A política, mesmo nas nações democráticas, parece de tempos a tempos sentir uma irresistível atração pela criação de blocos incomunicantes. Neste cenário os blocos não desejam criar pontes de um lado para o outro. Vemos isso acontecer todos os dias. Nos EUA os eleitores são confrontados, como foram no Brasil, por aquilo que visto de […]
A política, mesmo nas nações democráticas, parece de tempos a tempos sentir uma irresistível atração pela criação de blocos incomunicantes. Neste cenário os blocos não desejam criar pontes de um lado para o outro. Vemos isso acontecer todos os dias. Nos EUA os eleitores são confrontados, como foram no Brasil, por aquilo que visto de fora pelos não alinhados, parece ser uma escolha impossível.
Em França, Le Pen perdeu, para alívio do mundo e tristeza do Chega e de Putin, cujos lacaios chegaram a anunciar a entrada de França numa nova etapa da sua existência. Mas este bloco lepenista atrai eleitores para o outro bloco, de sinal contrário. Os extremos energizam-se e esmagam a normalidade moderada. Na Espanha excelentemente descrita por Carmen Garcia num artigo recente, ‘fachos’ e ‘esquerdalhos’ trocam insultos. Perguntamo-nos: como chegámos aqui?
E o que podemos fazer? Começam a surgir tentativas de ajudar a navegar este estranho mundo em que passámos a viver. Uma dessas obras, que se recomenda, vem da Harvard Business School Press: The age of outrage, de Karthik Ramanna. Afirma o autor que nas nossas sociedades mora uma mistura explosiva de desesperança em relação ao futuro, um sentido de injustiça em relação ao passado e a crença de que um outro hostil conspira contra nós. Precisamos de líderes ‘despolarizadores’. Como escreveu Teresa de Sousa, o que nos vale é que parece que voltámos a ter Londres, onde apesar do sobressalto do Brexit, da aventura Boris e dos desvarios de Corbyn, as coisas parecem ter voltado a uma certa normalidade, com políticos ‘normais’ a assumirem o controlo do governo britânico. Celebremos os líderes normais. Chega de aventuras e de aventureiros.

