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Leonor Wicke

Manuel de Sousa Martins é o novo CEO da BB&G

23 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Manuel de Sousa Martins foi nomeado presidente executivo (CEO) da BB&G, empresa controlada pela Prismore Capital que está a implementar um projeto pioneiro na vanguarda da economia circular em Portugal. Através de uma tecnologia proprietária, a empresa converte pneus em fim de vida em produtos renováveis de elevado valor acrescentado.

O novo CEO da BB&G é um executivo experiente, com quase duas décadas de liderança de topo em setores como retalho, telecomunicações, energias renováveis, petroquímica, serviços ambientais, materiais de construção, química de lítio e desenvolvimento de data centres. À sua competência no setor industrial junta-se a sua experiência internacional, tendo desempenhado funções de liderança em mais de uma dezena de países, entre os quais Espanha, Reino Unido, França, Brasil e Canadá.

Foi CEO de empresas como a SECIL Portugal, a Supremo Cimentos no Brasil e a ETSA, bem como administrador executivo no Grupo SEMAPA, onde liderou operações industriais complexas e de larga escala. Foi também CEO da Aurora Lithium, uma joint venture de referência, detida maioritariamente pela Galp, onde liderou o desenvolvimento integral de uma das refinarias de lítio mais sustentáveis da Europa para incorporação em baterias para veículos elétricos.

Manuel de Sousa Martins é licenciado e possui um MBA pela Universidade Católica Portuguesa, tendo ainda concluído programas avançados de gestão para executivos no INSEAD, London Business School e MIT. É economista conselheiro da Ordem dos Economistas e leciona em programas de Executive Education na Nova School of Business & Economics.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Não só de Bali se faz a Indonésia: o maior arquipélago do mundo em sete minutos

23 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

É um dos destinos mais cobiçados para férias, mas, para a maioria das pessoas, a Indonésia resume-se apenas à ilha de Bali.

Na realidade, o país é formado por mais de 17 000 ilhas, das quais cerca de seis mil são habitadas, e estende-se por mais de cinco mil quilómetros entre o Oceano Índico e o Pacífico. Templos hindus ancestrais disputam o espaço com mesquitas, não fosse este o país com maior população muçulmana do mundo. De facto, apenas na ilha de Bali a maioria da população é hindu.

No Global Soft Power Index 2025 do Brand Finance, a Indonésia ocupa o 45.º lugar, com um score de 42,9 pontos — posição que mantém relativamente estável. Já no Economist Intelligence Unit Democracy Index 2024, a Indonésia registou uma pontuação de 6,44, sendo classificada como uma ‘democracia com falhas’ e posicionando-se em 59.º lugar entre 167 países.

Este é o 16º artigo da rubrica da Líder, O Estado de uma Nação em Sete Minutos. Todos os meses, exploramos países através da sua camada cultural, política, económica e social.

 

Cultura

A Indonésia é um mosaico de cultura – centenas de etnias, línguas e dialetos que mudam de ilha para ilha e uma sensação de multiplicidade que contrasta com as tradições. Aqui, a cultura coletiva desafia o individualismo ocidental e o espírito de comunidade, o gotong royong (trabalho em equipa), permanece vivo. O passado colide com o futuro nas esculturas e nas start-ups que florescem em Jakarta e outras grandes cidades.

As tradições orais ainda são herança viva: mitos e epopeias misturam-se com a arte batik, o teatro de sombras wayang kulit e a literatura moderna, que reflete um país que se divide entre tradição e futuro. Neste país, a diversidade religiosa convive com a modernidade. Mistura-se serenidade budista, compasso islâmico e ritmo urbano, fazendo da Indonésia um país verdadeiramente múltiplo.

A culinária indonésia é bastante característica – e picante. Baseada em ingredientes como arroz, coco, pimenta, gengibre, amendoim e ervas aromáticas, combina influências indígenas, indianas, chinesas, árabes e europeias. Pratos como o nasi goreng (arroz frito), o satay (espetadas com molho de amendoim) ou o rendang (carne cozinhada lentamente em leite de coco e especiarias) são ícones nacionais. Cada ilha tem uma identidade própria — a doçura de Java, o picante de Sumatra ou a leveza de Bali —, mas em todas se sente o equilíbrio entre o calor, o doce e o ácido.

A ilha de Bali continua a ser o rosto internacional da Indonésia, mas a verdadeira expressão cultural do país estende-se a todas as ilhas e cada uma tem a sua cultura, costumes e tradições.

 

Política

A democracia indonésia, embora sólida em termos de participação eleitoral e ativismo cívico, enfrenta desafios que testam a sua resiliência institucional. Desde a queda do regime autocrático de Suharto, em 1998, o país tem vindo a reforçar práticas democráticas como eleições regulares, liberdade de expressão e descentralização.

O sistema descentralizado permite forte presença regional e pluralismo. No entanto, a eleição de Prabowo Subianto em 2024, com o filho do anterior presidente como vice-presidente, suscitou alertas sobre dinastias políticas e concentração de poder. O seu gabinete, apelidado de Kabinet Merah Putih («Vermelho e Branco»), inclui 109 membros — um dos maiores da história indonésia — o que gerou críticas.

A Indonésia aprovou recentemente uma lei controversa que permite maior envolvimento militar em cargos civis — desenvolvimento visto por muitos analistas como retrocesso democrático. Mesmo com mais de duas décadas de democracia formal, persistem tensões sobre direitos humanos, liberdade de imprensa e equilíbrio entre as crenças locais e as exigências do Estado-nação. A Indonésia navega entre estabilidade e experimentação política, consciente de que a diversidade que a enriquece pode também desafiá-la.

 

Economia

A economia da Indonésia é uma das maiores do Sudeste Asiático, impulsionada pela urbanização acelerada, pelo consumo doméstico e por investimentos em infraestruturas e tecnologia. O país figura entre as de maior ‘potencial de crescimento futuro’ no Soft Power Index.

No entanto, persiste o desafio de transformar esse crescimento num motor de prosperidade mais inclusiva. Problemas estruturais — como fragilidades no sistema educativo, protecção ambiental fraca e corrupção endémica — ainda limitam o pleno florescimento económico. Em 2024-25, a volatilidade cambial e a pressão sobre os mercados locais indicam que a Indonésia está a navegar entre oportunidade e risco.

A chave pode estar numa transição para a economia digital, na valorização dos recursos naturais e no reforço da qualificação profissional — para que o país não dependa apenas de exportação de matérias-primas ou de turismo de massas, mas de inovação e competitividade.

O turismo, em particular, destaca-se como motor de valorização do país no mercado global. Em 2024, o setor de viagens e turismo contribuiu cerca de 5% do PIB nacional, segundo relatórios recentes. Especificamente, os turistas de Bali representam 60 a 70% do PIB regional, de acordo com estimativas de 2019.

No entanto, o mesmo fluxo de turistas que alimenta a economia da ilha está também a transformá-la, derivado de um sobreturismo que danifica e altera. Ondas de visitantes indisciplinados têm provocado congestionamentos, perturbações públicas, ofendido costumes locais, poluído o ambiente e até desrespeitado templos sagrados. O turismo é, em simultâneo, o motor vital e o maior fardo de Bali e da Indonésia.

 

Sociedade

Apesar do impulso económico do turismo e outros setores, a Indonésia enfrenta obstáculos: investimento desigual, infraestruturas em atraso e necessidade de converter crescimento em inclusão real. Na sociedade indonésia convivem forças contrastantes: jovens urbanos altamente conectados, comunidades rurais tradicionais, e um cenário de migração interna que redesenha a paisagem demográfica.

O país regista uma forte participação cívica, mas sofre com desigualdades regionais e tensões religiosas. A classe média emergente exige dados, liberdade e transparência — e esse impulso pressiona o modelo político e social a evoluir.

Os direitos das minorias e a igualdade de género avançam, mas continuam a esbarrar em resistências locais. O desafio será articular prosperidade económica com coesão social: permitir que a diversidade, que caracteriza o país, não se transforme em desigualdade.

 

Conclusão

A Indonésia é uma potência emergente com alma múltipla: rica em herança cultural, determinada na economia, complexa na política, e vibrante na sociedade. O 45.º lugar no Global Soft Power Index 2025 e o score de 6,44 no Democracy Index são reflexos de um país em movimento.

A grande questão não é apenas crescer — é crescer de forma livre, diversificada e sustentável. A marca que a Indonésia deve procurar não é apenas a que se constrói nos resorts e nas zonas urbanas, mas aquela que se fixa nas comunidades, na governação eficaz, na economia digital e na cultura que resiste ao tempo. Talvez o maior desafio seja este: transformar o potencial em persistência, a diversidade em unidade e o crescimento em equidade.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Consórcio europeu cria plataforma para facilitar a integração de migrantes e refugiados

23 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Chama-se KITE e pretende ser um quebra-gelo cultural e linguístico ao serviço do acolhimento de migrantes e refugiados. Criada por um consórcio integrado por sete universidades europeias, entre elas a Universidade de Coimbra (UC), esta nova plataforma multilingue reúne um conjunto de recursos de comunicação de nível básico, como um dicionário ilustrado, os sons das línguas, as letras do alfabeto ou os significados de gestos comuns.

A iniciativa nasce de «uma aguda consciência de que quem está na linha da frente do acolhimento de refugiados e migrantes não dispõe de instrumentos auxiliares de comunicação acessíveis, multilingues, com valências múltiplas e concentrados, de modo integrado, num só espaço», explica a docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Cristina Martins, que coordena o projeto na UC.

Um kit de primeiros-socorros

Nesta plataforma de acesso aberto estão disponíveis informações úteis sobre o funcionamento de vários países, um glossário ilustrado, um guia para a imersão na fonética da língua do país de acolhimento (português, espanhol, francês, italiano, alemão e polaco), um catálogo de orientações sobre cortesia verbal e não verbal, um catálogo de comunicação não verbal e testemunhos de outros refugiados e migrantes – de países como Índia, Marrocos e Ucrânia – sobre o seu próprio processo de integração linguística e cultural.

Cristina Martins elucida que esta plataforma funciona como «um kit de ‘primeiros-socorros’ para ajudar as pessoas a entrar em contacto com a língua e a cultura do país de acolhimento». A versão portuguesa conta, para já, com tradução de conteúdos em inglês e ucraniano.

A KITE é financiada pelo projeto COMMUNIKITE, que apoia a criação de ferramentas digitais para corresponder a necessidades de comunicação de nível básico em situações de emergência humanitária.

O consórcio responsável pela criação da plataforma é liderado pela Universidade de Salamanca (Espanha), tendo também como parceiras, além da Universidade de Coimbra, a Universidade de Bolonha (Itália), a Universidade de Heidelberg (Alemanha), a Universidade de Poitiers (França), a Universidade de Kiev (Ucrânia) e a Universidade de Varsóvia (Polónia).

Do lado da UC, participaram também no projeto as docentes da FLUC Carla Ferreira, Conceição Carapinha, Isabel Pereira, Isabel Santos, Liliana Inverno, Sara Sousa e Tânia Ferreira, o docente da FLUC Rui Pereira, Celeste Vieira, do Núcleo de Ensino a Distância, e o estudante de mestrado da FLUC, Nuno Alves.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

«O game-based learning faz-nos lembrar que, antes de líderes, somos humanos», diz Eduardo Soley

23 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Na Leadership Summit Portugal, o neurocientista e sócio da Cuboo, Eduardo Soley, trouxe ao palco uma lição de persistência, humanidade e propósito. O seu discurso começou com um número que parecia apenas simbólico: 999. Mas rapidamente se tornou o fio condutor de uma reflexão profunda sobre o que significa liderar na era da complexidade.

Para o neurocientista, o quotidiano de quem lidera é uma sucessão de decisões e pressões — e-mails, noites mal dormidas, responsabilidades sem mapa claro — que podem facilmente transformar a liderança numa jornada solitária.

«Fomos ensinados a ser invulneráveis», afirmou. «A acreditar que não podemos mostrar fraqueza. Mas é precisamente quando deixamos cair a capa do super-herói que começa a verdadeira liderança.»

Soley recorreu ao conceito de game-based learning, aprendizagem através de jogos, que utiliza nas empresas como ferramenta de desenvolvimento humano. «Todos os dias levamos jogos para dentro das organizações. E ali, ligamos chaves importantes, porque os jogos conectam com o coração», explicou.

O método, garante, permite «humanizar» as dinâmicas corporativas, criando espaços seguros onde as pessoas podem errar, experimentar e crescer. «Não se trata de tecnologia de ponta. Trata-se de olhar para o indivíduo. O game-based learning faz-nos lembrar que, antes de líderes, somos humanos.»

 

As cinco lições da humanidade

Do trabalho que desenvolve nas empresas, Eduardo Soley retirou cinco grandes lições sobre liderança, sustentadas pela neurociência e pela experiência prática.

A primeira é a coragem de ser humano. «Não há conexão com o super-herói de mármore», disse. «Enquanto os líderes não perceberem que, antes de tudo, são humanos, nada acontece. Seremos empresas insustentáveis.»

A segunda é a empatia que se sente. O neurocientista recordou que o cérebro humano foi programado para se conectar. «Temos neurónios-espelho, somos biologicamente desenhados para sentir o que os outros sentem.»

Em terceiro lugar, o feedback como presente. Quando dado de forma construtiva, explicou Soley, ativa o circuito da dopamina — o mesmo que desperta motivação e recompensa. «É papel do líder capacitar-se para dar feedbacks que inspiram e fortalecem, não que intimidam.»

A quarta lição é a colaboração pelo respeito. «Chegámos até aqui pela colaboração», disse. «Quando cooperamos, o cérebro liberta ocitocina, reduz o stress e abre espaço à confiança.»

Por fim, a criatividade na segurança. «Ambientes saudáveis e controlados libertam o cérebro do modo de sobrevivência e ativam o modo de inovação», explicou. «Criar segurança é criar espaço para a imaginação florescer.»

A coragem, a empatia, o feedback, a colaboração e a criatividade nascem todas de um mesmo lugar: a humanidade.

 

A promessa e o dia um

Ao encerrar, Eduardo Soley regressou ao número inicial: 999. Era o número de dias consecutivos em que tinha treinado — sem falhar, desde 1 de janeiro de 2023. «Amanhã cumpro mil dias. Faça chuva, faça sol, com dor, com medo, com sono. E não interessa, porque esse é o meu compromisso comigo mesmo», revelou.

Mas, sublinhou, a verdadeira mensagem não era sobre treino físico. «Tudo o que falámos hoje, liderança, empatia, consistência, só acontece se tivermos isso: consistência.»

Porque, como concluiu o neurocientista, «os mil dias começam sempre com o primeiro» — e é nesse primeiro passo que a liderança humana se transforma em legado.

 

Assista ao momento complete na Líder TV:

Eduardo Soley – Game-Based Learning Aplicado ao Desenvolvimento de Human Skills

 

Aceda à galeria de imagens completa aqui.

Todos os conteúdos vão estar disponíveis em breve na Líder TV e nos canais 165 do MEO e 560 da NOS.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Francisco Pinto Balsemão: o último líder dos ecrãs

22 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Francisco Pinto Balsemão, fundador do Grupo Impresa, e antigo primeiro-ministro, morreu ontem aos 88 anos. Indubitavelmente uma das figuras mais marcantes da democracia e imprensa portuguesa, o seu legado deixa uma marca no jornalismo e na vida política em Portugal.

Foi um dos fundadores do PPD (atual PSD), juntamente com Francisco Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota. Em 1980, Francisco Pinto Balsemão assume o cargo de ministro de Estado Adjunto do primeiro-ministro. Na sequência da trágica morte de Sá Carneiro, é chamado a liderar os destinos do país, chefiando, entre 1981 e 1983, os VII e VIII Governos Constitucionais.

Numa entrevista publicada na Revista Pessoal – antiga publicação da Revista Líder – contou um pouco da sua experiência nesses meandros. «Havia, antes do mais, a causa da Democracia e eu combati por ela antes do 25 de Abril, nomeadamente quando integrava a chamada Ala Liberal, na então Assembleia Nacional. Depois do 25 de Abril, foi necessário atravessar e ultrapassar um período de transição. Os militares tinham feito a revolução e era, por isso, necessário e justo conceder-lhes ou partilhar com eles uma parte do poder – daí o conselho de Revolução ter sido consagrado, na Constituição de 1976, como órgão de soberania», contou, em 2014.

Durante este período, desempenha um papel determinante na preparação da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), destacando-se pela revisão constitucional de 1982, que viria a abrir caminho à modernização do Estado e à consolidação democrática. «[Nesse ano], quando eu era Primeiro-ministro, procedeu-se à primeira revisão da Constituição que acabou com o Conselho da Revolução. Só nessa altura Portugal se transformou numa verdadeira Democracia», contou.

Para além do seu percurso político, foi no jornalismo que deixou uma das suas heranças mais duradouras. Fundou, em 1973, o semanário Expresso, que se tornaria rapidamente uma referência de independência editorial e rigor jornalístico. Mais tarde, liderou a criação da SIC — a primeira estação de televisão privada em Portugal —, revolucionando o panorama mediático e dando origem ao Grupo Impresa, hoje um dos maiores grupos de comunicação do país.

Defensor convicto da liberdade de imprensa e da autonomia editorial, Pinto Balsemão ocupou cargos de grande prestígio também a nível europeu, como presidente da Associação Mundial de Jornais e da European Publishers Council.

Imagem de destaque: Grupo Impresa

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Para gerir pessoas com IA, «tem de haver leitura humana»

22 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

A inteligência artificial é hoje um fator incontornável na gestão de pessoas. Mas, para Catarina Graça, People & Culture Executive Director da Claranet Portugal, a liderança do futuro não se faz escolhendo entre tecnologia e humanidade — faz-se na interseção das duas. «Liderar pessoas na era da IA é exatamente isto: tirar o melhor das sinergias entre a inteligência artificial e a inteligência humana», afirmou, na Leadership Summit Portugal.

A gestora confessou que sempre pensou o seu percurso em dois caminhos paralelos — tecnologia e gestão de pessoas — mas hoje vê-os convergir. «Acho que não podia ter tido melhor preparação para os desafios da liderança atual.»

Experiência do colaborador personalizada: menos burocracia, mais tempo para pessoas

Na Claranet, explicou, esta integração traduz-se em práticas concretas que procuram equilibrar eficiência tecnológica e proximidade humana. A experiência do colaborador tem sido uma prioridade, com o objetivo de eliminar processos morosos, libertar tempo às lideranças e personalizar o percurso de cada profissional. «One size does not fit all», lembra Catarina Graça.

A personalização inclui feedback contínuo, percursos de desenvolvimento adaptados e maior autonomia no trabalho. O digital existe para simplificar — nunca para substituir a relação humana.

Dashboards, dados e IA estão ao serviço da liderança

Hoje, os Recursos Humanos só têm voz estratégica se apresentarem dados. «Se queremos estar à mesa das decisões, temos de levar números, tendências e alertas.» Dashboards, analytics e inteligência artificial são agora ferramentas essenciais para prever rotas, ajustar estratégias e tomar decisões com impacto.

No recrutamento, a IA já está a ser usada para automatizar relatórios de entrevistas e criar correspondência entre perfis e oportunidades. «A inteligência artificial pode dar um salto gigante neste processo.»

Ainda assim, apesar da automação, Catarina Graça reforça a importância do contacto presencial. «As pessoas têm de querer vir ao escritório.» Na Claranet, o espaço físico é visto como lugar de colaboração, inovação, criatividade e laços humanos. A empresa mantém políticas de flexibilidade e bem-estar, mas aposta em momentos de convivência: diálogo, feedback e comunicação transparente.

 Nada disto pode viver só de ferramentas. Tem de haver sempre uma leitura humana.

 

Liderar quatro gerações em simultâneo exige empatia e adaptação

Um dos desafios mais complexos da liderança atual é a gestão de equipas multigeracionais. Catarina Graça descreve quatro perfis diferentes:

  • Baby boomers: desconfortáveis com a liderança à distância;
  • Geração X: em luta constante pelo equilíbrio entre trabalho e família;
  • Millennials: querem feedback rápido, flexibilidade e propósito;
  • Geração Z: questiona o papel da empresa — «Por que tenho de ir ao escritório?»

No meio de tudo isto, há uma pergunta que se impõe: poderá a IA substituir os líderes? Para a gestora, este não é sequer o verdadeiro dilema. «O mais importante não é se a inteligência artificial nos vai substituir, mas se nós, líderes, vamos ser capazes de nos reinventar.»

 

Assista ao momento completo na Líder TV:

Catarina Graça – Humanidade Aumentada: Nova Linguagem da Liderança

 

Aceda à galeria de imagens completa aqui.

Todos os conteúdos vão estar disponíveis em breve na Líder TV e nos canais 165 do MEO e 560 da NOS.

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