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Chamar à atenção

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7 Outubro, 2024 | 12 minutos de leitura

Num mundo-evento saturado de signos (linguísticos, acústicos, visuais) e de ícones, de significantes e de contínuos fluxos de informação, de seduções e de solicitações, de apelos e de convites, de dependências tecnológicas e de compulsões mediáticas, a sua atenção foi disputada entre a Electra* e muitas outras coisas que, todos os dias, a todas as […]

Num mundo-evento saturado de signos (linguísticos, acústicos, visuais) e de ícones, de significantes e de contínuos fluxos de informação, de seduções e de solicitações, de apelos e de convites, de dependências tecnológicas e de compulsões mediáticas, a sua atenção foi disputada entre a Electra* e muitas outras coisas que, todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos, pedem, reclamam ou exigem atenção. Ao decidir dar atenção à nossa revista, o leitor fez uma escolha que representa vontade, tempo, disposição, interesse e investimento. É nessa altura que a atenção se torna tensão, tentação, intenção. 

Com consciência ou sem ela, a nossa atenção é constantemente aliciada, atraída, cativada, captada, confiscada, comprada, subornada, frustrada, defraudada, pervertida, presa, conquistada por acontecimentos, pessoas, fenómenos, aparições, desaparecimentos, movimentos, paragens. Quando escolhemos dar atenção, estamos a preterir e a excluir aquilo a que não damos atenção.

É por isso que agora se fala de uma economia da atenção e de uma ecologia da atenção. É assim que se diz que, nos nossos dias, a atenção é um dos bens mais raros e uma das mercadorias mais valiosas.  

Num mundo-mercado cheio de sujeitos e de objetos, de destinadores e de destinatários, de produtores e de consumidores, que se move e acelera em voragem competitiva e onde tudo se compra e se vende, regido pelas regras da oferta e da procura, e em que, graças às comunicações, o distante se tornou próximo, a nossa atenção está submetida a um leilão permanente.  

Da economia à política, da cultura à sociedade, da vida individual à vida coletiva, do espaço privado ao espaço público, existem por todo o lado dispositivos — móveis e imóveis, materiais e imateriais, patentes e ocultos — para capturar a nossa atenção. Da publicidade à propaganda, dos anúncios tradicionais aos anúncios digitais, das redes sociais aos seus influencers, dos canais de comunicação aos meios de informação, somos permanentemente assediados, numa busca incessante pelo que a nossa atenção pode valer, representar e acrescentar. Por todo o lado, há quem queira fazer da nossa atenção um trunfo a seu favor, dando-nos a ilusão de que é um trunfo a nosso favor.  

A atenção é, pois, uma questão fundamental do nosso tempo e é um tópico crucial para o compreendermos. Podemos até falar de uma fenomenologia da atenção. O conceito e a prática atuais da faculdade da atenção, nas suas transformações psicológicas e cognitivas, nas suas mudanças culturais e sociais, nas suas metamorfoses económicas e mercantis, dão-nos um retrato muito expressivo e sintomático do Mundo em que vivemos.  

Assim, por exemplo, nunca se falou tanto de défice de atenção, com os seus efeitos na educação e na cultura. E o afastamento de muita gente da política, sobretudo o alheamento dos mais jovens, é, afinal, uma falta de atenção para com a política, no duplo sentido da expressão.

Outro exemplo: todos os que criam e divulgam cultura e arte sabem que, com o culto do efémero, e num cenário global com uma infinidade de acontecimentos culturais e artísticos, aquilo que mais precisam de conquistar é a atenção das pessoas para o que fazem. A questão da atenção é hoje, principalmente, uma questão de receção-consumo.  

Além dessa analítica do presente, a história da atenção nas suas representações e ressonâncias teológicas, filosóficas, literárias, artísticas e científicas compõe um álbum de uma enorme complexidade e riqueza.  

Há quem diga que, embora sem saber o seu nome, a economia da atenção começou na Antiguidade Clássica, quando um orador treinava a sua voz e aperfeiçoava a sua retórica para merecer a atenção dos ouvintes. E assim foi continuando a ser, desde a atenção dos grandes mecenas que os pintores do Renascimento tudo faziam para captar até à atenção dos inquisidores que os suspeitos de heresias tudo faziam para iludir…  

Mas foi entre 1870 e 1920 que a importância da atenção se tornou mais notória e visível, prenunciando e preparando o seu surto contemporâneo. O sociólogo Gabriel de Tarde (1843–1904) compreendeu muito bem nessa altura que a industrialização provocava uma superprodução de mercadorias, em que as questões da atenção (que a publicidade começava a disputar) jogam um papel central, motivador e mobilizador, na economia e na sociedade. Desde então, essa importância não parou de aumentar exponencialmente, atingindo, no nosso tempo, um cume, mas também novas feições com consequências inéditas.  

Desde há algumas décadas, uma nova economia está a ultrapassar as antigas e tradicionais formas de troca de bens materiais e simbólicos.  

Nesta economia, a atenção constitui a coisa mais rara e a mais preciosa fonte de valor.  

Da sociologia à economia, das neurociências às novas tecnologias, com destaque para as tecnologias digitais, da filosofia ética à teoria das imagens, da arquitetura às artes performativas, faz apelo aos conhecimentos de várias disciplinas para esclarecer os desafios da nova economia da atenção, com recurso a diversas perspetivas críticas.  

Esta análise põe em evidência que é hoje imperioso pensar a nossa vida económica, social e cultural em termos de atenção. E mostra também que seria desastroso deixar que fossem as lógicas produtivistas, consumistas, excedentárias e hipertélicas (tantas vezes anti-ecológicas) do capitalismo financeiro e cognitivo atual a reconfigurar hegemonicamente os nossos regimes individuais e coletivos de atenção, com as suas transformações, exigências, riscos, subordinações e possibilidades. É que a economia da atenção não está apenas no cruzamento de várias disciplinas e domínios do saber e do agir contemporâneos. Ela situa-se no ponto onde se encontram os caminhos que nos levam às escolhas sobre o nosso imprevisível futuro. 

Nestes dias de trágicas guerras e de terríveis massacres, há também outras guerras — as que disputam desenfreadamente a nossa atenção. Representantes e partidários de um e de outro lado de cada guerra usam todos os meios para nos fazer ver com atenção as suas imagens e para nos fazer ouvir com atenção os seus argumentos de acusação e de defesa. E também as suas verdades e as suas mentiras. Este é um tempo em que, mais do que antes, as escolhas da nossa atenção são escolhas morais, políticas e culturais.  

A literatura é uma arte de atenção.  

Sem atenção, o Mundo torna-se disperso, insustentável e até ausente — e nós dispersos, insustentáveis e ausentes nele.  

A cultura, a literatura, a arte e a ciência fazem-se com atenção, e a qualidade e a duração dessa atenção determinam os resultados. Marguerite Yourcenar afirmou:  O primeiro dever do escritor parece-me ser, antes de tudo, o da atenção. Uma muito grande atenção ao que sente, ao que experimenta.

Uma atenção que diria quase médica, científica, para não se enganar, para não se confundir a si-próprio, e uma imensa atenção ao universo que o rodeia. Nos escritos dos filósofos do Taoísmo, que parecem ter chegado mais longe do que outros ao sentido da realidade, há uma espécie de provérbio que diz: «Governar um grande império é o mesmo que fritar um pequeno peixe.» Quer isto dizer que os dois necessitam de uma atenção completa, um cuidado atento daquele que o faz. Eu diria a mesma coisa para um grande livro. Escrever um grande livro é como fritar um prato de peixe ou fazer um guisado de legumes, é pôr toda a atenção, todo o talento, toda a boa vontade de que se é capaz numa só ação. Creio que isso é, em matéria de literatura e de arte, a base de tudo. A atenção é uma qualidade muito rara. Nos trabalhos de psicologia oriental, que foram muito longe no estudo das relações do homem consigo, a primeira virtude aconselhada é a vydia, a atenção. Ser atento ao que se faz, ser atento aos movimentos dos músculos, ao nosso olhar, ver exatamente o que se passa em nós e fora de nós.  

A este propósito, Yourcenar citou um texto tântrico de Cachemira: «Que o espírito ocupado com uma coisa não a abandone demasiado depressa para se dirigir para outra.» 

Também para Sophia de Mello Breyner Andresen a atenção é um fundamento da sua arte poética e da sua moral. Num poema, diz: «O meu interior é uma atenção voltada para fora / O meu viver escuta.»  

Em «Arte Poética IV», escreve:  

Fazer versos é estar atento e o poeta é um escutador. O meu esforço é para conseguir ouvir o “poema todo” e não apenas um fragmento. Para ouvir o “poema todo” é necessário que a atenção não se quebre ou atenue e que eu própria não intervenha. 

E em «Arte Poética III» afirma:  

«Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda de uma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do Mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do Mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver o fenómeno todo. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor. E é por isso que a poesia é uma moral.» 

Le Philosophe lisant [O filósofo lendo] ou Portrait du peintre Joseph Aved, ami de l’artiste [Retrato do pintor Joseph Aved, amigo do artista] são títulos de uma obra do admirável pintor francês do século xviii Jean-Baptiste-Siméon Chardin, que está no Museu do Louvre.  

Esta obra de Chardin motivou um conhecido ensaio de George Steiner intitulado «O leitor incomum», mais tarde incluído no livro Paixão Intacta. Nesse ensaio, Steiner tira do quadro que se pode admirar no Louvre uma eloquente e minuciosa lição sobre a leitura, os seus hábitos e as suas mudanças nas nossas sociedades massificadas, especializadas e tecnológicas. Entre essas mudanças está a pouca importância dada hoje à memória e à atenção.  

Curiosamente, quase 40 anos depois de ter escrito este ensaio, já muito idoso e quando a sua vida se aproximava do fim, Steiner revelou que o seu mais inquietante temor e o seu mais fundo terror era a perda ou a depreciação das suas faculdades intelectuais. Para evitar isso, fazia todos os dias insistentes e exigentes exercícios de memória e de atenção…  

No retrato de Joseph Aved pintado por Chardin, vemos um homem ricamente vestido, de cabeça coberta, a ler um livro com uma atenção tranquila e indestrutível. Steiner aproxima esta cena e a pose do homem que nela figura de uma liturgia ou de um ritual. «No princípio era o Verbo.»  

A atenção concentrada que no corpo, no rosto e nos olhos do leitor se revela põe aquele homem em contacto com outros espaços e outros tempos, com outros seres humanos e com outros mundos. Religa-o aos muitos universos do Universo e cobre aquela cena de um véu sagrado.  

Os livros sagrados fazem da atenção o lugar onde os seres humanos e os seres divinos se manifestam e encontram. Uns e outros não se podem desconhecer, nem desligar, nem perder de vista. É aí — e com o insubstituível instrumento da atenção — que se figuram e identificam, que se reconhecem e experimentam, que se vigiam e avaliam. Mas também é nesse lugar que colhem consciência, conhecimento e sabedoria uns dos outros e do Universo.  

No Novo Testamento da Bíblia, há uma passagem do Evangelho de São Lucas que conta a seguinte história:  

E aconteceu que, indo eles de caminho, Jesus entrou numa aldeia; e certa mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. E tinha esta uma irmã, chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude.» E, respondendo Jesus, disse-lhe: «Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.»  

Há nesta narrativa uma eloquente economia da atenção, transformada em ecologia da atenção, que exige uma escolha entre dois modos distintos e distantes de olhar a vida e o que nela verdadeiramente importa.  

 

Este excerto do editorial da Electra, número 23, foi adaptado com o consentimento dos autores.

*A Electra é uma revista de pensamento e cultura contemporânea, publicada pela Fundação EDP. Com duas edições, em português e em inglês, tem periodicidade trimestral. Pode ser acompanhada no Instagram, em @electra.magazine, e no website electramagazine.com.

 

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o  tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

José Manuel dos Santos,
Escritor, curador, programador e gestor cultural

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António Soares,
Gestor cultural

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