Se o mundo do trabalho se tem alterado drasticamente nos últimos anos, a próxima década pode trazer mudanças ainda mais canónicas. A Geração Alpha (composta por pessoas nascidas entre 2010 e 2025) acredita que, nos próximos 15 anos, as longas deslocações até ao local de trabalho e a utilização do e-mail vão terminar, antecipando a […]
Se o mundo do trabalho se tem alterado drasticamente nos últimos anos, a próxima década pode trazer mudanças ainda mais canónicas. A Geração Alpha (composta por pessoas nascidas entre 2010 e 2025) acredita que, nos próximos 15 anos, as longas deslocações até ao local de trabalho e a utilização do e-mail vão terminar, antecipando a integração diária de robôs e inteligência artificial no ambiente profissional.
Esta conclusão consta do novo estudo da International Workplace Group (IWG), que revela que os mais novos acreditam que o mercado de trabalho será radicalmente diferente do dos seus pais.
A pesquisa entrevistou jovens e adolescentes entre os 11 e os 17 anos, assim como os seus pais, sobre a forma como visualizam o mercado de trabalho em 2040, altura em que a Geração Alpha representará a maioria da força laboral. Quase nove em cada dez (86%) acreditam que as suas vidas profissionais serão totalmente diferentes das dos pais, com dinâmicas de escritório muito distintas das atuais.
Fim das deslocações diárias
Uma das principais mudanças apontadas é o desaparecimento das longas viagens entre casa e trabalho. Menos de um terço dos jovens (29%) espera gastar mais de 30 minutos em deslocações diárias, contrastando com a realidade da maioria dos trabalhadores atuais. Três em cada quatro (75%) consideram que reduzir o tempo perdido em deslocações será uma prioridade, permitindo-lhes mais tempo para a vida pessoal e familiar.
«A próxima geração de trabalhadores deixou clara a sua posição: a flexibilidade sobre onde e como se trabalha deixou de ser uma opção – é uma necessidade. Esta geração cresceu a ver os pais perderem tempo e dinheiro em longas deslocações, algo que a tecnologia já permite evitar», sublinha Mark Dixon, fundador e CEO da IWG.
Robôs e IA como parte do dia a dia
A tecnologia terá um papel central no futuro do trabalho. Segundo o estudo, 88% da Geração Alpha espera trabalhar regularmente com assistentes inteligentes e robôs, uma tendência em crescimento no contexto nacional, onde se estima existirem já cerca de 6.500 robôs nas empresas portuguesas, de acordo com o Banco de Portugal (estudo ‘Robôs nas empresas portuguesas’, abril de 2024).
Entre as inovações que estes jovens acreditam que farão parte do ambiente profissional do futuro estão os óculos de realidade virtual para reuniões tridimensionais (38%), zonas de jogos (38%), cabines de descanso (31%), controlo personalizado de temperatura e iluminação (28%) e salas de reuniões com realidade aumentada (25%).
Num dado surpreendente, um terço (32%) dos inquiridos acredita que o e-mail vai deixar de existir, sendo substituído por novas plataformas e tecnologias de comunicação mais eficientes.
«A tecnologia sempre moldou o mundo do trabalho e continuará a fazê-lo. Há 30 anos, o e-mail revolucionou a forma como trabalhamos. Hoje, a inteligência artificial e a robótica estão a ter um impacto igualmente transformador, definindo o modo como a Geração Alpha vai trabalhar no futuro», reforça Mark Dixon.
O trabalho híbrido como nova realidade
A investigação da IWG indica ainda que o trabalho híbrido será o modelo dominante até 2040. 81% dos jovens acreditam que a flexibilidade será a norma, com liberdade para escolher onde e como trabalham. Apenas 17% esperam trabalhar sempre num escritório principal, prevendo-se que a maioria divida o tempo entre casa, espaços de trabalho locais e sedes centrais, para aumentar a eficiência e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Entre os principais benefícios do regime híbrido para a Geração Alpha estão a redução do stress com as deslocações (51%), mais tempo com família e amigos (50%), melhor saúde e bem-estar (43%) e maior produtividade (30%). Um terço (33%) acredita ainda que a semana de quatro dias será o modelo padrão no futuro.
Esta visão sobre a flexibilidade laboral confirma uma tendência crescente também em Portugal. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), 1,1 milhões de trabalhadores exerceram funções remotamente no segundo semestre de 2024, representando 21,5% da população empregada — sendo que 37,9% atuam em modelo híbrido.



