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Leonor Wicke

Neste contexto geopolítico, «vivemos uma verdadeira permacrise», afirma Marlene Gaspar

3 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Liderar uma empresa nunca foi tarefa simples e o passar dos anos exige cada vez mais dos líderes. Hoje, a liderança requer versatilidade, adaptação e visão multissetorial, num contexto global marcado pela incerteza, pela aceleração tecnológica e por mercados em constante transformação.

Marlene Gaspar, Diretora Geral da LLYC Portugal, conhece bem esse desafio. Está à frente do escritório de Lisboa há três anos, fomentando uma liderança à base de empatia, escuta ativa e proximidade com as equipas, que integram uma rede global com presença em mais de 20 países, da América Latina aos Estados Unidos e à Europa.

À Líder, a Diretora revela os desafios da consultoria em tempos incertos, a importância da multiculturalidade e o e o poder da empatia como alicerce para liderar pessoas, inspirar equipas e criar valor duradouro.

 

A consultoria em assuntos públicos tornou-se mais desafiante com o atual contexto geopolítico e económico? Como gerem esse risco?

Sem dúvida. Vivemos num contexto de grande incerteza e polarização, em que fatores políticos, económicos e sociais estão profundamente interligados e influenciam diretamente a reputação e as operações das empresas. A geopolítica passou a estar no centro das decisões estratégicas — vivemos uma verdadeira permacrise.

Recordo um episódio recente num evento da LLYC, em Madrid: um cliente internacional, com experiência em diferentes setores e geografias, contou que, ao regressar a Espanha, a sua primeira reunião de comunicação foi dedicada exclusivamente à leitura política e foi essa a prioridade na sua imersão, para compreender o enquadramento regulatório, os decisores e o contexto, antes de conhecer a estratégia e a visão – algo que ele nunca tinha experienciado como prioritário. Este exemplo, demonstra bem como mudou o paradigma: antecipar, adaptar e fortalecer a tomada de decisão perante cenários complexos é hoje uma competência essencial.

Na LLYC trabalhamos precisamente nesse eixo, com análise permanente de cenários, planeamento de risco e aconselhamento estratégico personalizado. O nosso objetivo é transformar a incerteza em vantagem competitiva sustentável. E temos o privilégio de contar com alguns dos melhores especialistas em Assuntos Públicos que combinam conhecimento técnico, visão política e capacidade de leitura do contexto, com enorme rigor e sensibilidade.

E há um elemento que considero igualmente determinante: a empatia. Gerir Assuntos Públicos não é apenas reagir a riscos; é compreender cada parte, construir pontes e antecipar impactos com informação, bom senso e humanidade. A nossa abordagem, a que chamamos ‘Anti-fragilidade’, acrescenta valor precisamente porque se adapta à natureza e aos riscos de cada setor. Nenhuma empresa está imune a uma crise reputacional; algumas são mais expostas, mas, como na saúde, a antecipação e a preparação são metade do caminho.

Mais do que nunca, comunicar bem é compreender bem. Só assim se cria impacto real e duradouro.

E é isso que me faz sentir tão realizada nesta área: ver como o nosso trabalho pode gerar impacto positivo nas organizações e, sobretudo, na vida das pessoas. Lucky me.

 

Qual é a importância da multiculturalidade nas empresas/grupos empresariais e que desafios surgem?

A multiculturalidade é um dos maiores trunfos da LLYC. Trabalhar com equipas em diferentes geografias é um desafio estimulante: obriga-nos a sair da zona de conforto, a olhar o mundo de vários ângulos e a reforçar empatia, criatividade e capacidade de antecipação.

Claro que há desafios, diferenças de ritmo, de comunicação ou de contexto, mas é precisamente essa diversidade que nos torna mais bem preparados para responder a clientes globais e locais, trazendo exemplos concretos de outros países com métricas claras que geram valor tangível.

Temos ótimos exemplos: o nosso Diretor Criativo, Américo Vizer, que desempenha funções em dois mercados: Portugal e Brasil, a Célia Fernández-Sesma, bilingue e que lidera clientes em Portugal e Espanha há sete anos, e o João Dias, que faz engenharia de dados para vários mercados a partir de Portugal.

Tudo isto enriquece as equipas e, consequentemente, as soluções. Permite-nos deixar de pensar pela dimensão do nosso mercado e atuar em escala global. E até conseguimos aprender com o lost in translation.

 

Como se garante a coerência entre uma estratégia global e a adaptação às realidades locais, como a portuguesa?

A coerência entre a estratégia global e a adaptação local garante-se com alinhamento, confiança e liberdade. Somos uma rede global com uma visão muito clara: Partners for What’s Next, que nos convida a antecipar tendências, gerar valor real e preparar os clientes para o futuro, combinando criatividade, influência e inovação. Ao mesmo tempo, temos uma enorme capacidade de adaptação local.

No mercado nacional, interpretamos a estratégia global à nossa medida, ajustando-a às especificidades do mercado e dos clientes, sem perder proximidade, flexibilidade e impacto cultural. O diálogo permanente entre equipas, a partilha de boas práticas e a capacidade de transformar insights globais em soluções locais que geram impacto são o nosso valor acrescentado. Trabalhamos em rede, com alma local, garantindo que as nossas ações respeitam a estratégia global e criam valor real e tangível para os nossos clientes, ajudando-os a tomar decisões ousadas e a construir marcas resilientes e relevantes.

É uma mais-valia termos um benchmark e uma partilha de experiências global, com acesso direto a qualquer pessoa da organização que seja mais relevante para o desafio em mãos. Nunca tinha experienciado esta disponibilidade em outras networks.

 

Quais foram as principais linhas orientadoras da sua liderança na LLYC Portugal ao longo dos últimos três anos?

Em primeiro lugar, foi não estragar o que estava bem feito. Ou seja, sob uma perspetiva de continuidade, porque ‘em equipa vencedora não se mexe’ e eu já trabalhava muito próxima da liderança de então, partilhando a mesma visão, objetivos e valores para o principal ativo das empresas: as pessoas e o negócio.

Não sei se é porque não tenho forma de comparar, mas senti uma responsabilidade acrescida, porque suceder a uma liderança muito bem-sucedida, carismática e que todos admiramos é, naturalmente, mais desafiante.

Por outro lado, tive o enorme privilégio de toda a empresa – lideranças, mentores e equipa – confiar em mim e ‘exigir-me’ que fosse eu própria, dando-me o valor mais precioso: liberdade. Liberdade para ser autêntica, sem cópias, sem imposições e com um enorme voto de confiança.

Este contexto foi crucial para seguirmos a linha de orientação e cultura de excelência que nos caracteriza, adaptando-nos às novas exigências, antecipando tendências e contextos, e respondendo-lhes com sucesso. Conseguimos transformar o nosso modelo de negócio e continuar a crescer em talento, resultados e na confiança dos nossos clientes.

As linhas orientadoras que me pautam assentam na conciliação do que chamo o ‘triângulo dourado’: gerirmos o nosso trabalho com criatividade — em tudo o que fazemos — desde o conceito de uma campanha, ao ângulo de influência, ou à forma como apresentamos propostas de investimento. Essa criatividade é suportada por dados. Somos data-driven, com mais de 200 engenheiros e analistas de dados a trabalhar com cerca de 1000 consultores de comunicação a nível global. Assim, mesmo num contexto incerto, trabalhamos com algumas certezas.

E isto não é possível sem o terceiro vértice: a empatia. Estamos sempre a falar de pessoas. Somos people centric e client oriented. A empatia é fundamental para orquestrar a inovação e a criatividade de que falamos e alcançar o mais importante – o fulfillment: equipas, clientes e parceiros feLLY(C)zes.

 

Como define o estilo de liderança que tem procurado implementar na organização?

A LLYC tem na sua génese lideranças em que a inovação, a criatividade e a liberdade para pensar e propor com o propósito de crescimento contínuo, são características-chave. Creio que a minha liderança representa isso mesmo. Sou alguém que tem feito esse caminho: crescer, fazendo crescer os outros, que é o denominador comum de qualquer liderança.

O que me pode distinguir é o estilo com que o faço. Venho de um contexto mais informal e supostamente mais criativo, e isso transparece na nossa metodologia, que vamos aperfeiçoando juntos, todos os dias. É um caminho natural, porque o mundo caminha para aí, e tive a sorte de fazer um bom match com a equipa, sem que ninguém perdesse a sua identidade.

Acredito numa liderança de feedback contínuo – uma estrada com dois sentidos, entre o dar e o receber, independentemente da posição que cada um ocupa. É uma liderança colaborativa e em cocriação com a equipa. Ninguém lidera sozinho, e tenho o privilégio de ser também liderada por mentores e por uma equipa que confia e me dá liberdade para experimentar, falhar e ajustar. Isso é raro e valioso.

Sei que hoje sou melhor líder do que era ontem e acredito que serei ainda melhor amanhã, porque a melhoria contínua faz parte.

Tenho a sorte de estar rodeada de pessoas que são mais extraordinárias que eu, em competências que eu não domino que, combinadas com a minha experiência e as minhas melhores características, permitem bons resultados. Essa interseção de partilha, faz de nós uma verdadeira Dream Team.

Claro que nem tudo é cor-de-rosa: ganhamos, perdemos, aprendemos, erramos, mas nunca deixamos de ser inquietos e de querer ser melhores, como pessoas e como profissionais. Gostei de uma definição de um membro da equipa sobre a minha liderança e vou ‘roubá-la’: é emocionalmente estratégica.

 

É responsável pelo plano estratégico Committed to Innovation and Growth. Em que se traduz esta estratégia e como tem sido implementada?

O plano estratégico Committed to Innovation and Growth, reflete o compromisso da LLYC em antecipar tendências, criar valor real para os nossos clientes e ajudá-los a tomar decisões ousadas, preparando-os para o que vem a seguir.

Celebramos agora 30 anos de história, sempre pautados por este compromisso com a inovação e o crescimento, que se materializa no nosso posicionamento Partners for What’s Next. Crescemos e protegemos o negócio dos nossos clientes, combinando criatividade, influência e inovação para gerar impacto comercial, relacional e cultural. Tudo isto num contexto volátil, marcado por tecnologia que redefine a criatividade, novos comportamentos de consumo e polarização social.

Para isso, reforçámos capacidades digitais e de data intelligence, potenciámos a criatividade estratégica e expandimos os serviços de Corporate Affairs. A integração da inteligência artificial é natural, complementa a nossa criatividade, mas nunca substitui o toque humano. A empatia, a intuição e a experiência continuam a ser o nosso diferencial.

Acima de tudo, cultivamos uma cultura interna de curiosidade e aprendizagem contínua. A inovação começa nas pessoas, na forma como pensam, questionam e se desafiam a fazer melhor todos os dias. O talento procura propósito, afinidade e experiência. Na LLYC, conectamos dados e criatividade, do diagnóstico à ação, transformando narrativas em experiências que inspiram e diferenciam marcas.

 

A LLYC foi reconhecida no PRSCOPE 2025/26 como líder em Espanha. Como interpreta este reconhecimento e que impacto tem para o escritório português?

Este reconhecimento é um enorme orgulho para todo o grupo e um impulso para o nosso mercado. Mostra que fazemos parte de uma organização de referência em estratégia, criatividade e serviço, o que reforça a nossa credibilidade junto de clientes e parceiros.

Para o escritório português, é a confirmação de que estamos no caminho certo e, ao mesmo tempo, uma motivação para manter o foco no nosso compromisso: gerar impacto real e antecipar o futuro dos nossos clientes.

Temos crescido de forma sustentada, com uma equipa talentosa e dedicada. Este tipo de reconhecimento global reforça a confiança e ambicionamos lá chegar. Compete-nos trabalhar para merecermos o mesmo reconhecimento em Portugal. Fingers crossed.

 

Que áreas de negócio ou setores representam maior potencial de crescimento no mercado português?

O que me deixa otimista é que cada vez mais se reconhece o valor da comunicação. As empresas com melhores resultados reputacionais e de negócio são as que mais investem em comunicação.

As áreas de Corporate Affairs, sustentabilidade, comunicação criativa e digital têm um potencial de crescimento muito interessante. O nosso posicionamento Partners for What’s Next reflete isso mesmo: soluções integradas, totalmente data-driven, que respondem às novas necessidades das empresas.

Somos ágeis e abertos à inovação, o que nos permite testar novas abordagens e elevar a criatividade estratégica a outro nível.

 

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

Subutilização do trabalho desce para mínimos históricos

3 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

O mercado de trabalho não foi capaz de absorver o aumento da atividade e o desemprego aumentou nas mulheres em setembro. Já a subutilização do trabalho caiu para 10,2%, menos de metade do valor de há uma década, aproximando Portugal de uma situação de pleno emprego.

Naquele mês, o emprego aumentou 0,2% face a agosto, o que corresponde a mais 9.400 pessoas empregadas. A população ativa também cresceu 0,3% (+13.700 pessoas), totalizando 5,62 milhões de pessoas e batendo recordes de décadas.

As conclusões são da Randstad Portugal, que divulgou a sua análise mensal ao mercado de trabalho, baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da Segurança Social, relativos a setembro de 2025.

Desemprego sobe entre as mulheres, mas o mercado continua dinâmico

Em termos homólogos, a tendência é ainda mais expressiva: há mais 183.000 pessoas empregadas do que em setembro de 2024 (+3,6%) e mais 164.600 pessoas ativas (+3%). Este crescimento reflete o dinamismo do mercado de trabalho, com o aumento do emprego a superar a redução do desemprego.

A taxa de desemprego situou-se em 6%, valor superior ao de agosto (+0,1 p.p. mensal), mas inferior em 0,5 p.p. face ao ano anterior. Em setembro, havia 337.200 pessoas desempregadas, menos 18.500 do que há um ano.

O aumento mensal do desemprego verificou-se, contudo, apenas entre as mulheres e os adultos (25-74 anos):

  • Entre as mulheres, o desemprego subiu 7% (+12.000 pessoas);
  • Entre os homens, caiu 4,8% (-7.700 pessoas);
  • Por idades, o desemprego aumentou 2,8% entre os adultos (+7.200 pessoas) e caiu 4% entre os jovens (-2.900 pessoas).

 

Remunerações recuam em agosto, mas mantêm subida anual

Analisando os dados divulgados pelos Centros de Emprego Nacionais (IEFP), o número de desempregados registados aumentou 0,3% (+962 pessoas), para 302.600, e os pedidos de emprego subiram 0,7% (+3.179). O desemprego registado aumentou apenas nos homens (+1.009), enquanto nas mulheres houve uma ligeira queda (-47).

Em termos homólogos, observou-se uma diminuição de 2,6% no desemprego registado (-8.149 pessoas) e menos 10.551 pedidos de emprego (-2,4%).

As remunerações médias declaradas à Segurança Social, em agosto, fixaram-se em 1.568,97€, o que representa uma queda mensal de 8,7%, mas um aumento de 4,9% face a agosto de 2024.

Subutilização do trabalho cai para metade em dez anos

A subutilização do trabalho, indicador que mede situações em que as pessoas estão a trabalhar menos do que gostariam ou não usam plenamente as suas competências, atingiu em setembro o valor historicamente baixo de 10,2%.

Atualmente, 585,3 mil pessoas estão nesta condição, número que inclui 337,2 mil desempregados, 118 mil trabalhadores a tempo parcial que desejam mais horas, 31,8 mil inativos à procura de emprego mas indisponíveis e 98,3 mil inativos disponíveis, mas que não procuram trabalho.

Há dez anos, a taxa era de 22% da população ativa alargada (1,16 milhões de pessoas). A queda para menos de metade reflete a melhoria das condições do mercado de trabalho, o crescimento económico e políticas mais eficazes.

A tendência é de redução contínua, aproximando o país de uma situação de pleno emprego — em que todos os que querem e podem trabalhar encontram um posto. Mesmo assim, persiste o desemprego estrutural, resultado do desajuste entre as competências disponíveis e as necessidades das empresas, um desafio que se mantém independentemente das fases do ciclo económico.

«A trajetória de descida da taxa de subutilização do trabalho é uma notícia positiva, uma vez que mostra que o mercado de trabalho está mais dinâmico e inclusivo, aproximando Portugal de uma situação de pleno emprego. Ainda assim, persiste um desajuste entre as competências disponíveis e as necessidades das empresas. Este desemprego estrutural tende a manter-se mesmo em fases de crescimento, o que reforça a importância de políticas de qualificação e reconversão profissional que acompanhem a transformação do mercado de trabalho», sublinha Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

‘It’s showtime’: a Black Friday que vai surpreender

3 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Em vez de um único dia de descontos, a iServices decidiu transformar o mês de novembro num palco de oportunidades e inovação. Sob o mote Ladies and Gentlemen, it’s showtime!, a marca portuguesa dá início a uma Black Friday que dura o mês inteiro, marcada por uma abordagem que reflete o ADN da empresa: estar próxima dos clientes, antecipar tendências e desafiar padrões.

Mais do que uma campanha comercial, a iniciativa é uma estratégia de envolvimento e fidelização. Ao estender o período de descontos e introduzir novidades semanais, a iServices cria uma dinâmica de expectativa contínua, mantendo o interesse do público ao longo de todo o mês.

Cada semana apresenta novos produtos em destaque e além disso os equipamentos recondicionados também vão estar ao melhor preço do ano, esta área que é uma das apostas centrais da marca, que alia tecnologia e sustentabilidade.

 

Valor acrescentado para o cliente

Durante todo o mês, a marca oferece descontos em vários produtos e, nas lojas físicas, uma oferta exclusiva para quem realiza reparações: uma Smart Tag (para iPhone) ou uma Android Tag.

Este gesto reforça o compromisso da iServices com a experiência de cliente e a valorização da confiança, construída ao longo dos anos.

 

Estratégia com impacto

O prolongamento da Black Friday é também uma resposta aos desafios do retalho atual. Ao distribuir o pico de procura por várias semanas, a iServices otimiza a operação, evita ruturas e proporciona uma experiência mais fluida aos consumidores — tanto nas lojas físicas como online.

A campanha de Black Friday da iServices decorre em todas as geografias onde a marca está presente — Portugal, Espanha, França, Bélgica e Holanda —, refletindo a dimensão internacional e a consistência da estratégia da empresa.

A iniciativa reforça o compromisso da iServices em oferecer experiências e oportunidades semelhantes em todos os mercados, mantendo o mesmo foco na inovação, na qualidade do serviço e na proximidade com o cliente.

Arquivado em:Líder Corner

Afinal, a Geração Z quer ganhar e poupar mais. O que mais valorizam as gerações?

31 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Desde a procura por equilíbrio até às preocupações com a saúde e o futuro, as perspetivas e pensamentos das gerações variam – dentro e fora do trabalho. As gerações mais jovens – Z e Millennials – destacam-se por valorizar mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional (19% e 21% respetivamente), sem que isso iniba a sua ambição.

A Geração Z, em particular, contraria estereótipos ao eleger a ascensão profissional (26%) e a melhoria de emprego (21%) como objetivos de vida, a par de metas financeiras como ganhar (47%) e poupar mais dinheiro (44%).

Estes são alguns resultados do Barómetro Gerações em Movimento – Preparar o Futuro, realizado pelo Grupo Ageas Portugal, em parceria com a Ipsos Apeme, um estudo quantitativo e intergeracional.

Realizado através de 1.900 entrevistas a homens e mulheres com mais de 25 anos das Gerações Z (1997 a 2012), Millennials (1981 a 1996), Gen X (1965 a 1980) e Baby Boomers (1946 a 1964), residentes em Portugal Continental, o barómetro oferece um retrato dinâmico das suas aspirações, medos e comportamentos.

 

Lazer, viagens e simplicidade são fatores prioritários

Por outro lado, as gerações mais velhas têm encontrado o seu ritmo: metade dos Baby Boomers valoriza uma vida simples e não material, um sentimento que cresce com a idade (38% nos Millennials e 43% na Geração X). São também os Boomers os que elegem ter mais tempo para hobbies (18%), atividades culturais (18%) ou voluntariado (12%) como objetivos de vida.

A preocupação com a aparência física é mais acentuada na Geração Z (11%) e diminui com a idade, mas o gosto por cuidar de si e sentir-se no seu melhor é uma constante, com todas as gerações a pontuarem entre 7.2 e 7.5 (numa escala de 1 a 10) este aspeto.

Viajar emerge como um dos principais objetivos de vida para todas as gerações, liderado pelos Boomers (50%), mas com Z e X a seguirem de perto (42%) e Millennials (37%). Não viver experiências suficientes é um medo comum, independentemente da idade.

A prática de mais exercício físico é um objetivo igualmente transversal, com diferenças mínimas entre gerações (Millennials 39%, Boomers 37%, Z e X 33%).

 

Receios e previsões do futuro variam

A saúde é uma preocupação central, mas com nuances geracionais. Para os Baby Boomers, a saúde futura (49%) preocupa mais do que a atual (16%). Já a Geração Z, embora menos preocupada com a saúde atual (8%), vê esse número quadruplicar quando pensa no futuro (24%). A saúde dos outros é igualmente importante: para Millennials e Zs, a saúde dos pais ou avós é uma preocupação maior do que a sua própria, agora ou futuramente.

Quando o olhar se projeta no futuro, a saúde mental ganha destaque. O medo de ficar sozinho é transversal (11% nos Millennials, 16% nos Zs), com alguns a expressarem o receio de não ter ninguém ou perder amizades. A Geração Z preocupa-se com a depressão (18%), enquanto os Baby Boomers temem a perda das faculdades mentais (24%) e antecipam a perda de autonomia.

No que diz respeito ao sentimento de uma boa vida, os Baby Boomers destacam-se por sentirem que têm tudo o que precisam (41%) e 55% dos reformados afirmam não ter perdido poder de compra, o que contraria perceções generalizadas. O medo de ser um fardo para os filhos é uma preocupação única dos Boomers, que desejam ter condições financeiras para não ter de pedir ajuda aos filhos.

O Barómetro Gerações em Movimento – Preparar o Futuro partiu da premissa de que o envelhecimento transcende o fenómeno demográfico, sendo um processo com impacto social, económico e cultural.

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Sabia que o cérebro cria mapas para o dia a dia? A ciência explica

31 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

O cérebro é um dos órgãos mais misteriosos do corpo humano, permanecendo ainda sem respostas várias questões, nomeadamente sobre a forma como este organiza informação importante para o nosso quotidiano.

Agora, um estudo, coordenado pela Universidade de Coimbra (UC), revela novos dados sobre a organização cerebral de objetos que manipulamos diariamente.

O cérebro humano organiza a informação em mapas topográficos contínuos, fornecendo, assim, leituras fáceis de uma região cerebral para outra, promovendo, desta forma, eficiência cognitiva.

Neste novo estudo – desenvolvido no âmbito do projeto ContentMap, liderado pela UC e financiado pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), publicado na revista científica NeuroImage – é introduzido o conceito de mapas conteudotópicos, mapas cerebrais que demonstram como diferentes categorias de informação são organizadas espacialmente no cérebro.

Estes mapas «revelam de que forma o cérebro codifica espacialmente informação – por exemplo, a forma como agarramos e manipulamos ferramentas – e organiza o conhecimento sobre objetos em padrões contínuos, semelhantes a mapas geográficos, ao longo do córtex cerebral», revela o coordenador da investigação, Jorge Almeida.

O cérebro como um mapa vivo da experiência humana

O neurocientista clarifica que descobriram que «a informação relacionada com objetos não está distribuída aleatoriamente; pelo contrário, está organizada em mapas estruturados – os referidos mapas conteudotópicos – onde regiões vizinhas do córtex representam objetos com propriedades semelhantes». «À medida que nos deslocamos pela superfície cerebral, podemos observar uma transição suave e contínua na forma como diferentes aspetos destas propriedades dos objetos são representados», acrescenta o docente e investigador da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC (FPCEUC) e do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), que coordena também o Proaction Lab.

Esta descoberta foi espoletada por uma questão: como é que o nosso cérebro sabe que uma caneca é usada para beber, que um martelo serve para martelar e que uma chave encaixa numa fechadura? Embora pareça um processo simples, o nosso cérebro precisa de processar diferentes informações: o formato, o material e a função do objeto, por exemplo.

Para desvendar este processo, a equipa de investigação usou ressonância magnética funcional (fMRI), uma técnica que permite recolher imagens do cérebro com precisão, procurando «perceber como é que o cérebro dos participantes neste estudo processava uma sequência de objetos manipuláveis, apresentados visualmente e ordenados segundo dimensões definidas em estudos anteriores que a nossa equipa realizou», contextualiza o neurocientista.

Depois desta etapa, a equipa de investigação utilizou técnicas de análise de dados avançadas para detetar como a atividade cerebral mudou sistematicamente com diferentes níveis destas dimensões relacionadas com os objetos. Este trabalho com os participantes conseguiu demonstrar que «os mapas conteudotópicos são contínuos, sendo consistentes entre participantes, uma vez que os mapas de um indivíduo podem ser previstos a partir dos mapas de outros», destaca Jorge Almeida.

Mapas que otimizam a flexibilidade cognitiva

Estes mapas «são independentes para cada dimensão, o que significa que há mapas distintos para diferentes propriedades de objetos; e são também independentes de características sensoriais simples, já que mapas puramente sensoriais não conseguem explicar completamente estes mapas relativos aos objetos que utilizamos», partilha ainda o neurocientista.

Isto revela que «o cérebro prefere organizar a informação de forma a aumentar a eficiência neural», diz Jorge Almeida. «Tal como os mapas geográficos transmitem de forma eficiente informação complexa sobre o ambiente, estes mapas topográficos do cérebro fornecem leituras rápidas e eficazes do processamento de informação em cada área cerebral,» acrescenta.

Jorge Almeida sublinha ainda a relevância destes mapas para a flexibilidade cognitiva, uma vez que «permitem ao cérebro distinguir entre objetos enquanto generaliza para objetos semelhantes – uma característica fundamental da inteligência humana».

Para o neurocientista, que há quase duas décadas se dedica ao estudo do cérebro, «estes resultados lançam nova luz sobre como a arquitetura interna do cérebro transforma a nossa experiência em conhecimento, revelando que os mesmos princípios de mapeamento que moldam a forma como vemos o mundo também podem sustentar a forma como o compreendemos».

Jorge Almeida sublinha ainda a importância das descobertas feitas pela ciência fundamental para o avanço do conhecimento: «sem ciência fundamental, não é possível avançar para a ciência aplicável; precisamos de saber primeiro como funciona o cérebro antes de avançarmos para qualquer abordagem terapêutica».

Este estudo contou ainda com a colaboração de outros cientistas da Universidade de Coimbra e da Universidade de Glasgow.

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O papel da liderança no bem-estar das equipas

31 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Outubro recorda-nos que a saúde mental é central para o desempenho e a coesão das equipas. No entanto, este tema não deve esgotar-se num mês ou numa data simbólica: o bem-estar no trabalho não é um “extra” ou um benefício ornamental — é uma responsabilidade de liderança e um motor de sustentabilidade organizacional.

A evidência é clara: o local de trabalho molda a saúde mental e o comportamento dos líderes tem impacto directo nas pessoas e nos resultados. A Organização Mundial de Saúde destaca que condições de trabalho, cultura organizacional e acesso a apoio adequado são determinantes cruciais do bem estar psicológico. O contexto laboral é, por isso, uma oportunidade real de prevenção e de promoção da saúde mental em larga escala.

Os números confirmam esta urgência: o envolvimento dos trabalhadores tem diminuído globalmente, e os gestores estão entre os grupos mais afetados.

O nível de envolvimento dos trabalhadores caiu globalmente nos últimos anos — Quando a liderança se sente desmotivada e sobrecarregada tende a reproduzir esse clima às suas equipas, o que se traduz em maio risco de burnout, absentismo e perda de talento.

 

Três atitudes que fazem a diferença

O que pode fazer então um líder que deseja promover o bem-estar? Três atitudes práticas com impacto direto na saúde mental e no desempenho das equipas:

 

1. Criar segurança psicológica, todos os dias

A sensação de poder falar sem medo de retaliação, reduz o stress, aumenta a  criatividade e melhora adesão às mudanças. A segurança psicológica constrói-se em pequenas práticas diárias: conversas regulares, reconhecimento específico e tolerância zero a comportamentos tóxicos.

 

2. Definir normas claras e garantir uma carga de trabalho justa

Não basta “falar sobre saúde mental”: é preciso agir nas condições de trabalho. Rever objetivos, gerir prioridades e alinhar recursos evita sobrecarga crónica. Estudos com dezenas de milhares de colaboradores mostram que justiça, reconhecimento e liderança empática são preditores fortes de menor burnout e maior satisfação.

 

3. Formar líderes para o apoio concreto

Promover reflexão e empatia exige treino. Programas de formação em liderança de apoio têm mostrado eficácia a redução de stress e no reforço da ligação social dentro das equipas.

Passos práticos para aplicar no dia a dia:

  • Realizar reuniões individuais regulares (1:1) com foco em bem-estar e prioridades
  • Medir com pequenos inquéritos e indicadores objectivos (absentismo, rotatividade).
  • Rever processos que criam duplicação de tarefas ou carga excessiva.
  • Implementar reconhecimento frequente e público por conquistas reais.
  • Garantir formação obrigatória em liderança para quem gere pessoas.

São ações simples, de baixo custo, mas de elevado retorno humano e organizacional.

O bem-estar e a saúde mental não se reduzem a programas de ioga ou mindfulness — que podem ser complementares —, mas são insuficientes quando a cultura organizacional continua a valorizar jornadas intermináveis, microgestão ou falta de clareza. Sem mudança estrutural, qualquer intervenção individual é apenas um remendo num problema sistémico.

Por fim, um ponto ético e estratégico: líderes que cuidam do bem-estar da equipa também protegem a sustentabilidade do negócio. Equipas saudáveis são mais produtivas,permanecem mais tempo nas organizações e enfrentam melhor a mudança.

Promover o bem-estar não é uma moda ou um gesto simbólico: é uma prática contínua que gera equipas mais coesas, motivadas e resilientes. Líderes que assumem esta responsabilidade fortalecem a cultura organizacional, melhoram o desempenho e contribuem para a sustentabilidade do negócio a longo prazo. Cuidar das pessoas deve ser parte integrante da forma como se lidera todos os dias.

O curso Liderança e Well-Being: Construir Equipas Saudáveis, da GALILEU, traduz precisamente esta visão: formar líderes capazes de cuidar das pessoas e dos resultados.

Destinado a chefias, gestores e diretores, o programa capacita os participantes a identificar sinais de stress, promover comunicação empática, prevenir o burnout e implementar estratégias de autocuidado e monitorização do bem-estar. Ferramentas concretas e de grande importância para liderar equipas mais saudáveis e resilientes.

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