As taxas de juro têm vindo a descer e é expectável que assim continue, aliviando os encargos com o crédito habitação. Ainda assim, o impacto destas descidas será muito mais ligeiro do que aconteceu nas subidas. O Dr. Finanças analisa a evolução recente dos juros e partilha o que se pode esperar das taxas até […]
As taxas de juro têm vindo a descer e é expectável que assim continue, aliviando os encargos com o crédito habitação. Ainda assim, o impacto destas descidas será muito mais ligeiro do que aconteceu nas subidas.
O Dr. Finanças analisa a evolução recente dos juros e partilha o que se pode esperar das taxas até ao final de 2024.
Prestações estão a subir desde 2022
O Banco Central Europeu (BCE) já começou a descer os juros e a perspetiva é que volte a anunciar ainda mais dois cortes este ano. No final de 2023, as taxas Euribor rondavam os 4%, enquanto em junho deste ano a média considerada para os créditos era cerca de 3,7%. Este cenário já está a ter impacto nas famílias que têm contratos associados a uma taxa Euribor, o indexante mais usado em Portugal nos créditos habitação.
Contudo, é importante destacar que entre o início de 2022 e junho de 2024 o aumento das prestações superou os 70%, independentemente da Euribor. Logo, é necessário ter em conta que as possíveis descidas não serão proporcionais às subidas verificadas ao longo de 2023.
BCE desce juros em 2024
O BCE já começou a descer os juros e isso já está a ser refletido nas prestações. No final do ano passado, as taxas Euribor rondavam os 4%. Em junho deste ano, a média da Euribor, que é considerada para os créditos, rondava os 3,7%.
Esta descida, para um empréstimo nas condições acima descritas, representa menos 42 euros na prestação. Significa que a descida de juros já está a ter impacto nas famílias que têm créditos indexados à taxa Euribor.
Ainda assim, é importante perceber com o que se pode contar nos próximos meses. Tem-se ouvido que o BCE vai voltar a descer as taxas de juro este ano, mas é importante ter em consideração que as descidas não serão proporcionais às subidas sentidas ao longo de 2022 e 2023.
A esmagadora maioria dos economistas consultados pela Reuters em julho estima que o BCE volte a descer a taxa de juro de referência em setembro e em dezembro, colocando-a nos 3,25%. Quanto a 2025, há ainda uma grande incógnita.
Isto significa que, se o BCE descer as taxas de juro para 3,25%, as taxas Euribor vão recuar para valores próximos daquele nível. Usando o mesmo crédito referido acima, haverá uma descida superior a 50 euros na prestação.
Mas estas descidas não vão ser imediatas, nem repentinas, sendo que as previsões apontam para descidas muito ligeiras. As taxas Euribor vão acompanhar, igualmente de forma ténue, as decisões do BCE.
De realçar que, por regra, as taxas Euribor antecipam as decisões do BCE, o que significa que, numa altura em que se prevê uma descida de juros para os 3,25% em dezembro, é muito possível que as taxas Euribor recuem para aqueles valores antes de o BCE implementar este corte.
Juros devem manter-se acima dos 3% até 2025
É expetável um alívio ligeiro dos juros. Sendo que os futuros e os swaps das taxas de juro, que são negociadas no mercado financeiro, mostram que a expectativa é que, só no final de 2026, as taxas Euribor recuem para valores a rondar os 2,5%.
Olhando para os futuros da Euribor, conclui-se que só em meados de 2025 é que a Euribor deve baixar a fasquia dos 3%. É importante salientar que estes dados refletem o que é negociado no mercado, ou seja, a qualquer momento esta realidade pode mudar. Se houver um problema económico, se o BCE sugerir que vai acelerar os cortes de juros ou que, pelo contrário, vai subir, a evolução das taxas será diferente.
Observando ainda os swaps das taxas de juro – que servem de referência para as operações de taxas fixas, por exemplo – a realidade não é muito diferente. O swap a dois anos da Euribor a seis meses está a negociar próximo dos 3%, sugerindo que as taxas Euribor se mantenham neste nível mais uns meses.
Taxa fixa ou variável?
No que diz respeito às taxas no crédito habitação, optar por uma taxa mista continua a compensar, mesmo num ambiente de descidas de juros, uma vez que a diferença de valores continua a ser considerável. Apesar de as condições do mercado estarem em constante mudança, no que é possível antecipar, contratar uma taxa mista continua a ser favorável para as famílias portuguesas.
Atualmente, as taxas fixas a dois anos que são praticadas variam entre 2,5% e 3,75%. Significa que, se alguém contratar estas taxas durante dois anos, os juros não sofrem alterações, mantendo a prestação estável.


