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Leonor Wicke

40 instituições sociais recebem mais de um milhão de euros para projetos com crianças e jovens

14 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Há uma nova bolsa que vai apoiar 40 projetos de instituições sociais, dirigidos a crianças e adolescentes, com um valor global de 1,4 milhões de euros. O Banco BPI e a Fundação ”la Caixa” vão financiar os projetos vencedores do ‘Prémio Infância 2025’, que visam quebrar o ciclo de pobreza, facilitar o desenvolvimento e empoderamento na infância e adolescência e potenciar a família como eixo de ação socioeducativa.

Na cerimónia de entrega do ‘Prémio Infância 2025’, que decorreu no BPI All In One Lisboa, foi salientada a importância de apoiar respostas sociais que permitam enfrentar os desafios da transmissão da pobreza entre gerações.

Projetos vão apoiar 33 mil crianças e adolescentes

Em 2023, existiam mais de 346 mil menores pobres em Portugal, de acordo com o relatório ‘Portugal Balanço Social 2024′, realizado pela Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center, com o apoio do BPI e da Fundação ”la Caixa”.

Para ajudar a mitigar esta situação, os projetos vencedores do Prémio Infância vão receber, em média, 35.000 euros para apoiar, no total, cerca de 33.000 crianças e adolescentes em situação vulnerável.

Entre os premiados encontram-se projetos de inclusão de crianças e jovens migrantes, ações de combate à discriminação, iniciativas de apoio a novas mães, cursos de parentalidade positiva, atividades terapêuticas com animais e programas de desporto inclusivo, entre outras respostas sociais inovadoras.

 

Projetos distinguidos no Prémio BPI Fundação ”la Caixa” Infância 2025

Saiba mais sobre os 40 projetos sociais distinguidos em Prémio Infância | Banco BPI

Arquivado em:Notícias, Responsabilidade Social

Não é o algoritmo. É a pessoa

14 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

A pandemia acelerou o digital como nunca se viu. Não é uma frase feita: em 2024, o comércio eletrónico passou, pela primeira vez, a valer cerca de um quinto das vendas de retalho a nível mundial, segundo a eMarketer (2024, ~20,1%). Na Europa, a trajetória mantém-se ascendente para os próximos anos, com o mercado a poder aproximar-se dos 901 mil milhões de dólares em 2028, de acordo com a EcommerceDB/ECDB. Em Portugal, quase metade da população (48,9%) entre os 16 e os 74 anos comprou online nos três meses anteriores ao inquérito oficial de 2024, segundo ANACOM/INE. Estes três factos explicam o que todos sentimos: conveniência sem fricção deixou de ser nice to have para passar a ser must have.

Mas os números contam apenas metade da história. Mudou também a forma como decidimos. Passamos mais tempo ligados e, ainda assim, a confiança continua nas pessoas e não nos algoritmos. A Nielsen, em ‘Trust in Advertising’ (2021), confirmou que continuamos a confiar sobretudo em familiares e amigos quando chega a hora de escolher. A McKinsey (2025) reforçou, num inquérito global, que a conveniência, a rapidez e o autocuidado ganharam peso, enquanto a influência ‘digital’ pura sem mediação humana perdeu eficácia relativa. É precisamente aqui que a venda direta joga em terreno favorável: proximidade, aconselhamento e serviço existem no ADN do canal.

Se tivesse de escolher uma tendência que mexe a sério com o mercado, escolhia a normalização do «traz-me até mim». Não falo de conforto, falo de tempo. O consumidor quer decidir como é contactado, quer pagar no momento, quer ter a entrega na janela que lhe convém e quer resolver devoluções sem labirintos. A venda direta encaixa bem neste guião quando a experiência digital não atrapalha a relação humana. Quando o link pessoal do agente funciona, quando o checkout é direto, quando a promessa de entrega se cumpre, a proposta do canal é robusta: pessoa certa, produto certo, fricção baixa. Quando por vezes falha, a relação sofre e, ao contrário de um marketplace, aqui o rosto tem nome e é-nos próximo.

Outra tendência óbvia é esta: as lojas já não servem só para vender, também comunicam. Os grandes retalhistas usam o tráfego que têm para fazer comunicações segmentadas, a quem interessa, no momento certo e testam se funcionou. Isto importa para a venda direta porque cada agente também tem o seu’“mini-canal’ – clientes, WhatsApp, Instagram – e pode fazer o mesmo. A regra é simples: nada de ruído, mas sim conteúdo útil que conta. Quando o agente mostra como se usa um produto e tira dúvidas concretas, ganha atenção e as pessoas voltam.

Nem tudo são rosas e isso não diminui o canal; torna-o mais credível. A confiança que a venda direta reclama precisa de prova pública. O consumidor já percebeu que os algoritmos influenciam, mas não quer substituí-los por promessas vagas. Quer sinais de seriedade: linguagem clara sobre direitos e devoluções, proteção de dados levada a sério, separação nítida entre testemunho e publicidade. Aqui está uma oportunidade rara: transformar proximidade em garantia de ética visível. Se a recomendação vem de alguém que usa o produto e vive na nossa comunidade, a fasquia sobe, não desce. Este é território da venda direta por excelência.

Mas, também é preciso alguma humildade estratégica. Nem toda a interação pede demonstração ou aconselhamento. Nem todo o momento de compra pede conversa. Há momentos em que o ‘clicar e seguir’ vence. Quem decide? O comprador. Obrigar a interação onde ela não acrescenta valor é desperdiçar a vantagem da proximidade. Por vezes um clique, um email ou WhatsApp chega, e protege a confiança a longo prazo e dá espaço para a criação de uma relação.

Em termos de oportunidades, vemos um caminho silencioso e consistente. Primeiro, uma experiência verdadeiramente omnicanal e omniserviço, sem saltos de plataforma, sem pop-ups inúteis, sem recolhas excessivas de dados, aquilo que a McKinsey (2025) descreve como «conveniência sem fricção» e «pagarei um premium pelo que me poupa tempo». Depois, prova em contexto: o agente que mostra como se usa, quanto dura, os benefícios e, no fim, facilita a compra. Por fim, pós-venda que não desaparece: o cliente quer saber quem lhe atende o telefone ou responde ao email ou WhatsApp quando precisa. Se o mercado global caminha para 20% ou mais de comércio online (eMarketer, 2024) e a Europa continua a crescer (ECDB, 2028), a venda direta tem espaço para crescer por dentro, não por gritar mais alto, mas por se diferenciar, pela proximidade e pelo serviço.

Do lado dos desafios, três frentes merecem disciplina: tecnologia certa com os agentes a saber usá-la e a maximizá-la; pressão para produzir conteúdo relevante e próximo; e uma fasquia logística cada vez mais alta, com janelas de entrega curtas como novo normal.

O balanço é este. As tendências jogam a favor da venda direta quando a proximidade encontra um digital que funciona, onde a confiança reside nas pessoas, não nos feeds ou algoritmo.

O desafio está lançado, e nós, na venda direta, aceitamo-lo.

Arquivado em:Opinião

Vitória do PSD, supostos empates e um PS que resiste: um mapa das autárquicas

13 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Os portugueses foram às urnas ontem, para as eleições autárquicas, numa campanha que se revelou especialmente renhida para muitos concelhos. As sondagens indicavam empates técnicos nos maiores municípios, mas os votos falaram por si: o Partido Social Democrata destacou-se neste sufrágio, conquistando mais presidências da câmara do que o Partido Socialista.

Os sociais-democratas conquistaram grandes centros urbanos ao PS, como Sintra e Vila Nova de Gaia — que era socialista há 12 anos —, e dominaram no Porto e em Lisboa. Ao todo, conquistaram mais 22 câmaras, ao passo que os socialistas perderam também 22.

Apesar disso, o PS conquistou cinco capitais de distrito e localidades historicamente lideradas pelo PSD, como Coimbra e Faro. A vitória mais expressiva foi em Viseu e Bragança, autarquias sociais-democratas há 36 e 28 anos, respetivamente. Também a presidência da câmara de Évora foi conquistada à CDU pelos socialistas.

Em matéria de igualdade de género, também houve progresso: embora apenas 51 mulheres tenham sido eleitas presidentes de câmara, este número representa um aumento de 21 líderes face a 2021. Beja e Leiria foram os únicos distritos onde nenhuma mulher foi eleita presidente.

O PCP assumiu a derrota nestas eleições, após o partido e as suas coligações perderem em Beja, Évora e Setúbal. Ainda assim, registou novas conquistas, em Mora, Sines, Montemor-o-Novo e Aljustrel. No total, a CDU garantiu a presidência de 12 câmaras.

O Chega ficou longe dos resultados esperados, não atingindo o objetivo de conquistar 30 câmaras e ficando atrás do CDS-PP, com apenas três presidentes eleitos, em Albufeira, Entroncamento e São João Vicente, na Madeira.

A abstenção desceu, fixando-se nos 40,74%, em comparação com os 46,35% de 2021.

 

Lisboa e Porto vestem laranja

Em Lisboa, Carlos Moedas foi reeleito presidente da câmara, mas sem alcançar a maioria absoluta. A coligação que lidera conquistou oito mandatos, mais dois do que a aliança encabeçada por Alexandra Leitão (PS/L/BE/PAN), que ficou em segundo lugar. O Chega ultrapassou a CDU por uma margem mínima de 11 votos.

Na noite eleitoral, Carlos Moedas apelou à oposição para que coloque «os interesses da cidade acima dos interesses partidários», enquanto Alexandra Leitão reconheceu a derrota e garantiu que fará uma «oposição rigorosa, firme e com propósito».

Em Sintra, Marco Almeida, candidato da coligação PSD/IL/PAN, venceu a autarquia, pondo termo a 12 anos de liderança socialista sob Basílio Horta. A adversária do PS/Livre, Ana Mendes Godinho, ficou em segundo lugar, enquanto Rita Matias, do Chega, terminou distante das duas principais candidaturas.

Após a vitória, Marco Almeida prometeu apostar na «qualificação das infraestruturas» e em devolver aos sintrenses «o orgulho de viver no concelho».

A conquista do PSD surge num cenário de fragmentação à direita: o CDS-PP concorreu separado, em coligação com o ADN e o PPM, após divergências internas com a escolha de Almeida. Apesar das sondagens indicarem um empate técnico entre as três principais forças, o resultado acabou por consolidar a candidatura apoiada por figuras nacionais do PSD, IL e PAN, como Manuela Ferreira Leite e Fernando Seara.

Cascais traz ventos de mudança, Oeiras mantém

A coligação PSD/CDS-PP conseguiu manter o controlo da Câmara Municipal de Cascais, mas perdeu a maioria absoluta neste domingo. O executivo municipal ficará mais fragmentado, já que João Maria Jonet, candidato independente, e o Chega conquistaram dois vereadores cada, alterando o equilíbrio político que vigorava há 12 anos.

A lista liderada por Nuno Piteira Lopes — atual vice-presidente e sucessor de Carlos Carreiras — reuniu 33,87% dos votos, elegendo cinco vereadores, menos dois do que em 2021. O Partido Socialista manteve-se como segunda força mais votada, com 16,18%, elegendo dois vereadores, também menos um face ao último ato eleitoral.

Já o independente João Maria Jonet, antigo comentador e ex-militante social-democrata, obteve 14,71% dos votos, igualando o Chega, que reforçou a sua representação no executivo ao alcançar 14,5%. Com o fim da maioria da coligação, Cascais entra agora num novo ciclo político, marcado pela necessidade de entendimento entre as forças da direita e do centro-direita para garantir a governabilidade do município.

Já em Oeiras, houve poucas surpresas, como era de esperar. Isaltino Morais foi novamente eleito presidente da Câmara Municipal de Oeiras, para o 11º mandato, alcançando uma expressiva vitória com 61,94% dos votos. A liderar o movimento independente Inovar Oeiras, com o apoio do PSD, conquistou nove mandatos, mais um do que nas anteriores eleições autárquicas.

A coligação PS/PAN, liderada por Ana Sofia Antunes, obteve 11,29% dos votos e garantiu um vereador. O Chega conquistou igualmente um mandato, com 8,48% da votação. Já o movimento Evoluir Oeiras, apoiado pelo Bloco de Esquerda, Livre e Volt Portugal, ficou-se pelos 6,34%, não conseguindo eleger representantes.

 

Imagem destaque: Instagram Carlos Moedas

Arquivado em:Notícias, Política

Os extremos no Médio Oriente

13 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Tenho muita dificuldade, e tenho-o escrito aqui, em ter “clube” no conflito Israel-Palestina. Quem hoje diz isto é conotado como pró-israelita. Não tenho, todavia, nenhuma razão para defender Israel. Ao contrário: é óbvio que a ação de militar, chamemos-lhe genocida ou outra coisa qualquer, tem sido horrível. Mas a ação do Hamas não é melhor. Continua a mostrar desprezo pelo povo, a esconder reféns e obviamente não se arrependeu da barbárie de há dois anos.

O que se passa é um combate entre duas ideologias extremistas: aquilo que Goldhagen chama de islamismo político do Hamas e o que Jorge Almeida Fernandes qualificou como sionismo messiânico do governo israelita. Entre os dois venha o diabo e escolha. Não consigo fazer uma escolha simples nesta situação tão complexa.

É por isso que me parece difícil criticar um sem atacar o outro. Também por isso defender os palestinianos implicará, creio, exigir a retirada do Hamas da vida pública da Palestina. Netanyahu, esse, deverá ser arrumado pelos tribunais ou pelo povo de Israel em eleições livres. Veremos se as eleições voltarão a acontecer na Palestina. Até lá, e independentemente de acordos, sigamos São Tomé: desejar a paz e esperar para ver. E sejamos capazes de pôr em causa as nossas convicções. Esse é o caminho para despolarizar num mundo de cabeças demasiado quentes.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Quando emitir CO2 tem um custo, o que pode acontecer?

13 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Escrevo sobre alterações climáticas. Se, nos dias que correm, um artigo sobre este tema tem quase sempre um tom catastrofista, aqui pretendo falar de uma das soluções mais eficazes para o problema. Uma solução que já foi colocada em prática e está a produzir resultados: os mercados de carbono.

Há vários anos, décadas mesmo, que as emissões de gases com efeito de estufa da União Europeia e de Portugal têm vindo a cair, mesmo em período de crescimento económico. Tal não é um milagre, é o resultado de um conjunto de políticas que o continente põe em prática, incluindo a subsidiação das energias renováveis ou dos veículos elétricos. Mas não só. 

Um esforço europeu e do mundo 

A União Europeia foi o primeiro grande bloco a decidir colocar um preço sobre as emissões de carbono dos seus setores industriais, dando início a este mercado. Desde 2005 que todas as emissões industriais, incluindo a geração de energia – principal fonte de emissão à altura – estão sujeitas ao regime do Comércio Europeu de Licenças de Emissão, vulgo CELE. 

A ideia é simples: coloquemos um limite anual sobre o total de emissões permissíveis. Atribuamos licenças a cada instalação (existem diferentes modos de atribuição – desde a atribuição gratuita, de acordo com as emissões históricas, até à compra obrigatória em leilão). Permita-se, enfim, que as empresas ajustem os seus planos de produção de acordo com a capacidade de responder às exigências que o mercado lhes coloca. Se uma empresa necessitar de aumentar a sua produção e, consequentemente, as suas emissões, deverá comprar as licenças de emissão disponíveis no mercado. 

Fonte: Gráfico baseado em dados da ENTSO-E.

Desta forma, a licença de emissão não utilizada passa a constituir um ativo financeiro. Essa financialização das emissões irá resultar num incentivo constante à eficiência energética e carbónica, à melhoria tecnológica e ao abandono de formas de energia intensivas em carbono. 

Não é coincidência, por isso, que as diferentes empresas energéticas em Portugal tenham decidido avançar o calendário para o fim da produção de eletricidade com recurso ao carvão. Com a maior competitividade dos recursos renováveis e o preço da licença de carbono a níveis de €70 por tonelada de CO2, a produção de eletricidade com recurso a carvão encerrou o seu capítulo da história do sistema energético português. 

Outro facto também menos conhecido é que a trajetória do limite global de emissões dos setores industriais incorporados no CELE já está estabelecida legalmente e tem como horizonte o valor zero em 2039. Não é um exagero – é mesmo isso: em 2040, os setores industriais afetados – refinaria, produção de eletricidade, papel e pasta de papel – terão de cobrir qualquer emissão ainda existente com licenças obtidas, muito provavelmente, com base em projetos de remoção de emissões a partir da atmosfera. 

Fonte: State and Trends of Carbon Pricing 2025. World Bank. Disponível em https://www.worldbank.org/en/publication/state-and-trends-of-carbon-pricing.
Fonte: State and Trends of Carbon Pricing 2025. World Bank. Disponível em https://www.worldbank.org/en/publication/state-and-trends-of-carbon-pricing.

Tal remoção poderá ter origem em projetos de florestação e reflorestação – ou outras tecnologias de remoção biológica, como o ‘biochar’ – mas será também proveniente da remoção tecnológica, através de inovações ainda hoje iminentemente experimentais, tais como a captura direta de dióxido de carbono do ar. 

Adicionalmente, o sistema CELE irá cobrir os setores dos transportes terrestres e marítimos, assim como as emissões de calor residencial já a partir de 2027 e está em estudo a cobertura, com um sistema semelhante, das emissões provenientes da agricultura e dos resíduos. 

 

A Europa não está sozinha 

A reputação do CELE e os resultados obtidos têm inspirado outras regiões. À cabeça, o maior mercado mundial de carbono é neste momento o mercado chinês. Embora, por circunstâncias locais, este mercado não tenha ainda um papel primordial na redução das emissões chinesas, o Governo do país já anunciou um conjunto de reformas do mercado de carbono e do sistema elétrico que auguram boas perspetivas. 

(Já agora e falando em boas notícias: este ano de 2025 é já considerado como o ano do pico de emissões chinesas, algo que aconteceu antes do previsto, justamente nos setores de produção de eletricidade. Nos últimos seis meses, a China instalou mais capacidade de produção solar do que toda a que já existe até hoje no resto do mundo). 

Fonte: CarbonBrief (2025) ‘Analysis: Record solar growthkeeps China’s CO2 falling” in first half of 2025’ disponível em https://www.carbonbrief.org/analysis-record-solar-growth-keeps-chinas-co2-falling-in-first-half-of-2025/

Hoje, há atualmente mercados de carbono em desenvolvimento em quase todas as regiões mundiais. O Environmental Defense Fund (EDF) tem vindo a auxiliar tecnicamente o desenvolvimento dos mercados de emissão chinês e indiano: este último espera-se que possa vir a ser o terceiro maior nos próximos dez anos. No Brasil, o Governo colocou em letra de Lei um plano para regular o mercado de carbono nos próximos cinco anos. 

Mesmo nos Estados Unidos de Trump, a nível estadual, cerca de um terço das emissões totais do país estão cobertas por algum sistema de comércio de emissões. A ideia vingou e continua a prosperar: o Banco Mundial estima que, em 2030, cerca de 30% das emissões globais terão um custo associado à sua emissão. Os mercados de carbono prometem e podem mesmo ser uma parte significativa da resposta mundial às alterações climáticas. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 31 da revista Líder, cujo tema é ‘Decidir’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leadership

Como melhorar a saúde mental no trabalho? Eis cinco dicas

13 Outubro, 2025 by Leonor Wicke

Numa altura em que as empresas enfrentam novos desafios de produtividade, retenção de talento e equilíbrio emocional, a saúde mental no trabalho assume um papel cada vez mais estratégico.

Um novo estudo da AESE Business School revela que promover o bem-estar psicológico nas organizações depende, acima de tudo, de medidas práticas que conciliem vida profissional e pessoal, valorizem os colaboradores e reduzam a pressão excessiva.

 

Melhorar a saúde mental no trabalho tem «impacto incalculável»

A investigação conclui que estes são as cinco medidas mais valorizadas: conciliação entre trabalho, família e vida pessoal, a gestão de conflitos internos, o respeito do horário semanal, a valorização profissional dos colaboradores e a redução da pressão excessiva no trabalho.

Conduzido por Pedro Afonso, médico psiquiatra e professor da AESE Business School, Miguel Fonseca, professor de Estatística da Universidade Nova de Lisboa, e José Fonseca Pires, professor da AESE Business School e diretor do Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde – PADIS, o estudo avaliou dez medidas organizacionais para promover a saúde mental no trabalho, analisando a sua implementação nas empresas e o impacto na perceção de bem-estar dos colaboradores, através de uma autoavaliação.

No total, foram inquiridas 598 pessoas com responsabilidades de liderança e operacional pertencentes à comunidade Alumni da AESE Business School.

«Hoje, a saúde mental no trabalho assume um papel central nas agendas das organizações mais competitivas e sustentáveis. Numa era de transformações rápidas, novas pressões e modelos híbridos de trabalho, garantir o bem-estar psicológico dos colaboradores é um fator estratégico de gestão», nota Pedro Afonso, um dos autores do estudo.

«Deste modo, melhorar a saúde mental no trabalho é um importante contributo para promover um ambiente laboral positivo e saudável, tendo um impacto incalculável, uma vez que pode reduzir custos relacionados com a falta de saúde e o absentismo, aumentar a produtividade e a satisfação profissional», acrescenta o médico psiquiatra e professor da AESE Business School.

 

Cargo influencia perceção de saúde mental

Outra das conclusões é o facto de a posição hierárquica influenciar a perceção de saúde mental: 17,6% dos técnicos reportam má saúde mental e o valor cai para 2,3% entre CEO/presidentes.

No estudo, os participantes foram ainda questionados sobre as medidas que já se encontravam implementadas nas suas empresas. Entre as mais frequentes estão a conciliação trabalho–família–vida pessoal (75,5%), o respeito do horário semanal (75%), regimes híbridos (67,4%) e valorização profissional (65,6%). As menos frequentes são a redução do multitasking (19,9%) e a existência de programas de acompanhamento no regresso ao trabalho (19,5%).

«Há margem para aumentar a adoção de algumas práticas menos comuns, que favorecem a saúde mental. Exemplos disso são a redução do multitasking e da pressão excessiva no trabalho e na obtenção de resultados, mas também a criação de programas específicos de acompanhamento no regresso ao trabalho, após períodos prologados de baixa médica», explica Pedro Afonso.

Os participantes do estudo têm uma idade média de 51,8 anos, sendo que 60,9% são do sexo masculino e 39,1% do sexo feminino. Em 85,3% dos casos têm filhos.

Os setores profissionais mais representados são Saúde (23,6%), Indústria (13,1%), Banca e Seguros (10,1%), Energias e Ambiente (8,7%). Cerca de dois terços ocupam cargos de alta chefia ou administração e mais de metade trabalham em grandes empresas (57,4%).

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