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Leonor Wicke

A coragem de dizer ‘não sei’

17 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Nas PME portuguesas, o medo de admitir desconhecimento tem um preço alto: a estagnação. Enquanto o poder e as decisões estiverem concentrados em poucas mãos, as empresas continuarão a crescer até ao limite do ego de quem as lidera. Uma das maiores fragilidades do nosso tecido empresarial é precisamente essa — a incapacidade de dizer ‘não sei’.

Durante décadas, construímos um modelo assente em fundadores e gestores que centralizam tudo: da compra de material à decisão estratégica, do marketing à gestão financeira. São pessoas de uma entrega admirável, que criaram empresas do zero, muitas vezes sem apoio nem formação formal. Mas o mesmo instinto que as fez crescer é, por vezes, o que as impede de evoluir. O problema não é a liderança forte — é a liderança solitária.

Num mundo onde o conhecimento se fragmenta e especializa a cada dia, nenhuma  organização pode depender apenas da intuição de uma pessoa. As empresas que sobrevivem são aquelas que aprendem a distribuir a inteligência: que sabem quando deixar o ego de lado e confiar em quem sabe mais. Dizer ‘não sei’ é o primeiro passo para isso.

É o gesto que abre a porta a novas ideias, que legitima especialistas, que transforma colaboradores em decisores. Admitir não saber não é abdicar do controlo – é partilhar responsabilidade. E uma equipa que partilha responsabilidade é uma equipa que cresce, inova e reage mais rápido. Em Portugal, ainda há medo de delegar.Temos gestores que preferem adiar decisões a pedir ajuda. Empresas que mantêm processos antiquados porque ‘sempre se fez assim’. Negócios que não digitalizam, não comunicam, não planeiam — não por falta de vontade, mas por falta de confiança em quem poderia fazê-lo melhor. O resultado é previsível: equipas desmotivadas, inovação bloqueada e líderes esgotados.

A coragem de dizer “não sei” é, no fundo, a coragem de admitir que o futuro não se constrói sozinho. As empresas que mais crescem são aquelas onde o saber é partilhado e o erro é permitido. Onde o líder não tem de ter sempre razão — tem de ter visão. E a visão nasce, quase sempre, da escuta. Porque enquanto o conhecimento estiver concentrado numa só pessoa, a empresa só crescerá até ao tamanho da sua sombra. E é por isso que, em tempos de mudança, a frase mais inteligente que um líder pode dizer continua a ser a mais simples de todas: «Não sei — mas quero aprender.»

Arquivado em:Opinião

Os cinco passos essenciais para começar a investir ainda este ano

14 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Cada vez mais portugueses manifestam interesse em investir, mas muitos ainda não sabem por onde começar. Segundo os dados mais recentes da OCDE, Portugal continua entre os países europeus com menor literacia financeira e menor percentagem da população a investir nos mercados, apesar do crescente interesse em temas financeiros.

Nesta senda, o educador financeiro e analista de mercados Daniel Rocha destaca os passos essenciais para iniciar uma jornada de investimento com segurança, clareza e disciplina. «Investir não é sobre prever o futuro, é sobre preparar-se para ele, e o primeiro investimento é sempre na educação e na estrutura financeira», afirma o analista.

 

Conheça as cinco dicas essenciais para começar a investir:

 

1. Organizar as finanças e criar um fundo de emergência

Antes de começar a investir, é fundamental garantir bases financeiras sólidas. Isso implica conhecer com clareza os seus rendimentos, despesas e capacidade real de poupança, bem como identificar e controlar dívidas ou gastos desnecessários que possam comprometer o processo.

Só depois de estabilizar estes pontos é possível construir um fundo de emergência robusto, idealmente equivalente a três a seis meses de despesas essenciais, que serve como proteção contra imprevistos e evita ter de resgatar investimentos em momentos desfavoráveis.

2. Definir objetivos e conhecer o seu perfil de risco

O investimento começa sempre com perguntas-chave: Porque quero investir? Para que prazo? Qual o meu horizonte temporal? E, sobretudo, qual é o meu perfil de risco — conservador, moderado ou agressivo? Ter estas respostas ajuda a ajustar expectativas e a alinhar decisões com a realidade financeira e emocional de cada pessoa.

Como reforça Daniel, «o perfil de risco define a estratégia. O prazo define as escolhas. A disciplina define os resultados.» Esta combinação é decisiva para orientar a alocação do capital e selecionar os ativos mais adequados a cada objetivo.

3. Começar com estratégias simples e consistentes

Em vez de procurar a “melhor oportunidade” ou tentar antecipar movimentos de mercado, é mais eficaz começar pelo essencial. Isso significa compreender os instrumentos financeiros básicos, iniciar o investimento de forma gradual, diversificar conforme o perfil de risco e manter um ritmo regular e disciplinado. Estas ações constroem consistência e reduzem a probabilidade de decisões precipitadas.

4. Automatizar e evitar decisões emocionais

Criar mecanismos automáticos de poupança e investimento é uma das formas mais eficazes de evitar que emoções ditem o rumo das finanças. Automatizar contribuições mensais ajuda a reduzir impulsos momentâneos, manter o plano mesmo em períodos de incerteza e desenvolver hábitos de consistência financeira ao longo do tempo.

5. Investir também em conhecimento

Além do investimento financeiro, é crucial investir em conhecimento. Aprender os princípios de funcionamento dos mercados, compreender padrões emocionais típicos do investidor, dominar fundamentos de gestão de risco e adotar uma visão de longo prazo aumenta a confiança e melhora significativamente a qualidade das decisões. Quanto maior a literacia financeira, maior a capacidade de construir um percurso de investimento sólido e sustentável.

«A literacia financeira é a base de uma liberdade financeira sustentável. As decisões de investimento devem ser baseadas no perfil individual, objetivos financeiros e nível de risco adequado para cada pessoa. O ideal é que qualquer investidor iniciante procure formação, orientação qualificada e modelos testados, antes de alocar capital no mercado», salienta Daniel Rocha.

Arquivado em:Finanças, Notícias

Gestão de Recursos Humanos na era digital: estratégias para agilizar e simplificar

14 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

As inovações tecnológicas estão, cada vez mais, a integrar os modelos de negócio, deixando de ser apenas ferramentas operacionais e tornando-se um ativo estratégico, capaz de otimizar e simplificar processos, bem como ajudar a tomar decisões mais inteligentes.

Contudo, atualmente, mais de 63% das equipas de RH em Portugal perde ainda mais de 40% do seu tempo em tarefas administrativas, de acordo com um questionário da Sesame HR, o que reflete a urgência de adotar soluções que libertem tempo e energia para o que realmente importa: as pessoas.

«Com a entrada na era digital, existem cada vez mais soluções desenhadas para apoiar os líderes de RH naquilo que é essencial: dedicar menos tempo a tarefas repetitivas e mais ao que é verdadeiramente capaz de transformar equipas. Hoje, a tecnologia deve ser uma aliada que simplifica o trabalho, sempre complementada pelo fator humano, permitindo entregar soluções diferenciadoras, com maior valor e centradas nas pessoas», explica Tiago Santos, Vice-Presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR.

Neste sentido, a Sesame HR, plataforma all-in-one de gestão de recursos humanos (RH), partilha três estratégias para as empresas simplificarem a gestão de equipas:

 

1. Adotar ferramentas de colaboração e comunicação centralizadas

Apostar numa plataforma única para reunir, conversar, partilhar documentos e gerir tarefas com as equipas é uma estratégia útil para eliminar a dispersão da informação e reduzir o tempo perdido entre múltiplas aplicações.

Ao usar apenas um sistema, toda a equipa sabe exatamente onde comunicar, o que torna a sua gestão mais ágil, com menor necessidade de acompanhamento constante e menor risco de perder informações importantes. Ao mesmo tempo, facilita o onboarding de novos colaboradores, que conseguem acompanhar mais facilmente todos os processos e novidades.

2. Integrar soluções inteligentes de registo de ponto

Funcionalidades que permitem registar entradas e saídas de forma inteligente — como smartwatch, WhatsApp, QR Code, Face ID ou mesmo em modo offline — ajudam a reduzir erros e custos associados, como horas esquecidas ou saídas não comunicadas. Assim, os líderes ganham visibilidade em tempo real dos movimentos dos colaboradores, simplificando a gestão.

Isto permite que percam menos tempo com trabalho operacional e, simultaneamente, concede maior liberdade e autonomia às equipas.

3. Promover uma cultura de feedback contínuo e construtivo

Simplificar a gestão de equipas não passa apenas por automatizar tarefas, mas também por melhorar a comunicação humana dentro das organizações. Criar uma cultura de feedback contínuo — apoiada em ferramentas digitais que facilitem a partilha de opiniões, reconhecimento e sugestões em tempo real — ajuda a resolver desafios rapidamente e aumenta o bem-estar das pessoas.

Além disso, permite aos líderes acompanhar necessidades, identificar formação necessária e ajustar estratégias com rapidez. Quando o feedback passa a fazer parte natural da rotina, as equipas tornam-se mais alinhadas e autónomas, reduzindo a sobrecarga dos gestores e tornando a liderança mais eficaz.

Arquivado em:Gestão de Pessoas, Notícias

Startup portuguesa vence o Pitch da Web Summit 

14 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

A Granter, startup apoiada pela Fábrica de Unicórnios de Lisboa, é a grande vencedora do Pitch da Web Summit 2025, a competição que distingue as startups mais promissoras do mundo. A empresa portuguesa destacou-se entre centenas de candidaturas internacionais pela sua solução inovadora baseada em Inteligência Artificial, que simplifica o acesso ao financiamento público e apoia as empresas em todo o processo de candidatura a fundos europeus.

Fundada em 2023, a Granter é o primeiro consultor de financiamento público baseado em IA a nível mundial. A startup já facilitou a submissão de mais de 20 milhões de euros em candidaturas a fundos europeus e recentemente assegurou o seu primeiro investimento através do fundo Angels Way. Até ao final do ano, a startup tem como objetivo levantar um milhão e meio de euros em investimento, reforçando a ambição de expandir a sua presença internacional.

Bernardo Seixas, CEO e cofundador da Granter, refere que «vencer o Pitch da Web Summit é um reconhecimento do impacto real que a tecnologia pode ter no acesso ao financiamento. Queremos que qualquer empresa, independentemente da sua dimensão, possa ter as mesmas oportunidades de crescer com o apoio dos fundos públicos.»

A startup integra o programa de incubação da Fábrica de Unicórnios de Lisboa, que tem vindo a impulsionar o crescimento de startups nacionais com ambição global. Desde 2012, a iniciativa apoiou mais de 1000 startups, que angariaram mais de 912 milhões de euros em investimento. Em 2025, o programa recebeu 166 novas startups, refletindo a crescente atratividade do ecossistema da inovação nacional.

No ano anterior, a Intuitivo, startup que ajuda escolas a digitalizar processos de avaliação, venceu o concurso.

Arquivado em:Inovação, Notícias

Investigador conquista prémio pela utilização ética de animais em laboratório

14 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

O investigador principal do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento da Universidade de Coimbra (MIA-Portugal) e do King’s College London, Alessio Vagnoni, conquistou o Prémio Internacional Global 3Rs 2025, na categoria Europa, África e Médio Oriente, que reconhece a ética no uso de animais em laboratório na sua investigação.

Este galardão, atribuído pela Associação para Avaliação e Acreditação do Cuidado de Animais de Laboratório (Association for Assessment and Accreditation of Laboratory Animal Care International, em inglês), distingue anualmente contribuições inovadoras para a substituição, a redução e o refinamento (os chamados 3Rs) do uso de animais na ciência, tanto na academia como na indústria, apoiando o avanço ético da investigação. É atribuído em três categorias: Europa, África e Médio Oriente; América do Norte, América Central e América do Sul; e Ásia-Pacífico.

O prémio reconhece o trabalho desenvolvido por Alessio Vagnoni no MIA-Portugal, onde lidera o Grupo de Biologia Celular do Envelhecimento Neuronal, que investiga de que forma o tráfego intracelular influência a função neuronal e contribui para o envelhecimento saudável e a neurodegeneração.

Em particular, distingue a utilização da mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) que tem um papel essencial na investigação em biologia. O investigador explica que «embora o contributo fundamental dos organismos modelo invertebrados, como a mosca-da-fruta, para o avanço do conhecimento científico básico seja amplamente reconhecido, o seu papel essencial na substituição e redução da utilização de espécies animais protegidas na investigação permanece menos valorizado, embora seja igualmente vital.»

Um dos exemplos concretos desta utilização ética da mosca-da-fruta pode ser observado no artigo científico Tracking spatiotemporal distribution of organelle contacts in vivo with SPLICS reporters, publicado na revista Cell Death & Disease, editada pela Nature. Neste trabalho, a mosca-da-fruta foi usada para «rastrear, pela primeira vez, o movimento de compartimentos subcelulares específicos no sistema nervoso de um animal adulto vivo. Focámo-nos no comportamento ‘social’ das mitocôndrias – as fábricas de energia especializadas da célula – estudando como estabelecem ligações físicas com outros compartimentos celulares», contextualiza Alessio Vagnoni.

«Refletir sobre o impacto ético da investigação é fundamental para uma ciência de qualidade. Essa reflexão influencia a perceção pública da experimentação animal e apoia a criação de políticas que promovam os princípios dos 3Rs», sublinha o investigador.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Urgente ou importante? Os líderes eficazes não vivem em modo crise

13 Novembro, 2025 by Leonor Wicke

Não é novidade que a incerteza é a palavra de ordem no mundo empresarial, com crises que se sucedem, sejam tecnológicas, políticas ou económicas. As empresas vivem em permanente estado de alerta, com prioridades que se reconfiguram quase diariamente, e o conceito de urgência pode por vezes sobrepor-se ao que é realmente importante. Opera-se em modo reativo, priorizando decisões imediatas em detrimento da estratégia.

O resultado desta liderança condicionada pela urgência é fazer com que tarefas visíveis e imediatas substituam progressivamente o trabalho estrutural de planeamento e inovação.

«Os assuntos urgentes são visíveis e exigem atenção imediata; os importantes são estratégicos e estruturantes. O problema é que o urgente tende a abafar o essencial», explica Marina Ferreira, Senior Partner da Korn Ferry no Brasil.

 

O paradoxo da urgência constante

Desde a pandemia, as organizações têm vivido um ciclo de gestão em modo de emergência, reagindo a crises sucessivas sem tempo para consolidar uma visão de longo prazo. Segundo a Korn Ferry, esta ‘pressa crónica’ conduz a decisões táticas, pouco sustentáveis e, muitas vezes, desalinhadas com o propósito da empresa.

«Não há empresa que cresça 20% por ano durante 50 anos, mas o mercado continua a esperar isso», observa Tierney Remick, co-líder global da prática de Board & CEO Services da Korn Ferry.

O resultado é um paradoxo: a pressão por resultados imediatos mina precisamente os investimentos que poderiam garantir o crescimento futuro. «Quando a urgência de curto prazo domina, perde-se a oportunidade de construir a visão de longo prazo», acrescenta Jane Edison Stevenson, vice-presidente global da Korn Ferry.

Esta tendência vai de encontro a um estudo da McKinsey & Company, que conclui que as empresas com mentalidade de longo prazo criam mais valor para acionistas e colaboradores — crescendo, em média, 47% mais em receitas e 36% mais em lucros ao longo de uma década.

O papel dos conselhos de administração: devolver o foco ao essencial

Num cenário onde a inteligência artificial, a regulação e as tensões geopolíticas dominam as agendas, os conselhos de administração têm um papel decisivo: garantir que a estratégia não é sacrificada pela reatividade.

«Os conselhos devem ajudar os CEOs a distinguir entre combater incêndios e criar valor a longo prazo, enquadrando cada decisão em termos de impacto e risco, e não apenas de urgência», sublinha Marina Ferreira.

Questões estruturais como a sucessão de liderança, o desenvolvimento de talento ou a inovação a longo prazo são frequentemente adiadas até se tornarem crises inevitáveis. «Quando a sucessão se torna uma urgência, é sinal de que já se falhou na gestão estratégica», alerta Stevenson.

O relatório European Corporate Governance Survey 2024, da Ernst & Young (EY), reforça esta visão: os conselhos que mantêm foco em temas estruturantes, como ética, sustentabilidade e governação responsável, estão mais preparados para resistir à volatilidade e manter a confiança dos stakeholders.

Liderar com visão, não em modo de crise

O desafio da liderança moderna é, portanto, recuperar a capacidade de pensar estrategicamente no meio de tanto ruído, repensando o conceito de urgência. A gestão do tempo, das prioridades e das expectativas do mercado tornou-se uma competência crítica.

Como lembra a Harvard Business Review, a diferença entre líderes eficazes e líderes exaustos está na forma como definem prioridades e combatem o falso sentido de urgência.

Num ambiente empresarial onde tudo parece urgente, o verdadeiro diferencial será a capacidade de recolocar o foco no essencial — aquilo que, mesmo invisível a curto prazo, constrói futuro, cultura e propósito.

Arquivado em:Corporate, Notícias

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