Hoje venho fazer um convite à leitura: o artigo chama-se “Don’t throw out the liberal baby with the neoliberal order” e foi escrito por Nicolai Foss, Peter Klein e Samuele Murtinu. Sem querer estragar o prazer da leitura, eis três razões pelas quais vale a pena dedicar uns minutos ao texto. Primeiro, existem palavras que […]
Hoje venho fazer um convite à leitura: o artigo chama-se “Don’t throw out the liberal baby with the neoliberal order” e foi escrito por Nicolai Foss, Peter Klein e Samuele Murtinu.
Sem querer estragar o prazer da leitura, eis três razões pelas quais vale a pena dedicar uns minutos ao texto. Primeiro, existem palavras que a nossa imprensa, frequentemente anti-capitalista, usa como invocações. Neoliberalismo é uma delas. Se se quer falar de uma coisa má, a justa má fama desta palavra funciona como um aviso. Segundo, esta rejeição impede o esforço de pensar: não vale fazê-lo porque o neoliberalismo, a liberdade económica e o capitalismo são tudo a mesma coisa. Terceiro, como resultado, desenvolvemos uma visão maniqueísta da política que se torna polarizadora e problemática porque gera estereótipos e extremismos destrutivos.
Ora, os autores deixam sugestões para que pensemos melhor sobre este assunto:
- O neoliberalismo enquanto entendimento desregulado do mercado (laissez faire) é perigoso, porque gerador de desigualdade.
- O Estado tem um importante papel como definidor das regras do jogo e da sua aplicação.
- Compete-lhe também redistribuir riqueza para reduzir iniquidades e pugnar pela igualdade de oportunidades.
- Mas não compete ao Estado gerir empresas privadas – se gerir bem as públicas já estará a fazer aquilo que tem de fazer.
- Não se deve deitar fora o bebé das ideias económicas liberais com a água do banho neoliberal.
- Finalmente, a defesa dos mais pobres deve passar pela proteção da liberdade económica, num quadro de competição sem compadrio nem relações dúbias entre o Estado e as empresas.
Em resumo, liberdade económica e capitalismo selvagem são coisas bem distintas. Foss e os seus autores explicam bem porquê e ajudam a fazer a diferença entre o capitalismo escandinavo e outras formas de extração geradoras de pobreza e desigualdade, as tais que dão mau nome ao capitalismo.
P.S. Partiu Pharoah Sanders, grande saxofonista de jazz e autor, com Floating Points, do melhor álbum de 2021, Promises. Obrigado!
