Há 60 anos que os filmes do James Bond continuam a cativar o público. O enredo é o mesmo, mas a tecnologia, os feitos visuais e especiais e a forma como a ação se desenrola mudam. No treino e formação passa-se a mesma coisa. Stephan Melchior, fundador da consultora M:Pulse, explica a razão do exemplo […]
Há 60 anos que os filmes do James Bond continuam a cativar o público. O enredo é o mesmo, mas a tecnologia, os feitos visuais e especiais e a forma como a ação se desenrola mudam. No treino e formação passa-se a mesma coisa. Stephan Melchior, fundador da consultora M:Pulse, explica a razão do exemplo dos filmes do icónico espião inglês, ao transferir para o contexto da aprendizagem virtual.

Embora o conteúdo continue a ser bastante similar, em comparação há 20 anos, mesmo que atualizado aos tempos modernos, “o que mudou foi a forma como o entregamos”, realça. Seja para ajudar os líderes a manterem-se conectados com as suas equipas, organizações a definir estratégias, ou uma melhor experiência de serviços aos clientes, a intenção é a mesma.
A evolução da tecnologia acompanha a maneira como nos conectamos e aprendemos num meio virtual. A forma de tornarmos a aprendizagem mais envolvente está precisamente no estímulo dos sentidos, no que sentimos ao ver algo. “O nosso cérebro cria memória com base nas emoções”, reforça.
“Todos reparam que as reuniões por Teams, ou Zoom, são diretas ao assunto, muito focadas nas tarefas, tentamos seguir uma agenda, existe pouco tempo para conversar, não há um ‘vamos beber um café depois do trabalho’”, em suma, as conexões pessoais desapareceram. Enquanto formadores virtuais, revelou, o objetivo é trazer essas emoções de volta, pois são “o que mantém as pessoas conectadas e interessadas”.
Stephan Melchior partilha os sete sentidos da formação virtual que sustentam as emoções:
Visão: é necessário ter em consideração e criar elementos visuais que sejam atraentes e se conectem com as pessoas;
Audição: ter a certeza das boas condições de som e ferramentas tecnológicas para imergir o formando;
Sentir: hoje em dia tudo é eletrónico e está num ecrã. Incentivar o formando para realizar coisas mais táteis como escrever num papel, ou fazer um desenho e apresenta-lo à câmara são exemplos de como o envolver na formação. O objetivo é ativar a sensação do toque, da conexão;
Emoção: envolver as pessoas umas com as outras a um nível pessoal. Independentemente do seu background, lembrá-las que têm um objetivo em comum que as une;
Movimento: os formandos procuram por movimento, diferentes perspetivas e ângulos incitam a atenção;
Dimensão: “seja grande, gigante, poderoso”, motivou Stephan Melchior, indicando que o objetivo é mostrar coisas que tenham significado. “Uma fotografia com uma palavra é muito melhor do que 20 pontos a explicar essa fotografia”.
Cor: as pessoas são atraídas por coisas que sejam grandes e cheias de cor
Na talk “Como envolver os formandos através das sensações no novo paradigma híbrido?”, no encontro “5G Transformation”, promovido pela Blended Training Systems, Stephan Melchior apontou para uma evolução positiva na adoção e aposta na formação virtual durante a pandemia, em que, gradualmente, se começou a reconhecer os benefícios e a incorporar nas estratégias de negócios. Segundo a sua estimativa, em 2022, chega-se a uma quinta onda desta evolução “onde as organizações estão realmente focadas na alavancagem tecnológica. (…) O clássico screen share, ‘consegues ouvir-me? consegues ver o meu ecrã?’ não deverá acontecer mais”.
Por Patrícia Monsanto

