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Leonor Wicke

Na IA, «ética e transparência não são um gesto cosmético», defende Elsa Veloso

11 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Empresas tecnológicas exigem líderes tecnológicos e, com o avanço exponencial da inteligência artificial (IA) nas organizações, criar uma estratégia sólida tornou-se uma vantagem competitiva determinante. Mais do que incorporar plataformas automatizadas, trata-se de adaptar a tecnologia à realidade e à cultura de cada empresa, equilibrando inovação com responsabilidade.

Para Elsa Veloso, CEO da DPO Consulting, o verdadeiro poder da IA reside na ética e transparência, pilares que devem estar no centro das decisões empresariais. À Líder, a especialista defende que a governação da IA deve ser tratada como uma questão de gestão estratégica, com supervisão humana, formação especializada e estruturas de governance robustas. Porque, no futuro próximo, as organizações que aliarem responsabilidade digital à eficiência tecnológica serão as que realmente lideram com propósito, confiança e resultados sustentáveis.

Que lugar deve ocupar a ética e transparência da IA na hierarquia das organizações?

Devem estar no topo das prioridades. Ética e transparência não são um gesto cosmético, são condições estruturais para a sustentabilidade do negócio. Uma IA ética é uma IA que gera confiança, protege a reputação e assegura resultados duradouros. O AI Act veio reforçar essa visão: a governação da IA é agora uma responsabilidade de gestão, que exige supervisão humana, documentação e avaliação de risco proporcionais ao impacto de cada sistema.

Na DPO Consulting, trabalhamos precisamente esse equilíbrio, ajudar as empresas a desenvolver modelos de governance, compliance e gestão de risco que tornem a IA transparente, justa e controlável, transformando-a num verdadeiro ativo estratégico.

 

Até que ponto são estas características um fator competitivo?

São sem dúvida muito importantes. O AI Act criou um mercado europeu baseado na confiança, onde apenas soluções éticas, explicáveis e seguras operam com vantagem. A ética e a responsabilidade deixaram de ser burocracia para se tornarem diferenciação. As empresas que compreendem isto cedo conquistam espaço junto de clientes, investidores e reguladores.

Na prática, a confiança é o novo diferencial competitivo, e quem combina ética com Eficiência e Performance Digital, Inteligência Aplicada e Automação, e Cultura e Capacitação Data-Driven está não só a cumprir a lei, mas também a gerar valor real e sustentável.

 

Como é que as PMEs, com menos recursos técnicos e jurídicos, podem começar a integrar IA de forma segura e eficiente?

As PMEs podem e devem começar de forma pragmática. O AI Act reconhece que a aplicação dos requisitos deve ser proporcional ao risco e à dimensão da organização. Isso significa que uma PME não precisa de criar um departamento jurídico próprio, porém deve seguir princípios essenciais: escolher ferramentas fiáveis e transparentes, definir regras internas de utilização e formar as equipas para tirarem o máximo partido das tecnologias disponíveis.

A formação é a maior arma de inovação para as PME’s em particular. Quando as pessoas percebem o que está em jogo, como privacidade, enviesamento, confidencialidade, passam a usar IA com mais consciência e segurança. Na minha opinião – e como todos sabemos – as grandes plataformas tecnológicas globais começaram em garagens, o que significa que pequenas empresas com cultura sólida de responsabilidade e inovação tecnológica podem estar melhor preparadas para o futuro do que grandes organizações com processos desatualizados.

 

Quem deve ser responsável por garantir a ética da IA dentro das organizações — os departamentos de compliance, tecnológicos ou o próprio CEO?

É uma responsabilidade partilhada, liderada pela administração. O CEO define o tom estratégico e os departamentos de compliance e legal traduzem as obrigações legais em práticas internas, assegurando a conformidade ética. Será fundamental garantir uma implementação com resultados e elevado grau de segurança.

O ideal é constituir um comité multidisciplinar de governação da IA, com reporte direto ao Conselho de Administração. E é essencial que os líderes tenham formação especializada em IA aplicada ao negócio.

 

A ética digital deve ser ensinada aos colaboradores como uma competência de liderança?

Sim. Liderar no digital exige mais do que domínio técnico, requer compreensão do impacto humano, social e reputacional das decisões tecnológicas.

Na DPO Consulting promovemos programas que desenvolvem literacia ética e pensamento crítico sobre IA, com treino prático: identificar riscos, interpretar resultados, questionar decisões automatizadas e aplicar critérios éticos no dia a dia.

Líderes com esta literacia transformam a IA em vantagem competitiva, percebem o que significa Eficiência & Performance Digital, Inteligência Aplicada & Automação, Cultura & Capacitação Data-Driven e Literacia em AI.

 

Que exemplos e boas práticas destaca para uma criação de valor com IA?

Valor em IA constrói-se com método e consciência. O ponto de partida deve ser um uso com impacto mensurável e risco controlado, sustentado por avaliações de impacto, de eficiência e com visão das hipóteses de escalabilidade do processo, do sistema ou do produto.

As empresas que tratam a governação da IA como uma alavanca de performance são aquelas que colhem resultados. Integrar ética, privacidade e qualidade de dados desde o design permite transformar eficiência operacional em vantagem competitiva duradoura. Criar valor é exponenciar com propósito e liderar com visão.

 

Na sua experiência, onde falham mais frequentemente os líderes quando tentam aplicar IA nos seus negócios?

Falham quando confundem velocidade com maturidade. Implementam rápido, isto é, compram licenças rapidamente mas sem estratégia, sem política e sem supervisão. É preciso introduzir precisamente essa noção de necessidade de conhecer, avaliar, controlar e documentar.

No outro extremo, há quem fique paralisado pelo medo da complexidade. A liderança eficaz consiste em criar modelos ágeis de governação que permitam testar com segurança e aprender continuamente. A IA só é realmente transformadora quando alia velocidade à responsabilidade e converte a estratégia em fator de performance.

Como é que o Programa Executivo da DPO Consulting se destaca, relativamente a estas competências?

De forma pragmática e proporcional. O Programa Executivo da DPO Consulting foi concebido para se adaptar à dimensão de cada organização, o que significa que as empresas podem avançar com confiança sem necessidade de estruturas complexas. O essencial é garantir bases sólidas de literacia de IA: escolher ferramentas fiáveis e transparentes, definir regras internas de utilização como, por exemplo, nunca inserir dados pessoais ou confidenciais em plataformas abertas e investir na capacidade de utilização das equipas.

A literacia em IA e a capacitação digital são, na prática, a melhor forma de mitigação de risco e exponenciação de resultados. Quando as pessoas compreendem o impacto e o potencial da tecnologia, usam-na com mais consciência e eficácia. As empresas com uma cultura sólida de responsabilidade tecnológica e foco em Eficiência & Performance Digital conseguem automatizar de forma segura, otimizar processos e inovar com maior agilidade. Por vezes é mais complexa a penetração da transformação digital organizações presas a modelos obsoletos e com pouca capacidade de abertura à inovação.

Arquivado em:Entrevistas, Leading Tech

Intenções de emigração sobem: mais de um terço dos portugueses quer sair do país

11 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Mais de um terço dos portugueses (34%) está disposto a emigrar, uma percentagem ligeiramente acima da registada no ano passado (+2 p.p.). A procura de melhores perspetivas profissionais (37%) e o descontentamento com a realidade política, fiscal e social são os principais motivos apontados, segundo o estudo Consumer Sentiment Survey 2025, realizado pela Boston Consulting Group (BCG).

O estudo revela que a disposição para emigrar está diretamente ligada à idade e ao nível de formação, confirmando tendências anteriores. A intenção de sair do país aumenta entre os mais jovens — 73% dos inquiridos entre os 18 e 24 anos admitem considerar a emigração (+9 p.p.). Por outro lado, os indivíduos com ensino superior (35%) revelam maior propensão para emigrar face aos que não têm esse nível de formação (29%).

«Este estudo destaca que não estamos a conseguir sequer abrandar a tendência de emigração de uma parte substancial das nossas gerações mais novas, e em particular as pessoas com maior nível de qualificação. Isto está diretamente relacionado com a gradual perda de competitividade dos salários em Portugal, que nos expõem particularmente neste tipo de talento que encontra mais facilmente soluções lá fora», sublinha Eduardo Bicacro, Managing Director & Partner da BCG.

O responsável acrescenta que a remuneração não é o único fator: «A autonomia, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e a flexibilidade horária são hoje aspetos decisivos — e é precisamente nestas áreas que Portugal continua atrás de outros mercados europeus e internacionais.»

Portugueses valorizam autonomia e equilíbrio

Entre os fatores mais valorizados no trabalho, excluindo o salário, destacam-se a autonomia e responsabilidade (26%), o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (25%) — ambas com uma subida de 2 p.p. face a 2024 — e a flexibilidade de horário (23%).
Outros atributos que ganham peso são o ambiente de trabalho saudável e colaborativo (22%) e as relações interpessoais (18%). Em contrapartida, aspetos como o propósito (13%), a flexibilidade de local (10%) ou os benefícios adicionais (5%) — combustível, carro ou ginásio — surgem com menor relevância.

Quanto aos modelos de trabalho, o presencial total (72%) continua a dominar, mantendo-se estável nos últimos anos. No entanto, mais de 60% dos trabalhadores nesta situação preferiam modelos híbridos ou remotos. Atualmente, apenas 10% dos portugueses trabalham totalmente à distância, embora um em cada quatro manifeste essa preferência — sobretudo entre os profissionais até aos 45 anos.

Diversidade e inclusão: prioridade crescente

O estudo mostra ainda que 80% dos portugueses consideram importante ou muito importante trabalhar em ambientes diversos e inclusivos, sendo que 17% classificam este fator como essencial. Apenas 6% dos inquiridos dizem não valorizar a diversidade, demonstrando que a inclusão é vista como um pilar fundamental das organizações modernas.

Realizado em agosto de 2025, o Consumer Sentiment Survey baseia-se em 1.000 inquéritos a portugueses de todo o território continental e avalia hábitos, perceções e expectativas de consumo e trabalho através de 44 perguntas.

Arquivado em:Notícias, Sociedade, Trabalho

O algoritmo da mudança começa com as mulheres na tecnologia

11 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Todos os anos, o jantar Women in Tech da Web Summit é, para mim, um dos momentos mais inspiradores da conferência. Mais do que uma celebração, é uma homenagem às mulheres que estão a transformar o setor tecnológico em várias partes do mundo. Este ano, tive o privilégio de representar a sheerME duplamente: como mulher fundadora em Portugal e como líder de uma empresa que é também um caso de sucesso no Brasil. Ver a nossa marca presente nestes dois ecossistemas é um sinal do impacto crescente das mulheres na tecnologia.

Conhecer outras mulheres que lideram as suas empresas num setor ainda dominado por homens é sempre uma experiência enriquecedora. Estes encontros lembram-nos de que não estamos sozinhas e de que o apoio mútuo faz toda a diferença. É nestas alturas que se constroem redes sólidas, novas sinergias e oportunidades de colaboração, bases cruciais para o crescimento do ecossistema.

Como fundadora e profissional numa área tecnológica, reconheço que um dos principais desafios é a escassez de mulheres no ecossistema de investimento. Se houvesse mais mulheres investidoras, haveria mais empatia e compreensão no processo de captação de capital. No campo do desenvolvimento tecnológico, a realidade também mostra um ambiente predominantemente masculino, o que reforça a importância de continuarmos a dar visibilidade e espaço às mulheres que escolhem este caminho.

Ainda assim, vejo uma evolução muito positiva. Em Portugal, já somos mais de 22,7% de mulheres a trabalhar em TIC, quando há poucos anos essa percentagem estava abaixo dos 20% (Eurostat). No Brasil, quase metade do empreendedorismo é feminino (Global Entrepreneurship Monitor), o que se refletiu na Web Summit Rio 2024, onde 45% das startups participantes eram fundadas por mulheres, o número mais alto de sempre. Cada conquista é um passo na construção de um setor mais equilibrado e diverso.

As empresas, especialmente as startups, têm um papel essencial nesta transformação. Tudo começa no momento da contratação – é preciso testar o potencial, oferecer oportunidades reais e não assumir limitações antes de ver o resultado.

Ao longo do meu percurso, percebi que atitudes vistas como firmes e assertivas num homem são consideradas emocionais quando partem de uma mulher. É um estereótipo que precisamos desconstruir. A necessidade de estarmos continuamente a ter de provar o nosso valor é cansativa, mas é através do exemplo e da consistência que se mudam mentalidades.

Na sheerME, encontro todos os dias a motivação para continuar. Ver profissionais que antes trabalhavam de forma analógica a gerirem hoje o seu negócio digitalmente, com mais clientes e autonomia, é a prova de que a tecnologia e o impacto humano podem andar de mãos dadas.

A diversidade é um dos pilares desse impacto. Quando integramos diferentes perspetivas, ampliamos a forma como entendemos o mundo e criamos soluções mais empáticas e eficazes. Equipas diversas produzem inovação real, porque refletem a complexidade e a pluralidade do público que servem.

Ainda há um longo caminho a percorrer. Precisamos de medidas concretas que promovam a inclusão no ecossistema tecnológico: maior acesso à educação, incentivos à contratação de mulheres e programas de apoio a fundadoras que queiram transformar as suas ideias em startups.

E é aqui que iniciativas como o programa Women in Tech da Web Summit, que apoia milhares de mulheres em tecnologia e empreendedorismo, têm impacto, criando oportunidades de networking, mentoria e visibilidade, e dando palco a fundadoras, executivas e especialistas que inspiram novas gerações. Participo no programa desde o seu início, há seis anos, e poder testemunhar o seu crescimento é uma honra e uma inspiração.

Celebrar mulheres na tecnologia é mais do que um gesto simbólico. É um compromisso com o futuro. Um futuro no qual o talento fala mais alto do que qualquer preconceito e em que a presença feminina deixa de ser exceção para tornar-se a norma.

Arquivado em:Opinião

Igualdades e desigualdades

10 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Como explicou José M. Tavares no Expresso, o desenvolvimento económico gera desigualdades. Convém depois que o Estado as corrija e controle para que ninguém seja sujeito a uma vida indigna. Mas convém também não esquecer que a distribuição de riqueza implica criação da mesma. Como é evidente, riqueza que não é criada não pode ser distribuída. Ora, os Estados não são bons a criar riqueza e mesmo os países ricos em recursos tendem a não ser bons a distribuí-la.

Em Portugal, talvez não tenhamos ainda aprendido a lição de Olof Palme, primeiro-ministro sueco a quem é atribuída a frase, em visita ao Portugal pós-revolucionário, de que a Suécia estaria a tentar acabar com os pobres e não com os ricos – ao passo que o revolucionário português queria acabar com os ricos. Em Portugal ainda há quem queira muito acabar com os ricos, o que contribuirá para aumentar os pobres.  Sobre o tema da desigualdade têm sido publicados interessantes livros, recentemente “Visões da Desigualdade”, de Branko Milanovic (Actual). O livro ajuda a ver a desigualdade como tema complexo e dinâmico que não se resolve com chavões políticos. Como diz o autor no final da obra, o termo “desigualdade”, antes usado com cuidado e apreensão, começou a ser tratado com desinibição. O complexo fez-se simples.

Voltando a Tavares: “Os países pobres são menos desiguais, mas essa igualdade na pobreza não é boa notícia, é uma condição desejada apenas pelos ascetas intransigentes, os religiosos radicais, os anacoretas extremos ou os ideólogos mais misantropos.” Sigamos Palme e harmonizemos por cima. Harmonizar na pobreza é fácil mas não é uma boa notícia.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Luxo afasta-se das massas: setor volta a apostar na exclusividade

10 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

O mercado de luxo pessoal está a atravessar, a nível global, um dos períodos mais desafiantes da sua história recente, com o crescimento a registar uma taxa inédita de –2%, a mais baixa em mais de uma década.

Este desempenho é explicado pelo comportamento dos consumidores aspiracionais, atualmente mais vulneráveis financeiramente. Para o mercado voltar a crescer, as marcas terão de apostar nas relações com os clientes de topo. Estas são as principais conclusões do estudo True-Luxury Global Consumer Insights, realizado pela Boston Consulting Group (BCG), em parceria com a Altagamma.

 

Hábitos de consumo estão a mudar

De acordo com o estudo, os consumidores aspiracionais — aqueles que gastam até 5.000 euros por ano em luxo pessoal e experiências —, que foram os principais impulsionadores do crescimento deste mercado durante décadas, são agora os mais expostos à volatilidade macroeconómica e começam a mostrar fragilidades.

Só no ano passado, 35% destes consumidores reduziram ou suspenderam os seus gastos em luxo, desviando-os para outros produtos como poupança, investimento, bem-estar e segunda mão.
Cerca de 50% destes clientes admite sentir-se financeiramente vulnerável, o que levou a uma descida da sua quota de mercado para 60%, menos 13 pontos percentuais entre 2013 e 2024.

 

Os mais ricos permanecem fiéis

Por outro lado, os clientes de topo (top-tier clients ou beyond money), que gastam em média mais de 360 mil euros por ano — podendo ultrapassar os 500 mil euros se incluídos segmentos como viagens, automóveis, tratamentos de bem-estar e arte — estão a ganhar terreno.
Apesar de representarem apenas 0,1% do mercado, estes clientes são o principal motor do crescimento a longo prazo, gerando 23% do valor total.

Além de manterem os seus níveis de consumo, 50% destes clientes afirmam que pretendem aumentá-los entre 5% e 25% nos próximos 18 meses, contrariando assim as flutuações económicas.

«Neste momento de transformação para o setor do luxo, as marcas que colocarem o cliente de topo no centro da sua estratégia e forem capazes de criar experiências verdadeiramente personalizadas e exclusivas, com base em produtos de excelência e relações de confiança, estarão não só a responder às expectativas deste segmento como também a redefinir o futuro do setor», afirma Clara Albuquerque, Managing Director e Partner da BCG.

 

O luxo já não está acessível às massas

As marcas que construíram uma base de clientes composta por mais de 50% de consumidores aspiracionais, apostando na massificação do luxo, são hoje as que enfrentam as quedas mais acentuadas, com desempenhos significativamente inferiores nos últimos 12 meses.
Em contrapartida, as que mantiveram o foco nos clientes de topo, privilegiando exclusividade e relações de proximidade, estão a prosperar.

O estudo conclui que há uma necessidade urgente de o setor repensar a sua estratégia e recentrar o luxo no essencial — autenticidade, personalização e valor duradouro.

 

  • Relacionamento com cliente: privilegiar o contacto humano e a personalização, através da GenAI, que pode gerar insights valiosos para a construção de conexões mais duradouras;
  • Experiências exclusivas: apostar em experiências memoráveis, que garantam a intimidade desejada pelos consumidores de luxo e os incentivem a regressar;
  • Qualidade do produto: investir e controlar a cadeia de abastecimento, garantindo que o produto é percecionado pela sua qualidade e pelo modo artesanal como é desenvolvido;
  • Identificação dos novos clientes: enriquecer a recolha de dados e realizar uma segmentação sofisticada, através de uma ferramenta CRM, que permita facilmente identificar os clientes de topo.

 

As áreas também divergem

Paralelamente, também se destacam no estudo novas áreas de crescimento, nomeadamente as de bem-estar, beleza e design de interiores, nas quais se prevê um aumento de 10% nos gastos nos próximos 18 meses.

Esta tendência, apelidada de health-as-wealth, reflete a mentalidade emergente de “saúde como riqueza”, que os consumidores têm vindo a adotar — valorizando o bem-estar e o equilíbrio de vida acima do consumo excessivo, numa reinterpretação da verdadeira mais-valia do investimento pessoal.

O futuro do luxo será, inevitavelmente, mais seletivo e centrado no consumidor.
Neste novo ciclo, permanecerão as marcas que tiverem a ousadia de voltar a focar no essencial: servir menos clientes, mas de uma melhor forma, com produtos de excelência, relações de confiança e experiências que resgatem o verdadeiro significado do luxo.

O estudo, baseado em inquéritos a mais de sete mil consumidores distribuídos por 10 países, e complementado pelo banco de dados Wealth-X da Altrata, com mais de 150 mil perfis de indivíduos de elevado património (HNWI), está disponível na íntegra aqui.

Arquivado em:Economia, Notícias

69% dos portugueses aprende sobre finanças pessoais, mas poucos conseguem poupar

10 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Não é novidade que os portugueses não têm tido a vida fácil no que a poupar diz respeito. De facto, 25% dos portugueses não conseguem poupar qualquer parte do seu salário líquido. Entre os que o fazem, 24% consegue guardar menos de 10% do rendimento, enquanto a maioria, 30%, poupa entre 10% e 20%. Já 10%, consegue reservar entre 20% e 30% e 11% poupa mais de 30% do seu rendimento mensal.

Em contraste, metade das pessoas afirmam consumir conteúdos sobre finanças pessoais ocasionalmente, mostrando um interesse generalizado, ainda que não sistemático, em aprender mais sobre este tema. Já 19% fazem-no com regularidade.

A Escolha do Consumidor, sistema de avaliação de marcas, realizou um estudo para perceber como os consumidores gerem as suas finanças pessoais, as estratégias que adotam para poupar face aos desafios económicos atuais e qual o destino dado ao dinheiro reservado mensalmente.

A análise revela uma realidade marcada pela dificuldade em poupar, mas também por uma crescente consciência financeira e vontade de melhorar a gestão do orçamento familiar.

 

Portugueses cada vez mais interessados no tema

Dos inquiridos que consomem conteúdos sobre finanças pessoais, 17% refere não consumir este tipo de conteúdo, mas tem interesse em começar, o que aponta para um potencial crescimento na procura por informação financeira acessível. Somente 14% não tem interesse em temáticas relacionadas com a literacia financeira.

A principal motivação para poupar continua a ser a prevenção de imprevistos, com 44% dos entrevistados a destinarem as suas poupanças à criação de um fundo de emergência. Segue-se o investimento, com 16% a indicar que poupa com o objetivo de rentabilizar o dinheiro e 14% que prefere reservar a poupança para viagens ou lazer. Os restantes consumidores optam por acumular para a sua reforma ou referem outros fins, refletindo a diversidade de prioridades financeiras entre os inquiridos (13% em ambos).

 

Um interesse que tem alterado comportamentos

De acordo com o estudo, 48% dos portugueses alteraram os seus hábitos apenas em algumas categorias de consumo com o objetivo de aumentar as suas poupanças, demonstrando uma adaptação seletiva para equilibrar necessidades e orçamento. 25% mudou as suas decisões de compra de forma significativa, evidenciando uma postura mais ativa e consciente na gestão financeira. Ainda assim, 22% mantêm os mesmos hábitos e 5% admite nunca ter refletido sobre possíveis mudanças.

No que diz respeito a reduzir os gastos, 24% dos participantes diminuiu as despesas fora de casa, nomeadamente em restaurantes, lazer e transportes. Outros 22% optam por comprar em promoções ou descontos e 19% recorrem à comparação de preços antes da compra. Por sua vez, 18% preferem marcas brancas ou genéricos e 14% reduziram os consumos domésticos, como a energia, a água e a alimentação.

 

E onde investem os portugueses?

Quando questionados sobre quais as formas de investimento que preferem, 40% revela que não investem as suas poupanças, mantendo o dinheiro parado ou em contas de depósito simples. Dos inquiridos que investem, 32% escolhem produtos de baixo risco, como os depósitos a prazo, certificados de aforro ou obrigações, favorecendo a segurança em detrimento do retorno.

12% aplica as suas poupanças em produtos de risco moderado e uma pequena percentagem assume um risco mais elevado, investindo em ações e criptomoedas, ou diversifica os investimentos, distribuindo o capital por diferentes níveis de risco (8% nos dois casos).

Arquivado em:Finanças, Notícias

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