar deteção. O Irão tem alargado o seu leque de alvos, incluindo empresas de logística na Europa e no Golfo Pérsico, levantando a possibilidade de interferência em operações comerciais marítimas.

A Rússia, embora focada na guerra na Ucrânia, tem intensificado ataques a pequenas empresas em países da NATO, recorrendo cada vez mais ao ecossistema cibercriminoso para os seus ataques. Já a Coreia do Norte mantém o foco na geração de receitas e na espionagem, com milhares de trabalhadores de TI remotos afiliados ao Estado a infiltrarem empresas internacionais, enviando os salários de volta ao regime e, em alguns casos, recorrendo à extorsão como alternativa.

IA: uma arma para atacantes e defensores

Em 2025, tanto atacantes como defensores tiram partido da IA generativa. Os agentes maliciosos usam-na para automatizar phishing, criar conteúdos sintéticos, identificar vulnerabilidades e desenvolver malware adaptativo.

Por outro lado, a Microsoft aplica IA para detetar ameaças, fechar lacunas e proteger utilizadores vulneráveis. À medida que os riscos e oportunidades da IA evoluem, as organizações devem priorizar a segurança das ferramentas de IA e formar equipas capacitadas.

Identidade: o novo campo de batalha digital

Mais de 97% dos ataques à identidade são dirigidos a palavras-passe. Só na primeira metade de 2025, estes ataques aumentaram 32%. Os atacantes obtêm credenciais através de fugas de dados e malware do tipo infostealer, vendendo as informações em fóruns de cibercrime.

A autenticação multifator continua a ser a forma mais eficaz de proteção, bloqueando mais de 99% dos ataques, mesmo com credenciais corretas. Em maio, a Digital Crimes Unit (DCU) da Microsoft, em colaboração com o Departamento de Justiça dos EUA e a Europol, desmantelou o Lumma Stealer — o infostealer mais popular da atualidade.

Um compromisso com o futuro digital seguro

Através da Secure Future Initiative, a Microsoft reforça produtos e serviços, colabora com parceiros da indústria e governos e monitoriza ameaças em tempo real. A segurança digital é agora um imperativo de governação, exigindo responsabilização e transparência.

Governos estão cada vez mais a atribuir ataques a atores estrangeiros e a impor sanções e acusações formais, promovendo uma dissuasão coletiva. À medida que a transformação digital acelera, impulsionada pela IA, as ameaças cibernéticas representam riscos para a estabilidade económica, a governação e a segurança pessoal.

Arquivado em:Cibersegurança, Notícias

Almoços de trabalho voltam a ser tendência, especialmente entre os mais jovens

27 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Os almoços de negócios estão a ganhar popularidade e parecem ter vindo para ficar. Em média, os líderes empresariais participam em 4,5 almoços de negócios por mês, sendo que 69% os consideram essenciais para concretizar negócios e 82% a reconhecer o seu impacto positivo nos resultados empresariais.

É o novo estudo da International Workplace Group (IWG) que o diz, reforçando que os líderes empresariais estão a utilizá-los para fortalecer relações profissionais e expandir redes de contacto, uma tendência impulsionada pelo modelo de trabalho híbrido.

A pesquisa, que envolveu mais de 500 líderes empresariais, indica que 68% afirmam participar em mais almoços de negócios do que há dois anos. No seio dos profissionais entre os 25 e os 34 anos, este número sobe para 80%, evidenciando a importância que os executivos da Geração Z e Millennials atribuem ao contacto presencial, mesmo num contexto de trabalho flexível.

«Este estudo demonstra que os almoços de negócios continuam a desempenhar um papel essencial na construção e fortalecimento das relações profissionais. Tal como a ida ao escritório, esta prática está longe de desaparecer, está apenas a evoluir, acompanhando a descentralização do trabalho e a preferência por encontros mais próximos das comunidades locais», sublinha Mark Dixon, fundador e CEO da International Workplace Group.

 

Almoços afastam-se dos centros urbanos

As conclusões do estudo revelam ainda, que estes almoços decorrem, cada vez mais, fora dos grandes centros urbanos, passando a realizar-se em zonas suburbanas mais próximas das residências dos colaboradores.

Quatro em cada cinco executivos (80%) afirmam realizar estes encontros mais perto de casa, tendência facilitada pela crescente adoção de espaços de trabalho flexíveis e locais, que reduzem a necessidade de longas deslocações.

Em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) quase 18% dos colaboradores trabalhavam remotamente no final de 2023, muitos deles em regime híbrido, um contexto que favorece os encontros de networking em espaços mais próximos, evitando deslocações demoradas.

Ainda neste contexto, dados da Boston Consulting Group, avançam que 71% dos profissionais portugueses preferem modelos híbridos ou remotos, valorizando a redução dos tempos de deslocação e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Esta mudança reflete também uma nova dinâmica económica: com o modelo híbrido, os profissionais e as empresas valorizam mais os espaços próximos de casa, contribuindo para impulsionar os negócios locais e fortalecer as comunidades onde vivem e trabalham.

Num mundo cada vez mais digital, 87% dos executivos acreditam que os encontros presenciais continuam a ser fundamentais. Além disso, estes momentos tornaram-se mais focados e personalizados: 81% afirmam que as reuniões presenciais são agora mais curtas e direcionadas, em contraste com os encontros de maior dimensão que eram comuns antes da pandemia.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

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