As soft skills já não são apenas tendência na liderança modernas, mas sim uma necessidade. O livro Soft Skills para Todos pretende ser um guia para os líderes – e não só – que procurem aprender mais sobre estas questões e desenvolver o seu autoconhecimento, de olhos postos no futuro. Em entrevista à Líder, o […]
As soft skills já não são apenas tendência na liderança modernas, mas sim uma necessidade. O livro Soft Skills para Todos pretende ser um guia para os líderes – e não só – que procurem aprender mais sobre estas questões e desenvolver o seu autoconhecimento, de olhos postos no futuro.
Em entrevista à Líder, o autor, Pedro Silva, esclarece a importância destas competências na liderança da atualidade e quais as prioridades para os líderes em 2025.

Num cenário de rápidas mudanças sociais e tecnológicas, quais são as soft skills mais importantes para os líderes da atualidade?
O mundo em que vivemos é cada vez mais volátil, as mudanças são cada vez mais constantes, acontecem cada vez mais rápido e as suas implicações são cada vez mais complexas. Neste sentido, a capacidade de adaptação é cada vez mais fundamental, com implicações a dois níveis: o primeiro é na flexibilidade que as próprias lideranças precisam de ter para regularem a sua ação; o segundo é na capacitação das suas pessoas a este mesmo nível, porque de nada vale ter líderes agéis e equipas resistentes.
Estas competências podem ser ensinadas ou são inatas?
As soft skills podem e merecem ser desenvolvidas, ficando cada vez mais para trás o mito de que são inatas e definitivas. Para isso acontecer, há três elementos essenciais: procurar conhecimento, ciência ou literatura sobre o tema; viver experiências nas quais essas competências sejam solicitadas; ter o apoio de alguém especializado que, com dicas e ferramentas práticas, acrescenta valor, ajuda a refletir sobre esse processo e dá feedback sobre como melhorar.
As soft skills estão muitas vezes interligadas com as características pessoais de um líder. Onde se encontra a fronteira entre as aptidões pessoais e profissionais? Deve existir sempre um limite vincado entre ambas?
As características pessoais e a personalidade são um ponto de partida que pode facilitar ou dificultar a sua conversão em competências. Por exemplo, alguém que tenha um perfil introvertido pode ter mais dificuldade em comunicar, relacionar-se com desconhecidos e lidar com os momentos de exposição associados à liderança.
Contudo, é possível ajustar esse perfil e dotar as pessoas de aptidões para liderar, relacionar-se e comunicar. Por isto, o perfil de uma pessoa acaba sempre por se manifestar nas suas competências e nas naturais limitações que todas as pessoas têm, desde que os contextos e circusntâncias que encontram permitam que isso aconteça.
Acredito que devemos sempre poder ser, em casa e no trabalho, o que realmente somos.
Quais são os erros mais comuns que os líderes cometem ao tentar desenvolver soft skills e como podem evitá-los?
O que considero ser o pior de todos os erros é considerar que a chegada a uma posição de liderança é sinal de que são uma “obra feita”, não precisando de continuar a aprender e desenvolver-se; por vezes também acontece o oposto, que é uma contínua procura por novas ideias e competências, tentando aplicar todas ao mesmo tempo e sem prioridades claras; depois, considerar que o feedback deve apenas ser de quem lidera para as equipas e não no sentido inverso, o que limita a possibilidade de as lideranças afinarem as suas intervenções; e por fim, a dificuldade em delegar e o impacto negativo que isso tem na sua produtividade, pois em vez de fazerem tarefas fundamentais de forma exímia, acabam a fazer muitas tarefas secundárias de forma desgastada.
Assim, o que recomendo é que continuem a aprender e a desenvolver-se, apliquem as novas ideias de forma gradual, aceitem feedback e criem autonomia para poder delegar.
Em tempos desafiantes, como crises económicas e guerras, que papel têm estas soft skills nas lideranças mundiais?
As competências pessoais que abordo no meu livro “Soft Skills para todos” permitem que qualquer pessoa, de qualquer setor de atividade ou com qualquer grau de experiência, possa desenvolver o seu autoconhecimento e fique com ferramentas para as implementar no seu dia-a-dia.
Isto é ainda mais importante para quem tem funções de liderança e grandes responsabilidades sobre instituições e países envolvidos em conflitos, uma vez que gerir mudanças, regular emoções, negociar e comunicar, tornam-se ainda mais sensíveis nessas circunstâncias. O que se espera de quem lidera nesses contextos é que seja baluarte de estabilidade, ponderação e referência para quem observa.
Qual é a relação entre comunicação eficaz e empatia, e como podem estas características influenciar o processo de inovação dentro das empresas?
A verdadeira comunicação é a que chega verdadeiramente ao outro. Para que isso aconteça, tão ou mais importante do que o que sentimos, é chegar à emoção do interlocutor.
Conseguindo este tipo de comunicação, empática e verdadeiramente sintonizada, cria-se uma ponte com a outra pessoa, facilitando a compreensão do seu ponto de vista. Quando conseguimos compreender sem julgar estamos mais perto de encontrar soluções que vão verdadeiramente ao encontro das suas necessidades, inovando e criando verdadeiros serviços de valor.
Que características devem os líderes priorizar em 2025?
Segundo o World Economic Forum, no seu mais recente relatório sobre o futuro do trabalho – no qual reúne dados de 803 empresas, com mais de 11 milhões de pessoas de 45 economias de todo o mundo, analisando as tendências e o seu impacto nas competências e nas estratégias de transformação para o período 2023/27 – no Top 10 das competências essenciais para integrar o mercado de trabalho neste período estão, entre outras, soft skills como empatia, escuta ativa, liderança e influência social.
O segundo lugar do ranking é ocupado por três competências de autoeficácia: resiliência, flexibilidade e agilidade; motivação e autoconsciência; curiosidade e aprendizagem ao longo da vida. Penso que esta é uma boa checklist para quem lidera se preparar para o futuro… até porque o futuro está já aí.



