Tecelãs da vida, as abelhas desempenham um papel fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas e da biodiversidade. Sobre essa dança colorida, já no século IV a.C Aristóteles descrevera as abelhas como animais altamente organizados e políticos, que coletam mel de fontes externas e que vivem em comunidades estruturadas (História dos animais). Hoje, a partir do néctar das flores e das plantas, há desafios pela frente num comércio de toneladas e muitos milhões.
Segundo dados de um relatório da Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) são produzidas anualmente em Portugal entre 11 e 15 mil toneladas de mel. Um volume de negócios que ronda os 100 milhões de euros. Mas estas quantidades podem ser condicionadas por diversos fatores.
Por exemplo, no documento da FNAP ficou demonstrado que os anos de 2022 e 2023 foram maus para o setor devido à seca extrema que assolava o país. Para este ano, as previsões são mais animadoras. Numa entrevista concedida em maio ao jornal de Negócios, Paulo Casaca, secretário-geral da FNAP, previu 2024 «um ano bom para a produção de mel a nível nacional».
O mel na União Europeia
No que diz respeito à União Europeia estima-se ser o segundo maior produtor de mel do mundo, apontam dados do Eurostat. Todos os anos, 600 000 apicultores e 17 milhões de colmeias produzem cerca de 250 mil toneladas de mel. No entanto, a produção não satisfaz a procura interna.
Os estados membro da UE compraram 163.700 toneladas de mel a países terceiros no ano passado, num total de 359,3 milhões de euros. Mais de um terço desse mel é adquirido à China. Quanto às exportações, a UE vendeu a mercados externos 24.900 toneladas, num valor de 146 milhões de euros, sendo o Reino Unido o maior destinatário.
Quando comparado com os outros produtores estrangeiros, os apicultores europeus enfrentam custos de produção relativamente elevados. O preço médio do produto exportado também é mais elevado que a média do preço do mel importado. Em 2017, o quilo de mel importado custava em média 2,23 euros. Já o quilo de mel exportado para países terceiros valia em média 5,69 euros. Portugal é o quinto país da UE que mais importa mel e está entre os dez primeiros no que toca à exportação.
Desafios em marcha de um alimento ancestral
A Associação Europeia de Apicultura (EBA) divulgou recentemente um comunicado que dá conta de 50% do mel presente no mercado europeu ser fraudulento. A semana passada, em Espanha, foi detectada uma espécie de vespa ainda mais prejudicial que a asiática, pôde-se ler em vários jornais nacionais. Para ajudar os profissionais da área a combaterem as dificuldades, o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) criou um mecanismo com apoios e diretivas para o setor.
O Programa nacional de apoios à apicultura, para o quinquénio 2023-2027, está assente no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), o qual inclui os dois fundos agrícolas da PAC. O Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) e o Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER).
Os horizontes passam pela modernização do setor através da promoção e da partilha de conhecimentos. Consubstancia-se pela inovação e a digitalização na agricultura e nas zonas rurais, fornecendo meios para um avanço tecnológico conjunto e eficaz.
Também alude à contribuição para travar e inverter a perda de biodiversidade. Outro aspeto determinante será o reforço da orientação para o mercado e aumento da competitividade das explorações agrícolas. Por último, o melhoramento da resposta dada pela agricultura às exigências da sociedade no domínio da alimentação e da saúde.
Para a Organização Mundial de Saúde são mais de 70 as propriedades encontradas no mel e que são importantes para o organismo dos seres humanos. Para os consumidores é um néctar ancestral e a cura para algumas maleitas. Para os mais de 12 mil apicultores portugueses é o seu sustento e uma forma de vida. Além disso, são as abelhas que conectam o céu e a terra, nutrindo a biodiversidade e garantindo a renovação do ciclo vital.
