Temos mais poder do que imaginamos. Nós – mulheres, homens, jovens, seniores, empresas, organizações, políticos – qualquer que seja o papel que desempenhamos no nosso dia-a-dia, sozinhos ou em conjunto, podemos fazer muito mais se liderarmos a iniciativa. Temos um ano desafiante pela frente onde, acredito, será inevitável enfrentarmos três grandes receios e incertezas: o […]
Temos mais poder do que imaginamos. Nós – mulheres, homens, jovens, seniores, empresas, organizações, políticos – qualquer que seja o papel que desempenhamos no nosso dia-a-dia, sozinhos ou em conjunto, podemos fazer muito mais se liderarmos a iniciativa.
Temos um ano desafiante pela frente onde, acredito, será inevitável enfrentarmos três grandes receios e incertezas: o cenário político dentro e fora das nossas fronteiras, a Inteligência Artificial (IA) e consequente automatização de funções, e a escassez de talento que esteja preparado para as rápidas mudanças no nosso mercado de trabalho. É, por isso, imperativo que consideremos o que está ao nosso alcance fazer, enquanto empresários, colaboradores e como sociedade civil.
A IA dá-nos um ótimo exemplo de como responder a este tipo de desafios. Estando a transformar a sociedade, também tem deixado a nu algumas das nossas maiores fragilidades.
Reconhecemos que há um enviesamento, consciente e inconsciente, em tudo o que nos rodeia, mas saberemos identificá-lo e até que ponto chegam as suas consequências? Por exemplo, um algoritmo de uma ferramenta de saúde que só tenha dados sobre pessoas de uma faixa etária específica poderia cometer erros que colocassem a vida de alguém em risco, ou um conjunto de dados que tivessem refletido um preconceito de género poderia marginalizar mulheres. A influência nos resultados destas ferramentas, mas também nas pessoas que interagissem com elas poderia ser desastrosa. Rapidamente se torna evidente que o risco de não existir diversidade suficiente na criação de IA e nos seus conjuntos de dados poderia trazer-nos consequências danosas, reforçando estereótipos de minorias e comunidades mais marginalizadas. Precisamos de vozes diversas na criação de novas tecnologias, como em todos os espaços. Respondendo a esta evidência, a pressão da sociedade civil para aumentar a diversidade na indústria da tecnologia tem vindo a multiplicar-se.
Mas os receios de consequências negativas em IA não se ficam por aqui, por isso temos mais trabalho a fazer. Muitos temem estas novas tecnologias e o que isso poderá representar para as pessoas que trabalham nas várias indústrias que as adotem. É importante reverter este receio em duas frentes: na adaptação à automatização e na escassez de talento para enfrentar esta nova realidade. Afinal, quem não quer ser mais rápido e obter mais e melhores resultados no seu posto de trabalho?
A tecnologia é o maior aliado que podemos ter no nosso dia-a-dia, mas temos de estar preparados. Temos de apostar em aprender e melhorar as nossas capacidades e qualificações, acompanhando as transformações no mercado de trabalho. Seja através da iniciativa das empresas e instituições num investimento na formação e upskill dos seus colaboradores, seja através deles próprios, que agarrem a oportunidade e aceitem que podemos – e devemos – aprender ao longo da vida. Ninguém é experiente ou senior demais para melhorar o seu conhecimento.
A aposta na diversidade, seja ela de género, cor de pele, etária ou de percurso, é a chave do sucesso de todas as equipas que tive a oportunidade de integrar e liderar. Em abril celebrámos o Mês da História das Mulheres, que ele nos sirva de guia para começarmos a demonstrar o nosso poder transformador através da inclusão e capacitação de pessoas. Na iCapital, empresa que tenho orgulho em liderar em Portugal, temos uma equipa com 18 nacionalidades e iniciativas centradas em dar mais visibilidade às mulheres que trabalham diária e internacionalmente para o nosso sucesso, como é o exemplo da W.I.S.E. (Women in Search of Excellence).
O poder está em ti, está em mim, está em cada um de nós. Tenhamos a iniciativa de o usar.

