Vislumbrar como as tecnologias espaciais irão progredir nos próximos 20 anos envolve grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo uma grande oportunidade de olhar para trás, esperando que, quando chegarmos ao ano de 2040, e ao ler novamente este artigo sejamos capazes de avaliar o que foi realizado. Iremos analisar as próximas inovações espaciais em três […]
Vislumbrar como as tecnologias espaciais irão progredir nos próximos 20 anos envolve grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo uma grande oportunidade de olhar para trás, esperando que, quando chegarmos ao ano de 2040, e ao ler novamente este artigo sejamos capazes de avaliar o que foi realizado. Iremos analisar as próximas inovações espaciais em três perspetivas principais: i) do espaço à terra, ii) perto da terra e da lua, iii) espaço profundo até Marte e além.
Do Espaço à Terra
Quando se olha para um céu noturno cristalino, um vazio de escuridão como uma grande cortina preta do palco, destacam-se as estrelas brilhantes que nos conduzem à paz e ao mistério, mas perto da Terra há muita atividade em curso. O primeiro satélite foi lançado há quase 65 anos (1957), quatro anos depois (1961) o primeiro ser humano viajou para o espaço e, oito anos (1969) depois, astronautas treinados pousaram na lua. Ainda nesta linha do tempo, cerca de 29 anos (1998) depois, o primeiro componente da Estação Espacial Internacional foi lançado para dar início à cruzada de ter uma infraestrutura espacial capaz de hospedar seres humanos de várias nacionalidades durante semanas e meses no espaço, permitindo que vivam, trabalhem e explorem a fronteira definitiva da Ciência e inovação.
Quando um satélite ou nave espacial é lançado, muitas vezes é colocado numa das várias órbitas ao redor da Terra (por exemplo, órbita geoestacionária (GEO) a uma altitude de 36 mil km, órbita terrestre média (MEO) a uma altitude entre dois mil – 36 mil km e órbita baixa (LEO) a uma altitude abaixo de dois mil km (pode ser tão baixa quanto rondar os 200 km) e isso depende do objetivo técnico que o satélite foi projetado para atingir. Até hoje, temos mais de 3300 satélites operacionais a orbitar a Terra, estando previsto que até 2030 teremos mais de 15 mil satélites na órbita terrestre. Mas pode-se perguntar, então por que precisamos de tantos satélites na órbita da Terra? A maioria dos satélites em órbita terrestre concentra-se em três áreas de aplicação: Observação da Terra, Telecomunicações e Navegação. Daqui a 20 anos esse grande número de satélites será uma infraestrutura fundamental para muitas empresas na Terra. Ou seja, pode-se considerar que essa futura infraestrutura espacial pode ser comparada a uma rede elétrica que nos conecta a todos de forma integrada no dia-a-dia e será um produto indispensável.
Todos os dados dos satélites, e até mesmo potencialmente outras novas estações espaciais internacionais, fornecerão informação sobre a Terra de maneira recorrente e frequente (e.g., imagens, navegação, telecomunicações, IoT, etc.). Em 20 anos, os dados espaciais serão uma commodity, levando as principais nações espaciais a chegarem a acordo sobre política internacional de dados espaciais (e.g., para certas partes interessadas e aplicativos, os dados serão “gratuitos”). Além disso, o movimento NewSpace, através de fortes investimentos de capital de risco privado, está a criar novas empresas espaciais startup, que estão a expandir os limites da tecnologia (em hardware e software) e que no futuro irão liderar negócios espaciais. Hoje, uma constelação de satélites para observação da Terra (por exemplo, imagens de alta resolução) pode custar 60 a 200 milhões para construir e operar, mas dentro de 20 anos teremos empresas que possuirão constelações de nano-satélites com capacidade extraordinária para imagens de alta resolução, vídeo em tempo real e processamento de dados onboard (por exemplo, usando técnicas potentes de IA) que terão um custo na faixa de 2% a 5% do valor atual. Pode-se, ainda, pensar que certas empresas usarão Estação(ões) Espacial(is) para fabricar, montar e “libertar” os satélites para orbitar, reduzindo significativamente os custos de lançamento e criando fábricas “no espaço” do futuro.
Essas constelações de nano-satélites de alta capacidade serão um serviço básico para setores como: agricultura digital e de precisão, pesca inteligente e sustentável, condução autónoma, transporte autónomo baseado no espaço, cidades inteligentes e planeamento urbano digital, mobilidade em tempo real para as mega-cidades do futuro, twinning digitais em tempo real da Terra e do oceano, entre outras novas aplicações e mercados.
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Pode ler o artigo na íntegra na edição de verão da revista Líder.
Por Emir Sirage, COO AIR Centre; Miguel Belló, CEO AIR Centre e Hugo Costa, Diretor Portugal Space.




