Hoje, mais do que nunca, o combate às alterações climáticas «é uma luta global, de todos e em todo o mundo», diz Cláudia Santiago, Responsável de Sustentabilidade da Galp, numa reflexão sobre o necessário contributo de cada um de nós para obtermos os resultados que o Planeta exige. Precisamente por isso a Galp lançava já […]
Hoje, mais do que nunca, o combate às alterações climáticas «é uma luta global, de todos e em todo o mundo», diz Cláudia Santiago, Responsável de Sustentabilidade da Galp, numa reflexão sobre o necessário contributo de cada um de nós para obtermos os resultados que o Planeta exige.

Precisamente por isso a Galp lançava já em 2019 a campanha “Hoje é um bom dia para mudar” e colocava na agenda a importância que os pequenos gestos têm na construção de um futuro melhor. Este foi o ponto de partida para uma conversa mais ampla com impacto concreto. «Porque grandes empresas como a Galp não podem limitar-se a apontar o horizonte, devem também liderar, através do exemplo, o caminho para alcançá-lo», conta Cláudia Santiago à Líder.
O ano de 2020 foi marcado por profundas mudanças e desafios na empresa portuguesa de energia integrada. O posicionamento na transição energética rumo a um mundo mais sustentável tem ganho preponderância e a Galp assumiu publicamente os seus compromissos de descarbonização e está a corporizá-los através da transição energética em todos os seus segmentos de negócio.
Este é, aliás, um movimento que permite à Galp alinhar o seu portefólio com a visão de neutralidade carbónica na Europa até 2050 e que a levou já a assumir o objetivo de reduzir a intensidade das suas atividades em pelo menos 15% até 2030.
É a empresa mais sustentável da Europa no seu setor e a terceira melhor a nível mundial, de acordo com os critérios do Dow Jones Sustainability Indices de 2020, repetindo a melhor pontuação dos quase dez anos de presença constante nestes índices. E a Sustentabilidade está no seu ADN, desde a origem ao desenvolvimento das operações, do portefólio e da estratégia ao longo dos anos.
A aquisição do negócio solar em Espanha, em 2020, tornou a Galp no maior operador solar da Península Ibérica, detendo cerca de 1 GW em produção e um conjunto de projetos de elevada qualidade em desenvolvimento perfazendo cerca de 3,7 GW no total. E não ficou por aí. No final de março, lançou o primeiro projeto solar em Portugal, em Alcoutim. Passou também a disponibilizar planos de eletricidade 100% verde; apostou na startup Flow para desenvolver um sistema operativo global para a mobilidade elétrica; criou a empresa EI – Energia Independente para a venda de painéis solares que fomentem o autoconsumo de energia solar; e está a posicionar-se nas cadeias de valor do hidrogénio verde e das baterias elétricas. Para 2021, as energias renováveis são um dos seus grandes faróis.
Esta estratégia levou a empresa a criar uma nova unidade de Renováveis & Novos Negócios, um dispositivo claro para a Galp acelerar a transição energética. E recentemente, em fevereiro de 2021, deu mais um passo, tornou-se na primeira empresa portuguesa certificada pelo International Sustainability & Carbon Certification (ISCC) a produzir GPL a partir de matérias biológicas.
Um percurso traçado tendo sempre em mente uma atuação ética e responsável, comprometida em desenvolver um negócio consciente. Para a Galp é sempre um bom dia para melhorar o Planeta.
87% dos portugueses consideram as alterações climáticas um problema muito sério (superior à média europeia, de 79%), segundo o Eurobarómetro de 2019. Mas nem todos adotam na sua vida medidas para fazer frente a este combate. Como é que conseguimos sacudir consciências coletivas e predispor-nos a fazer alguns sacrifícios no presente a fim de evitar cataclismos naturais?
A necessidade de despertar consciências para os tremendos desafios que a nossa sociedade tem pela frente é um ponto de partida crítico para sermos bem-sucedidos no combate às alterações climáticas. Esta é uma luta global, de todos e em todo o mundo, e que precisa do contributo cada um de nós para obtermos os resultados que o Planeta exige.
Foi precisamente por isso que a Galp lançou em 2019 a campanha “Hoje é um bom dia para mudar”, e que colocou na agenda a importância que os pequenos gestos têm na construção de um futuro melhor. Todos contamos, todos somos importantes para o caminho da Sustentabilidade e da transição energética. E o objetivo dessa campanha foi sensibilizar para o facto de às vezes bastarem pequenas atitudes em casa, alterar pequenos comportamentos no nosso dia a dia, para conseguirmos chegar ao fim do ano com uma redução substancial na nossa pegada energética.
Esse foi o ponto de partida para uma conversa mais ampla com impacto concreto. Porque grandes empresas como a Galp não podem limitar-se a apontar o horizonte, devem também liderar, através do exemplo, o caminho para alcançá-lo.
A aquisição do negócio solar que fizemos em Espanha em 2020 – e que tornou a Galp no maior operador solar da península ibérica – foi a manifestação mais evidente do “walk the talk” que move a Galp.
Mas fomos mais longe: passámos a disponibilizar aos nossos clientes de planos de eletricidade 100% verde, apostámos na startup Flow para criar como um sistema operativo global para a mobilidade elétrica; criámos a empresa EI – Energia Independente para a venda de painéis solares que fomentem o autoconsumo de energia solar e estamos a dar passos para posicionar a Galp nas cadeias de valor do hidrogénio verde ou para a cadeia de valor das baterias elétricas. Estes são exemplos concretos que materializam a resposta da Galp aos desafios do presente e que posicionam a empresa como líder da transição energética rumo a um mundo mais sustentável.

As empresas desempenham um papel crítico para ajudar a alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Qual é o compromisso da sua empresa perante os ODS?
A Sustentabilidade está no ADN da Galp desde a sua origem e foi sempre uma marca de água no desenvolvimento das operações, do portefólio e da estratégia da empresa ao longo dos anos. Ou seja, a Sustentabilidade é um elemento endógeno à nossa presença em qualquer geografia, atividade ou contexto.
Foi este ADN que levou a Galp a abraçar desde a primeira hora os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas para um modelo global de sociedade sustentável, que cruza a prosperidade e o bem-estar geral com a proteção do ambiente.
Para a Galp, os ODS são mais do que compromissos. Estes objetivos moldam o nosso modelo de negócio e a nossa atuação pois são objetivos que partilhamos e integramos na nossa atividade, todos os dias: foco nas pessoas, respeito pelos direitos humanos, segurança, diminuição das desigualdades, acesso à energia, produção e consumo responsável e sustentável, proteção do ambiente e luta contra as alterações climáticas.

Qual é a estratégia para as alcançar as ambições traçadas?
O contexto político em matéria de descarbonização é moldado essencialmente por dois acordos internacionais assinados em 2015 e 2016, a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris, respetivamente, coordenado pelas Nações Unidas.
O ano de 2020 foi um ano marcado por profundas mudanças e desafios. Num contexto em que a transição energética ganhou elevada preponderância, a Galp consolidou a sua estratégia de responder simultaneamente ao paradigma de entregar mais energia a uma sociedade em crescimento, reduzindo também as emissões de gases com efeito de estufa.
A Galp já assumiu publicamente os seus compromissos de descarbonização e está a corporizá-los através da integração da transição energética em todos os seus segmentos de negócio. Este é um movimento que permite à Galp a alinhar o seu portefólio com a visão de neutralidade carbónica na Europa até 2050 e que levou já a empresa a assumir o objetivo de reduzir a intensidade das suas atividades em pelo menos 15% até 2030.
Como parte da sua estratégia de baixo carbono, a Galp está a desenvolver a sua atividade de geração de energia a partir de fontes renováveis diferenciadas que sejam competitivas, especialmente num contexto de menor intensidade carbónica. E está a posicionar-se em novas áreas que podem potenciar e reforçar esse caminho.
Essa estratégia levou a empresa a criar uma nova unidade de Renováveis & Novos Negócios, um passo claro para a Galp acelerar a transição energética, desenvolvendo um portefólio sustentável e diversificado de geração de energia renovável, fomentando uma sinergia natural com as nossas atividades comerciais Ibéricas.
Esta estratégia da Galp prevê a descarbonização gradual do seu portefólio e estabelece objetivos de longo prazo para a redução da intensidade carbónica das suas atividades. Mas no curto prazo estes compromissos já tiveram passos muito robustos na materialização das ambições da Galp na área das energias renováveis.
A conclusão, em 2020, do acordo para a aquisição de um portefólio de energia solar em Espanha é um grande exemplo: a Galp passou a ser o principal operador solar na península ibérica detendo cerca de 1 GW em produção e um conjunto de projetos de elevada qualidade em desenvolvimento perfazendo cerca de 3,7 GW no total. Será um dos pilares do nosso caminho na transição energética.
Em 2021 daremos sequência a esta estratégia definida no âmbito da transição energética e que tem nas energias renováveis um dos seus pilares fundamentais.
Continuaremos, por isso, a analisar todas as oportunidades de negócio que surjam, bem como a avaliar novas soluções com vista ao aumento da eficiência energética das nossas atividades, assim como a produção de formas de energia de baixa intensidade carbónica (como por exemplo, os biocombustíveis a partir do processamento de matérias primas recicladas, o hidrogénio verde ou a cadeia de valor das baterias elétricas).
Ainda muito recentemente, já em fevereiro de 2021 demos mais um passo muito concreto nesse caminho que estamos a traçar: a Galp tornou-se na primeira empresa portuguesa certificada pelo International Sustainability & Carbon Certification (ISCC) a produzir GPL a partir de matérias biológicas, iniciando assim o processo de descarbonização de uma fonte energética que é já uma das mais eficientes disponíveis no nosso país.
Que análise faz da sua evolução do vosso setor nesta matéria?
Vivemos tempos fascinantes, de mudança acelerada e de disrupção no sector energético. Não é um novo ciclo, é uma nova era, e sabemos que só podemos vencer este desafio com um mindset de inovação, capacidade de adaptação ao novo e mente aberta.
Toda a indústria energética, a nível global, terá de abraçar uma profunda transformação para alcançar os objetivos traçados pelo Acordo de Paris. Essa preocupação existe e tem um impacto já muito concreto nas estratégias que estão a ser implementadas e nos compromissos assumidos pelas empresas.
Reflexo disso foi a adesão da Galp e de outras sete das principais empresas mundiais de energia – a BP, a Eni, a Equinor, a Occidental, a Repsol, a Royal Dutch Shell e a Total – aos Princípios de Transição Energética.
Os princípios em causa suportam uma aceleração coletiva da indústria em direção aos objetivos do Acordo de Paris, através da concretização de progressos na redução das emissões de GEE, no papel dos sumidouros de carbono, e na importância da transparência e do alinhamento sobre as alterações climáticas com as associações setoriais.
A partir desta colaboração, as empresas pretendem promover uma maior consistência e transparência no reporte das emissões de gases com efeito de estufa, bem como na medição das emissões que possam ocorrer em diferentes pontos da cadeia de valor.
Esta abordagem colaborativa conjunta foi recebida de forma positiva pelos investidores que lideram a interação com empresas do sector através da Climate Action 100+ e confirma que a sustentabilidade já é hoje, de facto, uma premissa central nas estratégias empresariais.
Como surge esta necessidade de colocar a Sustentabilidade no centro das prioridades da empresa?
A sustentabilidade não é um fator novo na operação da Galp. Nunca encarámos as questões de sustentabilidade como uma área isolada que importa endereçar através de iniciativas pontuais ou em contextos específicos, nem abraçámos o desafio da sustentabilidade para responder agora a novos contextos. Pelo contrário, a sustentabilidade historicamente é estrutural na atividade da empresa, estando por isso omnipresente nas suas estratégias, decisões, investimentos e operações.
Nesse âmbito, a influência na sustentabilidade da Organização é crítica. E no contexto de emergência climática e de transição energética que vivemos, ainda mais crucial se torna.
Foi por isso que, por exemplo, a administração da Galp anunciou há dois anos que passaria a direcionar mais de 40% do investimento anual para projetos de transição energética, o que significa uma diversificação de portefólio e a aposta em novas tecnologias (mais de 15% em energias renováveis e novos negócios).
Como é vista a empresa em Portugal dentro do Grupo à luz da Sustentabilidade?
A Galp tem sido reconhecida não apenas em Portugal, mas a nível global, pelas suas práticas em matéria de sustentabilidade.
Cientes da responsabilidade que temos na sociedade e do exemplo que devemos dar, trabalhamos sempre para que os conceitos de sustentabilidade e respeito pelo ambiente tenham tradução prática. E os resultados dos nossos esforços são constantemente aferidos pelas entidades mais credíveis nesta área. Deixo alguns exemplos claros:
A Galp é a empresa mais sustentável da Europa no seu setor e a terceira melhor a nível mundial, de acordo com os critérios do Dow Jones Sustainability Indices (DJSI) de 2020, repetindo neste ano a melhor pontuação dos quase dez anos de presença constante nestes índices.
O CDP classificou em 2020 a Galp entre as empresas O&G que adotaram de forma mais eficaz as melhores práticas em matéria de clima. A Galp atingiu nível de “Leadership” e classificação “A-“, superior tanto à média europeia de “C”, como à média “B” do sector de O&G mundial.
A Galp é uma das 380 empresas incluídas no Bloomberg 2021 Gender-Equality Index, que avalia as práticas e políticas de igualdade de género das empresas cotadas, bem como a transparência na prestação de informação sobre este tema. Este tipo de reconhecimentos reflete o compromisso da empresa em criar valor partilhado para todos os seus stakeholders, implementando as melhores práticas nas dimensões ambiental, social e de governo corporativo.

Foi criado algum departamento ou grupo de trabalho que se dedique à Sustentabilidade?
Na Galp, a gestão para a sustentabilidade é tida como estratégica pelo que desde cedo que a integramos na nossa cultura, estratégia, atividades e no processo de gestão da Organização, começando pelo modelo de governo. A equipa de sustentabilidade, no seu sentido lato, é constituída por todos os colaboradores da empresa.
Desde 2012 que dispomos de uma Comissão de Sustentabilidade, que em 2019 passou a funcionar no âmbito do próprio Conselho de Administração com a missão de o apoiar na integração dos princípios de sustentabilidade no processo de gestão da Galp e promover as boas práticas do setor em todas as suas atividades, nomeadamente ao nível da definição de objetivos e metas, análises de contexto em particular de transição energética e ESG, monitorização dos indicadores de performance e do nível de cumprimento e alinhamento do nosso Plano de Sustentabilidade. Esta Comissão tem o apoio da direção corporativa de Segurança e Sustentabilidade e de Carlos Costa Pina, o nosso Chief Sustainability Officer.
E quais as prioridades desta área?
Preparada para um mundo complexo e dinâmico, a Galp assume a ambição de ser uma empresa resiliente e ágil, criando valor de longo prazo para os seus stakeholders. A Galp está comprometida com uma atuação ética e responsável e focada essencialmente em quatro eixos, incorporados na estratégia – reduzir a intensidade carbónica, colocar as pessoas no centro com um propósito comum, reduzir a pegada ecológica e desenvolver um negócio consciente.
Para estes quatro eixos tem delineado um conjunto de iniciativas, indicadores-chave e metas, que se encontram vertidos num plano estratégico dedicado para alavancar a performance de sustentabilidade.
Quais têm sido as vossas contribuições para o progresso dos clientes nesta matéria?
De momento a Galp disponibiliza aos seus clientes uma série de soluções e serviços que permitem a redução de emissões, desde os combustíveis líquidos eficientes que já integram uma fração de biocombustíveis de baixa intensidade carbónica ao Bio GPL autoproduzido a partir de fontes não fósseis, passando pela mobilidade elétrica através da Galp Electric e dos serviços de otimização e gestão de frotas da Flow.
A Galp também permite a redução de emissões relativas ao consumo energético dos seus clientes domésticos e industriais através da oferta de planos de eletricidade 100% renovável, serviços de eficiência de energética através da Galp Soluções de Energia e pela venda e instalação de sistemas de energia solar descentralizada com a Energia Independente.
Pode partilhar algumas recomendações para tornar as empresas e os negócios sustentáveis?
Ser sustentável está ao alcance de qualquer empresa. Podemos identificar três vetores orientadores como ponto de partida – entender quais os temas de sustentabilidade relevantes, conhecer quais os riscos e oportunidades e definir a estratégia para alcançar as ambições delineadas.
Os aspetos materiais são todos os que podem impactar, de forma significativa, a capacidade de gerar valor para a empresa e para os seus stakeholders. Para os conhecer é essencial a implementação de um conjunto de processos que asseguram a sua identificação e a priorização através de um apropriado envolvimento ativo da gestão e com os stakeholders chave.
A identificação e gestão de riscos e oportunidades é condição para que as empresas consigam antecipar eventos que possam impactar a empresa. Como exemplo, o novo paradigma energético compreende mudanças no consumo e padrões tecnológicos desafiantes constituindo, em simultâneo, um risco e uma oportunidade para o desenvolvimento do negócio em todas as dimensões.
Com base na análise dos aspetos materiais, na identificação e avaliação dos riscos e oportunidades e na interpretação do contexto externo, a empresa deverá definir uma estratégia alinhada no sentido de maximizar o seu contributo para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas. Integrar o vetor sustentabilidade, nas suas três vertentes, ambiental, social e económica, na estratégia global da empresa traz robustez ao caminho que se delineia e se quer percorrer. E como colocar isto na prática? Para materializar a estratégia é importante estabelecer um modelo de Governo de Sustentabilidade e um plano estratégico de atuação transversal a toda organização, criar incentivos para o seu cumprimento, e estabelecer um plano de monitorização do cumprimento dos objetivos e metas.
Por TitiAna Amorim Barroso


