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Denise Calado

Eleições em Espanha: Direita regressa ao poder municipal

31 Maio, 2023 by Denise Calado

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, sofreu perdas nas eleições locais de Espanha, cedendo terreno ao Partido Popular (PP) conservador, que assumiu o controlo de várias câmaras municipais e regiões chave do país. 

As eleições, realizadas para 12 dos 17 parlamentos regionais do país e em municípios em todo o território nacional, são vistas como um sinal para as eleições gerais, previstas para os próximos meses, reporta o POLITICO. 

Cuca Gamarra, secretária-geral do PP, descreveu o resultado como “uma imensa maré azul”. 

O PP tem agora as regiões de Aragón, Valência e das Ilhas Baleares, até então dominadas pelo PSOE. No entanto, para governar, vai precisar do apoio de outros partidos, provavelmente o partido de extrema-direita Vox.  

O partido conquistou também a maioria absoluta em La Rioja; nas eleições municipais, o PP conseguiu uma importante vitória em Sevilha, até então controlada pelo PSOE, como parte de uma viragem para a direita em toda a região sul de Andaluzia. Além disso, também venceu na cidade de Valência. 

Como esperado, o resultado mais convincente dos conservadores foi na região de Madrid, onde a presidente, a populista libertária Isabel Díaz Ayuso, aumentou a sua participação para assegurar uma maioria. O PP também reforçou a sua presença na câmara municipal de Madrid, conquistando uma maioria absoluta. 

Tanto em Madrid como em outras partes de Espanha, o PP aproveitou o recuo do partido de centro-direita Ciudadanos, que quase foi eliminado do mapa eleitoral. 

A extrema-esquerda Podemos também sofreu perdas substanciais, incluindo a perda de todos os 10 dos seus representantes no parlamento regional de Madrid. 

Com o PP a receber mais de 750 mil votos que o PSOE, o resultado geral é visto como um grande impulso para as hipóteses do líder conservador, Alberto Núñez Feijóo, de ganhar a eleição geral, que está prevista para ocorrer antes do final do ano.  

No entanto, também destaca a dependência do seu partido no Vox para formar governos, sem outros parceiros potenciais disponíveis entre os principais partidos de Espanha.  

A extrema-direita duplicou os seus votos em comparação com as eleições municipais de 2019 e agora tem presença em todos os parlamentos regionais do país. 

 

Arquivado em:Notícias, Política

A motivação de conduzir o talento entre a imprevisibilidade e a busca da felicidade

31 Maio, 2023 by Denise Calado

Sara Sousa é Chief Operations Officer (COO) & HR Manager da Portocargo, empresa transitária, com sede na Maia, que em 2022 atingiu uma faturação de 52 milhões de euros. “Nascida” na área da logística, já que o seu Pai, Mario Sousa, é CEO da empresa, a expressão “filho de peixe, sabe nadar” assenta-lhe bem, mas o caminho que fez foi fruto das suas escolhas, convicções e motivação.  

Há 33 anos a operar na gestão logística internacional por via aérea, marítima e terrestre, a Portocargo, hoje integrada no grupo francês BBL Groupe, conta com cerca de 40 colaboradores em que a média de antiguidade na empresa é de 15 anos.  

A trabalhar na empresa desde 2005, onde começou como Assistente Administrativa, Sara Sousa partilhou com a Líder a sua paixão pela gestão de pessoas, os desafios para atrair o talento e o sentido da verdadeira felicidade no trabalho.  

Encontrar, manter e motivar as pessoas é neste momento o maior desafio das empresas. Como evitar que os melhores saiam e como encontrar o talento? 

Na Portocargo, temos um grande foco na retenção de talento. A nossa área de atividade exige forte especialização, pelo que investimos continuamente na formação, qualificação e motivação dos nossos quadros. Nesta ótica, procuramos promover uma cultura de Equipa muito forte, assente num modelo de trabalho participativo e transparente, onde cada elemento tem capacidade de se fazer ouvir. A proximidade é um dos eixos essenciais desta política, conjugada com a autonomia e responsabilização. A importância atribuída à cultura corporativa reflete-se na frequência com que a empresa dinamiza iniciativas de team building, bem como atividades de valorização dos colaboradores, nomeadamente em efemérides, ou no aniversário da empresa. Privilegiámos planos de carreira ambiciosos, que permitam a progressão individual e mantenham os colaboradores motivados para atingirem novas metas e patamares de compensação. Com base nestas premissas, orgulhamo-nos de contar com uma elevada média de antiguidade na organização, que ronda os 15 anos, com diversos colaboradores a somarem mais de duas décadas de experiência connosco. 

Vencer a “guerra pelo talento” exige uma experiência do colaborador mais humana. No setor da logística quais são as necessidades no que respeita à Gestão de Pessoas? 

As necessidades do setor da logística não são diferentes das de outros setores de atividade. Contudo, acredito que existam dois desafios particulares. O primeiro prende-se com os elevados níveis de stress e de imprevisibilidade. Fruto dos múltiplos fatores que influenciam a nossa atividade, a regra é que surjam complicações e dificuldades nas diversas operações logísticas, o que nos impele a estar permanentemente a gerir situações com caráter de urgência. É, nesta ótica, absolutamente fundamental que possa existir um acompanhamento atento dos impactos deste cenário no bem-estar de cada colaborador, bem como no relacionamento deste com os respetivos pares, prevenindo o previsível desgaste. O outro desafio incide na escassa e insuficiente formação técnica específica para esta área. Os recém-licenciados que ingressam na área do transporte internacional têm formações bastante abrangentes e generalistas, que carecem de um significativo aprofundamento e especialização no seio das Organizações. Esta é uma prioridade para nós, conscientes do tempo e recursos que necessitamos de alocar para uma eficaz qualificação do talento jovem que temos vindo a integrar. 

Entre uma pandemia e a guerra que se vive na Europa, o setor logístico passou por obstáculos e quebras significativas. O setor saiu enfraquecido, ou pelo contrário, fortalecido? 

Acredito que, sobretudo na fase da pandemia, o setor logístico saiu fortalecido e acima de tudo valorizado. A verdade é que quando grande parte dos setores pararam, as empresas transitárias e transportadoras mantiveram a sua atividade, representando um papel crucial na resposta à Covid-19. Foram estas empresas, e nós tivemos a honra de ser uma delas, que permitiram abastecer os países dos EPI necessários para os hospitais e centros de saúde, e, numa fase posterior, das vacinas contra este vírus (não só em Portugal, como também para outros países). Pela forma como tais operações foram divulgadas a nível mediático, acredito que tenham sido particularmente impactantes junto da opinião pública na transmissão da importância (e da complexidade) das operações de transporte internacional.  

Qual o papel da tecnologia na vossa atividade? 

A tecnologia vem trazer ao setor logístico alguns elementos que considero muito relevantes, como o controlo, a digitalização, a visibilidade e a previsibilidade. O controlo ou medição (de temperatura, por exemplo) é muito relevante para o transporte de determinados produtos, desde bens alimentares a farmacêuticos, e vem trazer segurança a estas operações. A previsibilidade, que se reflete, por exemplo, no serviço de Track & Trace, permite a todos os clientes verificarem, a partir de qualquer lugar e em qualquer altura, onde se encontra a sua mercadoria e qual a data prevista de entrega. Estes são vetores da máxima importância, que incrementam a qualidade do nosso serviço e aumentam a confiança depositada nos operadores logísticos. Na Portocargo, temos investido e evoluído continuamente a nível tecnológico, com a consciência de que todos os players que pretendam continuar a operar na cadeia logística necessitarão de dar respostas eficazes e céleres às crescentes exigências e necessidades dos clientes. 

Como avalia a relação Homem-máquina neste setor?  

Considero que, no setor logístico, a relação Homem-máquina é de profunda sinergia. A tecnologia vem, conforme referia acima, melhorar um conjunto de procedimentos e operações, permitindo incrementar a confiança e a produtividade. Isso é particularmente verdade para as tarefas de armazém, por exemplo. Contudo, determinadas operações, como a própria coordenação da operação, que implica o diálogo permanente com um conjunto vastíssimo de stakeholders envolvidos na mesma, nunca poderão ser realizadas por uma ferramenta de AI e necessitarão sempre de intervenção humana. 

Quais são para si os traços essenciais para uma liderança de pessoas, que seja positiva e eficaz? 

Destaco, à cabeça, três características que considero fundamentais num líder: ser resiliente, inspirador e justo. Depois, acredito ser essencial que o líder adote uma abordagem centrada nas soluções, com um foco positivo e expectativas otimistas sobre o futuro. Esta atitude é fundamental para contagiar os colaboradores que o rodeiam, em oposição ao autoritarismo que há algum tempo se associava a uma liderança forte. Do ponto de vista operacional, enunciava três vetores que acredito contribuírem decisivamente para uma dinâmica de trabalho positiva e produtiva: deve partilhar conhecimento, procurando promover colaboradores autónomos e responsáveis; deve demonstrar boa capacidade de comunicação, sendo assertivo e eficaz nos feedbacks (para que os colaboradores saibam onde estão, e onde se deseja que cheguem) e deve assegurar inteligência emocional. Um líder guia e inspira, pelo que é essencial que demonstre controlo nos diversos momentos das relações interpessoais, gerindo expressões e emoções. 

O que realmente importa quando escolhemos um trabalho ou uma profissão? 

Hoje, não tenho qualquer dúvida daquele que deverá ser o principal vetor na decisão de um novo emprego: o sentimento de realização. Face ao número de horas que passamos no local de trabalho, e ao impacto do que ali acontece no nosso equilíbrio e bem-estar, é fundamental que nos possamos sentir valorizados e motivados, contribuindo para uma felicidade que inerentemente implica a satisfação na vida pessoal e na profissional. Nesta ótica, é crucial que na procura de emprego sejam considerados diversos fatores que vão para lá do salário. A análise da função, das expetativas e objetivos da mesma, conjugada com o perfil da empresa e a forma como esta perceciona a experiência do colaborador, são decisivos para uma escolha acertada e que se reflita numa atividade diária motivadora. 

Qual a sua perspetiva sobre o futuro da Gestão de Pessoas?  

Temos assistido a uma mudança de paradigma no que diz respeito à gestão de pessoas, porque as necessidades dos jovens de hoje não são as mesmas daqueles de há 30 anos. Os gestores que queiram reter os quadros qualificados motivados vão ter de olhar para a retenção de talentos da mesma forma que percecionam as análises financeiras. Essa atitude implica a consciência de que não será possível atingir resultados e ser uma empresa eficiente sem equipas motivadas e verdadeiramente felizes. Felizes, um termo que sei que muitos gestores não gostam de ver associados às empresas, mas os dados são absolutamente claros. Colaboradores felizes são mais produtivos e mais eficientes, apresentando menor turnover e absentismo, tendo por isso impacto direto nos resultados financeiros das empresas.  

Na minha opinião, há enormes desafios de diversa ordem: 1 – Gerir colaboradores com diferentes necessidades (o gap geracional implica a consciência de que nos deparamos com realidades/objetivos muito distintos, em função das diferentes faixas etárias); 2 – Engagement – conseguir envolver os colaboradores na dinâmica e estratégia da empresa, mantendo-os comprometidos e motivados para atingir os objetivos coletivos; 3 – Retenção de talentos – dos maiores desafios nesta aérea, será sem dúvida a capacidade de assegurar a permanência dos talentos.  

A gestão de talentos tem de fazer parte da abordagem estratégica da empresa. Para tal, as organizações devem criar metodologias internas que lhes permitam identificar quais os colaboradores core da empresa, identificar esses talentos como sendo parte da sua estratégia e criar um plano de desenvolvimento individual. Isto é essencial num período em que as Pessoas querem saber, de forma clara, a sua importância e as expetativas que existem em relação à sua evolução futura. Esta gestão eficaz dos planos de gestão de carreira será, na minha ótica, a única estratégia capaz de assegurar uma efetiva retenção dos talentos.  

 

 

Arquivado em:Entrevistas, Notícias

Judite Mota (VMLY&R Lisboa): «Faz sentido que as marcas explorem as relações emocionais»

31 Maio, 2023 by Denise Calado

Judite Mota foi redatora e Diretora Criativa a maior parte da sua vida profissional tendo acumulado prémios de criatividade em quase todos os Festivais nacionais e internacionais ao longo de mais de 20 anos.  

Recentemente juntou às suas funções de Chief Creative Officer da VMLY&R Lisboa, as de Diretora Geral sendo responsável por uma equipa com o objetivo de ligar criatividade, tecnologia e cultura em benefício das marcas. Defende que o pensamento criativo deve estar presente em todos os passos da relação entre clientes e agências e que as ideias são a força que move o mundo – das marcas e não só. Foi também Presidente do Clube de Criativos de Portugal durante 4 anos e jurada em Festivais nacionais e Internacionais incluindo Cannes, D&AD e Clio. 

Colocámos a pergunta a alguns criativos:  Estarão as marcas mais sensíveis?  Judite Mota, Diretora Geral e Chief Creative Officer da VMLY&R Lisboa, aceitou o desafio. 

«A comunicação entre humanos sempre serviu para partilhar emoções – além de informação que permita a nossa sobrevivência, claro. Desde contar histórias à volta da fogueira, aos grandes dramas gregos, à publicidade, o storytelling tem de despertar emoções.  

Escolhemos pessoas ou marcas com as quais nos identificamos. Uma relação emocional será sempre mais forte do que uma relação meramente transacional, por isso faz sentido que as marcas explorem as relações emocionais. Atualmente, e com o grande volume de informação a que estamos sujeitos diariamente, é normal que as marcas se tornem ainda mais emocionais na sua comunicação.  

Mais: é crucial que partilhem os seus valores para que as audiências decidam se comungam dos mesmos ou não.  

As marcas globais têm o dever e a responsabilidade de mostrarem o que são, tanto ou mais do que mostrar o que vendem. A autenticidade e a transparência são uma exigência da nova geração que escolhe uma marca ou a rejeita com muito mais convicção, e muito mais depressa, do que acontecia com gerações anteriores.» 

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder.  

Subscreva a Líder AQUI. 

 

João Madeira, Co-CEO e Chief Creative Officer da Fuel, também respondeu.  

 

 

 

Arquivado em:Artigos, Leading Brands, Notícias

Líder de sustentabilidade – o agente na criação de sentido

31 Maio, 2023 by Denise Calado

Liderança atual trabalha a complexidade. Pretende-se uma Liderança mais multicultural e apoiando a diversidade, mais virtual e flexível, e acima de tudo, embaixadora de Sustentabilidade.  

Ao Líder caberá a árdua tarefa de ser agente de mudança de representações mentais de modelos de trabalho, e de vida no geral, começando por si.  

Na ambição de atingirem as metas de governança ambiental, social e corporativa (ESG), as organizações, ou seja, as suas Lideranças, devem procurar sair de modelos de trabalho conservadores, e com as suas pessoas, desenvolverem novas representações mentais com vista a comportamentos que promovam o verdadeiro equilíbrio no ecossistema desejado.  

Esta Liderança de promoção da Sustentabilidade exige características especificas ao Líder, tais como:  

  • Autoconsciência do seu papel e dos seus comportamentos perante o ecossistema, sendo necessária autenticidade e integridade, uma mente aberta e curiosa, e uma presença livre de enviesamentos alicerçada na humildade, na empatia e reconhecimento do diferente; 
  • Conhecimento das condições de criação de Sustentabilidade, em que a capacidade de análise crítica, a visão e o conhecimento de sistemas, são essenciais; 
  • Comportamentos proativos, como sejam: o suporte na resiliência, a capacidade de gerir a complexidade, na sua função de agente de mudança e de situações incertas; a colaboração e cocriação na improvisação e no alinhamento de propósitos e de contextos no seu papel de dinamizador da eficácia de equipas; a capacidade de influência para uma mudança positiva no seu papel de gestor do sistema e de networker. 

Estas são as características de uma Liderança que consegue responder às exigências do Planeta e das suas pessoas, exigências essas refletidas hoje sobretudo pelos colaboradores mais jovens, que as empresas pretendem reter. Uma Liderança mais centrada no sistema que inspirará as suas pessoas através de sistemas de representação (que procuram dar sentido a situações para se agir em conformidade) renovados. Na ABP Corporate Coaching estamos com as organizações, com as suas pessoas e as suas equipas, neste lugar de renovação, promovendo, através de abordagens de Coaching, alinhamento dentro do sistema, onde todos os membros, incentivados pela Liderança, serão parceiros nesta criação de sentido. Desafiando o sistema a construir a sua própria narrativa, dando sentido às diferentes dimensões que necessitam de alinhamento para uma maior eficácia e para o desenvolvimento da sua história coletiva. E convidamos à Sustentabilidade, dando visibilidade às interdependências, procurando proativamente espaços de comunicação inclusivos, assumindo responsabilidades conjuntas, e, sobretudo, oferecendo realização e 

 

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder.  

Subscreva a Líder AQUI. 

 

Arquivado em:Artigos, Leading People, Notícias

Nova agência de comunicação e marketing dedicada à sustentabilidade

31 Maio, 2023 by Denise Calado

Garoupa INC, tem a assinatura de Joana Garoupa, e é a nova agência de comunicação e marketing dedicada aos temas da Sustentabilidade que garante a diferenciação e a criação de impacto e valor, para além de uma visão conceptual da temática.  

Nos primeiros três meses de atividade o balanço é positivo, já com vários projetos em curso, em Portugal e Espanha, a serem desenvolvidos com os parceiros BridgeWhat, The Square, Relativ Impact, On strategy, Not digital, This is Luvin ou Ydigital, entre outros. Estas são algumas das empresas que fazem parte do ecossistema da garoupa INC. A imagem da marca da agência foi desenvolvida pela Saint Pirate e o site pela Comon.  

No seu percurso profissional, Joana Garoupa passou por agências de publicidade e, depois de uma incursão pela SonaeCom, aceitou o desafio de liderar o Marketing e Comunicação da Siemens. Assumiu ainda as funções de Diretora Geral da Fundação Galp e depois de uma breve passagem como COO do Omnicom media group Portugal, decidiu abrir a sua agência. Lançou em 2022 o livro “Manual de sobrevivência para o mundo corporativo”. 

As temáticas adjacentes à sustentabilidade e ESG requerem uma maturidade de conhecimentos e experiência que, em termos de comunicação, falta no mercado. Parece que anda tudo a dizer o mesmo, de forma muito semelhante, com o mesmo tom. O que proponho, com este projeto, é desafiar as empresas/marcas a encararem estas temáticas de forma profunda e transformacional, mas também como oportunidades de crescimento e consolidação de negócio. Depois de anos no mundo do marketing estratégico e comunicação, a trabalhar grandes marcas com profissionais best in class, a tomar decisões e a transformar marcas prioritizando a eficiência e a eficácia, decidi abraçar esta paixão num projeto em nome próprio. Foram 25 anos a trilhar este caminho e se há coisa que a experiência me deu, foi o conhecimento de que nem sempre é fácil emparelhar a melhor equipa com o projeto que temos em mente. É este conhecimento que trago na bagagem e que venho disponibilizar ao mercado empresarial, abordando os principais setores e atores de comunicação com uma boa perspetiva da área da Sustentabilidade 

Joana Garoupa, CEO Garoupa INC

 

Mais informações aqui: www.garoupainc.com 

Arquivado em:Marketing, Notícias

Numa sociedade em mudança, as organizações estão a reinventar-se

31 Maio, 2023 by Denise Calado

A pandemia, com tudo o que implicou, veio provocar alterações profundas nas dinâmicas das organizações e das lideranças. Este período, por tão inesperado e exigir uma profunda mudança na forma de fazer o negócio e gerir equipas, teve efeitos a vários níveis, desde os económicos, aos sociais e psicológicos.  

Em face desta realidade mais alargada, constituiu-se também como inevitável uma mudança de paradigmas na relação com o trabalho, com consequências numa diferente forma de liderar as equipas. A crescente utilização das inovações tecnológicas para desenvolver as tarefas numa perspetiva remota, a que se junta a visão diferenciada do papel do trabalho no dia-a-dia das pessoas, mostram-se decisivos, não apenas para a realidade em que nos inserimos, e tendências associadas, mas também para aquilo que se verificará no futuro, numa visão mais alargada. 

Tome-se em consideração o tantas vezes tão difundido “movimento” de quiet quitting. Ao traduzirmos à letra o seu significado, que representa uma “desistência” ou “demissão silenciosa” por parte dos funcionários das organizações, fica desde logo subjacente a ideia de que “há vida para além do trabalho”, exatamente uma das premissas tão debatidas nos últimos anos, e que tem um crescente impacto político e organizativo, num debate onde se deseja encontrar soluções que respondam aos anseios dos colaboradores, sem colocar em causa a produtividade da empresa.  

Estejamos, pois, cientes deste novo paradigma. As pessoas fazem as suas tarefas, mas não estão disponíveis para infindáveis horas extra. Não é apenas o trabalho que define o indivíduo. A valorização de um maior equilíbrio entre a sua vida profissional e a sua vida pessoal assume papel crucial. 

Esta tendência de quiet quitting tem como grandes protagonistas as pessoas da Geração Z, uma geração mais assertiva e questionadora, que definiu os seus propósitos de vida e a quem foram exigidos altos níveis de competitividade, os quais, tantas vezes, não têm eco nos modelos de organização de empresas pouco flexíveis e sem desafios mobilizadores. 

Ao refletirmos sobre estas questões, importa que não nos fiquemos por lugares-comuns superficiais, que acusam esta geração de “não vestir a camisola”. Nem que, ao pretender potenciar estes talentos, considerar que bastam alguns “truques” ou técnicas motivacionais para aumentar o seu engagement. É, antes, fundamental a reinvenção das lideranças, na forma destas exercerem os seus cargos e gerirem as suas equipas e a organização.  

As pessoas já não permanecem num emprego durante toda a sua vida profissional. Tudo é mais rápido! As expectativas são outras, o propósito e o significado do trabalho, a coerência entre os valores e as práticas, a sua participação ativa nas questões do negócio, bem como o ambiente (não tóxico) nas estruturas e nas equipas, todos são fatores fundamentais.  

Neste sentido, o papel dos líderes é fundamental. Por exemplo, ao convocarem a sua capacidade de empatia e de comunicar, questionar e escutar as expetativas e as necessidades de cada um. Na sua essência, devem compreender a perspetiva do outro e promover a inclusão, ao permitir abertura interna em redor das aspirações e problemas dos seus profissionais.  

Mas também devem ser confiáveis, capazes de promover o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.  A coerência e consistência entre aquilo que defendem e aquilo que na realidade fazem é a medida da credibilidade, que permite aos líderes ser um exemplo a seguir ou, pelo contrário, contribuir para o ambiente tóxico na equipa. Mas há também que dar um sentido de propósito e significado ao trabalho, para que os colaboradores se sintam conectados com o negócio, e não apenas a realizar “tarefas avulsas” que deverão completar.   

Outro aspeto a salientar junto das atuais lideranças é a necessária flexibilidade, de forma a perspetivar e considerar outros cenários. Não significa fazer cedências em tudo, antes integrar outros pontos de vista e levar as pessoas a sentirem-se respeitadas e valorizadas por esta atitude de abertura. Por fim, há que promover o desenvolvimento e a autonomia, ao invés de praticar uma micro gestão. 

Estamos no centro da mudança, com desafios diferentes dos que conhecíamos. Podemos lamentar-nos ou reinventar-nos, a escolha é nossa! 

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