Yoga é uma prática milenar que ensina de uma forma muito clara, e esquematizada, como sair da desordem para um estado de lucidez. Um caminho de autoconhecimento que nos conduz à nossa essência. Ao tomarmos consciência daquilo que somos, como pensamos, como sentimos, dos nossos dons, das nossas fraquezas, aprendemos a aceitar o que não […]
Yoga é uma prática milenar que ensina de uma forma muito clara, e esquematizada, como sair da desordem para um estado de lucidez. Um caminho de autoconhecimento que nos conduz à nossa essência. Ao tomarmos consciência daquilo que somos, como pensamos, como sentimos, dos nossos dons, das nossas fraquezas, aprendemos a aceitar o que não pode ser mudado, e mudar o que não podemos e devemos aceitar.
Yoga e silêncio são complementares e indissociáveis. Só há um segredo para praticar yoga, e vou já divulgá-lo. Querer viver consciente e numa constante busca de ti mesmo e do teu próprio equilíbrio. Se temos capacidade intelectual, se somos livres e temos poder de escolha, temos de agarrar a nossa vida AGORA e ser líderes de nós próprios.
Vivemos assoberbados por estímulos que nos chegam ininterruptamente, somos obrigados a estar num estado de alerta quase permanente. É muito difícil, nos dias de hoje, trabalhar o foco e a concentração, porque tudo nos convida à distração, num transe incessante, numa vida que parece que está fora de nós, em que não estamos realmente em lado nenhum. Isto faz com que vivamos sempre num estado de vigilância, com o sistema nervoso simpático, sempre ativado, como se tivesse de estar sempre alerta, pronto para agir e estar preparado para uma luta.
Há uma libertação exagerada de adrenalina e acetilcolina, que geram mudanças fisiológicas tais como aumento dos batimentos cardíacos, dilatação das pupilas e aumento dos níveis de glicose no sangue, e por isso tantas pessoas vivem num stress quase perpétuo. Nestes tempos modernos, a quantidade de informação, os prazos, a falta de tempo, as redes sociais, o barulho ensurdecedor das cidades, o controlo dos outros sobre nós, os rótulos, incitam-nos a viver sempre em tensão, nunca nos permitindo contrabalançar com o sistema nervoso parassimpático, que é essencial para que o corpo restaure o estado de equilíbrio.
Yoga, uma palavra em sânscrito que se traduz como união
A prática de Yoga une-te primeiro a ti próprio, nas tuas dimensões, corpo, mente, emoções e a tua alma ou espírito (a dimensão mais subtil e energética), para nos preparar para a união com os outros, e com o Universo. Yoga começa por conectar a mente com o corpo. É tantas vezes normal no princípio dar uma indicação ao corpo e ele não obedecer, está desconectado, está quase que abandonado, vivendo absorto de consciência e ao sabor das distrações e ímpetos que chegam do exterior.
O caminho começa por aí: observa-te, sente-te, respeita-te. Liga-te ao teu corpo intuitivamente e ouve as indicações que dá. Há muitos relatos de pessoas que quando lhes são diagnosticadas doenças, apercebem-se de que o corpo já tinha avisado muito tempo antes, só que pelo alheamento que somos empurrados a viver, não souberam identificar esses alertas. E respira, mas de forma consciente, conta o tempo da tua respiração.
Qual é maior, a inspiração ou a expiração? Já tinhas pensado nisto? E por qual das narinas flui mais a tua respiração? Sabias que às vezes é mais pela esquerda e outras pela direita? Há movimentos na tua caixa torácica quando respiras? Se estamos a colocar ar para dentro, não deviam as costelas expandir-se para que os pulmões possam livremente ampliar-se? Há tanta informação que nos chega através da observação da nossa respiração, que se parássemos 5 minutos, todos os dias, para deixar de ter uma respiração inconsciente, iríamos melhorar substancialmente a nossa vida.
O que liga o corpo físico, palpável, denso, ao corpo não físico, que são as nossas emoções e os nossos pensamentos, é a respiração. Na prática de Yoga começamos por abrir a porta deste caminho interior, primeiro por aquilo que conseguimos tocar e materializar, o nosso corpo, por isso começamos pelas posturas de yoga (Asana). Avançamos para passar de uma respiração inconsciente a consciente (Pranayama). É também preciso treinar a abstração dos sentidos, para que não nos perturbem as distrações quando não queremos ser incomodados (Pratyahara).
Concentração e foco, estar inteira em tudo o que fazemos, os pensamentos, a atenção, estar no comando e totalmente presente (Dharana). Quando temos mais controlo sobre nós mesmos, então estamos preparados para praticar meditação (Dhyana). Todos sem exceção podemos praticar Yoga, não há ninguém que não possa! Se Yoga é um caminho interior, todos podemos trilhá-lo. Yoga não é ginástica, não são posições em que colocamos o corpo. Mesmo que não tenhas pernas e braços podes praticar Yoga. Só precisas de ter vida, e quereres tomar conta dela.
Yoga não tem a ver com números de circo e com elasticidade, como tantos querem fazer querer. Para a maior parte das pessoas, fechar os olhos, respirar e ficar em silêncio, já é uma transformação. O silêncio pode parecer desconfortável, e sobretudo fora de moda. Mas só no silêncio te podes ouvir, ninguém fora de ti tem as respostas para a tua vida.
No silêncio percebemos como funciona a nossa mente. Conhecemos os nossos pensamentos e a forma como surgem e se encandeiam. Podemos decidir para onde os direcionar, cultivando pensamentos de compaixão, amor, autoconfiança, verdade. A mente é nossa, nós temos controlo sobre a mente, ela não tem uma vida própria e independente.
É no silêncio que o sistema nervoso encontra uma oportunidade para se reequilibrar. Basta que te permitas estar em silêncio, alguns momentos por dia, para começares a recuperar paz e serenidade. O silêncio é o terreno fértil para identificar as nossas emoções, padrões de comportamento, e permite alcançar um estado de presença e conexão contigo mesmo, e consequentemente com os outros e com o Mundo.
Este artigo foi publicado na edição nº 28 da revista Líder, sob o tema Silêncio. Subscreva a Revista Líder aqui.

