Saber parar é crucial para tudo na vida, em especial no trabalho. Criar bons hábitos de descanso é uma estratégia de longevidade e liderança sustentável que deve estar no centro das preocupações empresariais.
No episódio desta semana do podcast ‘Conversas que Cuidam’, uma colaboração entre a Fidelidade e a Líder, desmistifica-se a ideia de que parar é perder tempo, com especial foco no sono.
A neurologista Sofia Nunes de Oliveira, do Hospital da Luz, lembra que «o sono é uma atividade cerebral ativa e essencial para a reparação e recuperação do organismo». Longe de ser tempo perdido, dormir é investir na saúde física, mental e emocional.
Conduzido por Rita Figueiredo, psicóloga e gestora de pessoas, e Soraia Jamal, psicóloga e psicoterapeuta, estas ‘Conversas que Cuidam’ prometem trazer perspetivas individuais e organizacionais para promover resiliência, inclusão e qualidade de vida.
Ouça aqui o episódio completo:
O impacto do trabalho moderno no descanso
A neurologista reconhece que os atuais modelos de trabalho não estão alinhados com o ritmo biológico humano. O trabalho por turnos, por exemplo, perturba os ritmos circadianos, aumentando o risco de fadiga, ansiedade e insónia. «Trabalhar à noite é altamente disruptivo e antifisiológico para a maioria das pessoas», afirma.
Mesmo em horários fixos, a extensão das horas de trabalho e a falta de flexibilidade penalizam o descanso e a vida pessoal. O resultado é uma população mais cansada, ansiosa e menos produtiva. Em Portugal, mais de 60% das pessoas consideram que têm um problema de sono, de acordo com estudos citados pela especialista.
Higiene do sono: pequenas rotinas, grandes resultados
Dormir bem é um ato de disciplina. Entre as práticas mais eficazes, Sofia Nunes de Oliveira recomenda evitar ecrãs, luz intensa e ruído antes de deitar, não consumir álcool nem cafeína à noite e ir para a cama apenas quando se sente sono verdadeiro.
Devemos ensinar o cérebro que a cama é para dormir.
Evitar adormecer no sofá ou prolongar sestas demasiado longas também é fundamental, pois interrompem o ciclo natural de descanso. Mesmo hábitos aparentemente inofensivos, como beber um copo de vinho antes de dormir, prejudicam a qualidade do sono. O álcool pode induzir sonolência inicial, mas fragmenta o sono e impede a regeneração profunda.
Sestas e mitos sobre o número de horas
As sestas curtas — 15 a 30 minutos — podem ser benéficas, aumentando a atenção e a velocidade de processamento mental. No entanto, dormir mais de duas horas durante o dia está associado a maior risco de doenças cardiovasculares e obesidade.
Outro mito comum é o de que todos precisamos de dormir o mesmo número de horas. Desde ciclos circadianos distintos e hábitos de trabalho, diferentes, muito muda nas necessidades de cada um.
«Há quem funcione bem com seis horas e quem precise de nove», explica a médica. A necessidade de sono é individual, influenciada por fatores genéticos e pelo estilo de vida. O essencial é que o descanso seja suficiente e reparador.
Insónia, ansiedade e saúde mental
A insónia é uma das queixas mais frequentes nas consultas de neurologia. Pode resultar de fatores emocionais — como ansiedade e depressão — ou de doenças neurológicas. A privação de sono afeta a concentração, o humor e até o metabolismo.
«Há mais de 200 doenças associadas a perturbações do sono», lembra Sofia Nunes de Oliveira. Em alguns casos, o sono é até um biomarcador precoce de doenças neurológicas, como acontece com a perturbação do sono REM que antecede, por vezes décadas, o aparecimento da doença de Parkinson.
Tratem o vosso sono com respeito. Cultivem boas práticas e procurem ajuda se algo não estiver bem.
Acompanhe aqui os outros episódios:
«Cuidar não tem de ser um ato solitário»: novo podcast da Fidelidade traz Conversas que Cuidam
«Cuidar é uma maratona»: quando as empresas também são redes de apoio
«Ser diferente tem de ser normal», destaca Inês Neves Caldas

