No seu discurso do 25 de abril, o Presidente Seguro reclamou uma justiça que funcione a tempo e horas. Este é um pedido recorrente que já não acredito ver concretizado em vida. A necessidade de processos céleres e de uma justiça funcional é fundamental na política mas também na vida quotidiana.
Na política, a sensação que temos é que os processos se arrastam para, por design, não darem em nada. É evidente que ninguém é culpado antes de o ser mas a perceção que estes processos suscitam é a de que quem tem dinheiro acaba por se safar. O dano que estas dúvidas criam às instituições é incalculável.
Nas nossas vidas quotidianas temos a mesma sensação: de que a justiça não funciona. No meu trabalho, cada vez que aceito participar num concurso universitário, começo com a pior expectativa e com o coração nas mãos. Criou-se a noção de que protestar e eventualmente ir a tribunal são coisas normais. Uma vez no tribunal há desorganização, adiamentos e o foco na trivia administrativa que permite ganhar casos, independentemente da substância. Noutro domínio, experimentem, caros leitores, tirar um ocupa de uma vossa casa. Boa sorte. O crime parece compensar. Tudo isto, naturalmente, degrada o estado de direito. Devagar, devagarinho, um dia de cada vez. Mói e pode mesmo acabar por matar.

