Os Jogos Olímpicos 2024 começam a 26 de julho e Paris será a cidade anfitriã do maior evento desportivo do planeta que até ao dia 11 de agosto vai receber mais de 10 mil atletas, entre 48 modalidades. O momento é particularmente vulnerável, não só em virtude do contexto geopolítico, mas também porque tudo será […]
Os Jogos Olímpicos 2024 começam a 26 de julho e Paris será a cidade anfitriã do maior evento desportivo do planeta que até ao dia 11 de agosto vai receber mais de 10 mil atletas, entre 48 modalidades.
O momento é particularmente vulnerável, não só em virtude do contexto geopolítico, mas também porque tudo será digitalizado, logo suscetível à cibercriminalidade.
No que diz respeito a riscos cibernéticos, as previsões apontam para cerca de 3,5 mil milhões de ocorrências de ciberataques no contexto do evento. Os dados são revelados no relatório da VisionWare, elaborado pelo Threat Intelligence Center.
Principais ameaças
Entre as operações cibernéticas que podem visar os Jogos Olímpicos (JO), destacam-se:
- Campanhas de desestabilização, através de campanhas de influência, malware e extorsão de dados, e as campanhas de perturbação, incluindo ataques DDoS e de desinformação. Os ataques de desestabilização são normalmente realizados para fins de ativismo e representam uma ameaça crescente;
- Apesar de não representarem uma grande ameaça operacional, os crimes cibernéticos com vista à obtenção de lucro, são o tipo de ataque que mais frequentemente afeta espectadores, patrocinadores e entidades e indústrias associadas aos Jogos.;
- Operações cibernéticas patrocinadas por Estados, normalmente associadas a tensões geopolíticas que afetam os países anfitriões e os países participantes e têm em vista a recolha de informações ou a sabotagem e perturbação do evento.
Contexto geopolítico
Considerando o atual contexto geopolítico, marcado pelo conflito Rússia-Ucrânia e Israel-Hamas, segundo o relatório, é provável que os JO de Paris sejam alvo de ciber-operações como medida de retaliação. A Rússia foi proibida de competir devido ao sistema de dopagem patrocinado pelo Estado em Sochi 2014 e à invasão da Ucrânia em 2022, o que a coloca como um dos principais atores a observar.
Adicionalmente, o contexto político francês também não deve ser desconsiderado. À semelhança do que aconteceu no Rio de Janeiro em 2016, a atenção dos meios de comunicação social pode ser aproveitada por grupos hacktivistas.
Entre os principais atores Estatais a considerar, aponta-se a Rússia, o Irão e o Azerbaijão, e entre os atores não-Estatais destacam-se os grupos hacktivistas e cibercriminosos. Entre as vítimas poderão estar os atletas, as agências e peritos antidopagem, os turistas e espectadores, e os patrocinadores e negócios associados aos Jogos.
Por sua vez, a própria infraestrutura dos JO também poderá ser alvo de ciberataques, perturbando os sistemas de venda de bilhetes, as comunicações ou a transmissão. Segundo a análise, as infraestruturas críticas – energia, transportes e recintos olímpicos – são também alvos vulneráveis, uma vez que um ataque bem-sucedido poderá perturbar significativamente, ou mesmo, encerrar o evento.


