Celebrou-se ontem o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, uma data assinalada pelas Nações Unidas como forma de alertar para a desigualdade de género que penaliza as oportunidades e carreiras das mulheres nos domínios da ciência, da tecnologia e da inovação. A Líder falou com Beatriz Amorim, aluna de mestrado de Engenharia Física […]
Celebrou-se ontem o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, uma data assinalada pelas Nações Unidas como forma de alertar para a desigualdade de género que penaliza as oportunidades e carreiras das mulheres nos domínios da ciência, da tecnologia e da inovação.
A Líder falou com Beatriz Amorim, aluna de mestrado de Engenharia Física da Universidade de Lisboa, que conquistou recentemente a bolsa Marie Sklodowska-Curie, uma das mais competitivas, apenas para mulheres na área nuclear.

De Marie Curie até hoje, que caminho tem sido feito na Ciência?
Beatriz Amorim reconhece que as mulheres já começam a «ser valorizadas no seu trabalho como cientistas», ainda que muito atrás dos homens. «Conseguimos fazer investigação, mas estamos em cargos mais baixos. Iniciativas que divulguem o poder das mulheres na ciência e o quanto nós somos capazes de fazer são bastante importantes, para conseguirmos subir e ter cargos elevados», explicou a investigadora.
Desta forma, a existência de mulheres que inspirem pelo exemplo é crucial, especialmente pelo sentimento de «se ela conseguiu eu também vou conseguir». «Se olharmos para o percurso da pessoa e for um percurso semelhante ao nosso nós, podemos ganhar aquela coragem de fazer o mesmo», reforçou a cientista.
Beatriz Amorim referiu Marie Curie como a sua principal inspiração, uma das primeiras mulheres a brilhar na ciência, e que dá o nome à bolsa conquistada pela jovem portuguesa. «Claramente que ela é um modelo para todas nós e deu a coragem a muitas mulheres para seguirem investigação», acrescentou.
A cientista revelou ainda que tem sido «gratificante» ver cada vez mais referências a surgirem, tais como Anne L’Huillier, laureada com o prémio Nobel da Física em 2021, dividido com Pierre Agostini e Ferenc Krausz.
Uma área desigual, mas com um futuro risonho
Segundo dados da Eurostat, em 2022, 52% dos investigadores na ciência eram mulheres na Europa, mas, para Beatriz Amorim, há ainda um longo caminho a percorrer. «A maior contribuição para essa igualdade é a existência de agências como a Agência Internacional de Energia Atómica, que distribui bolsas a mulheres na área da física nuclear», explicou a cientista, reforçando que esta continua a ser uma área «dominada pelos homens».
Beatriz Amorim irá começar um estágio num projeto inovador na Alemanha, no âmbito do Programa GET INvolved do FAIR. A jovem investigadora viu-se compelida a emigrar por notar uma falta de financiamento e valorização na ciência em Portugal. «Se nós queremos continuar a fazer investigação a sério, com centros que tenham orçamento para comprar os detetores, temos de ir para fora», referiu.
Em clima pré-eleitoral, pouco ou nada se tem falado sobre o financiamento da ciência no país, e Beatriz Amorim esclarece que há uma grande diferença, relativamente a outros países da Europa. «Está melhor em comparação a alguns anos atrás, mas ainda tem de haver mais investimento na ciência porque jovens como eu têm a necessidade de ir para fora, por não nos pagarem bem em Portugal», afirmou.
Apesar disso, é com bons olhos que Beatriz Amorim olha para o futuro da ciência no feminino e deixa o apelo para que as jovens cientistas se candidatem a bolsas, para que se abram novos caminhos e oportunidades. «Existe cada vez menos o preconceito de que nós não somos feitas para a ciência, está a provar-se aos poucos que somos!», concluiu.


