A Inteligência Artificial não é um destino em si mesmo. Uma meta a alcançar ou uma via única a escolher. É um percurso. Um caminho de descoberta contínua que nos desafia a todos, empresas, profissionais e sociedade, a repensar a forma como criamos valor, tomamos decisões e nos relacionamos com a tecnologia.
Vivemos um momento-chave em que falar de IA já não é apenas falar de futuro: é falar de presente, de implementação real, de impacto concreto nos negócios. No entanto, mais importante do que adotar ferramentas ou metodologias que possam estar a marcar uma tendência geral, é compreender como a IA pode, de facto, ajudar as organizações e amplificar o impacto dos seus produtos e serviços. De pessoas para pessoas, auxiliados por uma tecnologia cada vez mais poderosa.
Na Philip Morris International, temos seguido precisamente essa abordagem. Olhar primeiro para as pessoas e para os processos antes de olhar para a tecnologia.
A nossa primeira prioridade tem sido simplificar, automatizar e libertar recursos humanos para tarefas de maior valor acrescentado. Automatização de processos, controlo inteligente e análise de dados são áreas em que a IA nos ajuda diariamente a tomar melhores decisões – decisões mais rápidas, baseadas em evidência e não apenas em intuição.
Portugal tem desempenhado um papel estratégico neste caminho. O IT Hub da PMI, criado há apenas cinco anos, instalado na unidade da Tabaqueira, em Sintra, já é hoje o segundo maior centro tecnológico do grupo a nível mundial.
O IT Hub Portugal desenvolve soluções de software e serviços de IT para toda a cadeia de valor do Grupo PMI, incluindo para a produção e comercialização dos dispositivos dos novos produtos sem fumo, que incorporam software avançado desenvolvido em Portugal. Estes produtos assumem-se como melhores alternativas aos cigarros, baseadas em evidência científica. É aqui que a tecnologia se cruza diretamente com o consumidor final. No IT Hub, em Portugal, combinamos competências de Software Engineering, Internet-of-Things, Data & Analytics, Cibersegurança e IA para desenvolver soluções que materializam a visão de um futuro sem fumo. Este é, em última análise, o nosso papel, colocar a tecnologia ao serviço da organização e das pessoas, no sentido de desenvolver melhores alternativas que acelerem a transição para um mundo livre de fumo.
Com mais de 220 especialistas em engenharia de software, inteligência artificial, cibersegurança e análise de dados, o Hub opera soluções críticas para toda a organização global, assegurando atualmente 27 milhões de euros em serviços exportados. É também a partir de Portugal que vamos lançar uma unidade dedicada à Inteligência Artificial, a primeira equipa da PMI dedicada exclusivamente a Inteligência Artificial Generativa e Agentic AI – uma aposta clara no potencial disruptivo destas tecnologias.
Mas a transformação digital não se resume a inovação tecnológica. É também uma transformação cultural. Ser ágil não significa apenas implementar as diversas dimensões digitais abertas pela IA. Significa criar equipas multidisciplinares capazes de responder rapidamente a novos desafios, num ambiente de colaboração e aprendizagem constante. As máquinas criadas por humanos estão a aprender, temos visto isso nos diversos modelos de IA, mas o mesmo também nos está a acontecer. Estamos a aprender com esta tecnologia, o que significa encarar a tecnologia não como um fim, mas como um meio para melhorar a experiência de utilização de consumidores, parceiros e trabalhadores, criando valor para todos.
A PMI e a Tabaqueira estão hoje a transformar-se em empresas de cariz tecnológico, mas também conscientes de que a inovação traz novas responsabilidades. Com a crescente utilização da IA, a cibersegurança torna-se uma prioridade ainda mais crítica. À medida que sistemas autónomos ganham capacidade de decisão, garantir a sua fiabilidade e transparência é essencial para preservar a confiança, tanto dentro da empresa como junto de consumidores, reguladores e parceiros.
O futuro não será definido apenas por quem adota tecnologia mais rápido, mas por quem a compreende e aplica de forma responsável, ética e humana.
Para nós, a Inteligência Artificial não é apenas sobre algoritmos, é sobre impacto real.
É sobre criar alternativas melhores aos cigarros, apoiar decisões mais inteligentes e acelerar a nossa transformação para um futuro livre de fumo. Este caminho está apenas a começar e Portugal tem de estar na liderança desta revolução.
Este artigo foi publicado na edição nº 31 da revista Líder, cujo tema é ‘Decidir’. Subscreva a Revista Líder aqui.






