Segundo dados da Agência Internacional de Energia, se o consumo de petróleo se mantiver ao mesmo ritmo, resta-nos 39 anos até ao esgotamento da matéria-prima. Enquanto isso ocorre, o site Worldometers dá conta dos milhões de hectares de floresta perdidos anualmente, levando ao esgotamento dos solos e consequente desertificação. O número de pessoas sem água potável também não para de aumentar. António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, foi direto ao assunto: ‘os ricos causam o problema e os pobres pagam o preço mais alto’.
António Guterres encontrou-se, esta terça-feira, com líderes de todo o mundo, na 29.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP29), a decorrer em Baku, no Azerbaijão. No segundo dia da cimeira, o antigo primeiro-ministro português avisou estar em curso uma ‘destruição climática’ protagonizada pelas nações mais ricas. Numa voz inconformada referiu que as ‘consequências negativas no ambiente fustigam, sobretudo, os mais pobres’. Na encruzilhada do clima, António Guterres apontou uma pegada ambiental deixada pelos mais poderosos, lançando para a plateia um relatório da OXFAM com uma verdade inconveniente: “os bilionários mais ricos emitem mais carbono em uma hora e meia do que uma pessoa média emite em toda a sua vida”.
Apesar da ausência de figuras de peso, como o presidente cessante dos Estados Unidos, Joe Biden, o chefe do Kremlin Vladimir Putin ou Xi Jinping da China, o secretário-geral das Nações Unidas confrontou, sem identificar, todos aqueles que ainda exploram combustíveis fósseis. ‘A revolução da energia limpa está aqui. Não há nenhum grupo, nenhuma empresa, nenhum governo que a possa travar’, lembrando que o mundo inteiro está a assistir a ‘uma aula magistral de destruição climática’ e que ‘nenhum país está seguro’. O presidente francês, Emmanuel Macron, também recusou o convite assim como o chanceler alemão, Olaf Scholz, e a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen.
Para evitar o adiamento de soluções, cerca de 200 nações estão reunidas na cimeira anual da ONU com o objetivo de angariar centenas de milhares de milhões de dólares para financiar uma transição global para fontes de energia mais limpas, especialmente nos países mais pobres, e limitar os danos climáticos causados pelas emissões de carbono. António Guterres destacou que ‘o financiamento climático não é caridade’. O evento vai durar até dia 22 de novembro, na esperança de serem construídas pontes que procurem salvar o futuro do planeta. E já agora a Humanidade.
Imagem: IISD/ENB | Mike Muzurakis