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Leonor Wicke

Clima deixa de ser prioridade global em 2025

7 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Após anos marcados por marchas climáticas, promessas de neutralidade carbónica e alertas científicos, a atenção pública parece ter perdido o foco destas questões. As crises sucedem-se — guerras, inflação, desigualdades — e o futuro climático, embora mais incerto do que nunca, já não ocupa o topo das preocupações mundiais.

O Forest Stewardship Council (FSC) confirmou, na sua Assembleia Geral no Panamá, esta tendência: a preocupação global com as alterações climáticas está em queda acentuada, mesmo após o ano mais quente de que há registo.

O Global Consumer Awareness Survey 2025, realizado em parceria com a IPSOS e com mais de 40 mil inquiridos em 50 países, mostra que a guerra e os conflitos dominam agora as inquietações da população mundial (52%), enquanto as alterações climáticas surgem em terceiro lugar, com apenas 31%.

A diferença entre ambas as preocupações é agora de 21 pontos percentuais e não mostra sinais de abrandar. Em 2022, a distância era de 12 pontos entre a crise económica e o clima; em 2025, esse intervalo subiu para 16 pontos.

Europa regista forte queda na preocupação climática

Os resultados europeus são particularmente significativos. França, Dinamarca, Espanha, Reino Unido e Alemanha — economias líderes e historicamente comprometidas com a transição verde — registam uma quebra entre 6,5 e 10 pontos percentuais no nível de preocupação pública com o clima, face a 2022.

  • França: de 52% para 45%

  • Dinamarca: de 51% para 41%

  • Espanha: de 44% para 37,5%

  • Reino Unido: de 45% para 35%

  • Alemanha: de 42% para 34%

Esta tendência revela uma desconexão crescente entre o impulso político da União Europeia, que continua a avançar com legislação climática ambiciosa, e a atenção do público, que parece deslocar-se para outras crises mais imediatas.

«Este desfasamento mostra porque é fundamental ligar a ação climática às realidades concretas das pessoas», explica Subhra Bhattacharjee, Diretora-Geral do FSC. «As pessoas revelam menos preocupação com o clima, mas continuam a recompensar marcas com provas de sustentabilidade. É preciso tornar a ação climática tangível no dia a dia.»

As florestas continuam a ser o palco onde o clima se faz sentir

Embora as alterações climáticas desçam na lista de prioridades globais, os impactos sentidos através das florestas — incêndios, secas, cheias e perda de biodiversidade — continuam entre as maiores preocupações.
O estudo confirma que a perceção do risco climático é mais intensa quando ligada ao ambiente natural imediato, o que explica, por exemplo, a forte preocupação dos canadianos com os incêndios florestais ou a subida da consciência climática em países como Japão e Brasil, que desafiam a tendência global de declínio.

As florestas assumem, assim, um papel duplo: são vítimas diretas da crise climática, mas também a chave para a solução.

Os consumidores continuam a agir com consciência ambiental

Apesar do aparente afastamento emocional do tema, os comportamentos de consumo continuam a refletir valores sustentáveis.

O estudo mostra que 72% dos consumidores em 29 mercados preferem produtos que não causem danos a plantas ou animais, e que as marcas com certificação FSC registam maiores níveis de confiança e fidelização.

«Mesmo que o clima não esteja sempre no topo das preocupações, as pessoas votam com a carteira», sublinha Helen Chepkemoi Too, Diretora de Mercados do FSC. «Querem opções sustentáveis e recompensam as marcas que provam o seu impacto positivo.»

Uma crise de prioridades

O relatório alerta para um fenómeno mais amplo: à medida que guerras, pandemias e inflação dominam o debate público, o tema das alterações climáticas corre o risco de sair do centro das atenções políticas e mediáticas.

Ainda assim, a maioria das pessoas continua a esperar que as empresas garantam que os seus produtos não contribuem para a desflorestação, e identifica a perda de espécies como a maior preocupação ambiental ligada às florestas.

O FSC defende, por isso, estratégias integradas que conciliem ação ambiental, segurança económica e coesão social, para que a crise climática não seja secundarizada em tempos de instabilidade.

Arquivado em:Clima, Notícias

Sem ideias para compras? Eis quatro sugestões para a estação

7 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Conheça as sugestões de compras de outono by Freeport Fashion Outlet.

Bom fim de semana!

 

1- Overjacket Façonnable 

Combinando a sofisticação descontraída da marca francesa com funcionalidade, esta jacket em verde-caqui é a peça versátil por excelência. Produzida em algodão estruturado, apresenta corte ligeiramente oversized e bolsos utilitários, ideal para sobreposições entre dias de trabalho e fins de semana citadinos. 

Disponível na loja Freeport Lisboa Fashion Outlet  

Preço: 126€ (PVP 180€) 

Não dispensa consulta na loja. 

 

2 – Tote Bag Pinko 

Funcional e elegante, a Tote da Pinko é produzida em pele suave de alta qualidade, com um design contemporâneo que alia espaço generoso e linhas sofisticadas. Um acessório versátil que acompanha com estilo desde o trabalho até ao lazer. 

Disponível na loja Freeport Lisboa Fashion Outlet  

Preço: 234€ (PVP 350€) 

Não dispensa consulta na loja. 

 

3 – Botas Lace-Up Scalpers 

Um clássico com atitude contemporânea. As botas lace-up em pele castanha destacam-se pelo design elegante e intemporal, com atacadores discretos e sola robusta, que garante conforto no dia a dia. Versáteis e cheias de carácter, são a escolha certa para atualizar qualquer guarda-roupa com sofisticação cool. 

Disponível na loja Freeport Lisboa Fashion Outlet  

Preço: 59,70€ (PVP 199€)  

Não dispensa consulta na loja. 

 

4 – Denim Ballerina Jacquemus Stivali 

O luxo e a elegância Stivali chegaram ao Freeport. A slingback ballerina em denim azul distingue-se pela silhueta pontiaguda, recortes geométricos, fivela lateral e sola em pele. Um toque sofisticado e inesperado para completar qualquer look. 

Disponível na loja Freeport Lisboa Fashion Outlet  

Preço: 310€ (PVP 620€) 

Não dispensa consulta na loja. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 31 da revista Líder, cujo tema é ‘Decidir’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leading Life

ROI da Comunicação Interna: como provar valor em tempos de Inteligência Artificial

6 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Em dias de transformação acelerada, o papel da comunicação interna nunca foi tão decisivo. Num mundo marcado por desinformação, crises reputacionais e disrupção tecnológica, os líderes de comunicação procuram demonstrar como o seu trabalho é essencial para manter as organizações coesas e orientadas.

Mas há um obstáculo crescente: provar o retorno do investimento (ROI) neste setor tornou-se uma tarefa quase impossível — sobretudo à medida que a inteligência artificial (IA) ganha espaço nas operações corporativas.

 

A dificuldade em provar impacto

Um novo estudo da Korn Ferry, baseado em 5.000 profissionais de comunicação interna, revela dados preocupantes: nove em cada dez admitem ter dificuldade em demonstrar o impacto do seu trabalho junto das lideranças, e apenas 40% afirmam que os seus diretores «compreendem muito bem» o valor estratégico da comunicação.

Apesar de muitas empresas terem aumentado o orçamento e o peso da comunicação nos últimos anos, continua a faltar um modelo eficaz de medição. «Todos os anos, peço uma calculadora de ROI para a comunicação, e ainda ninguém ma deu», ironiza Tamara Rodman, Senior Client Partner na Korn Ferry.

O problema é estrutural: é mais difícil quantificar cultura, envolvimento e retenção de talento do que medir vendas ou lucros. Enquanto departamentos financeiros ou comerciais exibem relatórios de resultados, a comunicação depende de inquéritos de clima, feedback de gestores e testemunhos de colaboradores — métricas que raramente convencem os conselhos de administração.

«Os indicadores típicos da comunicação interna soam a algo morno e pouco entusiasmante para a direção», explica Peter McDermott, líder de Corporate Affairs na Korn Ferry América do Norte.

 

IA e a pressão sobre o ROI humano

Com a ascensão da IA, a pressão sobre as funções humanas cresce. Departamentos como recursos humanos, marketing ou jurídico enfrentam agora o mesmo desafio: justificar o seu valor em comparação com sistemas automatizados e mais baratos. «Em tempos de incerteza económica, se não consegue ligar desempenho a resultados concretos, o seu cargo pode ficar em risco», alerta Kim Waller, especialista em estratégia organizacional e diversidade na Korn Ferry.

Contudo, McDermott lembra que a comunicação eficaz também poupa dinheiro. Reduz a rotatividade, aumenta o envolvimento e evita erros dispendiosos. «Substituir um colaborador pode custar entre três a cinco vezes mais do que retê-lo», explica. O mesmo se aplica à cibersegurança: campanhas internas que motivam os colaboradores a cumprir formações obrigatórias evitam erros que «custam milhares de milhões e danificam a reputação».

 

Falta de dados, falta de visibilidade

Um dos maiores entraves à valorização da comunicação interna é a falta de integração com dados e análises de desempenho. Ao contrário do marketing, que rapidamente adotou ferramentas analíticas, muitos comunicadores continuam a depender de meios tradicionais. Segundo o estudo, um quinto ainda recorre a cartazes e boletins impressos, e 63% privilegiam o e-mail como canal principal. «Não se pode medir quantas pessoas leram um cartaz na sala de descanso», comenta McDermott.

Para Richard Marshall, diretor global do Corporate Affairs Center of Expertise da Korn Ferry, a resposta pode estar nos indicadores financeiros e reputacionais, como a cotação em bolsa — que reflete a perceção dos investidores sobre talento, cultura e desempenho. «Num contexto de permacrise, a comunicação interna é o campo de batalha onde se conquistam os corações e as mentes das equipas», resume Marshall.

 

Mais do que comunicar: inspirar confiança

Em plena era digital, a comunicação interna é muito mais do que transmitir mensagens — é o elo entre cultura, estratégia e propósito. Num ambiente onde a IA automatiza tarefas e gera conteúdos em segundos, o verdadeiro valor humano está em inspirar confiança, gerar empatia e criar sentido de pertença.

Medir isso continua a ser um desafio. Mas é também o que distingue as empresas que prosperam daquelas que apenas comunicam.

Arquivado em:Corporate, Notícias

Três áreas onde as empresas mais desperdiçam recursos — e como transformá-las em oportunidades de poupança

6 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Nos últimos anos, a economia global tem-se transformado rapidamente, fruto de uma digitalização acelerada pela inteligência artificial, das constantes tensões geopolíticas e de um mercado laboral cada vez mais competitivo.

Este contexto exerce uma pressão crescente sobre as margens de rentabilidade, o que torna a eficiência uma prioridade estratégica para as empresas portuguesas. De acordo com dados recentes do Banco de Portugal, a margem do EBITDA em percentagem de volume de negócios recuou para 13,4% em 2024, um reflexo direto dos desafios de gestão num cenário marcado pela inflação persistente e por uma maior despesa com contratação de colaboradores.

 

As áreas-chave que podem mudar tudo

A ERA Group, consultora especializada em otimização de custos e processos, identifica três áreas onde uma gestão mais inteligente de custos é fundamental para aumentar a eficiência e competitividade das empresas portuguesas, bem como promover a criação de valor sustentável a longo prazo.

«As empresas portuguesas têm vindo a aperfeiçoar a forma como encaram a gestão de custos, porém ainda existe um enorme potencial por explorar. O desafio de implementar uma gestão mais integrada não está apenas em cortar despesas, mas em reavaliar processos e estratégias de procurement à luz da inovação e sustentabilidade. Os líderes que conseguem alinhar eficiência financeira com inovação e práticas sustentáveis não só fortalecem a resiliência das suas organizações, como também criam valor a longo prazo e crescem de forma eficiente e competitiva», afirma João Costa, country manager da ERA Group.

 

1. Operações logísticas 

A logística e o transporte continuam a ser uma das maiores fontes de despesa e desperdício nas empresas. Para além do seu peso económico, este setor é, segundo dados da OCDE, responsável por mais de 20% das emissões globais de CO2, representando, por isso, uma parte central para a sustentabilidade empresarial.

Uma gestão integrada de transportes e frotas, combinada com a revisão de contratos com fornecedores, a consolidação de rotas e o uso de tecnologias de monitorização em tempo real, pode desbloquear poupanças na ordem dos 30%.

Mais do que reduzir custos, otimizar as operações logísticas contribui para melhorar a eficiência energética, reduzir a pegada de carbono e reforçar a competitividade num mercado cada vez mais exigente.

 

2. Energia e embalagens 

Com os preços da energia voláteis e a descarbonização a tornar-se crucial para a resiliência das empresas, equilibrar custos e sustentabilidade tornou-se um desafio central. Investir em eficiência energética, otimizar contratos de fornecimento e integrar energias renováveis permite reduzir consumos e custos, ao mesmo tempo que aumenta a previsibilidade orçamental. Rever a cadeia de abastecimento, especialmente nas áreas de embalagem e energia, ajuda a eliminar ineficiências e a reduzir impactos ambientais.

Auditorias e renegociações de contratos no setor energético podem gerar poupanças médias entre 15% e 25%, enquanto a otimização do design e da origem das embalagens contribui para reduzir custos logísticos e a pegada ambiental. Contar com uma perspetiva externa especializada permite identificar oportunidades de poupança, desafiar práticas estabelecidas e reforçar a resiliência operacional.

 

3. Digitalização

A digitalização é, atualmente, o maior motor de eficiência empresarial. Ferramentas como inteligência artificial (IA), análise preditiva de dados e cloud computing estão a transformar a forma como as empresas gerem os seus recursos, de forma a identificar ineficiências e antecipar riscos antes que estes se traduzam em custos.

Estas tecnologias, além de acelerarem a inovação e facilitarem a colaboração entre departamentos, contribuem para fortalecer a competitividade e sustentabilidade das empresas num mercado cada vez mais digital.

Estas áreas são fundamentais para garantir uma gestão empresarial mais eficiente, sustentável e preparada para os desafios futuros. Ao apostar na otimização de custos, na inovação tecnológica e na integração de práticas mais sustentáveis, as empresas constroem bases sólidas para um crescimento equilibrado e duradouro.

 

Arquivado em:Corporate, Notícias

Gestão de Projetos: o motor estratégico para o desenvolvimento de Portugal

6 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Num país em constante evolução, a gestão eficaz de projetos é um dos pilares do progresso. Seja na modernização de infraestruturas, na transição energética ou na digitalização dos serviços públicos, Portugal depende da capacidade de transformar ideias em resultados concretos. Projetos bem geridos impulsionam a competitividade, atraem investimento e promovem a confiança nos setores público e privado.

Para garantir esse impacto, é essencial recorrer a metodologias de gestão de projetos reconhecidas internacionalmente, como as do Project Management Institute (PMI). Abordagens como o PMBOK® Guide ou o Agile Practice Guide oferecem estruturas sólidas para planear, executar e controlar projetos com rigor e adaptabilidade. Estas metodologias não são apenas ferramentas técnicas — são linguagens comuns que alinham equipas, sponsors e partes interessadas em torno de objetivos claros.

Mas metodologias eficazes exigem profissionais qualificados. A certificação de gestores de projetos, como a PMP® ou a PMI-RMP®, valida competências técnicas, éticas e estratégicas. Num mercado cada vez mais exigente, gestores certificados destacam-se pela capacidade de liderar com confiança, gerir riscos com precisão e entregar valor sustentável.

Neste cenário, a Inteligência Artificial (IA) emerge como uma aliada transformadora. Ferramentas baseadas em IA já estão a otimizar a gestão de cronogramas, a prever riscos e a automatizar tarefas repetitivas. Com algoritmos preditivos e assistentes virtuais, os gestores podem tomar decisões mais informadas, libertando tempo para o que realmente importa: liderança, inovação e impacto.

Investir em gestão de projetos é investir no futuro de Portugal. Com metodologias certificadas, profissionais qualificados e tecnologia inteligente, o país estará mais preparado para enfrentar desafios e concretizar oportunidades.

Arquivado em:Opinião

Organizações Polvo: saiba o que são e como estão a transformar a gestão moderna

5 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Durante décadas, as empresas operaram segundo um modelo baseado em padronização, especialização e controlo. Esta mentalidade ajudou as empresas a criar e entregar produtos com eficiência inabalável. E, em alguns casos, ainda faz sentido.

Mas os tempos mudaram, e as empresas que querem ser bem sucedidas também. E esse sucesso depende de adaptar-se e descobrir, de construir verdadeiras relações de confiança com clientes, colaboradores e o meio envolvente. As pessoas já não querem ser geridas, querem ser inspiradas.

A Harvard Business Review falou com CEO’s e diretores executivos de centenas de empresas e verificou que a norma é uma mentalidade rígida e desatualizada. Destaca, por isso, como as empresas podem – e devem – mudar, personificando nada mais, nada menos do que um polvo.

 

O fim da máquina previsível

As Organizações Polvo são inspiradas no animal marinho, capaz de agir com inteligência distribuída por cada um dos seus tentáculos, que pensam e atuam de forma independente, mas sempre em perfeita coordenação com o todo. É uma metáfora poderosa para empresas que pretendem prosperar em ambientes complexos, onde a mudança é constante e o controlo absoluto se torna impossível.

No passado, as estruturas hierárquicas e os processos rígidos funcionavam bem num ambiente considerado complicado, como um motor de avião: complexo, mas previsível, em que cada peça tem um lugar e cada falha uma solução.

Hoje, vivemos num ecossistema “complexo”, mais próximo do oceano onde habita o polvo: um pequeno movimento pode gerar efeitos imprevisíveis a quilómetros de distância. Neste novo contexto, o sucesso não depende de controlar, mas de aprender e adaptar.

Nas organizações tradicionais, as reuniões são palcos de consumo de informação: apresentações extensas, perguntas protocolares, decisões adiadas. Já nas Organizações Polvo a regra é outra: as ideias emergem do diálogo, das perguntas difíceis, da interação entre diferentes níveis hierárquicos. O mesmo se aplica ao serviço ao cliente — onde o agente deixa de seguir um guião para se tornar dono do problema, ouvindo, criando soluções personalizadas e até melhorando o próprio sistema.

 

Da transformação à mentalidade

Transformar uma empresa não passa apenas por criar novos departamentos ou adotar novas tecnologias. É, sobretudo, mudar a forma como as pessoas pensam e se comportam. As Organizações Polvo fazem-no a partir de três pilares centrais: envolver as pessoas nas mudanças, integrar aprendizagem e impacto no dia a dia, e simplificar para libertar energia. A verdadeira inovação não nasce de novos processos, mas da eliminação do que já não serve.

A jornada, contudo, não é linear. Em grandes empresas, podem coexistir partes que funcionam como polvos — ágeis, colaborativas — e outras ainda presas à lógica mecânica. O primeiro passo é identificar os chamados antipadrões — comportamentos automáticos que limitam a clareza, minam o sentido de propriedade e sufocam a curiosidade. Sem curiosidade, as organizações paralisam: otimizam o que já sabem, mas deixam de ver o que vem a seguir.

 

Organizações que aprendem

As Organizações Polvo são, no fundo, empresas que aprendem. Ao invés de impor soluções de cima, testam hipóteses, experimentam, erram, ajustam e aprendem novamente. Cada erro é tratado como dado, não como falha. Essa cultura de aprendizagem contínua, ancorada na escuta e na confiança, transforma equipas em laboratórios vivos de inovação.

Os resultados são tangíveis. Estudos mostram que as empresas obcecadas pelo cliente têm três vezes mais probabilidade de liderar o seu setor e registam margens de rentabilidade superiores em cerca de 23% às suas concorrentes tradicionais. As que cultivam empatia e curiosidade são também as que retêm melhor talento e se adaptam mais depressa às disrupções tecnológicas.

 

O futuro é fluido

Ser uma Organização Polvo não é seguir um manual, mas adotar uma nova forma de estar. Significa substituir o comando pela confiança, o plano pela aprendizagem e o controlo pela colaboração. O futuro das empresas não pertence às mais fortes nem às mais rápidas — pertence às que melhor se adaptam.

No fim, como o polvo no seu habitat natural, estas organizações movem-se com inteligência distribuída e propósito comum. São sistemas vivos que sentem, aprendem e agem. E é precisamente essa fluidez — humana, criativa e consciente — que poderá definir a liderança do século XXI.

Arquivado em:Corporate, Notícias

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