Ainda é possível ter dúvidas?

A ideia de que somos bombardeados constantemente com o problema das alterações climáticas, parece-me real. Não quero com isto dizer que o problema não exista e que não possamos fazer algo; apenas que com menos alarmismo e mais racionalidade, talvez se consigam melhores resultados.

A ideia de que o aquecimento global do Planeta era inevitável devido à ação do Homem, popularizou-se há cerca de 30 anos. Durante algum tempo, o debate centrou-se na existência, ou não, de aquecimento global. Esse aspeto parece ter ficado ultrapassado com medições de temperatura cada vez mais precisas. Porém, argumentou-se, ainda assim, que o facto de hoje medirmos as temperaturas da atmosfera – não apenas nas cidades e principais estações, mas um pouco por todo o lado, incluindo desertos e climas mais quentes – lança dúvidas quanto a resultados baseados em médias.

De qualquer modo, parece que o aquecimento é um facto. Houve, entretanto, alguns senão. Por vezes a temperatura desce (como aconteceu há semanas) de forma inusitada. Isso levou a comunidade que se interessa por estes factos a mudar a designação “aquecimento global” para “alterações climáticas”. Daí até se referir algo tão incongruente como o “combate às alterações climáticas”, como se o clima não fosse em si mesmo um sistema caótico em permanente mudança, foi um pequeno passo. Os que ficaram a resmungar contra este credo foram chamados negacionistas, algo manifestamente exagerado, uma vez que a palavra fora usada para quem negava os crimes nazis.

Mas, entre os que se batiam por uma terra imune às alterações climáticas formou-se uma ala radical, uma seita, como que uma Igreja. Qualquer dúvida sobre o assunto merece uma “fatwa”, o que não contribui para uma discussão em moldes racionais e o mais científica possível; pelo contrário, impede-a. Pelo meio,

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Pode ler a opinião completa na edição de primavera da revista Líder.


Por Henrique Monteiro, Jornalista e antigo Diretor do Expresso

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